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O Pedreiro e o Estagiário

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Contador erótico

O sol das quatro da tarde transformava o interior do casarão em um forno de poeira flutuante. Rodrigo limpou o suor da testa com as costas do antebraço, deixando um rastro cinzento de cimento na pele já bronzeada. Ele descarregou o último saco de argamassa no chão com um baque surdo, os músculos das costas travando sob a regata gasta.

Foi quando a silhueta apareceu na porta da frente, emoldurada pela luz forte da rua.

— Com licença... Rodrigo? — A voz era limpa, um contraste brutal com o som do martelete que ecoava no andar de cima.

Rodrigo se virou, apoiando as mãos na cintura. O rapaz que entrava parecia ter saído de um comercial de shopping: calça jeans clara sem um único detalhe, tênis brancos que claramente nunca haviam pisado em um canteiro e uma prancheta digital apertada contra o peito. Devia ter pouco mais de vinte anos. A pele clara estava levemente corada pelo calor da caminhada.

— Sou eu — Rodrigo respondeu, a voz grave e direta, medindo o garoto de cima a baixo com um semicerrar de olhos. — Quem é você?

— Léo. O Dr. Augusto me pediu para acompanhar a medição dos arcos coloniais. Sou o estagiário de arquitetura. — Léo deu um passo à frente, mas parou ao perceber que o chão estava coberto por uma camada fina de cal. Ele olhou para os próprios sapatos e depois para Rodrigo, um tanto sem jeito.

Rodrigo soltou um riso curto, nasalado, e caminhou até o garoto. A diferença de tamanho ficou óbvia quando ele parou a menos de um metro de Léo. O cheiro de Rodrigo — uma mistura de suor, sol e o aroma amadeirado do desodorante barato — atingiu o jovem de imediato.

— Estagiário, é? — Rodrigo cruzou os braços, fazendo o bíceps marcado por veias sobressair. — O Dr. Augusto esqueceu de te avisar que aqui dentro a gente se suja?

Léo engoliu em seco, os olhos desviando por um milésimo de segundo para o peito largo de Rodrigo antes de voltarem para o rosto do pedreiro. Havia uma intensidade bruta naquele homem que o fez perder o fio do pensamento por um instante.

— Eu... eu tomo cuidado — Léo rebateu, tentando manter a postura profissional, embora suas bochechas tivessem esquentado um pouco mais. — Só preciso conferir as cotas daquela parede dos fundos. Você pode me mostrar?

Rodrigo continuou encarando-o por mais alguns segundos, um silêncio pesado se instalando entre os dois, quebrado apenas pelo barulho distante da cidade. Havia um magnetismo incômodo ali, um choque estático que nenhum dos dois sabia explicar.

— Vamos lá atrás — Rodrigo disse por fim, dando as costas e caminhando em direção à penumbra dos fundos do casarão. — Mas anda logo, garoto. O cimento não espera.

Léo seguiu o ritmo do homem, os olhos inevitavelmente presos ao movimento firme dos ombros de Rodrigo à sua frente, sentindo que aquela obra seria muito mais complicada do que o esperado.

A penumbra nos fundos do casarão era mais fresca, mas o ar ali parecia duas vezes mais denso. A única iluminação vinha de uma janela alta, cujo vidro quebrado cortava a luz do entardecer em feixes afiados, iluminando os grãos de poeira que dançavam no espaço.

Rodrigo parou diante de uma parede de tijolos maciços expostos, parcialmente descascada.

— É essa aqui — disse Rodrigo, a voz ecoando baixa no teto alto. — O engenheiro disse que os arcos originais estão por trás do reboco antigo.

Léo se aproximou, grato pela distância do barulho da rua, mas de repente muito consciente do silêncio que os cercava. Ele ligou a trena a laser. O ponto vermelho brilhou no peito de Rodrigo por um segundo antes de Léo direcioná-lo para a extremidade da parede.

— Certo... — Léo murmurou, digitando os dados no tablet. Seus dedos tateavam a tela com agilidade, mas sua atenção estava dividida. Ele conseguia ouvir a respiração compassada de Rodrigo logo ao seu lado. — Preciso medir a altura da viga. Pode segurar a ponta da fita métrica física para mim? O laser está dando erro por causa do reflexo da umidade.

Rodrigo não disse nada. Apenas pegou a fita metálica das mãos de Léo. No processo, seus dedos calejados e ásperos roçaram a pele macia do rapaz. Foi um toque rápido, mas a eletricidade entre os dois foi instantânea. Léo prendeu a respiração; Rodrigo manteve os olhos fixos na parede, embora sua mandíbula tenha se travado.

— Onde eu prendo? — a voz do pedreiro saiu um tom mais grave.

— Ali em cima. No topo do arco — Léo indicou, dando um passo para trás para dar espaço.

Rodrigo esticou o braço, o corpo colado à parede. A regata subiu, revelando uma linha de pelos escuros que sumia no cós da calça jeans gasta, presa por um cinto de couro velho. Léo tentou focar nos números da fita, mas seus olhos teimavam em traçar os contornos dos ombros largos de Rodrigo, que brilhavam levemente com uma película de suor novo.

— Deu quanto aí, doutor? — Rodrigo perguntou, virando o rosto de repente.

Ele pegou Léo flagrante. O jovem arquiteto estava estático, olhando fixamente para o corpo do operário, com os lábios entreabertos.

O silêncio que se seguiu não foi o de antes; era tenso, carregado de uma expectativa febril. Rodrigo não desceu o braço. Ele continuou ali, encurralando sutilmente o espaço de Léo contra a parede oposta, os olhos escuros brilhando com uma faísca de percepção. Ele sabia o que estava acontecendo. E, pela primeira vez, não se afastou.

— Três metros e... e vinte — Léo gaguejou, a voz quase um sussurro. O coração batia tão forte no peito que ele teve medo de que Rodrigo pudesse ouvir.

Rodrigo soltou a fita, que recolheu com um estalo metálico barulhento, quebrando o feitiço por um segundo. Ele deu um passo à frente, reduzindo a distância entre eles a quase nada. Dava para sentir o calor que emanava do corpo do pedreiro.

— Você está tremendo, garoto — Rodrigo constatou, a voz mansa, quase uma provocação, enquanto seus olhos desciam para a boca de Léo.

— É o... o calor — Léo mentiu, sustentando o olhar, embora suas pernas parecessem feitas de gelatina.

Rodrigo deu mais um passo, a bota de segurança tocando a ponta do tênis limpo de Léo. Ele apoiou uma das mãos pesadas na parede, logo acima do ombro de Léo, enclausurando o jovem arquiteto em seu espaço. O cheiro de testosterona, cimento e desejo ali era sufocante.

— Sei — Rodrigo murmurou, o rosto a centímetros do de Léo. — O calor.

A proximidade era tanta que Léo conseguia sentir o calor irradiando do peito de Rodrigo. O tique-taque mental do relógio da obra parecia ter parado; o martelete no andar de cima havia silenciado, deixando apenas o som da respiração pesada de ambos preenchendo a penumbra.

Léo não recuou. Suas costas encontraram o tijolo frio da parede, e o contraste com o calor que vinha de Rodrigo o fez estremecer. Ele olhou para cima, encarando os olhos escuros e decididos do pedreiro.

— Você não devia estar me olhando assim — Rodrigo disse, a voz num tom baixo, quase um rosnado áspero. A mão que estava apoiada na parede desceu lentamente, os nós dos dedos calejados roçando de leve a linha do maxilar de Léo. A pele do rapaz era absurdamente macia comparada à dele.

— Olhando como? — Léo desafiou em um sussurro, embora o tremor na sua voz entregasse o impacto daquele toque.

Rodrigo soltou um riso curto, sem humor, mas carregado de uma tensão que vinha acumulando desde que o garoto pisara no canteiro.

— Como se quisesse que eu fizesse exatamente o que eu estou com vontade de fazer.

Antes que Léo pudesse responder, a distância desapareceu. Rodrigo avançou, eliminando qualquer espaço restante. A mão que estava no rosto do jovem desceu para a nuca dele, os dedos fortes se enterrando nos cabelos limpos de Léo, puxando-o para frente com uma urgência brutal.

O beijo não teve preliminares gentis. Foi um choque de dentes e lábios, uma explosão de desejo contido. A boca de Rodrigo tinha gosto de café frio e da urgência de quem passa o dia sob o sol, enquanto Léo se entregou ao beijo com um suspiro sufocado, abrindo os lábios para receber a língua exploradora e firme do operário.

Léo largou a prancheta digital no chão; o aparelho caiu sobre a poeira com um baque surdo, completamente esquecido. Suas mãos subiram desesperadas para os ombros largos de Rodrigo, os dedos agarrando o tecido grosso da regata e, em seguida, encontrando a pele quente e suada do pescoço dele.

Rodrigo soltou um gemido baixo contra a boca de Léo. O corpo do pedreiro pressionou o do estudante contra a parede com força, o quadril firme se encaixando entre as pernas de Léo. A brutalidade do gesto fez a cabeça de Léo girar. Ele nunca havia sido tocado com tanta intensidade, com uma possessividade tão crua.

A mão livre de Rodrigo desceu pela cintura de Léo, apertando o quadril do jovem através do jeans macio, puxando-o ainda mais para si, colando os corpos até que não restasse dúvida do efeito que um causava no outro. O cheiro de suor, cimento e o perfume de Léo misturavam-se no ar abafado, criando uma atmosfera inebriante.

Quando Rodrigo finalmente se afastou, foi apenas por alguns milímetros, os lábios ainda colados, ambos arquejando. A saliva brilhava em suas bocas na penumbra. Rodrigo olhou para Léo, os olhos nublados pelo desejo, a respiração tão descompassada quanto a do garoto.

— Se alguém entra aqui... — Rodrigo começou, a voz falhando, a realidade do canteiro de obras tentando recuperar o espaço.

— Ninguém vai entrar — Léo interrompeu, a audácia da juventude falando mais alto. Ele puxou Rodrigo pelo colarinho da regata, colando seus lábios novamente. — Não agora.

O som do zíper do jeans de Léo ecoou no espaço vazio como um gatilho.

Rodrigo não perdeu tempo. Com as mãos grandes e ávidas, ele empurrou a calça do rapaz pelas coxas, pressionando Léo ainda mais contra os tijolos descascados da parede. O contraste entre a frieza da alvenaria e o calor sufocante do corpo de Rodrigo fazia o jovem arquiteto arfar, completamente entregue ao ritmo ditado pelo pedreiro.

Rodrigo ajoelhou-se na poeira do chão, ignorando o cimento que sujava suas calças de trabalho. Seus olhos escuros subiram para Léo, uma mistura de adoração rústica e pura fome carnal. Quando as mãos calejadas de Rodrigo envolveram a intimidade de Léo, o rapaz jogou a cabeça para trás, os nós dos dedos brancos de tanto apertar as saliências da parede de tijolos.

— Rodrigo... — o nome do homem escapou como um gemido ecoado, reverberando pelo teto alto do casarão.

A boca de Rodrigo, quente e experiente, envolveu-o sem hesitação. A carícia era intensa, ditada pela urgência de um desejo reprimido por anos de uma masculinidade vigiada. Rodrigo usava as mãos para firmar o quadril de Léo, os dedos afundando na pele clara das coxas do jovem, deixando marcas que arderiam no dia seguinte.

Léo enterrou os dedos nos cabelos curtos e grossos de Rodrigo, puxando-o para si, ditando um ritmo cada vez mais frenético. O cheiro de sexo misturado à poeira de cal e ao suor criava uma atmosfera quase sagrada naquele santuário em ruínas. A sensibilidade artística de Léo desmoronava perante a realidade brutal e deliciosa daquela entrega física.

Não demorou para que o ápice ganhasse força. O corpo de Léo retesou inteiramente, os espasmos do prazer vindo em ondas que fizeram suas pernas tremerem. Rodrigo não recuou, recebendo tudo de bom grado, saboreando a juventude do garoto até o último segundo.

Quando Rodrigo se levantou, limpando a boca com as costas da mão, seus olhos encontraram os de Léo, que tentava recuperar o fôlego, com os olhos marejados e o peito subindo e descendo rapidamente. O pedreiro deu um sorriso de canto, uma expressão possessiva e terna que Léo nunca imaginou ver naquele rosto severo.

Sem dizer uma palavra, Rodrigo puxou Léo pela cintura, colando o peito do jovem ao seu. Ele levou a mão à calça gasta de pedreiro, desfazendo o cinto de couro pesado.

— Minha vez, doutor — Rodrigo sussurrou contra o ouvido de Léo, a voz rouca e carregada de promessa, enquanto guiava as mãos trêmulas do estudante para o seu próprio corpo.

As mãos de Léo, ainda trêmulas pelo ápice recente, encontraram a rigidez do corpo de Rodrigo. O tecido da calça de trabalho era grosso, mas o calor que emanava dali era quase abrasador. Com os dedos ávidos, o jovem arquiteto terminou de abrir o zíper, libertando a urgência que Rodrigo guardava sob as roupas pesadas.

Rodrigo soltou um suspiro pesado, fechando os olhos por um segundo quando os dedos macios de Léo o envolveram. O contraste era total: as mãos do estudante, acostumadas a telas e papéis, contra a pele firme e a reação imediata do pedreiro.

— Assim... — Rodrigo murmurou, a voz mais rouca do que nunca, enquanto segurava o pulso de Léo para ditar o compasso. Ele não queria sutilezas; o desejo acumulado ao longo de dias de olhares disfarçados pedia força.

Léo ajoelhou-se na cal que cobria o chão, sem se importar com o jeans claro ou com o pó que subia. Olhando para cima, ele viu o queixo de Rodrigo travado, as veias do pescoço saltadas e o peito subindo e descendo sob a regata suja. Havia algo de monumental na silhueta do homem contra a luz fraca da janela.

Quando Léo se entregou ao ato, Rodrigo segurou o topo da cabeça do jovem, os dedos grossos se enroscando nos fios de cabelo. O pedreiro desceu o quadril com uma pressão firme, deixando-se levar pelo calor e pela boca faminta de Léo. Cada movimento ecoava no silêncio abafado do casarão em ruínas. O ritmo tornou-se bruto, uma dança de pele, suor e respirações cortadas.

Rodrigo sentia o controle escorregar por seus dedos calejados. A barreira de homem durão e pragmático desmoronava a cada investida, substituída por um prazer selvagem que ele não conseguia e não queria conter.

— Léo... caralho... — o nome do rapaz escapou como um desabafo entre dentes.

O final veio rápido e avassalador. Rodrigo retesou os músculos das costas e das pernas, afundando os dedos com mais força nos cabelos de Léo enquanto o prazer o dominava por completo, arrancando-lhe um gemido grave que pareceu vibrar nas paredes de tijolo do cômodo.

Por alguns segundos, o único som no local foi o de duas respirações desesperadas tentando voltar ao normal.

Rodrigo respirou fundo, ajudando Léo a se levantar. Suas mãos, agora mais suaves, limparam um rastro de poeira do rosto do jovem. Eles se encararam na penumbra que aumentava, cientes de que a estrutura de suas vidas, a partir daquele momento, nunca mais seria a mesma.

O silêncio que se instalou nos fundos do casarão tinha um peso diferente agora. A poeira que antes parecia incômoda havia assentado, e o ar carregado de eletricidade dava lugar à calmaria exausta do pós-tormenta.

Rodrigo deu um passo para trás, aterrissando de volta à realidade do canteiro de obras. Com as mãos ainda levemente trêmulas, ele ajeitou a calça de trabalho e fechou o zíper, o estalo metálico soando definitivo na penumbra. Ele evitou o olhar de Léo por alguns segundos, focando em limpar as palmas das mãos no jeans surrado, uma tentativa instintiva de remover o rastro do perfume do rapaz de sua pele.

Léo, de pé contra a parede de tijolos, começou a sacudir o pó de cal dos joelhos. Suas roupas estavam desalinhadas, os cabelos bagunçados e os lábios ainda vermelhos e inchados. Ele olhou para o chão e pegou a prancheta digital; a tela estava intacta, mas coberta por uma camada cinzenta de poeira de cimento.

— É melhor a gente se arrumar — Rodrigo quebrou o silêncio, a voz de volta ao tom firme e pragmático, embora visivelmente mais rouca. Ele não olhava diretamente para o estudante. — O pessoal do andar de cima jajá vai descer para guardar o maquinário e fechar a obra.

Léo parou o movimento de limpar a calça, percebendo o recuo sutil do pedreiro. A audácia de minutos atrás deu lugar a uma pontada de insegurança.

— Rodrigo... — Léo chamou, dando um passo em direção a ele. — Você está bem?

Rodrigo finalmente o encarou. Havia uma tempestade de pensamentos por trás daqueles olhos escuros. Ele era um homem de trinta e poucos anos, criado na brutalidade de um ambiente que não tolerava fraquezas, muito menos o tipo de entrega que acabara de acontecer. Mas, ao olhar para o rosto jovem e genuinamente preocupado de Léo, a rigidez de Rodrigo cedeu um pouco.

Ele caminhou até o rapaz, parando perto o suficiente para que Léo sentisse seu calor novamente, mas sem tocá-lo.

— Estou bem, garoto — Rodrigo disse, a voz amaciando. Ele estendeu a mão e, com o polegar, limpou uma mancha cinza que havia ficado na bochecha de Léo. O toque foi breve, mas carregado de um afeto que ele não conseguia verbalizar. — Só... isso aqui não pode acontecer lá fora. Você entende, não é? O mundo lá fora não é como essa parede velha.

Léo assentiu lentamente, sentindo o peso daquelas palavras. Ele sabia os riscos que Rodrigo corria naquele ambiente.

— Eu sei — Léo respondeu, sustentando o olhar. — Mas amanhã eu preciso voltar para conferir a estrutura dos arcos.

Rodrigo soltou um meio sorriso, o primeiro sorriso genuíno da tarde, que suavizou suas feições marcadas pelo sol. Ele deu dois passos para trás, recuperando sua postura de mestre de obras.

— Então traga sapatos melhores, doutor — Rodrigo brincou, a voz recuperando o tom imponente enquanto caminhava em direção à saída do cômodo. — E não se atrase. Eu não gosto de esperar.

Léo sorriu sozinho na penumbra, ajeitando o colarinho da camisa antes de seguir os passos firmes de Rodrigo em direção à luz da rua. A obra estava apenas começando, e nenhum dos dois tinha a menor intenção de parar.

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