#Gay #Sado #Teen

Fui na obra atrás de rola e o pedreiro me tratou que nem uma cadela de rua

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Will Seuq

Na minha rua, tem um monte de construções. Quando eu e meus pais nos mudamos para cá, um bairro novo, com pouquíssimas residências prontas, eu jurei que a minha vida viraria um limbo. Logo eu que morei desde que nasci no centro da cidade e estava acostumado ao fervo daquele lugar. Sair de onde havia atrações para escolher, gente de todos os tipos (inclusive um monte de homem putífero), para vir para um bairro que mal estava povoado, no auge dos meus dezoito anos, foi um balde de água fria.

Durante toda a primeira semana, fiquei praticamente em depressão. Meus pais saiam para trabalhar e eu ficava em casa sem fazer absolutamente nada. Até porque, como eles gostavam de frisar, “eu ainda não tinha decidido o que fazer da minha vida”. Então, nem faculdade tinha para frequentar. Sim, um belo de um escorado, sustentado por papai e mamãe e acostumado com a vida boa. Sei disso e não me importo nem um pouco.

Nos meus primeiros dias aqui, tudo o que fiz foi usar o carro, que havia ganhado para poder me deslocar, ir ao mercado, à farmácia e à academia de bairro sem graça que eu tinha encontrado. Para ajudar no meu white people problem, meus amigos todos já estavam enrolados com seus trabalhos e estudos. Só eu não tinha nada para fazer de verdade.

O outro grande desafio que passou a me atordoar foi ficar sem homem. Não tinha ficante, não tinha pau amigo, não tinha Grindr, não tinha nada. E, assim, apesar da pouca idade, eu era viciado e estava em abstinência de pica. Descobri cedo que gostava de macho e de dar o cu. Naquela época, tinha começado a treinar, meu corpo evoluiu um pouco e eu deixei de ser mirradinho. Mas o que mais cresceu mesmo foi o meu rabo. E, olha, eu nem fazia questão de treinar especificamente essa parte do corpo.

Cá entre nós, o que eu poderia fazer se virei um rabudo no meu um metro e setenta e poucos e sessenta quilos. Para coroar, tinha zero pelos. Sempre tive aquelas peles bem brancas com, no máximo, uma pelugem loirinha. Uma receita e tanto. E, obviamente, isso começou a chamar atenção. De todo mundo. Afinal de contas, a despeito desse corpo fit, cintura fina e rabão, nunca tive feições femininas. Pelo contrário, costumava ser bem posturadinho. Então, me destacava para homens e mulheres. Pude escolher.

Ou melhor, poderia, mas a gente não escolhe. Nunca vou esquecer do Luís Felipe, que estava no terceiro ano, mas era do mesmo time de futebol que eu. Peço licença para contar rapidamente a minha história com ele – essencial para entender o agora. Branco, de cabelos escuros, alto, para mais de um e oitenta sem dúvidas e corpulento, sabe? Aquele tipo que a gente nem diz que faz academia porque parece que tem cada músculo no lugar de forma muito natural. E com tudo “ão”. Bração, mãozao, coxão, pernão, pezão e tudo bem peludão. Dezenove anos, repetente, boa vida e conhecido de todo mundo na escola. Aquele tipo que sempre distribui uma piadinha e coloca todo mundo para rir, ao mesmo tempo em que toca o terror.

Afinal, claro que as brincadeirinhas favoritas dele envolviam sexo. O garotão pingava testosterona, literalmente. Motivo pelo qual adorava chamar os coleguinhas de viado, bicha, putão, gayzinho e por aí vai. Ou seja, sobrava para todos os meninos serem vítimas do grandão que se achava o macho alfa da escola – e talvez fosse mesmo. Inclusive, sobrava para mim, que era mais novo e de uma série anterior.

Fui chamado desses elogios homofóbicos inúmeras vezes, nos bastidores, treinos e jogos, mas sempre de maneira muito ágil e distante. No meio da galera, quando eu entrava em campo, porque eu era reserva do time titular. Não achava muita graça, nem tampouco me ofendia. Nunca dei muita moral e tive muito contato direto com ele. Imagino que você saiba como funciona a hierarquia no colégio, né?
Minha vida e a convivência com ele foi assim até o fatídico dia daquela final de campeonato. Tínhamos ido para uma cidade do interior na sexta-feira à noite. Teríamos treino no sábado pela manhã, jogo à tarde e voltaríamos no domingo pela manhã.

Na primeira noite, tudo normal. Um monte de garotos entre dezesseis e dezoito anos, cheios de hormônios e livres de suas respectivas famílias. Apesar do toque de recolher, fomos até altas horas. Jogo, bebida escondida, conversa sobre futebol e sobre putaria.
No sábado, todos de cara amassada, às oito da manhã em ponto. Era a receita para dar ruim. E deu. Um dos jogadores estava mal, caiu, se machucou e ferrou o jogo ensaiado com o Luís Felipe. Ele, capitão do time, não curtiu nadinha, fechou a cara e deu ao jogador reserva uma olhada que eu nunca tinha visto ele dar para ninguém. E, no caso, o reserva era eu. Não deu sequer cinco minutos de treino e nos trombamos no campo.

— Olha pra frente, puto, não sabe jogar? — foi a primeira coisa que ele me disse naquele dia, com expressão de mal. Achei que fosse apanhar ali mesmo.

Pedi desculpas, no automático, porque aquela atitude tinha mexido um pouco comigo. De um jeito que eu não sabia explicar. Até hoje não sei explicar. Se tudo aquilo me fragilizou ou se eu era muito inferior em técnica em relação a ele. Mas a real é que dali em diante eu comecei a errar mais. Cada erro uma repreensão. E cada vez mais o Luís Felipe parecia exercer poder sobre mim. Foram duas horas de treino e um encerramento que selaria a mudança que estava prestes a acontecer. Treinando penaltis, errei duas tentativas. Na terceira, ele veio de cara fechada, mas meio debochado, me encoxou na cara dura e mandou no meu ouvido:

— Vou te ensinar, florzinha. Aprende com teu capitão.

E tanta coisa aconteceu naquele mesmo momento. Ele colado em mim, mãozona na minha cintura e me fazendo respirar todos feromônios que ele tinha para liberar. Jogadores do time, técnico e auxiliares gargalhando como se não houvesse amanhã. E eu sem qualquer reação, como se meu corpo estivesse pegando fogo e fosse se derreter nas mãos dele. Acho que não durou muito aquele contato em que só os tecidos finos do fardamento estavam entre a gente. Não tive tempo, não consegui ou não quis reagir, então foi ele que se afastou primeiro. Incrivelmente, eu acertei o pênalti. Foi uma festa e uma zoeira só. Mas quem estava zoado mesmo, era eu.
Depois do treino, todo mundo caiu fora do campo, mas eu fiquei ali. Nem banho fui tomar com os colegas. Tudo em que eu conseguia pensar era no corpo do Luís Felipe praticamente me cobrindo. Isso por si só não me fazia gay, mas também nem era o que me preocupava. Precisei de segundos para me dar conta de que a minha angústia era por querer mais. Eu tinha gostado de sentir aquele macho, as mãos, a força, o calor e o cheiro. E queria mais do garoto gostoso e escroto que estava me tratando mal.

Eu precisava de mais e não precisei nem pedir contato. O contato veio. Do treino para o jogo, a postura de predador do nosso capitão não mudou. Tanto que o aviso que ele me deu antes do apito inicial não foi nem um pouco gentil:

— Tu vai fazer só o que eu mandar, tá entendendo?

— Sim — balbuciei, só para ele ouvir. Tremendo na base.

Desestabilizado, foi assim que eu passei os quase noventa minutos do jogo. Luís Felipe me dando todos os comandos. Muitos no meu ouvido e me deixando enlouquecido. Apesar disso, era fim de partida e a gente continuava no zero a zero. Todos nós. Até que a chance veio. Peguei a bola, passei por vários e tinha dois jogadores como meu último obstáculo. Chutar direto a gol não seria fácil, mas nem impossível. A outra chance:

— Aqui, bora — ele me pediu a bola.

Não. Foi a primeira e única vez que desobedeci. E falhei. Chutei para fora e o único rosto que enxerguei foi o do meu capitão. Furioso.
Fim de jogo. Empate. Vamos para os pênaltis depois de quinze minutos. Um pequeno tumulto de todo mundo no campo, indo para os seus vestiários e o Luís Felipe chegou por trás de mim com tanta vontade que o encontrão me empurrou para frente. Só não cai no chão porque a mão dele me segurou pela cintura.

— Minha vontade era te partir no meio aqui mesmo, seu viado do caralho, mas tu vai me pagar — me avisou, baixinho.
Foi a primeira vez que experimentei a sensação de cuzinho piscando. Com aquele garotão suado em cima de mim, dizendo que eu iria pagar. E pior que paguei mesmo. Não fui escalado para os pênaltis. Ele foi. Ganhamos, no final das contas. Todo mundo enlouquecido, comemorando. Ele, de cara fechada. Eu com medo, tenso e com tesão.

— Bora beber — uma voz berrou ainda no campo e todo mundo concordou.

Ao que o técnico rebateu:

— Comemorar, sim, no bar do clube. Com álcool, nem pensar. Bora, depois a gente pega as coisas no vestiário.

— Tu não — um braço me puxou em meio a todo mundo.
Ninguém reparou ou, se reparou, não ligou, quando entramos no vestiário, em sentido contrário a todos os outros.

— Cara, desculp-

Ia pedir quando ele me empurrou mais uma vez, dessa, para dentro de uma sala do vestiário. Aquela feição de fúria, que ninguém que conhecia o boa praça da escola acharia normal. Me encarando em um lugar pequeno, mal iluminado, que só tinha uma maca no canto da parede. Imaginei que seria uma sala médica. Um calor do cão, um lugar meio claustrofóbico. Para piorar, parecia que ele respirava todo o ar, enquanto eu ficava intimidado.

— Cara, desculp-

— Cala boca, não mandei falar — me empurrou contra a porta e apertou meu queixo. — Tu acha que eu não te manjei desde que tu entrou no time?

Quase esmagado pelo corpo dele, não sabia o que responder.

— Eu farejo um boiola de longe — me olhou nos olhos. — Principalmente, um queima rosca abusado que nem tu. Presta bem atenção — apertou mais meu queixo —, gol pra ti é minha pica no teu rabo. Geral no time tem que me obedecer, mas viado que nem tu, tem que me servir.

Relatando e lembrando agora, a situação parecia feia. Quase uma violência. Mas eu não conseguia achar isso. Estava tenso, mas continuava com tesão. Era como se eu quisesse que ele continuasse me maltratando, me dominando, e ele percebeu isso.

— Entendeu o que eu te falei?

— Sim.

— Sim, capitão — pela primeira vez ele tirou a mão do meu queixo e esfregou pela minha cara.

— Sim, capitão — repeti.

E pela primeira vez também ele sorriu. Ainda predador.

— Mas é uma putinha mesmo. Minha vontade era te botar pra mamar aqui mesmo.

Foi a virada de chave. Daquelas que não tem como explicar muito. Só surgiu a coragem, daquelas que nem se sabe de onde vem, mas brota e faz a gente ir no impulso. Como eu fui, ao responder de bate-pronto:

— Bota.

Aí ele gargalhou, solto e bom vivant como sempre fazia para os outros. Parecia já estar esperando que eu reagisse assim.

— Eu sabia que o teu negócio era pica, mas eu não te mandei falar, não — deu um tapinha no meu rosto.

— Sim, capitão — assenti.

— Ajoelha.

E eu ajoelhei. E selei ali o meu destino de viado, viciado em rola. Luís Felipe tinha um pau grande, ainda que eu não tenha conseguido nunca saber o tamanho ao certo. Era grosso, um pouco torto para o lado e com pentelhos aparados. Me deixou encantado, me fez pagar um boquete, fodeu minha boca, me deu tapa na cara, fez eu tomar a porra dele e disse que queria comer meu cuzinho. Comeu, naquela madrugada mesmo, em um espaço desativado do alojamento. De quatro, no chão, foi a primeira vez que eu senti um pau entrando no meu cu. Naquela noite, dei em todas as posições possíveis e tomei o leite dele mais uma vez.

Dali em diante, o Luís Felipe passou a me comer sempre que queria. Sempre com muito tapa na cara, puxão de cabelo e soco nas costelas. Jovem, mas um dominador nato. Gozar na minha boca, então, virou rotina. Tudo enquanto eu seguia com a minha vida.
Não mudei nada, mas descobri meu lado oculto. Inicialmente, só deixei que meu colega conhecesse. Até o dia que ele decidiu que iria me dividir com um amigo. Não aguentei uma DP naquela época, ainda que eles tenham tentado. Mas só de ser putinha de dois machos, já fiquei realizado. Depois veio a primeira vez sem capa. Luís Felipe inventou que queria me comer em plena festa junina da escola. De pezinho, no banheiro.

— A camisinha — pedi, àquela época, já manhoso que só.

— Hoje vou te botar no pelo.

Ah, que sensação a de uma leitada no rabo. Passei a festa toda com a porra dele no meu cu. E fui aprendendo a ser uma vagabunda das mais discretas. Foi assim que descobri o Grindr, que conheci meu primeiro casado e que um amigo do tempo da escola do meu pai me comeu na nossa casa, na cama dos meus pais, me fazendo usar uma calcinha fio dental.

Tudo isso em poucos anos. Intensos e que tinham sido podados por essa mudança maldita de casa.

Agora, se tem uma coisa legal que eu aprendi sendo um viado enrustido é a reconhecer com que macho posso arriscar. Foi essa expertise que me fez identificar aquele pedreiro poucas semanas depois que chegamos ao bairro, em uma tarde, rebocando as paredes de uma casa, dois terrenos depois da minha. Um puta de um negão, preto retinto mesmo. Grande, de todas as formas, usando umas roupas meio trapo pra esconder um corpasso, forte e todo forjado no trabalho braçal. Boné virado para trás e uma cara de canalha daquelas.
Precisei de uma troca de olhares para saber que eu iria rodar naquela piroca cedo ou tarde. E, para a minha sorte, foi cedo. Foram três olhadas nas vezes em que passei de carro pela obra, com acenos de cabeça que ele me dava. Depois disso, parti para o ataque e fui até a casa em construção.

— Cara, tem uma das paredes lá em casa, no meu quarto, que já tem uma rachadura, acredita? Topa passar lá e me dar um orçamento? — mandei, com todo o cinismo que poderia oferecer.

Em resposta, ele me olhou com cara de que sabia bem o orçamento que eu queria. Olhou para os parceiros de obra que também se ligaram e riram. Ali, a vergonha tinha ido pelo ralo. Todo mundo no ambiente sabia que eu ia tomar no cu. E os colegas deram todo o apoio, porque na mesma hora o pedreiro largou a obra e me acompanhou.

Se meus pais sonham que eu botei um cara daqueles para dentro de casa, do meu quarto, me matam. E sem motivo algum... Quer dizer, motivo tinha.

— Diz aí, pai, não foi por isso que tu me chamou, né?

Sorri.

— Você é de pouca conversa, né?

— Conversa de viado é com a minha rola. Mas tem um preço — esfregou a mão no queixo, sacana. — Então, que que eu vou ganhar pra leitar esse teu rabão gordo?

— O que você quer? — me fiz de inocente, um pouco manhoso.

Ele olhou para todo o meu quarto, me fitou de cima a baixo e mandou:

— Qualé que é desse relógio de granfino aí?

Um smartwatch que eu tinha ganhado da minha mãe no Natal. Olhei para ele, um sorriso de malandro, e olhei para o meu pulso. Nem cheguei a responder. O cara sentou, com aquela roupa toda suja e rasgada, suado para caramba, na minha cama e me deu a ordem:

— Tira o relógio aí, bora fecha negócio, que tu já ajoelha aqui pra cair de boca na minha vara. Passa vontade não, baitolinha.

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