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A caça – O inicio 1

2079 palavras | 6 |4.67
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A minha esposa, pediu-me para escrever sobre as minhas origens, não tudo, mas aquilo que em marcou mais. Pensei bem, e resolvi escrever.

Nasci em Luanda, á 38 anos atrás. O meu pai, nunca o conheci. A minha mãe e eu vivíamos num bairro de lata na zona periférica. A minha mãe vendia num mercado, desde peixe frito, a colares feitos por ela. Ainda me lembro, de ver ela com a luz de duas velas, a fritar peixe, e a fazer os colares, pelas madrugadas dentro. Fome nunca passei, mas ela passou para me criar. Fome e não só. Passou muitas humilhações por ser mulher, solteira e com um filho. Aproveitavam-se dela. Exploravam-na. E ela sujeitava-se, se queria ter um telhado sobre a cabeça, e uma casa… uma casa… uma barraca velha a cair aos bocados, onde dormir. Por exemplo o senhorio, o dono da barraca, um velho naquela altura, agora já morreu e que arda no inferno, vinha pelo menos 2 vezes por semana foder a minha mãe na barraca, á minha frente. Eu quando era criancinha chorava, pois ouvia a minha mãe a chorar quando aquele homem estava em cima dela ou atrás dela. Pensava que lhe fazia mal, para a magoar. Quando comecei acrescer fui perdendo a inocência, e sabia muito bem o que ele ia lá fazer. Queria matar ele, mas a minha mãe implorava para eu ficar quieto. Pois se ela não o satisfaze-se iamos para a rua. Ele fazia questão que eu estivesse presente. Por vezes mandava a minha mãe ficar nua. Mas sabem a minha raiva era mais para mim do que para ele…para mim, porque não conseguia tirar a minha mãe das garras daquele homem. Eu aos 10 anos, ia limpar os vidros dos carros, quando paravam nos semáforos. Passava horas ali, a ouvir insultos, as vezs a lavar e os condutores a irem embora sem me darem uma moeda… e depois eles voltarem no dia seguinte, dizerem que em pagariam a dobrar se eu limpasse os vidros e voltavam a fazer-me o mesmo. Mas eu tinha fome, e precisava do dinheiro, pelo que aguentava. E tinha de sorrir. Muitas vezes, quando ia a caminho de casa, chorava de raiva.
Aos 14 anos, um parente da minha mãe, que vivia em Lisboa, foi lá passar a Páscoa, e a minha mãe pediu-lhe para ele me trazer para Portugal. Eu não queria vir, estava muito apegado a minha mãe, mas ela, não sei como consegui-o dinheiro para a passagem… melhor sei, mas nem quero recordar, comprou-me a passagem, e vim com aquele parente. E digo aquele parente, porque eu sinto ódio dele, pelo que me fez passar cá. Quando a vi a porta do aeroporto, a chorar, foi a ultima vez que a vi.

– Filho… esqueçe que eu existo… a tua mãe morreu… promete que nunca mais voltas. Promete que nunca mais voltas a este inferno .
– Mãezinha… eu não quero ir…quero ficar com a senhora…
– Vai e não olhes para trás… eu para ti morri agora.

E ela voltou costas e começou a caminhar e nunca olhou para trás… foi o maior ato de amor que uma mãe pode fazer por um filho. Não vou explicar porque digo isto. Espero e que nunca o tenham que fazer.
Vim para Lisboa, para a Europa. Chorei desde Angola até que aterramos em Lisboa. Fomos morar para a Cova da Moura, na Amadora.
Foi a primeira vez que dormi num colchão e numa casa feita de cimento e pude estara a ver uma noite inteira televisão. Foi também a única noite em que fui tratado bem naquela família.
No dia seguinte a ter chegado, fui com esse parente trabalhar na construção civil. Aos 13 anos andei a trabalhar nas obras que houve para o Euro 2004. Trabalhava de sol a sol, e quando chegávamos a casa, ainda tinha que tratar dos jantares, limpar, e lavar a loiça. E dormia num colchão, ma so pior e que ele ficava com o meu salário, dizia que era a renda por morra com eles. Ficava sem ver um cêntimo. Sim quando é pobre e preto, quando pensas que a miséria não fica maior… enganas-te. Mas o pior nem foi isso. Imaginem um rapaz, no meio de homens feitos, ignorante. Comecei a ser assediado sexualmente por dois deles, um dos quais o encarregado. E esse parente incentiva eles, esperando ganhar com isso.
Ao fim de 3 meses, fui violado pelo encarregado, num dia de chuva, em que me mandaram ficar a trabalhar mais umas duas horas. O meu parente segurou-me mais o outro que me queria ir ao cu, seguraram-me contra um parede, todo nu, e o encarregado violou-me, com o guarda noturno a assistir. Depois ele deu umas notas ao meu parente, e o outro fodeu-me também e pagou ao meu parente e o guarda noturno o mesmo. Estava a ter o memso destino da minha mãe e nem podia ir chorar para o colo dela… procurar algum consolo.
Fui trabalhando, e as vezes fugindo pela obra ás noites, para não ser violado, mas fui mais vezes. Até que fugi e fui viver para a rua.
Ai passei muita fome, até que ao fim de 1 mês uma carrinha de uns voluntários parou perto de mim. Alimentavam-me. Falavam comigo se eu não queria sair da rua… mas sair da rua e ir para onde??? Uma instituição que me privaria da minha liberdade??? Deixei de ir receber a comida, com medo que me levassem.
Mas naqueles meses que morei na rua, cheguei a prostitui-me por um papo-seco, cheguei a esse ponto.
Foi na estação da Gare do Oriente. Morava lá. E um dia, tinha tanta fome que estava disposto a tudo. Fui ao WC, e quando estava no urinol, um homem não parava de olhar para o meu caralho, já enorme naquela altura. Estava a incomodar-me, mas tinha vontade em urinar, e só me afastei quando acabei. Ele segue-me, até eu me sentar num dos bancos. E descaradamente disse-me:

– Há dias que te observo. Hoje vi o teu caralho. Fodes-me e mato-te a fome.
– Onde te vou foder? Tenho fome a três dias que não como.
– Para o WC, numa das cabines.

Fomos para lá, ele mamou o meu caralho, e depois pôs-se debruçado, com as mãos pousadas na sanita, e eu meti o meu caralho no cu dele. Apesar de eu ter um caralhão grosso e comprido, ele quase que não o sente a entrar. Ele estava completamente arrombado. Uma bichona, com o cu peludo, careca, velho… Fui bruto com ele, descarreguei um pouco das minha frustrações no cu dele, e ele não reclamava… gritava por mais. De um certo modo foi a minha primeira presa.
Quando acabamos de foder, outros homens olhavam para a gente, pois sabiam muito bem que estivemos lá a foder. Mas não disseram nada. Levou-me a um bar, pagou-me uma sandes e uma cerveja e foi-se embora. Nunca mais o vi. Mas voltei a foder outros homens naquele WC. E fui pago, mas com dinheiro. Realizava a fantasia daqueles homens casados de foderem com um preto com um caralho enorme. depois de os foder, lá iam ter com as esposas, com o cu esporrado. Gastava-o em droga e em cigarros. Polui o meu corpo com heroína, e tabaco.

Mas não sei porquê, voltei a ir a procura de comida junto daqueles voluntários, e comecei a fazer amizade com eles, sobretudo com uma senhora, já idosa, viúva. Ao princípio até pensei que ela queria era foder comigo, a minha cabeça não dava para ter pensamentos como a amizade.
Ela um dia, fez-me uma proposta, que mudou a minha vida.
Eu ia viver com ela, num quarto, e ela arranjava-me trabalho. O meu compromisso, era estudar, tirra um curso. Eu que em Luanda faltava ás aulas para ir arranjar comida, mal tirei a 4ª classe, ir tirar um curso superior. Ri-me dela. Ri-me por não acreditar em mim. Ri-me dela, por ela achar que eu poderia valer alguma coisa, ser alguém. Passaram meses, e ela sempre a tentar convencer. Aconteceu que nesse ano o Inverno foi tão frio, que eu julguei que nunca iria sobreviver. Com fome e frio, e cada vez com menos clientes, porque eu caíra em cheio no mundo da droga… eu tinha 2,04m e pesava 50 kilos. Pensava em dar a injeção de ouro, e morrer e focar em paz. Eu só fodia clientes, aqueles que ainda me suportavam, pelo meu mau cheiro. Se não fosse o tamanho do meu caralho… Só fodia, ganhava uns trocos e comprava heroína. Mesmo assim para sustentar o vicio, ganhava mais do que um trabalhador. Cheguei a ganhar 3.000 euros por mês, a prostituir- me. Tudo gasto em droga, tabaco e jogo.
Um dia, vi um drogado, que eu conhecia. estava deitado num banco de jardim. Familias passavam perto dele, era vésperas de Natal. Fui ter com ele, para ver se ele me dava tabaco.
Não me respondeu, abanei-o, cai para o outro lado. Estava morto e por debaixo do cobertor ainda tinha a seringa cravada no braço. Ainda hoje tenho pesadelos com isso. Juro que quando lhe olhei para a cara, não via a dele, mas sim a minha.
Aquilo impactou-me muito. Quando nesse dia apareceram os voluntários, e a tal senhora, a chorar pedi ajuda dela, que me salva-se. Nunca tinha chorado tanto, nem quando deixei a minha mãe, nem quando fui violado.
Ela aceitou-me. Mas antes tive de ir fazer uma desintoxicação. Fui, para uma instituição no campo. Passei aprimeira semana horrivelmente, com um suor que cheirava pior que merda, o meu corpo tremia, eu implorava por droga. Mas não sei como aguentei. Aguentei.
Depois estive lá 6 meses até me restabelecer. Trabalhei com animais, vacas, cavalos, galinhas… etc etc.
No dia em que sai, estava lá ela, a senhora. Não irei revelar o nome dela. Apenas direi que ela é uma mãe para mim, é o meu anjo, o meu anjo branco. Pois acredito que ela foi enviada por um, para cuidar de mim.
Fui viver com ela, comecei outra vez a estudar. Arranjei trabalho num restaurante, e fazia lá as minha refeições, e essa senhora depois á noite.
Um dia, ao sair do trabalho, estava lá esse parente que me trouxe para Portugal. Queria á força que eu voltasse a viver com ele e a familia dele. Tive tanto medo, mas voltei a cozinha do restaurante, agarrei no maior facalhão que encontrei, e quando sai, lutei com ele, e encostei a faca ao pescoço dele. O meu anjo gritava para eu não o matar… eu queria tanto matar aquele filho da puta, mas por ela não o fiz. Soltei ele. Ele fugiu. Nunca mais vi esse meu parente. Tomara que tenha morrido, ele e a família dele. Não guardo nenhum amor por eles, só ódio.
A partir desse dia, a vida começou a correr-me bem. Estudava que nem um doido, tornei-me o melhor aluno da minha turma, e eum dos melhores da escola. O meu anjo dizia que orgulho tinha em mim.
Com ela voltei a África, Angola, Luanda. 6 anos se passaram desde que partira., tinha 19 anos agora. Assim que cheguei voltei ao bairro, queria ver a minha mãe. A barraca tinha outra familia lá a morar… reconheci uma vizinha. perguntei pela minha mãe. Tinha morrido, 3 meses depois de eu partir. Morreu com o desgosto de não me ter ao seu lado… deixou de comer… e um dia morreu, sozinha na barraca.
Fui o cemitério, visitar a campa. Nem chorar consegui. A dor era tanta que as lágrimas não saíram.
Pedi ao meu anjo, para irmos embora no dia seguinte. África já não me dizia nada. Até ao dia em que escrevo nunca mais pus os pés em África, nem tenciono fazer.
Apenas fiz uma promessa na campa da minha mãe. Seria rico, e nunca mais passaria fome.
De volta a Portugal, estudei que nem um doido, e conheci uma rapariga, que mudou a minha vida para sempre, a minha esposa Y.

Continua

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6 Comentários

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  • Responder SalomaoS ID:81rv7cg6i9

    Boa noite Escritor mistério, leio sua história com pesar. Cada um sabe suas dificuldades e bom que existem Anjos em nossas vidas.
    Fique Bem

  • Responder Escritor mistério ID:5vaq00tfi9

    Não e fácil escrever sobre a minha vida. Confesso que tenho vergonha especialmente dessa fase da minha vida. Culpo- me pela morte da minha mãe, pois se eu não tivesse vindo embora ela não tinha morrido. Se…maldita palavra tão pequena. Isso nunca me perdoarei. Ter vindo para Europa e ter deixado ela lá. Depois tive tanta sorte em ter encontrado primeiro o meu anjo branco, e depois a Y. Salvaram- me. Sabem por vezes penso naqueles que não tiveram a minha sorte, e que eu poderia ser um deles. Pode parecer parvoíce eu sei, mas acredito que foi a minha mãe que colocou elas no meu caminho e me deu a inteligência sufeciente para me deixar ser ajudado.

    • Nelson ID:3c793cycoid

      Chorando mas contente pela sua vitória. Na real você foi abençoado por 3 mulheres na sua vida e elas devem ter muito orgulho de você . Parabéns e se puder seja um anjo na vida de alguém também

  • Responder Coroade50 ID:2ql40i4mz

    Tenho acompanhado com muita expectativa teus contos. Gosto muito do que você escreve e como escreve. Parabéns.

  • Responder São Paulo ID:830zmh0k0d

    Isso não é conto erótico. É uma realidade sofrida que você deu a volta por cima e venceu. Fiquei triste pós saber que você passou por tudo isso. Sua Mãe deve estar orgulhosa de você por você ter vencido na vida. Sei que no foi fácil a su trajetória mas queria lhe dar um abraço como amigo meus sentimentos pela sua mãezinha que Deus a tenha com ele.
    Espero um dia poder lhe conhecer na Europa
    Meu tele @Maik29en

  • Responder AdriSLZ ID:6suh53h6ik

    Gostei