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O menino dos olhos verdes 8

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Episódio 8 – A Conversa
Na manhã de sábado, acordei por volta das nove da manhã. Fui acordado pela voz de um menininho.
― Luuuuuuuuuucas!
Demorei para entender quem era e o que estava acontecendo. Quando abri meus olhos e observei a figurinha que se encontrava ao lado da minha cama, percebi que era o pequeno Matheus.
― Você está acordado? ― Ele me perguntou.
― Bem… agora estou… ― eu disse.
― Desculpa, é que sua mãe me pediu para eu te acordar, que já são nove horas.
Eu levantei e fiquei sentado na cama. Eu estava de cueca, e tinha acordado com uma ereção nervosa, daí, cobri minha cintura com o lençol.
O Matheus se sentou do meu ladinho, ele estava com um celular nas mãos, jogando um joguinho.
― De quem é esse celular? ― Eu perguntei.
― Do tio… ― Eu sabia que ele estava falando do seu Humberto.
― Cadê meu beijo? ― Eu perguntei.
Matheus pausou o joguinho e passou os braços em volta do meu pescoço, em seguida ele me deu um beijo bem gostoso na bochecha. Eu abracei seu corpinho de menino e quando ele desgrudou os lábios da minha bochecha, foi a minha vez de beijar a dele.
Em seguida, eu me levantei e aproveitei para vestir uma bermuda, já que ele tinha voltado a atenção para o joguinho.
Eu e Matheus nos conhecíamos desde sempre. Só que ele era um garotinho muito carinhoso e carente. E isso era um problema. E agora você deve estar se perguntando o porquê… bom… isso fazia com que eu sentisse uma atração por ele. Eu gostava dele, e a doçura dele, a meiguice, só me faziam valorizar mais a pessoa que ele era. Eu cuidava dele, eu protegia ele, e isso me fazia bem.
E ele também era bem bonitinho. Eu gostava de garotos menores, eles eram fofinhos, atraentes, agradáveis… diferente da maioria dos adultos… Matheus tinha cabelos escuros, pele clara e cheirava a pecado. Ele gostava muito de mim, e eu gostava muito dele. Ele era o irmãozinho que eu nunca tive. Nessas férias de meio de ano, brincamos quase todos os dias na rua, ou às vezes na minha casa ou na dele.
― E o que vocês estão fazendo aqui? ― Eu perguntei enquanto pegava minha escova de dentes no banheiro.
― Tio Berto disse que queria nos levar pra passear…
― Hum… legal… e aonde vamos? ― Eu perguntei.
― Não sei… pergunta pra ele… ― Matheus disse concentrado no joguinho de celular.
Eu fui até a cozinha e minha mãe estava conversando com seu Humberto.
― Oi mãe… ― eu dei um abraço nela e um beijo, e depois disse: ― Oi Tio! ― E estendi minha mão para ele.
― Não vou receber um abraço gostoso igual esse que você deu na sua mãe? ― Ele me perguntou.
Eu ri e abracei ele.
― Lucas, o seu Humberto estava me falando que quer levar você e o Matheus para ir dar uma volta no Shopping! ― Minha mãe disse.
― Sério? No Shopping? Posso ir, mãe? ― Eu perguntei empolgado.
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― Pode não! Deve! Mamãe tem que fazer uma faxina na casa e não quer te ver aqui atrapalhando!
― Eeeeeeeeeee! ― Eu comemorei.
― Vai lá se trocar então, Lucas! ― Minha mãe disse.
Eu voltei para meu quarto e coloquei uma roupa apresentável. Matheus ainda estava lá sentado na cama.
― Vamos, Matheus! ― Eu o chamei.
Ele se levantou igual um robozinho e foi me seguindo concentrado no joguinho. Fomos até o carro, que estava lá fora. Eu fui na frente e Matheus atrás. Seu Humberto nos levou até o Shopping.
Quando chegamos naquele paraíso de compras, Matheus saiu correndo na frente e eu o segui. Era realmente um lugar encantador. Demos algumas voltas; entramos em algumas lojas, só para olhar, claro; e resolvemos ir tomar um sorvete.
― Escolham o que quiserem, meninos!
― Obrigado, tio Berto! ― Nós dois agradecemos ao mesmo tempo.
Matheus escolheu o maior sorvete do cardápio, ele era exagerado assim, às vezes… o pobrezinho estava tão feliz que não parava de pular e gritar. Tio Berto fez questão de pagar nossos sorvetes, daí, sentamos na praça de alimentação para comermos.
― E aí, meninos, querem ir assistir um filme? ― Ele ofereceu.
― NO CINEMA? ― Matheus gritou.
― É!
― VAAAAAAAAAAAAAMOOOOOOOOOOOOS! ― Matheus gritou com a boca toda suja de sorvete.
― Ai, Matheus! Limpa essa boca… ― eu disse.
Peguei um guardanapo que estava na mesa, segurei ele pelo pescoço e passei o papel em sua boquinha.
― Olha aí, você deixou cair em sua camiseta… ― eu disse.
― Ah, Lucas, não esquenta não… deixa o menino se lambuzar, deixa ele ser feliz. ― Seu Humberto disse.
Então eu parei de implicar com o Matheus. Eu continuei tomando meu sorvete serenamente. Enquanto eu estava perdido em meus pensamentos, dois rapazes apareceram por ali de mãos dadas. Eu achei meio estranho, poucas vezes tinha visto esse tipo de coisa. Os rapazes pareciam ter 16 ou 17 anos. Só que os dois eram horríveis… um tinha o cabelo azul claro brilhante e usava vários piercings, enquanto o outro tinha um cabelo preto todo arrepiado para cima e usava sombra no olho, parecia um gótico ou algo do tipo…
Eles se sentaram algumas mesas de distância da gente, eles estavam de frente para mim, mas seu Humberto estava de costas para eles. Fiquei encarando o casal de dois meninos. Confesso que achei estranho… e daí eles começaram a se beijar. Fiquei encarando eles por um bom tempo até seu Humberto perceber e olhar para trás. Ele percebeu o que eu estava olhando, mas não comentou nada.
Chegamos em frente ao cinema e Matheus já tinha escolhido um filme. Ele quis assistir aquele filme dos Minions. Entramos no Cinema e seu Humberto insistiu para que ficasse no meio de nós dois, eu acabei concordando, porque o Matheus era meio doidinho e provavelmente ficaria falando durante o filme inteiro…
Nós três nos sentamos lá no fundão, onde não tinha ninguém perto. A sala estava bem vazia, uma vez que o filme já estava quase fora de cartaz. O filme começou, Matheus, só com a primeira cena, já se cagou todo de tanto rir, mas confesso que não achei muita graça. O filme era bobinho, então cutuquei seu Humberto.
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― Tio… ― eu comecei.
Ele chegou bem pertinho de mim e perguntou baixinho:
― O que foi?
― O senhor viu aqueles dois meninos? ― Eu perguntei curioso.
Ele ficou meio surpreso com minha pergunta.
― Ah… vi… por que pergunta?
― Não é errado? ― Eu perguntei.
― Errado? ― Ele perguntou surpreso. ― Por que você acha isso?
― Ué… eles eram meninos… ― eu expliquei.
― É… eles eram sim… mas aonde você ouviu que isso é errado?
― Ué… todo mundo sabe… você ouve falar em todos os lugares…
― Olha, Lucas, eu sei que você já está bem grandinho para entender… pois bem. ― Eu ouvi atentamente. ― Quando falamos sobre sexualidade, entramos em um território muito misterioso. O impulso sexual, ou o apetite sexual, como você prefira chamar… é algo misterioso. Muitas pessoas, especialmente os homens, experimentam sua sexualidade como um impulso… algo incontrolável e irracional. Agora, é claro que ninguém sente atração sexual em todo ser humano que conhece. As características físicas e psicológicas, que para um indivíduo podem ser altamente excitantes, pode deixar um outro completamente indiferente, ou até podem repeli-lo.
― Agora… ainda é um mistério como é que essas atrações por determinadas características se originam em alguém. Talvez nascemos com isso, ou talvez os gostos são adquiridos logo após o nascimento. Mas se esses gostos são adquiridos, isso acontece bem no começo da vida. Difícil dizer. Deste modo, esses gostos vão parecer algo natural e inato… como se fossem uma parte inseparável do ser. Uma coisa que você não imagina viver sem.
― Isso é o que causa o maior problema da humanidade. Um homem sabe que o vizinho se excita sexualmente com coisas diferentes, coisas diferentes das que ele próprio se excita. Mas isso não significa que ele entende. Se ele descobrir que o vizinho tem sentimentos parecidos com o dele, ele vai concordar com aquilo, caso contrário, eles terão problemas. Isso explica porque os homossexuais, que pertencem a um grupo menor, e que são rejeitados e torturados pela própria sociedade em que vivem, ainda não querer se livrar de suas próprias “tendências”, mesmo que existisse um jeito fácil de fazer isso.
― Um homossexual pode até entender que o heterossexual sente a mesma coisa que ele, por pessoas do sexo oposto, no entanto, ele não pode sentir isso, então, ele não se vê trocando algo que ele ama por algo que ele não sabe se vale mesmo a pena amar. Então, temos que saber que as pessoas sentem coisas diferentes das que nós sentimos. E se você esquece isso, se torna estupido e cabeça-pequena. E nunca devemos levantar dogmas ou conceitos absolutos dizendo que determinada inclinação sexual é a normal ou é a certa, e todas as outras são anormais ou nojentas, se fizermos isso, nos tornamos intolerantes e imorais. Se fizermos isso, estamos baseando toda nossa ética numa falta de imaginação.
― Cada pessoa gosta de uma cor, não tem cor certa ou errada… se mais pessoas gostam do vermelho, não significa que o vermelho é a cor mais bonita… isso é apenas resultado de uma sociedade que te força a gostar de vermelho desde pequeno. Alguns vão na influência da sociedade e passam a gostar do vermelho. Outros chegam a conclusão de que o vermelho é a cor mais bonita por conta própria, mas sempre tem outros que não gostam de vermelho, mas de azul.
Caaaaaaaaraaaaaaaaaa! Eu fiquei boquiaberto com o que ele tinha acabado de me dizer. Fiquei sem palavras. Ele fez o sexo parecer uma coisa tão natural, tão simples e tão bem estruturada… caralho… não sei o que você achou, mas eu achei que foi perfeita a descrição dele.
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― Então, Lucas, não se prenda ao que as pessoas falam… se tem algo que te faz feliz, corra atrás disso. É só isso que importa… garoto… nunca deixe de fazer algo porque as pessoas não aprovam… só se for algo ruim, que faça mal a alguém, aí você realmente não deve fazer, mas você entendeu, né?
― Entendi sim… Tio… ― Eu disse ainda abismado.
― Você não vai querer chegar na minha idade com tantos arrependimentos igual eu… se você soubesse o tanto de coisa que eu gostaria de ter feito, quando tinha sua idade…
― Tipo o que, Tio?
E ele disse o que eu temia.
― Paixões, Lucas! Paixões! Paixões e amores! Quantas e quantas vezes eu deixei de correr atrás de alguém que eu amava por medo ou vergonha… você é pequeno ainda… mas quando conhecer sua primeira paixão, ou seu primeiro amor, você vai…
― Tio… ― eu o interrompi.
― Diga! ― Ele disse.
― Posso te contar uma coisa? ― Eu queria abrir meu coração para ele… eu confiava tanto nele… eu gostava tanto de conversar com ele…
― Pois diga!
― Eu já conheci…
― Ah… ― ele disse surpreso. ― Entendo… conte-me mais…
― Bom… estudamos juntos…
― Ele ou ela? ― A pergunta dele foi como uma facada no meu coração.
Olha, eu queria dizer. Eu queria muito dizer, ele era tão legal comigo… e honesto… eu queria muito dizer que eu estava apaixonado pelo meu Rafinha… mas fui covarde… eu não tinha forças para falar… por mais certo que ele tinha feito parecer… eu não consegui… eu tive medo ou vergonha ou sei lá o que… então, menti.
― Ela…
― Ah… entendo… eu entendo… ― Ele disse. ― E você ama ela? Como sabe?
― Como eu sei se amo?
― Bem… isso só você pode dizer… se você a ama, você vai saber…
― Então eu a amo. ― Eu disse. Disso eu tinha certeza.
― Ela sabe?
― Ainda não…
― Pretende contar?
― Eu quero muito, Tio… é o que eu mais quero… mais não sei como…
― Entendo…
― Uma vez ela me deu um beijo na bochecha… era para ser uma brincadeira, mas eu senti que rolou algum sentimento por parte dela… será que estou certo?
― Bom, Lucas, isso eu não já não sei dizer… não estava lá para ver…
― Tem razão… mas isso é que está me matando… eu não sei se ela me ama também…
― Só se declarando para saber…
― E como faço isso?
― Depende muito… tem que ser em algum momento especial… quando vocês estiverem sozinhos… daí você olha nos olhos. A pessoa vai entender imediatamente o que você quer dizer… aí ela vai demonstrar se corresponde ou não, caso ela corresponda, você vai em frente. Se ela não corresponder, bem… você recua e tenta outro dia…
― Tá… acho que entendi… e tem outra coisa que eu também queria saber…
― Pois diga…
― Não posso…
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― E por que não?
― Não posso…
― Você é quem sabe… ― Droga, vou falar de uma vez…
― Olha… está difícil de controlar… mas toda vez que eu fico perto dela… acontece…
― O que acontece? ― Ele perguntou. ― Ahhhhhhhhhhhh… ― Ele pareceu entender. ― Olha, eu ficaria surpreso se você não tivesse uma ereção quando está perto dela… acontece… ainda mais nessa sua idade… por acaso você já…
Ele ia falar algo, mas ele parou de falar, como se estivesse arrependido de começar.
― Eu já o que?
― Deixa pra lá… ― ele colocou as mãos no rosto. Ele estava nervoso… não entendi o porquê… será que eu tinha dito algo?
― Se eu já me masturbei alguma vez? ― Eu perguntei naturalmente.
Ele apenas olhou para mim atônito, sem saber o que dizer, então eu continuei:
― Bem… você é a única pessoa no mundo para quem eu falaria isso, Tio… eu venho me masturbando faz um tempinho já, mas nesses últimos meses está ficando mais difícil de controlar… está cada vez mais difícil… as vezes eu faço isso duas, três vezes por dia… para aliviar o impulso que eu sinto… é muito forte… e está ficando cada vez mais intenso… será que tem algo de errado comigo?
Eu acho que eu tinha bugado o Tio… ele ficou estranho… será que eu tinha ido muito longe?
― Entendo… ― ele disse. ― Olha… Lucas… para sua idade isso é normal… você está entrando na puberdade… é uma fase com muito hormônios… e eles fazem isso com você… mas logo, logo você vai arrumar uma namorada e vocês poderão se aliviar juntos, se é que você me entende…
― Mas Tio… ainda nem tenho dezoito anos para fazer isso! ― Eu disse abismado.
― Ué, Lucas, mas você acha mesmo que as pessoas esperam até fazerem dezoito anos para fazerem sexo?
― Sim! ― Eu disse.
Eu realmente acreditava nisso. Eu nunca tinha visto nenhum vídeo pornô em que apareciam crianças… confesso que a ideia de assistir um vídeo assim era… tentadora… crianças fazendo sexo? Cara, isso mexeu comigo. Será que meninos da minha idade já poderiam fazer? Será que eu conseguia assistir algo assim na internet? Ia ser fantástico.
Olha, eu já disse que não entendia muito esse negócio de ser gay… eu já tinha assistido um vídeo pornô gay… e sinceramente eu não gostei nadinha… era bruto… os homens tinham pelos… era violento… isso não me agradava nenhum pouco… eu não entendia muito sobre atração sexual, mas não me via gostando de um homem no futuro. O Rafa era um menino… ele era fofo, cheirava bem, era engraçado… já os homens são tão… tão brutos… tão masculinos…
É maldita, cruel e impiedosa a transformação de menino em homem… e isso me deixa apavorado… será que quando eu crescer eu vou gostar de homem? Fazer sentido até que faz… eu… sendo uma criança, gosto de crianças, mas será que quando eu crescer e virar adulto eu vou gostar de adultos? De homens? Cara… acontece alguma coisa muito triste quando um menino vira homem… o pequeno e perfeito menino se transforma numa criatura deplorável… e não falo só de aparência… eu também falo de personalidade… os homens são brutos e machistas… e não entendem nada de sentimentos… nós, meninos, entendemos muito mais que eles… somos uma raça diferente…
(Permita-me, ó caro leitor, interromper sua leitura e abrir um parêntese bem aqui no meio do texto… não é culpa do Lucas… perdoe-o, ele é apenas um menino… mas eu gostaria de corrigir logo de cara o que ele disse… o que o Lucas quis dizer, foi: “nós, meninos boylovers,
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entendemos muito mais que eles… somos uma raça diferente…” eu apenas não conhecia o termo na época, então, perdoe-me.)
O que estava dizendo? Ah sim… sobre sexo entre crianças… é engraçado que não falam em lugar algum sobre isso… até parece que crianças são seres assexuados… eu confesso que estou viciado em bater punheta… ou eu sou uma criança muito fora da curva, ou a sociedade é muito preconceituosa. Mas como toda criança, pelo menos a maioria dos meninos, alguma vez na vida já se masturbou… eu escolho acreditar na opção B.
Bom… então… se as crianças fazem sexo… mas não há nenhum vídeo na internet… é porque… é claro, Lucas! É óbvio! Elas não se gravam! Dãã! Que outro motivo poderia ser? Que criança seria burra suficiente para se gravar fazendo sexo e subir para um site pornô? Se eu me gravasse fazendo sexo e meu pai descobrisse, acho que no mínimo ele me matava…
Então, concluindo, eu não sabia que crianças já faziam sexo… na verdade nunca tinha pensado sobre isso…
― Bom, mas você está enganado! ― Seu Humberto disse. ― Se fosse assim, meninas de doze, treze anos, não apareceriam por aí gravidas aos montes!
― Entendi, Tio… obrigado por conversar comigo…
Eu realmente estava muito grato com o tio Humberto… eu e ele tínhamos acabado de ter “a conversa”… nem em um universo paralelo meu pai me diria tais coisas… eu estava muito feliz e satisfeito com o aprendizado que ele tinha me passado hoje… eu realmente gostava muito dele, nem tinha como agradecer…
― Obrigado por me ouvir e ser a pessoa especial que você é… ― Eu disse para ele.
Eu levantei o apoio de braço da poltrona que nos separava e dei um abraço caloroso nele. Ele me abraçou de volta. Quer saber… até que estava confortável ficar nos braços dele… resolvi continuar abraçando ele. Ele era tão legal comigo… nem sei o que seria sem ele. Daí eu e ele assistimos o filme inteiro abraços. Foi bom, foi muito bom desabafar com ele. Só seria melhor se eu contasse que ‘ela’ era ‘ele’, mas fiquei com vergonha.
O filme terminou e saímos da sala de cinema. O Matheus não parou de falar um minuto sobre o filme. Ele estava muito empolgado, e eu, satisfeito com a conversa. Tio Humberto nos levou direto para casa. Ele parou em frente à minha casa e desligou o carro.
― Ué, Tio… vai descer? ― Eu perguntei.
― Claro que vou! Por que? Você não quer que eu entre?
― Claro que eu quero que você entre! Desculpa se fui grosso.
― Imagina! Não perderia o próximo momento por nada nesse mundo… ― ele disse.
Eu não entendi o que ele quis dizer com isso. Eu, ele e Matheus descemos do carro e entramos dentro de casa. Quando eu entrei na sala, tinha uma caixona enorme no meio da sala, embrulhada com papel de presente. Minha mãe e meu pai apareceram na sala.
― Filho, olha o que mamãe e papai compraram para você!
Eu olhei para o seu Humberto. Filho da puta! Ele sabia que eu ia ganhar um presente e não me falou nada! Nossa! Meu coração se encheu de alegria. Eu corri até a caixona e li o cartão.
Lucas
Esse é seu presente por ser um ótimo filho e um bom aluno.
Mamãe e papai te amam.
Meus olhos ficaram úmidos. Rasguei o embrulho do presente e tinha uma caixa com o desenho de um computador. Não acreditei quando vi. Eles tinham me dado um computador novinho! Nem terminei de abrir… saí correndo e pulei nos braços da minha mãe. Dei um abração nela e meu pai veio abraçar nós dois também.
― ―
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Eu estava chorando desesperadamente. Mas era de felicidade.
― Filhooo! Por que você está chorando? ― Minha mãe perguntou.
― Obrigado! ― Eu respondi entre os soluços. ― Amo vocês!
― Mas não fica bravo com o seu Humberto não… ― minha mãe disse. ― Ele foi nosso cúmplice! Ele sabia de tudo, pedimos para ele levar você no Shopping porque queríamos fazer essa surpresa para você!
Aí foi o fim do mundo. Chorei muito mais. A única coisa que eu conseguia dizer era que amava eles demais, e que amava seu Humberto, e que também amava Matheus… Matheus estava mais vidrado no computador do que eu… eu tinha gostado mesmo era da demonstração de carinho que tinha recebido. Esse foi o maior presente.
― Eiii! O que é isso? ― Matheus gritou. ― É um celular?
Tá! Agora a porra ficou séria! Eu não acredito que também tinha ganhado um celular! Caraaaaa! Foi o dia mais feliz da minha vida! Só faltou uma pessoa para deixá-lo mais perfeito…
Meu dia terminou assim… comigo feliz da vida por receber tanto presentes. Primeiro, uma ida ao Shopping, depois uma ida ao cinema, em seguida uma conversa incrivelmente construtiva, e para fechar com chave de ouro, recebo um celular, um computador e um ‘eu te amo’ dos meus pais. Foi incrível esse dia.

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PéssimoRuimMédioBomExcelente
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1 comentário

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  • Responder Dark boy ID:8ef6vikm9j

    Top demais esse conto .