Lucas, meu enteado (parte 6)

Há pouco tempo conheci um rapaz. Ele entrou em contato comigo pois leu os meus contos “LUCAS, MEU ENTEADO“. Ele me contou a sua história e disse que gostaria muito de escrever para o CNN mas que não tinha muita habilidade em escrever de uma forma que ficasse interessante. Então me pediu que eu escrevesse a sua história. Conversamos muito e nesse processo fui escrevendo o que ele me contava, tomando nota e analisando. Por fim comecei escrever realmente a sua história. Fiz a narrativa em primeira pessoa pois dessa forma me sinto mais próximo dos fatos.
Não esquecerei da minha história com Lucas, logo postarei mais momentos dele comigo.
Agradeço a todos que tem acompanhado minha história e me incentivado a continuar escrevendo. Sou um grande apreciador do amor puro, que dá paz e alegria a todos os envolvidos. Sou apreciador do sexo, quando feito da forma mais sublime que há, ou seja, quando em prol do prazer de todos. Sem ofensas, sem prisões, sem poderes sobre o outro.
Espero que um dia entenda-se que somos todos seres sexuais, áptos ao sexo desde mais tenra idade. Espero que um dia entenda-se que os pais e suas crianças podem compartilhar de momentos prazerosos de descobertas, carícias e sexo, e isso não faz mal, não agride e nem destrói vidas como a mídia prega e acusa.

Começarei aqui a narrar a história que ouvi de um pai que ama o seu filho acima de tudo.

Essa história começa há oito anos. Eu tinha 29 anos e um filho, o Theo de 8 anos.Havia ficado viuvo há 2 anos. Um cara alcoolizado atropelou e matou minha esposa, uma jovem de 27 anos. Com isso o meu mundo desabou. Eu já trabalhava na mesma agência que ainda trabalho hoje, porém fiquei mais de seis meses sem colocar os pés no trabalho e foi por conta disso que comecei a ter aproximação com José, o dono da agência..
Em uma sexta feira a tarde ele foi até meu apartamento. Nunca tínhamos conversado algo além do profissional.
– peço desculpas por estar aqui invadindo a sua casa, sua privacidade – José disse – tenho tentado falar contigo mas não consegui por telefones, então resolvi vir pessoalmente.
– não precisava se dá esse trabalho apenas para vir aqui me demitir, considero-me já demitido há muito tempo – eu disse.
– não. Realmente não vim aqui para isso. Jamais. Apenas tive vontade de lhe fazer uma visita. Trabalhamos juntos há bastante tempo e isso é o mínimo que poderia fazer.
José era um homem muito educado, sempre compenetrado e envolvido com o trabalho. Não era casado, não tinha filhos. Um homem bastante reservado e bastante profissional. Nessa época ele estava com 30 anos e já havia construído um bom patrimônio. Um homem bem sucedido. Era bonito, charmoso e muito inteligente e educado. Por conta de tudo isso fiquei surpreso com a sua visita extra profissional.
Porém, a partir desse dia minha vida começou mudar. Eu e José nos aproximamos. Ainda não conseguia voltar ao trabalho, nem fazer coisas muito sérias. Passava os dias trancafiado em casa, sem vontade de fazer coisa alguma, e só interagia com ele. Ou nos falavamos por telefone ou recebia ele em minha casa, e era legal, eu realmente me sentia bem com ele. Ele e Theo se deram bem, conversavam, brincavam, sorriam. E com isso eu fui reapreendendo a ter alegria, fui saindo da fossa, esquecendo a tristeza e percebi que tinha um tesouro imenso em minha vida, que era o meu filho, que eu amo muito, amo mais que tudo e não poderia mais ser triste ao lado dele. Ele merecia toda a felicidade do mundo e eu iria sempre lutar por isso. Nesse mesmo dia conversei com José e depos de meses em casa eu resolvi passear. Saímos nós três, eu, José e Theo. Brincamos, nos divertimos, passeamos, sorrimos. Foi um dia perfeito. Voltei a trabalhar, a produzi, a criar e ser feliz. E hoje ainda digo, graças a amizade de José e do meu amado filho.
O tempo passou, eu e José nos tornamos grandes amigos. Theo já tinha 8 anos e era um garoto lindo, muito apegado a mim, e amava José como um tio ou um segundo pai. E José também era extremamente presente na nossa vida, eu sentia o carinho e amor que ele tinha por meu filho. Ele era muito dedicado em fazer Theo contente, sempre dando presentes, levando pra passear, cuidando, ensinando, orientando. E eu achava isso maravilhoso.
Um dia havíamos viajado os três pra Serra. A casa era de José e passaríamos o fim de semana. Nesse dia eu senti ele diferente, um tanto tenso. Achei estranho mas não quis me intrometer. Apenas perguntei se estava tudo bem e ele disse que sim. Então curtimos o dia na piscina.
De noite Theo já estava dormindo e eu e José ainda tomando uma cerveja na varanda, quando ele diz:
– preciso lhe falar uma coisa.
– o que é?
– eu estou apaixonado – ele disse com um meio sorriso no rosto.
– sabia que havia algo. Você não estava no seu normal hoje – eu disse contente pela notícia.
– já tem tempo que estou sentindo essa paixão. Agora não dá mais pra segurar.
– e quem é a felizarda? – eu perguntei.
Seus olhos calaram nos meus, seu sorriso diminuiu ainda mais. Seu semblante foi mudando voltando a mesma tensão de antes. Então ele disse:
– não é uma felizarda.
– massa – eu disse querendo descontrair. Já desconfiava que ele fosse gay e não tinha importância alguma – que seja então um felizardo. O importante é que você tá apaixonado. Isso que importa. Enfim, quem é o felizardo que conquistou o coração do meu amigo, do meu irmão?!
– não, não é um homem – ele disse ainda com mais seriedade – quer dizer, é um homem sim. Mas não é um adulto. Não é um homem adulto. Entendeu?
– claro que entendi – disse mantendo a descontração – um novinho conquistou você. Um lolito, um estudantezinho. 16, 17 anos?
Seu semblante estava cada vez mais tenso. Seu olhar grudado no meu como se ele quisesse colocar tudo pra fora mas não soubesse como e estivesse implorando que eu o ajudasse. Ele disse:
– não. Ainda não tem 16 anos.
Eu tomei um susto e perguntei:
– 13? 12?
Ele não respondeu. Apenas me olhava sério, profundo. Implorando por algo. Ele balançou a cabeça em negativa. Então percebi a gravidade da conversa. O meu primeiro sentimento foi de preocupação por ele. Consegui captar toda sua tensão, seu temor e confusão. Perguntei sério e com pesar:
– que idade?
Seu olhar agora expressava um temor, um conflito. Estava grudado no meu mas parece que olhava atravéz. Perguntei de novo:
– que idade?
– 8 anos – ele disse quase sem voz.
– que merda, meu amigo – eu disse – você foi se apaixonar por uma criança, um garotinho de 8 anos. Que loucura! Você precisa esquecer isso. Me diga que vai esquecer isso.
– eu não posso, não consigo. É muito forte. Você não faz idéia do que eu sinto.
Ele começou chorar. Me olhando e chorando, não um choro desesperado, mas sim de tristeza e culpa. Então ele disse:
– me desculpe, por favor me perdoe. Eu juro que não queria sentir isso por ele. Mas aconteceu. Eu o amo, amo muito. Eu juro que nunca estaria me expondo dessa forma se não fosse um amor verdadeiro. Eu juro que nunca tentarei algo com ele sem a sua permissão. Me perdoe, por favor!
Naquele momento parece que o mundo inteiro havia parado. Como se não existisse mais nada além daquele momento, além de nós dois alí. Mas a ficha caiu. Meu amigo, meu melhor amigo apaixonado pelo meu filho. Um homem de 32 anos apaixonado pelo meu garotinho de apenas 8 anos. Eu não consegui pensar em muita coisa, nem sabia que atitude tomar. Senti raiva, muita raiva e disse:
– você tá louco?! Ou que miséria você pensa que tâ dizendo?
Ele apenas me olhava e eu continuei:
– como você tem coragem de me dizer uma coisa dessa? Como você tem coragem de sentir uma imundice dessa? Meu filho é uma criança, um garoto de 8 anos. O que você pensou? Que eu acharia isso normal? Que apoiaria você abusar sexualmente de uma criança? E essa criança é o meu filho! Você é podre, calhorda, ordinário, vil – nesse momento já estava tomado de ódio – esse tempo todo você perto de meu filho – avancei sobre ele e o segurei pelo pescoço – se você tiver tocado um dedo em meu filho eu vou matar você. Minha vontade é acabar com você agora, estraçalhar sua cara – empurrei ele contra a parede – pedófilo nojento! Nunca mais chegue perto de mim e muito menos de meu filho.
Naquela mesma hora eu peguei toda nossas coisas, minhas e do Theo e fomos embora.
Passei dias amargando aquela história, remoendo os fatos, lembrando das palavras de José. Não conseguia aceitar e nem entender como um homem de 32 anos poderia nutrir desejos sexuais por uma criança de apenas 8 anos? Aquilo era incabível pra mim. Olhava pro Theo e imaginava o que o José faria com ele, que tipo de relação teriam na cama. Realmente minha cabeça pirava todas as vezes que me pegava pensando em tais coisas. Pensava neles transando, pensava em meu filhinho fazendo sexo oral no José, e ele ainda tão pequeno e inexperiente e o José ensinando pra ele como fazer. Me perguntava se Theo com 8 anos apenas já tinha desejos sexuais, me questionava se o José tentaria penetrar minha criança e se seria isso possível e se ele aguentaria ser penetrado por um adulto. Inúmeras perguntas e dúvidas afloraram na minha mente. Procurei na Internet se havia casos parecidos e foi então que conheci a NAMBLA, uma organização americana que age em prol do amor entre adultos e crianças. De início eu achei tudo muito estranho e um tanto surreal. O tanto de casos e homens que amam e se envolvem com crianças é muito grande, eu não fazia ideia da dimensão do caso e da naturalidade e normalidade com que o assunto é tratado. Existem regras para um adulto manter um caso de amor com uma criança, e a primeira delas é o bem estar, a vontade e o desejo da criança, seja menino ou menina. O adulto precisa da permissão dos pais para poder se relacionar com a criança e a partir do momento que esta não queira mais, o adulto deve se retirar da relação sem causar danos a criança. Tudo é tratado com muita seriedade e responsabilidade.
Descobri um mundo inteiramente novo. Fiz muitas pesquisas, li muita coisa, inclusive relatos de pais que vivenciavam isso, com seus filhos crianças mantendo relação com um adulto. Isso passou a ocupar os meus dias e horas. Descobri muito e tomei noção de muita coisa até então desconhecidas.
Passei a observar Theo, suas atitudes, suas mudanças psicológicas e físicas. Olhava e analisava seu corpo, e imaginava se ele seria capaz de aguentar e suportar uma relação sexual com José. Nisso eu sempre tinha um misto de sentimentos e emoções. Eu brigava comigo mesmo para não achar aquilo normal, aceitável e sadio, mas cada vez que me aprofundava mais no assunto eu ia notando e me conscientizando da naturalidade daquilo. Depois de muito brigar, eu aceitei que a pedofilia existia e era tão normal quanto ser heterossexual ou homossexual ou bissexual. Vi que era algo sadio que não agredia a ninguém. Por um momento me senti relaxado e em paz comigo mesmo.
Depois de dias estudando, pesquisando e observando, me perguntei se Theo teria tendências homossexuais. Não havia parado pra pensar nisso. Lembrei de mim quando tinha a idade dele e constatei que eu já pensava em coisas sexuais, que as meninas já me causavam interesse, então poderia ser que o mesmo já estivesse acontecendo com ele e que eu nunca importei com isso, estava passando despercebido e negligenciando um assunto tão importante e delicado na formação do meu filho. Notei as mudanças de seu corpo. Observava ele no banho quando estava nu, observava seu pênis, ainda pequeno e me perguntava se ele já tinha noção do prazer sexual, se ele já se tocava. Algumas vezes percebi uma ereção e ele sempre dava um jeito de se esconder. Ele tinha vergonha de mim, e me senti culpado pois eu deixara essa barreira acontecer entre nós. Nunca me mostrei pra ele e sempre evitava qualquer assunto sexual. Por isso esse muro tenso entre eu e ele. Decidi dá um fim a isso, e aos poucos fui buscando uma intimidade e cumplicidade com ele. Comecei me mostrando de cuecas, depois trocar de roupas em sua frente, até estar de fato nu perante ele. Ia sempre ao banheiro quando ele estava tomando banho e ele foi perdendo a timidez. Também dava um jeito dele me ver no banho. No início ele tentava não olhar, mas com o tempo isso também foi desfeito e ele já me olhava com naturalidade e por vezes com a curiosidade peculiar das crianças. Realmente tudo estava caminhando satisfatoriamente. Acho que naquele momento eu já aceitava e entendia a sexualidade infantil do meu filho. Com certeza ele poderia facilmente fazer sexo, claro que se fosse o seu desejo.
Um dia resolvi ter uma conversa com ele. Sentamos e procurei palavras pra iniciar. Eu perguntei ainda sem muita espontaneidade:
– filho, você sabe o que é namorar?
– claro, meu pai – ele respondeu naturalmente como se eu tivesse feito uma pergunta boba.
– e você tem alguma namoradinha na escola?
Ele ficou calado olhando pra TV. Eu tornei dizer:
– hum, tá namorando, né?!
– não, meu pai – ele respondeu sério – por que você tá me perguntando essas coisas?
– porque eu sou seu pai e é normal essa conversa entre pai e filho.
– mas a gente nunca conversou isso.
– estamos conversando agora que você está maior, entende as coisas e já tá ficando um rapazinho.
Ele deu um sorrisinho vaidoso e envergonhado. Eu continuei:
– quando eu tinha sua idade já pensava em ter namorada.
– e você tinha? – perguntou curioso.
– ainda não mas tinha uma menina que eu gostava e queria namorar com ela mas tinha medo.
– medo de que?
– sei lá. Medo de falar pra ela que gostava dela, e ela ficar de mal comigo. Bobagens de garotos.
– você também tinha medo, era?
– sim. Você tem medo de que?
– de nada – ele falou desconcertado.
– você perguntou se eu também tinha medo, achei que você também estivesse com medo de algo.
– não, eu não tenho medo de nada – falou tentando me convencer.
– filho, eu quero que a gente seja bastante amigos – disse procurando deixar ele relaxado – eu quero que você confie em mim, converse comigo sempre que tiver alguma dúvida, algum problema, qualquer coisa – ele olhou pra mim e assentiu – eu vou sempre apoiar você em qualquer decisão que você tomar e for pro seu bem. Não tenha medo de me contar nada. Pode contar comigo pra tudo. Sou seu pai e seu amigo.
– por que você tá me dizendo essas coisas? Eu fiz algo errado? – ele perguntou preocupado.
– não, meu amor. Você não fez nada errado. Só estou conversando isso contigo porque você tá crescendo e precisa ficar sabendo de algumas coisas. Principalmente coisas de namoro, de garotas, de você, de paixão, amor.
Ele ficou me olhando, analisando a situação é então perguntou ainda sem jeito:
– pai, posso te perguntar uma coisa?
– claro. O que você quiser.
– um menino pode beijar outro menino?
Aquela pergunta me pegou de surpresa, não esperava assim de cara que ele me perguntasse isso. Procurei agir o mais natural possível e respondi:
– sim, claro. Um menino pode beijar outro menino sim.
– não é errado, não?
– não, claro que não.
Ele ficou me olhando. Eu perguntei:
– mas por que você tá perguntando? Você tem vontade de beijar outro garoto?
– não! – ele enfatizou.
– filho, não é errado beijar outro garoto, contanto que vocês dois queiram. Eu não vou ficar chateado se você tiver essa vontade e quiser fazer. É normal.
– quando você era criança, você beijou outro menino?
Não esperava por essa pergunta mas tinha que ser sincero com ele e jogar limpo, então respondi:
– quando era criança, não, mas quando era adolescente, sim.
– verdade? – ele perguntou surpreso e empolgado.
– sim, verdade.
– e você gostou?
– sim, gostei.
– era seu amigo?
– era meu amigo.
– e por que vocês se beijaram?
– queríamos saber como era beijar outro homem.
– mas você gostou mesmo?
– sim, filho. Gostei.
– vocês se beijaram outra vez?
– não.
– por que?
– porque eu gostei mais de beijar meninas. Mas tem homens que gostam mais de beijar outro homem.
– e seu amigo gosta mais de beijar homem ou mulher?
– ele gosta mais de beijar homens.
– até hoje?
– sim, até hoje.
– pai?
– oi?
– tem um garoto na escola que ele disse que tem vontade de me beijar. Ele disse que tava apaixonado por mim.
– tá vendo? É normal. E você beijou ele?
– não.
– por que não? Você não tem vontade?
– de beijar ele, não.
– mas você tem vontade de beijar outro garoto?
– sim.
– é do seu colégio também?
– não.
– é daqui do prédio?
– também não.
– você conhece ele de onde?
Ele ficou calado analisando o que me diria e então perguntou:
– pai, um menino pode beijar uma pessoa grande?
– uma pessoa grande, como assim?
– uma pessoa grande. Um adulto.
Mais um choque que aquela conversa me causava. Mais uma vez manti a naturalidade. Meus pensamentos voaram para José, pois logo imaginei que ele tivesse comentado algo do tipo com Theo, ou até mesmo já o beijado.
– pode? – ele perguntou.
– filho, as coisas não são dessa forma. Isso pode, aquilo não pode. Entende? As coisas precisam ser analisadas. Nesse caso saber quem são as pessoas, se vai ser legal pra os dois e se os dois querem. O mais importante é isso, se os dois querem.
– então se os dois quiserem, pode?
– sim, pode – por um segundo não acreditei que havia dito isso – você já beijou algum homem adulto?
– não.
– algum homem adulto já pediu pra beijar você?
– não.
– você tem vontade de beijar um homem adulto?
Ele assentiu com a cabeça um tanto envergonhado. Perguntei :
– eu posso saber quem é? – eu ansiava pela resposta. Tinha quase certeza que seria José.
Ele pensou, procurou a forma de falar e começou:
– pai, você promete que nunca vai dizer nada pra ele? É segredo meu e seu.
– eu prometo. Juro!
– eu tenho vontade de beijar o tio José.
Na verdade eu nem me assustei, pois já esperava essa resposta. Agi normal. Ele continuou:
– eu tenho vontade de beijar ele, mas eu sei que não pode, que ele não quer porque eu sou criança e também porque sou menino e ele deve gostar de beijar só gente grande e meninas.
Ele disse isso com tanto pesar, com tristeza nas palavras que senti pena dele. Tive vontade de dizer que não, que José adoraria beijar ele pois estava apaixonado, que José o amava e o queria como namorado. Mas me contive. Perguntei :
– você sente o que por ele?
– você não vai dizer nada pra ele, né?
– não.
– porque se você disser, ele vai ficar chateado comigo e nunca mais vai falar comigo.
– não, não vou falar nada.
– eu tenho vontade de beijar ele. Tenho vontade de abraçar ele. A gente ficar deitados abraçados fazendo carinho. Eu faço carinho nele e ele faz em mim. Essas coisas.
– e se ele quisesse, você ia ficar feliz?
– sim. Eu fico pensando nisso um bocado. Até já sonhei. Quando a gente vai encontrar com ele eu já fico feliz. Eu gosto de ficar com ele, passear, se divertir. As vezes quando ele tá parado eu fico olhando pra ele e tenho vontade de beijar ele muito. Eu acho ele lindo.
Juro que todo temor que sentia e toda barreira que ainda tinha em relação ao assunto se dissiparam com a declaração de meu filho. Ele estava apaixonado por José. Me senti um tanto emocionado e até feliz. Mas precisava saber de mais e perguntei:
– filho, você sabe o que é sexo?
– mais ou menos.
– você quer que eu lhe explique? Quer falar sobre isso?
– hum hum.
Procurei a melhor maneira e comecei:
– filho, as pessoas ficam juntas pra fazerem sexo. É uma coisa muito boa. Todo mundo gosta.
– sexo é quando os dois ficam nus.
– exatamente. E pode ser um homem com uma mulher, ou com outro homem, ou duas mulheres. Tudo isso é sexo. E você sabe por que ficam nus?
– pra encostar um pinto no outro? É isso?
– basicamente isso. E você tem vontade de fazer isso também?
Ele pensou e falou:
– sabe quando a gente tá na Serra, na casa de meu tio?
– sim, o que tem?
– quando a gente tá na piscina e ele fica de sunga, eu acho bonito o corpo dele, ele só de sunga.
– e o quê mais? Pode falar.
– é isso. Eu gosto quando ele fica de sunga. Eu tinha vontade que ele tirasse a sunga e ficasse nu.
– pra quê você queria que ele ficasse nu?
– pra ver ele nu. Queria ver o pinto dele, tenho vontade de ver, ficar olhando, ver como é.
– só ficar vendo? E pegar no pinto dele, você tem vontade também?
– tenho. Eu queria pegar no pinto dele. Ficar pegando pra ficar duro pra eu ver como é.
– você pega no seu pinto?
– hum hum. As vezes eu pego aí quando fica duro é bom. Dá uma sensação boa.
– você faz como pra ter essa sensação?
– eu fico alisando, fazendo carinho aí fica duro e fica bem gostoso. É bom como que. Você também faz isso no seu pinto?
– sim. Todo homem faz.
– tio José também faz?
– sim. Ele também faz.
– eu queria ver ele fazendo.
– queria ver seu tio fazendo?
– queria.
– e se ele deixasse, você faria pra ele?
– sim.
– você faria como?
– igual eu faço no meu. Ia ficar alisando, fazendo carinho pra ele sentir aquilo.
– o nome disso é punheta.
– o quê?
– isso. Ficar mexendo no pinto pra sentir isso. O nome é punheta. Fala bater punheta.
– bater punheta?
– sim. E você começou bater punheta quando?
– tem pouco tempo. Foi meu amigo que me ensinou.
– que amigo?
– um amigo da escola. Ele disse que o irmão dele que já é adolescente faz e ensinou pra ele e ele me ensinou.
– ele fez pra você ver?
– não. Ele só me explicou como fazia aí quando cheguei aqui eu fiz. Aí gostei e faço quando vou tomar banho e quando vou dormir. E você faz quando?
– também quando vou tomar banho e quando vou dormir.
– igual a mim.
– e tio José será que faz quando?
– provavelmente na hora do banho também.
– todo mundo faz quando vai tomar banho, né?
– geralmente.
– você já fez hoje?
– não.
– vai fazer?
– vou.
– quando for tomar banho?
– é. Quando você for fazer fique puxando a pele pra cima e pra baixo que é bastante gostoso assim. Você vai gostar muito.
– como?
– assim – fiz uma simulação com meu dedo.
– entendi. Assim é bom?
– muito. Se algum dia seu tio José deixar você bater punheta pra ele, você faz assim. Ele vai adorar.
– ele nunca vai deixar eu bater punheta pra ele.
– talvez um dia ele deixe. Quem sabe? Quando isso acontecer você faz do jeito que você gosta e do jeito que eu tô falando. Ele também vai lhe dizer como fazer e daí você vai aprendendo.
– tá certo.
– ele vai lhe ensinar um bocado de coisas boas pra vocês fazerem juntos. Agora tem uma coisa.
– o quê?
– isso que vocês vão fazer é sexo. E ninguém pode ficar sabendo. É segredo meu, seu e dele. Entendeu?
– entendi. Mas pai, isso nunca vai acontecer. Ele nunca vai deixar.
– talvez ele deixe. Ele gosta muito de você. Mas tem outra coisa.
– o quê?
– nunca faça nada que você não queira só pra agradar ele. Quando você não quiser fazer uma coisa, não faça e se ele insistir muito você me fala. Eu quero que você seja sempre sincero comigo. Me diga sempre a verdade. E quando você não quiser mais fazer com ele, você me diz. Combinado?
– combinado. Mas pai, isso não vai acontecer. Ele não vai querer.
– talvez ele queira também. Quem sabe?
– você não vai dizer nada pra ele, não, né?
– não. Fique tranquilo.
– jura?
– juro.
– pai?
– oi?
– eu fiquei com vontade de fazer agora. Eu vou fazer lá no meu quarto, viu?
– tá. Pode ir. Pode fazer. Faça como eu te falei. Você vai gostar.
– você vai fazer agora também?
– não, agora não. Mais tarde.
– ah tá.
– entendeu tudo que nós conversamos?
– entendi.
– agora me dê um abraço.
Theo me deu um abraço muito gostoso e cheio de carinho.
– eu te amo – eu disse.
– também te amo, pai.
Beijei com carinho sua testa e disse:
– agora pode ir bater sua punheta.
Ele sorriu. Perguntei:
– você pensa nele, em seu tio José quando tá batendo punheta?
– penso.
Dei mais um beijo nele e disse:
– vá. Pode ir.
Sorrimos cúmplices e ele foi para o quarto dele bater punheta pensando em José, o qual com certeza também batia muita punheta pensando nele.
Foi a partir dessa conversa com Theo que minha vida, minhas ideias e concepções mudaram completamente. Decidi aceitar a relação deles. Meu filho estava apaixonado por ele, tinha desejos sexuais por ele e sabia que José seria responsável o suficiente para respeitá-lo e conduzir tudo para o bem estar de meu filho. Claro que antes teria uma séria conversa com ele expondo como as coisas deveriam acontecer.
Havia quase duas semanas que nós não nos falávamos. No trabalho trocávamos palavras apenas indispensáveis. Liguei pra ele e disse que precisava muito falar com ele. Meia hora depois ele estava em meu apartamento.
Conversamos bastante. Expus tudo que agora eu pensava. Falei das minhas pesquisas e descobertas. Contei da minha conversa com Theo e enfim da desiçâo que havia tomado em aceitar que ele namorasse com meu filho. Nunca vi os olhos de alguém brilhar de tanta felicidade.
– mas eu juro que se você machucar e desrespeitar o meu filho, eu mato você – eu disse.
– eu amo esse garoto como nunca amei nada. Eu daria a minha vida por ele – ele disse – e nunca farei nada que possa machucar ou ofender ele. Conheço os seus medos de pai e acho muito normal, mas peço que tenha total confiança em mim.
– farei o possível. Tem mais uma coisa.
– diga.
– por favor, tenha muito cuidado quando vocês transarem e você penetrar ele.
– não se preocupe com isso.
– ele é uma criança. Só tem 8 anos. Com certeza será dolorido pra ele.
– eu sei. Terei bastante cuidado. Agirei calmamente. Jamais permitirei que o meu tesão me domine. Ensinarei tudo a ele com paciência e muito amor.
– quero que saiba também que conversarei bastante com ele para saber dos sentimentos dele e de como as coisas se desenrolam entre vocês.
– fique a vontade para saber de tudo tanto dele quanto de mim. Estarei sempre disponível para responder a todas as suas questões.
– melhor assim.
Ficamos em silêncio. O clima estava meio tenso. Era uma situação desconcertante. Perguntei:
– você vai querer ver ele agora?
=
– não. Não antes de lhe dá um abraço e dizer o quanto você se tornou importante em minha vida. Não sem antes eu lhe dizer que te amo, e que você é muito mais que melhor amigo. É algo que eu não encontro uma palavra pra definir.
– sei. E além de melhor amigo e essa palavra que você não encontra uma definição, agora também sou seu sogro.
Conseguimos rir. Um sorriso sincero e descontraído e então nos abraçamos.
– meu sogro! – ele disse.
– pois é. Quem diria. Mas estou bem. E quero lhe agradecer por você ter confiado em mim. Você se abriu comigo.
– sempre confiarei em você e você sabe que pode confiar sempre em mim. Somos uma verdadeira família e quero que seja pra sempre. Hoje eu estou muito feliz e agradeço a você por isso. Muito obrigado!
– apesar de tudo também estou muito feliz com tudo.
Nos abraçamos mais uma vez. Realmente nos amávamos muito. Eu disse:
– agora vá ver seu namorado. Ele tá no quarto dele.
– parece uma ilusão.
– mas é real e ele vai ficar muito feliz.
Sorrimos com cumplicidade e ele foi ao quarto de Theo. Eu fui para o meu quarto e fiquei raciocinando sobre tudo.
Continuarei a contar essa relação em um outro conto para que agora não fique muito longo e cansativo.
Por enquanto é isso e logo retornarei. Agradeço a todos pelos comentários e incentivos.

ATT: Daniel Coimbra.