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O menino dos olhos verdes 7

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Episódio 7 – Entrando para o Time
Era sexta-feira. Último dia da semana. Acordei antes de todo mundo e me troquei para ir para a escola. Eu peguei minha mochila e dei uma olhadinha para ver se a cartinha ainda estava lá. Foi quando deu seis e meia e saímos de casa. Durante o caminho, eu expliquei para minha mãe que ela não precisaria me buscar, pois eu ficaria para o futebol no período da tarde. Ela estranhou um pouco a ideia de eu me interessar por um esporte, mas gostou.
Cheguei na escola e sentei no meu lugar. A única coisa que eu pensava era na cartinha que tinha escrito. Eu ia colocar ela na bolsa do Rafa hoje… e ele teria o final de semana todo para pensar a respeito, uma vez que não nos veríamos.
Quando Rafa entrou na sala, meu coração disparou. Olhei para ele, tão lindo, tão perfeito. Se eu estava com cem por cento de certeza de que entregaria a bendita cartinha para ele, minha certeza tinha acabado de se reduzir para cinquenta por cento, olha para ele! Claro que ele não gostava de meninos como eu! Olha para ele! Por que ele gostaria? Ele tem tudo para pegar a menina mais linda do mundo! Ele é legal, é divertido, é atraente e ainda por cima é rico! O que ele iria querer comigo?
Ele me cumprimentou.
― Oi Lulu! ― Putz! Ele queria me matar, me chamando assim! Aaaaaaaaaaaaaaaa!
― Oi Rafinha… ― Ele desviou os olhos de mim quando eu o chamei de Rafinha.
― Hoje, depois da aula, vai ter o futebol… você ainda vai? ― Ele me perguntou.
― Vou sim… preciso levar alguma coisa?
― Bom… se você entrar, o treinador vai te dar um uniforme novo. Só a chuteira que você precisaria trazer a sua… eles têm algumas lá, mas estão velhas…
― Hum… entendi…
A aula começou e passou bem devagar. Eu queria muito que chegasse a hora do intervalo. Eu colocaria a cartinha na mochila do Rafa. Eu estava um pouco nervoso, mas ainda estava confiante. Quando finalmente deu a hora do recreio, eu, Rafa e Igor fomos até a quadra. Hoje o Rafa não tinha me comprado o bendito chocolate, o que só me deixou mais desmotivado sobre o que fazer. Ele me disse:
― Aí, Lucas… hoje não comprei chocolate… você quer?
― Nãoooooo! Não precisa! ― Eu disse. Eu conhecia ele! Se eu pedisse, ele buscaria para mim na hora, mas eu não iria fazer isso com ele.
― Tem certeza? Eu realmente não me importo de ir lá comprar!
― Não Rafa, não precisa, obrigado.
― Tá… ― ele disse.
Estávamos conversando sobre algumas coisas aleatórias, quando eu criei coragem e disse:
― Vou ali no banheiro rapidinho. ― Eles nem se importaram.
Eu me levantei e fui andando até o sexto ano. A cada passo que eu dava, meu coração acelerava mais. Coloquei a mão no meu bolso e senti um pedacinho de papel que continha tudo que eu sentia. Aquele papel resumia minha vida e meus sentimentos amorosos, e eu estava prestes a deixar ele na bolsa do Rafa. Cheguei na porta do sexto ano e para minha infelicidade a sala estava vazia.
Eu estava muito nervoso. Se tivesse alguém lá, e se por acaso eu perdesse as forças de terminar a missão, pelo menos eu poderia botar a culpa nessa pessoa, que ela estava na sala e seria arriscado mexer na mochila do Rafa com alguém olhando. Mas não tinha ninguém. Eu estava na porta tremendo. Minha mão estava suando sobre o papel. Eu retirei a carta do meu bolso e comecei a lê-la.
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“Rafa… você é meu amigo e eu gosto muito de você… na verdade, gosto mais do que devia…”
― O QUE É ISSO?
A voz de Arthur me assustou. Ele tinha me pegado de surpresa. Eu imediatamente escondi a cartinha.
― NADA! ― Eu disse na defensiva.
― Huuum… que que você tá fazendo aí parado na porta do sexto ano? Olhando pro nada igual um fantasma?
― Nada… ― eu disse com aspereza na voz.
― Nada? Você chega a ser estranho, Olhos Verdes…
― Ra Ra Ra! ― Eu disse para ele.
― Bom, se me da licença, vou voltar pro sétimo ano!
E assim ele foi embora. Ele quase tinha me matado do coração. Peguei minha cartinha e continuei lendo. “Rafa… eu te amo… você me faz bem… ” Você me faz bem? Onde eu estava com a cabeça… isso está ridículo! Foi a coisa mais ridícula que eu já fiz! Ontem à noite parecia que era a coisa certa a se fazer. Mas agora, aqui, na vida real, era tão diferente! Era a vida real! Essa cartinha só ia me causar problemas com o Rafa… e se ele não sentisse nada por mim! Ia ser a coisa mais ridícula e embaraçosa de todos os tempos!
Rasguei a cartinha em mil pedaços com lágrimas nos olhos e joguei os fragmentos no lixo. Fui para minha carteira, abaixei a cabeça e comecei a chorar. Fiquei chorando até o intervalo terminar. Quando eu senti uma mão afagar meus cabelos.
― Lu? ― Rafa disse.
DROGA! Meus olhos estavam molhados e eu não tinha como explicar… o que eu ia dizer para ele? Levantei minha cabeça e ele me olhou confuso. Ele se ajoelhou ao meu lado e chegou o seu rosto bem perto do meu. Estávamos no fundo da sala, então ninguém estava prestando atenção em nós.
― Lu… ― Ele disse baixinho no meu ouvido. ― Tá tudo bem com você?
― Tá sim Rafa… ― Eu disse enxugando as lágrimas e rindo forçadamente. ― É só uma alergia…
Ele se afastou meio indeciso sobre o que fazer, e foi para sua carteira. Acho que ele comprou minha desculpa. Meu coração estava em pedaços. Olhei para ele e tentei imaginar a reação dele quando olhasse minha cartinha:
― LUCAS! Eu não te amo! Desculpa se pareceu que eu amava… eu sou menino! E você também é! Como eu poderia te amar? Você é um veadinho, isso sim! Eu amo a Bia! Olha, não podemos mais ser amigos.
Meus olhos ficaram úmidos novamente com esse pensamento. Aíí… como doía… como doía não poder falar nada… eu estava agoniado… eu precisava por pra fora… eu precisava falar com alguém…
Eu voltei meu olhar para o quadro e a aula começou. Durante a aula, senti o Rafa me dando algumas olhadinhas… acho que eu tinha deixado ele preocupado, sei lá… só sei que durante a aula, consegui me recompor. Quando o sinal bateu, todos saíram, exceto eu e Rafa.
― E aí, vamos lá falar com o Técnico?
― Vamos! ― Eu disse.
Ele foi na frente e me levou até uma salinha. Na porta dizia: ‘Técnico José Dias’. Rafa bateu na porta três vezes e em seguida a abriu. Entramos e era uma salinha cheia de troféus, medalhas e bolas.
― Com licença, treinador Dias! ― Rafa o saudou.
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― OLHA SE NÃO É O MEU MELHOR ARTILHEIRO! ― Um homenzinho incrivelmente em forma, e que usava um topete disse.
Rafael explicou a minha situação para o técnico. O técnico ficou feliz em saber que eu era um excelente aluno. Ele mostrou gentileza e disse que eu seria bem-vindo no time.
― E em qual área você joga garoto? ― Ele me perguntou.
Eu não entendia de futebol… eu nem sabia quais eram as áreas que tinham… daí eu olhei para o Rafa. Ele me olhava com uma cara de quem estava esperando uma resposta. Daí eu chutei uma…
― Eu jogo… gosto de jogar mais no meio do campo… sei lá…
― Huuuuum… na defesa? ― Ele tentou me entender.
― Isso! ― Eu disse.
― Bom… você é magrelinho… parece ser rápido! Se quiser eu também te coloco no ataque, junto com o Rafael…
Meus olhos brilharam.
― Pode ser! ― Eu disse empolgado.
― Bem-vindo ao time, então. ― Ele disse e estendeu a mão para mim.
― Obrigado, treinador Dias! ― Eu respondi.
Quando terminei de cumprimentá-lo, Rafa comemorou dizendo:
― Eeeeeee!
E me deu um abraço. Nossa! Eu não esperava por isso. Que abracinho gostoso era esse! E durou uns cinco segundos… mas até que foi bastante…
Depois disso, fomos na cantina comer algo, pois o treino começava somente as duas da tarde. Como eu tinha um pouco de dinheiro comigo, eu pude comprar meu próprio lanche. Eu e o Rafa comemos um cachorro-quente cada um. Nos sentamos nos banquinhos da cantina e conversamos sobre besteiras de crianças. Não tinha ninguém no pátio. O clima era totalmente diferente do recreio, que fervia. Agora só tinha eu e ele lá. Estávamos num ambiente em que reinava a paz. Quando terminei de comer, que eu terminei primeiro que ele, fui até a cantina e comprei duas barrinhas de chocolate com morango. Me dirigi até ele e entreguei.
― Aqui, Rafa… eu sei que não é muito, mas um dia eu ainda vou te devolver todas as barrinhas que você me comprou… ― E eu entreguei a barrinha dele.
― Que isso, Lu, não precisava… tá vendo… ora eu compro uma coisa para você, ora você compra uma coisa para mim… não precisamos ficar esquentando a cabeça com quanto você me deve nem nada… ― Eu percebi que ele hesitou em falar algo.
― O que foi? O que você ia dizer?
― Nada… é que… ― ele disse meio tímido. ― É que eu ia dizer que só a sua amizade já vale por todas as barrinhas de chocolate que eu te dei…
Fiquei sem palavras… gente, como esse garoto era especial para mim!
― Ah… ― eu disse.
Ficamos sem graça um com o outro por um momento, mas logo voltamos a conversar normalmente, até a hora do treino.
Fomos até a parte onde ficavam as quadras esportivas da escola, era uma parte que eu ainda não conhecia. Lá tinha um campo de futebol, com uma grama bem verde-verão. Já tinham alguns meninos lá, se aquecendo. Eu e o Rafa fomos até o técnico Dias, que disse:
― Ahhh! Vocês! Lucas espera aí que eu vou lá buscar um uniforme novinho para você… você trouxe a sua chuteira?
― Não… eu não tenho uma chuteira. ― Respondi tímido.
― ―
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Rafa me olhou estranho. Eu sabia que ele ia fazer isso. Ele não sabia que eu não tinha uma chuteira. Eu não tinha dito a ele… daí ele deve ter ficado mal, por falar que eu tinha que trazer a minha… eu ia me desculpar com ele depois…
― Entendo… ― disse o treinador. ― Eu arrumo uma para você, espera aí.
E ele foi até uma casinha que tinha lá perto da quadra.
― Lu, vou ali no vestiário me trocar, já volto.
Rafa sumiu e me deixou com um monte de meninos desconhecidos fazendo aquecimento com roupinhas de futebol. Desconhecidos mais ou menos… eu avistei um garoto que reconheci imediatamente. Não tinha como eu não me lembrar dele… era Hermes… aquele que tinha chamado o Rafa de Rafaboiola. Eu lembro que o Rafa tinha dito que ele também fazia no futebol… mas ele não me viu… ainda bem…
Minutos depois, Rafa reapareceu, e logo em seguida, o técnico, que fez sinal com a mão para eu ir lá na casinha. Eu fui e Rafa me acompanhou. Chegando lá o técnico disse:
― Ei, meninos, me sigam.
Ele nos levou até uma salinha, que parecia uma espécie de escritório, e disse:
― Aqui Lucas, seu uniforme, se troca aí e nos encontramos no campo! Vou deixar você a vontade.
Ele terminou de falar e saiu da sala, fechando a porta. Ele me deixou na salinha com o Rafa. Eu tinha que me trocar, mas o Rafa estava aqui! Como eu ia tirar a roupa perto dele. Ele estava me olhando, esperando que eu fizesse algo.
― Não vai se trocar? ― Ele perguntou.
― Com você me olhando? ― Eu falei… soou até um pouco grosso, mas eu estava envergonhado e não sabia o que pensar… muito menos o que dizer…
― Larga de ser bobo, Lu, nós dois somos meninos!
Olha! Em minha defesa, ele estava muuuuuito gostosinho com aquelas coxas de fora! O Uniforme do time era azul vibrante e tinha o logotipo da escola gigante estampado no lado esquerdo do peito. E os shortinhos eram extremamente curtos. Resultado? MEU PAU SUBIU, PORRA! COMO EU IA ME TROCAR COM ELE ME OLHANDO? E EU DE PAU DURO?
Virei de costas e retirei minha camiseta. Um friozinho tomou conta do meu corpo e me custou um arrepio. Eu estava de costas para o Rafa, portanto, não sabia o que ele estava fazendo. Não sei porque, mas senti que os olhos dele estavam em mim, mas acho que era coisa da minha cabeça… ele obviamente não estaria me secando nesse momento.
Vesti a camisa do uniforme, que era tamanho P, daí ficou bem justinha em mim. E finalmente chegou o momento que mais me deixava apavorado, eu teria que abaixar as calças. Tirei meus dois tênis e desafivelei meu cinto. Desabotoei minha calça e abaixei o zíper. Fui abaixando minha calça, com um pouco de pressa e desespero.
― Caralho, Lucas! O que foi que aconteceu com sua perna?
Numa reação instintiva, eu me virei para ele. Ele veio em minha direção e se ajoelhou na minha frente. Eu estava usando a apenas a camisa do time, minha cuequinha e meias. Eu peguei a parte da frente da minha camiseta e abaixei o máximo que podia, para tentar tampar minha ereção. MALDITA SEJA A CAMISA TAMANHO P!
Rafa analisou de perto o machucado que o vaso tinha causado na minha perna, há dois dias atrás. O problema era que a cara dele estava bem perto do meu… do meu… você sabe! Do meu bilau… e ele não parava de latejar, de tão duro que estava. Fiquei morrendo de vergonha, mas quando ele abriu a boca, aí foi o fim do mundo para mim…
― É a primeira vez que você se troca na frente de alguém, não é? ― Ele começou. ― Isso acontecia muito comigo, principalmente nos primeiros dias, quando eu ficava de cueca na
― ―
43frente de outros meninos, mas com o tempo a vergonha foi passando, e agora quase nunca acontece… você vai se acostumar, pode ter certeza disso…
Eu estava ruborizado. Totalmente vermelho. Não sabia o que falar e não sabia o que fazer. Rafa se levantou e olhou nos meus olhos.
― Lembra quando o Hermes me chamou de Rafaboiola? Eu menti. Não foi porque eu não quis ficar com aquela menina… foi porque nos primeiros dias do futebol, eu fiquei duro no vestiário, e… ― os olhos dele se encheram de lágrimas. ― E ele ficava falando que eu estava de pau duro porque eu gostava de meninos…
E foi o que precisou para ele cair no chororô. Eu não sabia o que fazer, daí dei um abraço nele. Minha ereção tinha sumido. Não era erótico… era triste… era imensamente triste o que ele tinha passado.
― Olha Rafa, eu te entendo completamente… ― eu disse. ― Eu sei que esse tipo de coisa pode acontecer, e não significa que você é veado. E mesmo se fosse, eu não teria problema nenhum com isso.
Ele me abraçou de volta.
― Obrigado, Lu, você é legal… obrigado por me entender.
Eu tirei a cabeça dele do meu ombro e enxuguei as lágrimas dele com meus polegares. Era até engraçada a situação… eu de cuequinha abraçando o garoto dos meus sonhos…
― Passou? ― Eu disse.
― Passou… ― ele confirmou. ― Obrigado por ser tão meu amigo…
― Obrigado você, Rafa, por ser tão meu amigo…
Ele sorriu! Como era bom ver ele sorrindo!
Bom, eu vesti meu shortinho e calcei a chuteira. Ele me perguntou.
― Ei, Lu… esse machucado… e hoje… na hora recreio… aconteceu alguma coisa? ― Ele pegou minha mão. ― Você pode me contar o que quiser… se você estiver guardando alguma coisa pra si, se precisar conversar com alguém, se precisar desabafar alguma coisa… saiba que estou sempre disponível e pronto pra te ouvir…
Eu me emocionei.
― Obrigado, Rafa, significa muito pra mim… de verdade mesmo…
E nós dois paramos de melancolia e fomos jogar bola. Bem… você já deve saber que foi um desastre. Eu que nunca tinha jogado futebol direito antes, tinha virado um atacante. Não acertei um gol sequer, nem mesmo os que eu tentei fazer contra!
Depois do jogo o técnico veio falar comigo.
― Lucas! Você foi ótimo, garoto! Continue assim que você vai longe!
― Obrigado, treinador! ― Eu respondi.
― Você nunca jogou futebol antes, né? ― Ele me perguntou com um sorriso na cara.
― Nunquinha! Seu treinador! ― Eu disse rindo.
― Hahahaha! Eu percebi! Mas esse vai ser nosso segredinho! É só começar a treinar que você vai se tornar um ótimo jogador! Toca aqui, garoto!
Eu bati na mão dele! Ele era muito legal, esse treinador Dias! Gostei muito dele.
O dia terminou com Rafa me dando uma carona para casa.
Depois de passar a tarde toda vendo o Rafa com aquele mini short azul, eu tomei um banho bem gostoso, se é que você me entende, gozei litros pensando naquele menino. Durante a noite, deitei na minha cama e pensei um pouco na carta…
Nessa hora do dia o mundo era diferente… era ideal… era perfeito… mas era ilusão. Fiquei cara a cara com a vida real hoje, na porta do sexto ano… eu não tive coragem de entregar a carta, acho que era melhor assim… e pensei mais um pouco na vida até adormecer num sono profundo e tranquilo.

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