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O menino dos olhos verdes 6

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Episódio 6 ― Bochechas O descaso
Quando criei forças para me levantar, abri a porta do meu quarto e a casa já estava escura. Minha mãe já devia ter ido dormir e nem sinal do meu pai. Eu me levantei e fui até o banheiro. Limpei o sangue seco que tinha em minha perna e dei uma olhada no corte. Era superficial, não precisaria levar pontos. Daí fui até a sala e comecei a limpar os cacos de porcelana e a terra que estavam esparramados no chão.
Duque acordou e veio em minha direção. Ele pegou um caco grandão com a boca e trouxe até mim.
― Obrigado, Duque! Veio me ajudar a limpar, é? ― Eu disse.
― Lucas?
Droga, minha mãe devia ter me ouvido, não queria falar com ela agora.
― Lucas, filho! Nãoooo! Larga isso! ― Ela veio em minha direção e tirou a pá e o saco de lixo das minhas mãos. ― Amanhã a mamãe limpa isso! Não precisa limpar não! A culpa nem foi sua! Me desculpa filho!
Ela se ajoelhou na minha frente e me deu um abraço. De que adiantava um abraço, se ela e papai ainda estavam brigados?
― Me desculpa filho! A mamãe vai te comprar um presente, pra compensar, pode ser? Lembra daquele celular que você pediu? Mamãe tá juntando um dinheirinho e ela vai te dar! Me perdoa! Por favor!
― Não quero um celular! ― Eu disse com repulsa da atitude dela, de tentar me comprar com um presente. ― Se quiser me dar um presente de verdade, porque não começa a ir me buscar na escola?
Ela me abraçou mais forte. E começou a chorar.
― DESCULPA FILHO! ― Ela estava desesperada. ― DESCULPA! VOCÊ NÃO É NADA PARECIDO COM ELE! VOCÊ É MUITO MELHOR QUE ELE! MAMÃE TE AMA! ME PERDOA! POR FAVOR!
Tudo bem… acho que tinha exagerado um pouco… tinha deixado minha mãe aos prantos. Eu a acalmei e disse que estava tudo bem, disse que perdoava ela e que não tinha problema quando ela não me buscava na escola. Mas ela me garantiu que a partir de hoje, me buscaria todo dia. Eu fiquei feliz.
Depois de conversarmos mais um pouco, ela foi dormir e me chamou para ir dormir com ela, mas eu preferi voltar para meu quarto.
O restante da noite foi tranquilo e eu acordei com ela me chamando.
― Lucas! ― Eu abri os olhos. ― Lucas, você quer ir na escola hoje? Se quiser faltar, tudo bem… o papai ainda não voltou…
A primeira coisa que me veio à cabeça foi Rafa. Claro que eu queria ir na escola! Não podia ficar sem ver o Rafa! Em um segundo eu já estava completamente acordado. Me troquei e minha mãe me levou até a escola. Ela estava mais calma. Parece que a nossa conversa tinha feito bem a ela.
― Filho! Mamãe vai estar esperando você, quando você sair, eu prometo! ― Ela disse e me deu um beijo na bochecha.
Eu agradeci e saí do carro. Entrei no sexto ano e não estava a fim de falar com ninguém, por isso fui até minha carteira e fiquei lá com a cara fechada. Minutos depois, o Rafinha chegou. Ele esboçou um sorriso ao me ver e eu já me derreti todo.
Parece que todos os problemas que tinham ocorrido nesta madrugada tinham sumido. Ele me transmitia tanta paz e alegria que não havia ninguém no mundo que pudesse estragar
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meu dia quando eu estava perto dele. Meu coração bateu mais forte e eu deixei minha postura defensiva para lá.
― Oi, Lu!
Quando ele me chamou de Lu, quase morri! Era tão fofo ele me chamando assim! Ninguém nunca me chamava assim… ou era Lucas ou era Luquinha… ou Olhos Verdes hahahaha… mas Lu… só me deixou ainda mais apaixonado.
― Oi, Rafa… ― Eu disse.
Ele estendeu a mão para mim e eu o cumprimentei. Pegar naquela mão era tudo de bom… será que ele batia punheta com aquela mão? Imaginei por um momento ele se tocando. Devia ser coisa de outro mundo. Eu estava morrendo de curiosidade de saber o que ele escondia por baixo daquelas roupas… será que ele era tão perfeito sem roupa do mesmo jeito que ele era com?
― E aí, como você tá? ― Ele me perguntou enquanto foi se sentando.
― Estou bem… ― eu menti. Ainda estava um pouco mal, mas nada que fosse da conta dele…
― Huuuuum… depois tenho que te falar uma coisa…
― Uma coisa? ― Eu perguntei curioso. ― Diz aí!
― Não… agora não… no recreio eu falo!
Porra, agora ele tinha me deixado extremamente curioso. Será que era alguma coisa sobre nós? Meu coração disparou. Eu queria tanto que ele me dissesse que estava gostando de mim. Era o que eu mais queria no mundo. Mas claro que não seria isso… será? Eu ainda tinha esperanças… o que podia ser? O que ele estava escondendo? Meu coração não parava de acelerar e minha mente não parava de formular teorias.
A aula passou que eu nem conseguia me concentrar. A única coisa que eu pensava era no que ele tinha para me dizer. Só podia ser algo relacionado a nós… eu queria muito que fosse! O recreio finalmente chegou e ele me pediu que eu fosse até a quadra e esperasse ele lá. Foi o que eu fiz.
Eu subi a arquibancada da quadra e sentei lá no nosso lugarzinho especial. Eu esperei um pouquinho e logo vi ele lá embaixo. Ele subiu as escadas da arquibancada rapidamente e me entregou uma barrinha de chocolate.
― Você é viciado nisso, não é? ― Eu perguntei.
― Sou! É o melhor doce que já inventaram! ― Ele respondeu.
― E aí, Rafa, o que você ia me dizer? ― Eu perguntei. Eu não aguentava mais de curiosidade.
Eu estava louco para ouvir o que ia sair daquela boca perfeita. Ele me olhou e disse:
― Eu queria convidar você para participar do time de futebol da escola… você podia se juntar a gente…
Certo… por essa eu não esperava. Claro que eu estava sonhando demais… achando que ele ia me trazer aqui no nosso lugarzinho especial, que ele ia me entregar um presentinho e então declararia seu amor por mim. Eu estava viajando, ele provavelmente não sentia nada por mim. Quer dizer, sentir podia até sentir, mas não era nada comparado ao que eu sentia por ele.
Suspirei decepcionado. Olha, sinceramente, eu odiava futebol. E eu nunca fui bom nos esportes. Mas não tinha como falar não. Ele estava me convidando para passar mais tempo com ele. Eu queria muito aceitar, mas era só por causa disso. Era só para passar mais tempo com ele.
― Eu ia adorar, eu amo futebol! ― Eu disse. ― Como faço para entrar?
― Amanhã à tarde a gente vai falar com o técnico do time. Aí ele vai conversar com você e te avaliar, para ver se você pode entrar ou não. Mas não se preocupe, eles vão ver se você tem
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algum problema de saúde, e vão ver suas notas na escola. Se você tirar boas notas você pode entrar para o time, então, não vai ser um problema pra você, não se preocupe.
― Hum… entendi… beleza… amanhã a gente vai então… ― eu disse.
Eu e ele continuamos comendo nossas barrinhas de chocolate, foi quando avistamos o Igor chegando.
― Oi, Lucas, oi, Rafa! ― Ele disse.
― Oi Igor! ― Eu e o Rafa dissemos ao mesmo tempo. Ele olhou para mim e riu.
Aííí, ele era um fofo!
― Aí gente, estou apaixonado! ― Igor começou. Rafa olhou para mim e riu novamente.
― Coitada da Sarah… ― Rafa disse.
― Ela é tão meiga… e tão fofa… ― O Rafa é meigo e fofo, eu pensei. ― Eu não sei o que eu faço… queria tanto ter coragem de me declarar pra ela! ― Eiiiii! Eu é que não sei o que faço! Eu é que queria ter coragem de me declarar para o Rafa.
― Mas Igor, você devia falar logo pra ela o que você sente. ― Rafa aconselhou. ― Sabe? Tirar o curativo de uma vez?
― Tá maluco? Não é assim! Só de chegar perto dela eu já começo a tremer! ― Igor disse, eu o entendia mais do que ninguém. Eu estava na mesma situação.
― Claro que é! O tempo que você desperdiça pensando, é o tempo que vocês poderiam estar juntos!
Caralho, Rafael! Desde quando você entendia tanto sobre relacionamentos? Caralho, me senti até mal com esse comentário que ele fez. Se algum dia, por algum milagre, por alguma vontade divina, rolar algo entre nós, então, estaríamos realmente desperdiçando tempo agora…
― Quer saber… você tem razão, Rafa! Acho que vou escrever uma cartinha de amor e botar na mochila dela. O que vocês acham?
― Acho uma boa. ― Rafa disse.
― E você, Lucas? O que acha? ― Igor me perguntou.
O que eu acho? Bom, eu jamais colocaria uma cartinha na mochila do Rafa! Imagina o que ele pensaria! Ele nem sentia o mesmo que eu… ele devia estar apaixonado pela Bia… mas no caso do Igor, acho que era uma boa, as vezes a Sarah podia até gostar dele, quem sabe… ele era lindo… não tanto quanto o Rafa, mas ele era bem gatinho.
― Acho uma boa, também. ― Eu disse.
― E o que escrevo?
― Sei lá! Aí é com você… ― Rafa disse.
Eu pensei um pouco e disse:
― Diz que você ama ela, diz que não consegue mais ficar longe dela… mas você tem vergonha de falar…
Rafa me olhou estranho, será que ele achou que soou muito viado?
― Caraca, você é um gênio, Lucas! Ficaria perfeita! ― Igor exclamou empolgado.
Claro que ficaria… mas minha declaração era direcionada ao Rafa, e não à Sarah… uma pena…
― Mas Igor! ― Rafa riu. ― O que você faria se ela dissesse que também te ama? Por acaso você daria um beijinho nela assim?
Nesse momento, Rafa colocou uma mão no meu rosto e a outra no meu pescoço. Ele me puxou para perto, se aproximou de mim e encostou seus lábios em minha bochecha. A mão dele estava quente e me transmitia uma sensação de conforto. Eu fechei os olhos. Caraaaaaaaa! Não faz isso comigo não, Rafinha! Caraaaaaaaaaa! Como foi bom o beijo dele! Como foi gostoso! Foi tão especial para mim! Eu não sabia o que pensar! Eu não sabia o que fazer! Eu estava tão desorientado! Eu estava tão fora de mim. Que diabos ele estava fazendo comigo? Sentir sua
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saliva entrar em contato com minha bochecha foi como estar no céu. Foi incrível. Foi extremamente prazeroso. Pena que não durou nem um segundo.
― Eca! ― Igor disse. ― O Rafa babou na sua bochecha! A baba dele ainda tá com chocolate!
Podia ser a coisa mais nojenta do mundo para o Igor, mas para mim, o que eu mais queria era lamber aquela baba que ele tinha deixado na minha bochecha. Nossa! Enlouquecedor. Eu limpei com a mão, pois precisava disfarçar.
― E aí, Igor, vai ter coragem de fazer isso com ela? ― Rafa disse rindo. ― Só quero ver se você vai ter coragem de fazer isso!
Do nada, Rafa colocou a mão na minha boca, como se ele estivesse tentando me impedir de falar algo. Mas não era pra isso. Ele tampou minha boca e se aproximou do meu rosto. Daí beijou o dorso de sua própria mão.
Eu olhei bem no fundo dos olhos dele, mas ele os fechou. A única coisa que separava nossas bocas era a mão do Rafa, que ele beijava. Eu senti ele soltando a respiração, foi demais sentir o calor que ele exalava. Como eu odiava a mão dele! Como eu queria que ela não estivesse aqui nos atrapalhando! Como eu queria agarrá-lo com todas as minhas forças! Mas não podia! NÃO PODIA! Essa tortura também durou apenas dois segundos.
Rafa se afastou de mim e olhou para Igor rindo.
― Você é um idiota, Rafa! Pois saiba que eu a beijaria sim! Beijaria ela e a buceta dela!
Rafa e Igor riram. Eu ainda estava tentando entender que porra tinha acabado de acontecer aqui. O que Rafa tinha feito comigo? Ele estava tentando me matar! Só pode! Fazer uma coisa dessas comigo! Ele me deixou totalmente sem folego e sem resposta. Demorei um momento para voltar à Terra.
― Você é um idiota, Rafa! ― Eu disse logo em seguida. Nós três rimos. Eles mais do que eu.
Meu coração nunca tinha batido tão rápido. Eu tinha sido pego de surpresa. Eu não esperava isso. Eu não sabia se tinha sido uma brincadeira, se ele tinha feito para me provocar ou se realmente tinha sido um beijo sincero, mas que ele tinha conseguido mexer comigo, ele tinha.
Continuamos falando sobre a Sarah até o sinal tocar. Voltamos para a sala e assistimos aula normalmente até a hora da saída. Quando saí, pensei em pedir uma carona para o Rafa, mas minha mãe tinha me garantido que ia dar as caras hoje. Bom, acho que vou confiar nela. Se ela não aparecer eu vou embora a pé mesmo…
Quando saí na rua, eu avistei logo de cara a mãe do Rafa, ela acenou para mim. Percorri todos os carros com os olhos, para ver se enxergava minha mãe. Quando avistei ela abanando a mão de dentro do carro, corri. Nem sei porque corri, acho que foi felicidade… só sei que corri em direção ao carro. Quando cheguei do lado dele, abri a porta, entrei e dei um abraço demorado e caloroso na minha mãe.
― Obrigado por vir me buscar! ― Eu disse.― Significa muito pra mim!
― Ah, filho! Eu disse que vinha, não disse? Tá vendo! Mamãe te ama, me perdoa por essa noite, tá?
― Eu te perdoo, mãe! Nunca estive magoado! ― Eu respondi feliz.
Depois do nosso abraço demorado, ela me levou de volta para casa e me deixou lá. Ela tinha que voltar para o trabalho, isso eu não podia impedir. Daí entrei para dentro de casa.
A tarde foi agradável. Dormi um pouco e brinquei um pouco com o Duque. Quando a noite caiu, ouvi meus pais chegando. Um grande alivio tomou conta do meu coração quando ouvi eles conversando normalmente. Estavam até rindo um pouco. Conversei com eles, jantamos, assistimos um pouco de TV e finalmente eu fui me deitar.
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Entrei no meu quarto e tranquei a porta. Deitei na minha cama e refleti um pouco sobre meu dia. A única coisa que se passava na minha cabeça era o beijo que o Rafa tinha me dado. Nossa, eu estava completamente apaixonado por ele. Cara… eu precisava fazer alguma coisa. Lembrei dele falando: “Mas Igor, você devia falar logo para ela o que você sente. ” E comecei a martelar isso na minha cabeça: “Mas Lucas, você devia falar logo para mim o que você sente. ” “Lucas, você devia falar para mim o que você sente. ” “Lucas, fala para mim o que você sente. ” “O tempo que você desperdiça pensando, é o tempo que vocês poderiam estar juntos! ” “Acho que vou escrever uma cartinha e botar na mochila dela. O que vocês acham? ” “Acho uma boa!”
Ele acha uma boa, talvez eu devesse fazer isso… levantei da minha cama e peguei um papel e uma caneta. Sentei na escrivaninha do meu quarto e mordi a caneta.
“Querido Rafa…” não… querido não… “Amigo Rafa…” amigo? Tem certeza? Você quer ser mais que amigo, Lucas! Por que chamaria ele de amigo? “Rafa, meu amor…” não… se amigo é pouco, amor é demais… o que acha de ser só “Rafa…” é… é melhor assim…
RafaVocê é meu amigo e eu gosto muito de você. Na verdade, gosto mais do que devia. Eu não sei bem como isso funciona, mas eu não consigo mais parar de pensar em você. Escrevi essa carta porque tenho vergonha e não diria essas palavras em voz alta por nada nesse mundo. Então… é isso… Rafa… eu te amo! É isso que sinto… se você não sentir o mesmo por mim, apenas me perdoe e não deixe de ser meu amigo por causa disso… eu realmente gosto muito da nossa amizade. Você me faz bem.
De seu admiradorzinho secreto
Lucas ♥
E fiz um coraçãozinho vermelho do lado do meu nome. Coloquei nessa cartinha tudo que sentia. Abri meu coração como nunca tinha feito antes. Foi até bom, botar no papel o que eu sentia. Me senti bem fazendo isso, me senti leve e livre. Talvez eu devesse escrever um diário… ou um livro… ou algo do tipo…
Agora só falta ter coragem de entregar isso para o Rafa. Eu sei que sou muito covarde e sem atitude, mas eu preciso fazer isso. Entregar essa carta é uma coisa que eu preciso fazer. Eu preciso contar para ele de alguma forma, custe o que custar. Eu vou colocar isso na mochila dele amanhã, lá no futebol. Assim que eu ter uma oportunidade, eu vou colocar lá, não importa o que aconteça. É a única coisa que eu preciso fazer, o que acontecer depois, aconteceu!
Eu tinha que fazer isso. Dobrei a cartinha, coloquei um adesivo para lacrá-la e dei um beijinho, nem sei porque… guardei a cartinha na minha mochila e me deitei na minha cama. Nunca tive tantas dificuldades para dormir. Não conseguia para de pensar na cartinha. Eu estava imaginando Rafa lendo ela e dizendo “Eu também te amo! ” e a gente ia se abraçar, e eu ia poder sentir o corpo dele junto ao meu. Abracei meu travesseiro. Ele ia encostar a cabeça no meu ombro, e eu encostaria a minha no dele.
Ah… eu estava completamente apaixonado por ele…

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1 comentário

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  • Responder Dark boy ID:8ef6vikm9j

    Tá ficando bom ,!