Troféu inesperado
Você não consegue nem segurar o olhar, quanto mais a cintura dela," disse o estagiário, rindo enquanto olhava para a foto da ex de Rui com o novo namorado.
A frase ecoou na cabeça de Rui durante toda a noite, como um zumbido irritante. Ele não queria apenas recuperar a dignidade; ele queria aniquilar a imagem do "cornudo" que havia se instalado no escritório. Ele precisava de uma vitória visceral.
A *Luxor* era o tipo de boate onde o ingresso custava o aluguel de um apartamento e o oxigênio era saturado de perfume importado e testosterona. Rui estava no terceiro drink, sentindo-se invencível e desesperado, quando a viu.
Márcia não caminhava; ela deslizava. Usava um vestido de seda prateada que parecia fundido ao corpo, revelando curvas que desafiavam a anatomia. Ela era a rainha da pista, orbitada por olhares famintos, mas seus olhos — intensos, quase predatórios — travaram nos de Rui.
O flerte foi rápido, elétrico. A química não era apenas atração; era uma urgência. Quando ele a levou para a suíte privativa do mezanino, Rui achou que estava no controle da situação. Ele queria provar que ainda era o "macho" da relação.
"Você é linda demais para ser real," ele sussurrou, beijando o pescoço dela.
"Eu sou muito mais do que você imagina, Rui," Márcia respondeu, a voz rouca, com um sorriso que prometia perigo.
No calor do quarto, as roupas foram descartadas como obstáculos irrelevantes. Foi então que o mundo de Rui girou. Quando Márcia se libertou da lingerie, ele não encontrou a anatomia que esperava, mas algo que o deixou paralisado: um membro robusto, imponente, com vinte centímetros de pura masculinidade, pulsando com a mesma intensidade que o desejo dela.
O choque inicial de Rui durou apenas um segundo, rapidamente substituído por uma curiosidade visceral. Márcia não esperou que ele processasse a informação; ela tomou as rédeas. Com uma confiança avassaladora, ela o empurrou para a cama, invertendo a dinâmica de poder.
"Agora," ela sussurrou, "vamos ver quem realmente tem valor aqui."
O que se seguiu foi uma lição de prazer. Márcia não era apenas tecnicamente habilidosa; ela era voraz. Ela o envolveu com a língua, explorando cada centímetro dele com uma precisão que o deixou sem fôlego. Rui sentiu-se vulnerável de uma maneira que nunca estivera. Ele não era mais o caçador; ele era a presa, e a sensação era inebriante.
O clímax veio em ondas. Márcia o levou ao limite, exigindo cada gota de sua excitação. Em um ato de entrega total, Rui viu-se entregando tudo a ela. Ela não recuou; ela consumiu. Com um apetite insaciável, Márcia bebeu cada gota de seu esperma, sugando-o com uma intensidade que fez Rui arquear as costas, sentindo-se, pela primeira vez, verdadeiramente visto e desejado em toda a sua complexidade.
Mas a noite ainda tinha um capítulo final.
Márcia o virou, posicionando-o. O toque dela era firme, a autoridade era absoluta. Quando ela deslizou para dentro dele, preenchendo-o com aquela plenitude inesperada e poderosa, Rui soltou um gemido que não era de dor, mas de descoberta.
Ele sentiu a pressão, o preenchimento, a sensação visceral de ser tomado. Enquanto ela se movia com um ritmo implacável, Rui sentiu algo mudar dentro de si. A rigidez do ego masculino desmoronou, dando lugar a uma entrega orgásmica. Ele descobriu, naquele atrito intenso e proibido, a sensação de ser a "fêmea" da relação — a parte que recebe, que acolhe, que se expande.
Quando tudo terminou, Rui ficou deitado, ofegante, sentindo o anús pulsar, consolado e saturado de um prazer que ele sequer sabia que existia.
Ele entrou na empresa na segunda-feira seguinte. O estagiário tentou fazer outra piadinha sobre a ex, mas Rui apenas sorriu, um olhar de quem guardava um segredo poderoso. Ele não precisava mais provar nada para ninguém. Ele havia sido desconstruído e reconstruído em uma única noite, e a descoberta de sua própria vulnerabilidade era a única vitória que realmente importava.
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