#Gay #Teen #Virgem

Otávio, o evangélico

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Thiago P.

Otávio é gay, mas vem de uma família evangélica e não sabe como lidar com isso

Meu nome é Otávio, acabei de completar 20 anos, mas com a experiência amorosa zeroe durante muito tempo eu achei que Deus devia estar decepcionado comigo.
Cresci dentro da igreja. Meus pais eram daqueles que nunca perdiam um culto, uma vigília ou um estudo bíblico. A Bíblia ficava aberta sobre a mesa da sala, e as conversas sobre fé faziam parte da rotina da nossa casa como o café da manhã ou o jantar.
Eu gostava daquilo. Gostava dos hinos, das pessoas, da sensação de pertencimento. Nunca fui alguém revoltado contra a religião.
O problema era que, conforme fui crescendo, comecei a perceber uma coisa que me aterrorizava.
Eu não olhava para as meninas da mesma forma que os outros meninos.
Enquanto meus amigos comentavam sobre atrizes, colegas de escola ou garotas que passavam na rua, eu ficava em silêncio, fingindo concordar. Por dentro, porém, existia um segredo que eu tentava sufocar todos os dias.
Eu reparava nos meninos.
E isso me enchia de medo.
Não era apenas vergonha.
Era medo.
Medo de estar condenado.
Medo de decepcionar meus pais.
Medo de decepcionar Deus.
Passei anos tentando mudar. Orava antes de dormir. Prometia que seria diferente. Lia versículos procurando respostas. Algumas noites chorava baixinho para ninguém ouvir.
— Deus, por favor... tira isso de mim.
Mas nada mudava.
Os anos foram passando e eu me tornei especialista em esconder quem eu era.
Por fora, eu sorria.
Por dentro, eu estava sempre lutando.
Foi então que Paulo apareceu.
Ele chegou à igreja numa manhã de domingo.
Eu me lembro porque o pastor o apresentou para a congregação.
Tinha mais ou menos a minha idade. Cabelo castanho, sorriso fácil, jeito tranquilo de conversar.
Naquele dia, não aconteceu nada especial.
Nem percebi sua importância.
Mas, nas semanas seguintes, começamos a nos encontrar com frequência.
Primeiro foi um cumprimento.
Depois uma conversa rápida após o culto.
Depois outra.
E outra.
Paulo tinha uma qualidade rara.
Ele fazia as pessoas se sentirem à vontade.
Quando falava com você, parecia que realmente escutava.
Eu não sabia explicar por quê, mas me sentia confortável perto dele.
Algo que não acontecia com quase ninguém.
Com o tempo, passamos a ajudar juntos em algumas atividades da igreja.
Arrumávamos cadeiras.
Organizávamos materiais.
Ficávamos conversando enquanto os adultos resolviam assuntos da congregação.
E, sem perceber, comecei a esperar por aqueles momentos.
Chegava ao culto e meus olhos procuravam Paulo automaticamente.
Se ele faltava, eu sentia uma estranha decepção.
Se aparecia, meu dia parecia melhor.
No início, achei que fosse amizade.
Apenas amizade.
Mas então algumas coisas começaram a me assustar.
Eu queria conversar com ele o tempo todo.
Queria saber o que ele pensava.
Queria ouvir suas histórias.
Queria ficar perto.
Quando o grupo terminava alguma atividade, eu procurava desculpas para prolongar a conversa.
Às vezes ficávamos sentados nos bancos vazios da igreja enquanto as pessoas iam embora.
Falávamos sobre escola.
Sobre filmes.
Sobre dúvidas da vida.
Sobre fé.
Principalmente sobre fé.
E eu gostava disso.
Gostava demais.
Foi numa dessas conversas que percebi o que estava acontecendo.
Eu estava sentado ao lado dele no salão dos jovens.
Paulo contava alguma história engraçada.
Eu ria.
Então ele sorriu.
Um sorriso simples.
Normal.
Mas algo aconteceu dentro de mim.
Meu coração disparou.
De verdade.
Naquele instante, o chão pareceu desaparecer.
Porque eu entendi.
Entendi exatamente o que estava sentindo.
E aquilo me apavorou.
Passei a noite inteira sem dormir.
Virando de um lado para o outro.
Pensando.
Negando.
Tentando encontrar outra explicação.
Mas não havia outra explicação.
Eu estava me apaixonando.
E era justamente por Paulo.
No dia seguinte, evitei responder suas mensagens.
Depois evitei olhar para ele na igreja.
Depois tentei manter distância.
Só que isso tornava tudo pior.
Quanto mais eu tentava fugir, mais pensava nele.
Era como tentar não pensar numa música que já ficou presa na cabeça.
E junto com o sentimento vinha a culpa.
Uma culpa enorme.
Eu me perguntava se Deus estava bravo comigo.
Se eu estava pecando apenas por sentir aquilo.
Se era possível continuar sendo uma pessoa de fé enquanto carregava sentimentos que eu não havia escolhido ter.
Essas perguntas começaram a me consumir.
Eu me sentia dividido em duas partes.
Uma parte queria correr para longe.
Esquecer Paulo.
Apagar tudo.
A outra parte queria continuar conversando com ele durante horas.
Queria ouvir sua voz.
Queria vê-lo sorrir.
Queria confiar nele.
E talvez essa fosse a parte mais assustadora.
Eu confiava nele.
Muito.
Mais do que em qualquer outra pessoa da minha idade.
Porque Paulo nunca parecia julgar ninguém.
Nunca.
Quando alguém errava, ele era o primeiro a demonstrar compreensão.
Quando alguém estava triste, era o primeiro a sentar ao lado.
Havia uma bondade nele que me deixava desarmado.
Certa tarde, depois de um encontro dos jovens, ficamos sozinhos ajudando a guardar algumas caixas.
O salão estava quase vazio.
O silêncio era tranquilo.
Então Paulo percebeu que eu estava estranho.
— Você anda distante.
Eu congelei.
— Estou normal.
— Não está, não.
Continuei arrumando as caixas.
— Está acontecendo alguma coisa?
A pergunta parecia simples.
Mas quase me fez desabar.
Porque havia meses que eu carregava tudo sozinho.
Meses fingindo.
Meses lutando contra mim mesmo.
E pela primeira vez senti vontade de contar a verdade para alguém.
Não contei.
Ainda não.
Mas naquele dia percebi o quanto desejava confiar nele.
Quando cheguei em casa, isso me assustou ainda mais.
Porque agora não era apenas uma paixão.
Era algo mais profundo.
Eu admirava Paulo.
Respeitava Paulo.
Gostava da pessoa que ele era.
E isso tornava impossível simplesmente esquecer.
As semanas seguintes foram uma confusão.
Às vezes eu rezava pedindo para parar de sentir aquilo.
Outras vezes rezava apenas para entender.
Talvez pela primeira vez, minhas orações deixaram de ser pedidos de mudança e se transformaram em pedidos de resposta.
— Deus... quem eu sou?
Era uma pergunta simples.
Mas parecia enorme.
E eu ainda não tinha encontrado a resposta.
Tudo o que sabia era que, quando Paulo sorria para mim do outro lado da igreja, meu coração ficava leve.
E quando eu imaginava perder sua amizade, sentia um aperto difícil de explicar.
Eu não sabia o que o futuro reservava.
Não sabia como lidar com minha fé.
Não sabia como lidar com meus sentimentos.
Não sabia como lidar comigo mesmo.
Mas uma coisa estava ficando cada vez mais clara.
Eu não estava apenas admirando Paulo.
Eu estava me apaixonando.

O salão dos jovens já estava vazio, banhado pelo tom alaranjado do fim de tarde que entrava pelas janelas altas. O som dos últimos carros deixando o estacionamento da igreja ecoava distante. Eu empilhava as últimas cadeiras de plástico com uma pressa nervosa, os olhos fixos no chão, tentando evitar o peso do silêncio que havia ficado entre mim e Paulo.
​— Otávio.
​A voz dele soou calma, mas firme, quebrando a distância de passos que nos separava. Eu não me virei, fingindo concentração no trabalho.
​— Já estou quase terminando aqui, Paulo. Se quiser ir andando...
​Antes que eu pudesse terminar a frase, a mão de Paulo tocou meu ombro. O toque foi leve, mas teve o efeito de um choque elétrico. Eu estanquei. Ele deu um passo à frente, contornando a pilha de cadeiras até ficar exatamente diante de mim, forçando o meu olhar.
​— Chega de fugir — ele disse, com a voz baixa, sem raiva, mas carregada de uma urgência que eu nunca tinha ouvido vinda dele. — Você não olha mais na minha cara. Passa por mim como se eu fosse um fantasma. O que está acontecendo? Eu fiz alguma coisa para você?
​— Não... não é nada, sério. Eu só estou cansado, muita coisa na escola — menti, a voz vacilando, meus olhos esquivando-se para o lado.
​— Não mente para mim — interrompeu Paulo, dando mais um passo, reduzindo o espaço entre nós a quase nada. A proximidade permitia que eu sentisse o calor que emanava dele. — Eu conheço você. Você está se sufocando com alguma coisa. Fala comigo. Você confia em mim, não confia?
​— Confio, mas... — Ergui os olhos, e o que encontrou no olhar dele me desarmou completamente. Não havia julgamento ali. Havia uma intensidade profunda, uma busca silenciosa que ia além das palavras.
​— Então por que não me olha? — A voz dele desceu para um sussurro.
​A mão de Paulo subiu do meu ombro para o meu pescoço, os dedos quentes tocando a pele da minha nuca, subindo levemente até a linha do meu maxilar. Meu coração martelava tão forte contra o peito que tive certeza de que ele podia ouvir. O ar parecia ter sumido do salão.
​— Paulo, por favor... — murmurei, mas o meu pedido de afastamento morreu na garganta quando ele se inclinou.
​Não houve hesitação. Os lábios de Paulo tocaram os meus. Foi um impacto suave no início, o calor da boca dele pressionando a minha com uma ternura que desfez qualquer resistência inicial que eu pudesse ter. As mãos dele seguraram meu rosto com firmeza, e o beijo se aprofundou. Pela primeira vez, senti o gosto, a textura e a realidade daquilo que tentara enterrar por anos. Era um misto de alívio avassalador e um terror absoluto que subia pela minha espinha.
​No segundo seguinte, o pânico que estava adormecido despertou com força total. As imagens dos meus pais, do altar da igreja, as palavras de condenação que ouvi a vida inteira lampejaram na minha mente como flashes de um pesadelo.
​Empurrei Paulo pelo peito, abruptamente. O estrondo de uma das cadeiras de plástico caindo no chão ecoou pelo salão vazio.
​— Não! — arfei, com os lábios ainda úmidos, os olhos arregalados de pavor. — Não, isso tá errado... Eu não posso.
​— Otávio, espera — Paulo estendeu a mão, com um olhar confuso e preocupado.
​Mas eu já estava correndo. Peguei minha mochila no banco, atravessei a porta lateral do salão e corri pelo pátio da igreja sem olhar para trás, ignorando os chamados dele que ecoavam pelo estacionamento.
​Corri até o peito arder. Quando finalmente destranquei a porta de casa, o silêncio da residência vazia me acolheu. Meus pais ainda estavam na reunião de obreiros; eu estava completamente sozinho.
​Subi as escadas correndo, entrei no meu quarto e tranquei a porta. Minhas costas bateram contra a madeira e eu escorreguei até o chão, o peito subindo e descendo numa respiração descontrolada. Levei os dedos aos lábios, ainda sentindo o calor do toque de Paulo. Minha mente era um turbilhão de culpa bíblica e um desejo físico violento, urgente, que eu nunca havia experimentado daquela forma.
​A adrenalina e a confusão se transformaram em uma tensão concentrada diretamente entre as minhas pernas. O calção de moletom parecia apertado demais. Sem conseguir raciocinar, movido apenas pelo impulso puro de aliviar a pressão que parecia prestes a explodir, me levantei e fui até a cama.
​Deitei-me de costas, arrancando o calção e a cueca de uma vez. Meu membro estava ereto, pulsando com força, totalmente rígido. Fechei os olhos com força, tentando afastar a imagem de Paulo, mas a memória do beijo era de uma persistência dolorosa. O cheiro dele, a sensação dos dedos na minha nuca, o calor daquela boca.
​Fechei a mão direita ao redor da base do meu pênis. O calor da minha própria pele me causou um arrepio imediato. Comecei a subir e descer a mão, em movimentos curtos e rápidos, sentindo a fricção intensa. Uma lufada de ar escapou por entre meus dentes.
​— Meu Deus... me perdoa — sussurrei contra o travesseiro, mas as palavras de arrependimento foram engolidas pela urgência do meu próprio corpo.
​A imagem de Paulo sorrindo no salão vazio voltou com força total. Acessei o ritmo da mão, subindo até a cabeça do membro, que já estava úmida de lubrificação natural. Cada movimento de subida e descida apertava a pele com força, gerando uma onda de calor que subia pelo meu ventre. Arqueei as costas na cama, os dedos da mão esquerda cravando-se no lençol, enquanto a mão direita trabalhava num ritmo frenético, implacável.
​O contraste entre a santidade do meu quarto — com a Bíblia sobre o criado-mudo — e a luxúria daquele momento tornava tudo mais intenso. O prazer misturava-se com o desespero. O atrito rápido da mão contra a carne ereta produzia um som baixo e ritmado que preenchia o quarto escuro. Eu visualizava os lábios de Paulo se aproximando novamente, sentia a pressão imaginária daquele corpo contra o meu.
​Minha respiração tornou-se curta, arquejante. O calor no centro do meu corpo concentrou-se todo na ponta do membro, uma sensibilidade extrema onde cada toque da palma da minha mão parecia um estalo de eletricidade. Meus batimentos cardíacos atingiram o ápice. Desci a mão até a base, apertando os testículos por um segundo, antes de voltar a subir com rapidez desesperada, a fricção agora quase dolorosa de tão intensa.
​— Paulo... — o nome dele escapou em um gemido abafado contra o colchão.
​O ápice veio como uma onda violenta. Estiquei as pernas, os músculos das minhas coxas e do abdômen se contraindo ao máximo enquanto eu descarregava. O sêmen jorrou em jatos quentes e espessos sobre meu próprio peito e abdômen, manchando a pele. Minha mão continuou o movimento por mais duas ou três vezes, espalhando o líquido, até que a sensibilidade extrema me fez parar, soltando o membro que ainda pulsava, amolecendo lentamente.
​O silêncio voltou a reinar no quarto. Meu peito subia e descia devagar, o suor colando os lençóis à minha pele. Olhando para o teto, com o sêmen esfriando sobre o corpo, a euforia do prazer desapareceu em segundos, dando lugar ao peso familiar e esmagador da culpa. Eu estava sozinho, dividido entre o céu e o inferno que acabara de criar dentro de mim.

A manhã seguinte pesava nos meus ombros como um fardo de chumbo. Passei os cultos e as primeiras horas do dia tentando me esconder atrás de colunas, evitando os corredores principais da igreja. Minha mente ainda ecoava o som da cadeira caindo no chão, o calor da boca de Paulo e o rastro de culpa que cobriu minha cama na noite anterior.
​Eu estava no pátio dos fundos, perto do jardim das oliveiras ornamentais, quando ouvi os passos ritmados na brita. Antes que eu pudesse me virar para fugir, a silhueta de Paulo bloqueou a luz do sol.
​Ele não parecia zangado. Não havia pressa nos seus gestos, apenas uma serenidade profunda que me desarmou de imediato. Ele se aproximou até que nossas sombras se misturassem no chão.
​— Você passou o dia me evitando, Otávio — disse ele, com a voz suave, ajustando a alça da mochila no ombro.
​— Paulo, por favor... o que aconteceu ontem... foi um erro. Nós não podemos. Deus... — As palavras saíram truncadas, sufocadas pelo pânico que voltava a subir pela minha garganta.
​Paulo deu um passo à frente e, com uma naturalidade que me fez estremecer, segurou minhas duas mãos. Suas palmas eram quentes e firmes.
​— Olha para mim — pediu ele. Eu resisti por um segundo, mas acabei cedendo. Seus olhos castanhos transmitiam uma paz quase incompreensível para o caos que eu vivia. — Você passa as noites chorando e pedindo para Deus te mudar, não é? Eu sei. Eu também já passei por isso. Mas deixa eu te fazer uma pergunta: você realmente acredita que Deus errou?
​Eu pisquei, atordoado pela pergunta.
​— O... o quê?
​— A Bíblia diz que Deus nos formou no ventre das nossas mães, que Ele conhece cada detalhe nosso e que tudo o que Ele faz é perfeito. Se Ele faz tudo perfeito, Otávio, então nós somos perfeitos exatamente como Ele nos desenhou. Esse sentimento, essa capacidade de amar, a forma como seu coração bate... isso não é um defeito de fabricação. É quem você é. Acreditar que isso é um pecado é o mesmo que dizer que o Criador cometeu um erro de digitação na sua alma. E Ele não erra.
​As palavras dele entraram em mim como uma lâmina quente cortando um nó cego. O peso esmagador que eu carregava no peito há anos parecia, pela primeira vez, encontrar uma fresta por onde escoar. Olhei para as nossas mãos unidas. Fazia sentido. Pela primeira vez na vida, a teologia não me condenava; ela me abraçava. Um suspiro longo, que parecia guardado na minha alma desde a infância, escapou dos meus lábios. Meu corpo relaxou. A calmaria finalmente veio.
​— Meus pais e meu irmão mais velho estão trabalhando, a casa está vazia — Paulo sussurrou, aproximando o rosto do meu. — Vamos sair daqui.
​A casa de Paulo cheirava a café fresco e madeira limpa. Assim que a porta principal foi trancada, o mundo exterior desapareceu. Não havia mais o julgamento dos bancos da igreja, nem o medo do olhar dos meus pais. Estávamos apenas nós dois no quarto dele, iluminados pela luz difusa que atravessava a cortina entreaberta.
​Paulo não perdeu tempo com hesitações, mas cada movimento dele transbordava um cuidado quase litúrgico. Ele deu um passo à frente e começou a desabotoar minha camisa, um botão de cada vez, os dedos roçando de leve no meu peito, fazendo minha pele se arrepiar por inteiro. Em seguida, ele se livrou das próprias roupas, revelando um corpo jovem, firme e delineado.
​Ele me guiou até a cama e me fez deitar. Fiquei completamente nu sob o olhar dele, sentindo uma vulnerabilidade que não era mais medo, mas entrega. Paulo ajoelhou-se entre as minhas pernas. Seus olhos subiram até os meus antes de ele se inclinar sobre o meu membro, que já pulsava ereto e rígido diante da expectativa.
​Quando a boca de Paulo envolveu a cabeça do meu pênis, meus olhos se fecharam com força e minhas mãos cravaram-se no lençol. A sensação do calor úmido e da textura macia da sua língua envolvendo a carne sensível me fez soltar um gemido longo. Ele começou a mover a cabeça para cima e para baixo, criando uma sucção firme e compassada. A ponta da sua língua brincava com a abertura do meu membro, recolhendo a lubrificação natural, enquanto suas mãos massageavam minhas coxas, me incitando a abrir mais as pernas. O prazer era tão agudo, tão direto, que eu sentia os músculos do meu abdômen se contraírem a cada movimento da boca dele, que descia cada vez mais fundo na minha extensão.
​Paulo parou o boquete antes que eu atingisse o limite. Ele subiu pelo meu corpo, beijando meu pescoço, minha boca, deixando-me ébrio de desejo. Ele alcançou um tubo de lubrificante na gaveta da cabeceira e espalhou uma quantidade generosa de líquido frio em seus dedos e na minha intimidade.
​— Relaxa, respira comigo — ele sussurrou contra o meu ouvido, enquanto eu sentia a pressão do seu primeiro dedo pressionando a entrada do meu esfíncter.
​Eu arqueei as costas, o corpo tencionando instantaneamente com a invasão. Era uma sensação completamente nova, um preenchimento que desafiava a anatomia. Paulo continuou a massagear o local, adicionando um segundo dedo, movendo-os para dentro e para fora com paciência, alargando e preparando o meu canal até que a dor inicial começasse a se misturar com um calor profundo e pulsante.
​Ele se posicionou entre minhas coxas erguidas. O membro de Paulo, grosso e completamente ereto, pressionou contra a minha entrada úmida.
​— Vai doer um pouco no começo, Otávio. Mas vai passar. Confia em mim.
​Eu assenti, segurando firme nos ombros dele. Quando Paulo empurrou o quadril para a frente, a cabeça do seu pênis forçou a entrada. Uma dor aguda, cortante, subiu pela minha espinha, fazendo-me morder o lábio inferior para não gritar. O rasgo físico me fez travar os músculos, mas Paulo parou imediatamente, mantendo a pressão e colando o peito dele contra o meu, distribuindo beijos calmos pelo meu rosto, esperando meu corpo ceder.
​— Respira... solta o ar... — ele pedia.
​Conforme eu controlava a respiração e me concentrava no calor da pele dele sobre a minha, o músculo cedeu. Paulo empurrou novamente, afundando mais metade do membro dentro de mim. A dor ainda estava lá, latente, mas algo extraordinário começou a acontecer em paralelo. Conforme ele se enfiava por inteiro, preenchendo cada centímetro do meu vácuo interno, uma sensação avassaladora de completude me dominou. Eu não era mais um rapaz fragmentado, escondido ou quebrado. Naquela dor, eu me sentia inteiramente vivo. Inteiramente homem. Inteiramente eu.
​Paulo começou a se mover. No início, eram estocadas curtas, lentas, permitindo que eu me acostumasse com o ritmo. O atrito da carne dele contra as paredes internas do meu reto começou a gerar um prazer interno, intenso e desconhecido. A dor foi sendo empurrada para os cantos da mente, substituída por um calor abrasador.
​— Isso... assim... — eu arfei, enterrando minhas unhas nas costas dele, puxando-o para mais perto.
​Ele acelerou o ritmo. O som dos nossos corpos se chocando no silêncio do quarto — um estalo úmido e ritmado — misturava-se com as nossas respirações pesadas. Paulo enfiava com força, recuando quase até a ponta para depois se enterrar por completo dentro de mim, atingindo um ponto profundo que me fazia revirar os olhos de prazer. Eu adorava a sensação de ser dominado, de ser fodido por ele, de sentir o peso e a força do seu corpo ditando as regras do meu prazer.
​Minhas pernas se abriram ainda mais, envolvendo a cintura dele espontaneamente, pedindo por mais intensidade. O membro dele massageava minha próstata a cada estocada, disparando choques de eletricidade direto para o meu próprio pênis, que balançava livre contra o meu ventre, escorrendo lubrificação sem que ninguém precisasse tocá-lo.
​— Paulo... mais forte... por favor — eu implorei, a voz saindo em um sussurro rouco, completamente entregue ao ato.
​Ele atendeu. O movimento dele tornou-se rápido, firme e implacável. O quarto parecia girar. A cama rangia sob o impacto dos nossos corpos. Eu estava imerso em uma sinfonia de texturas, suor e calor. Cada estocada me empurrava um pouco mais para cima no colchão, e a sensação de preenchimento era tão violenta e perfeita que eu me sentia no centro do universo.
​Paulo soltou um gemido mais grave, os músculos do seu pescoço saltando enquanto ele acelerava os últimos segundos, dando estocadas profundas e desesperadas. Sentir a vibração do corpo dele dentro de mim me levou instantaneamente ao limite. Sem que ninguém encostasse no meu membro, apenas com o estímulo e a pressão interna daquela foda, meu corpo entrou em espasmo. Gozei alto, sujando meu próprio peito e o abdômen de Paulo com jatos violentos de sêmen.
​Segundos depois, com uma última estocada profunda que o colou inteiramente contra mim, Paulo travou o quadril. Senti o calor do sêmen dele inundar o meu interior, jacto após jacto, um calor espesso que preencheu o fundo do meu canal.
​Ele desabou devagar sobre o meu peito, a respiração de ambos ecoando pesada e descompassada no quarto. O suor colava nossas peles. Enquanto ele saía lentamente de dentro de mim, deixando uma sensação física de vazio que eu já sabia que sentiria falta, Paulo me abraçou de lado, puxando o lençol sobre nós.
​Olhei para o teto daquele quarto, sentindo o rastro do sexo no meu corpo e a paz na minha mente. Não havia culpa. Pela primeira vez na vida, deitado nos braços de outro homem, eu me sentia em paz com o mundo, comigo mesmo e com Deus.

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