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O menino dos olhos verdes 45 & 46

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Episódio 45 ― Xeque Mate | Episódio 46 ― Amizade Colorida

― Precisamos conversar. ― Eu disse para o Rafa assim que o sinal do recreio tocou.
― Ah… okay… eu fiz alguma coisa de errado? ― Ele perguntou inocentemente.
― Não, claro que não. Só preciso te contar uma coisa. ― Eu respondi.
Era mais um dia nublado do fim do verão. Assim que saímos da sala, ele perguntou:
― Quer ir lá para a quadra?
― Não… tem muita gente lá… podemos ir para o Bloco Leste?
― Você quem sabe…
― Bora, então…
Daí nós dois fomos até o Bloco Leste da escola, como de costume. Chegando lá, entramos em uma das salas de aula vazias e nos sentamos em duas carteiras adjacentes.
― Pois é… ― eu comecei dizendo. ― Você conhece o Maurício? Do sétimo?
― Hum… acho que sim… um que tem o cabelinho meio enrolado? ― Ele disse girando o dedinho ao lado da sua cabeça.
― Sim… esse mesmo…
― Conheço… o que tem ele?
― Ele veio falar comigo ontem…
― Tá… e aí? Ele disse alguma coisa de mais?
― Rafa… ele confessou pra mim que gosta de meninos… igual a gente…
― O QUE? O Maurício? Sério? O Maurício… Maurício?
― Sim…
― Como isso aconteceu? Quando foi isso?
― Foi ontem… depois que você foi embora… eu fui almoçar e ele acabou se sentando comigo… daí nós conversamos um pouco e, quando eu vi, o garoto já tinha virado um livro aberto… e é claro que ele me pediu para não contar isso para ninguém… mais especificamente para não contar para você…
― Ah… obrigado por contar…
― Só não conta pra mais ninguém, por favor…
― Tudo bem… e o que mais ele disse?
― Ele me disse que está caidinho pelo Henrique, do oitavo…
― Pelo Henrique? Ah… mas também… ele é mó gostoso…
― Rafael!
― O que foi!? Vai dizer que não!
― Ele também me disse que nunca tinha contado isso pra ninguém e que também nunca tinha feito nada com outro menino…
― Sério? Até que ele é lindinho… eu pegava…
― Rafael!
― O que foi? Vai dizer que você não!
― Enfim… daí a gente trocou mó ideia… e eu acabei falando que ia investigar o Henrique… pra ver se eu descubro algo sobre ele…
― Caralho… se o Henrique também for… meu deus… ― O Rafa disse mexendo nas suas calças.
― Se o Henrique também for, o que? ― Eu disse me fingindo de bravo e ciumento.
― Se o Henrique também for… sorte do Maurício… eu acho… ― ele disse disfarçando.
― Rum… bom mesmo! ― Eu disse rindo.
― Como é que você fez ele se abrir assim pra você? Tão rápido…?
― Não sei… a gente só conversou…
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― Você é muito bom nisso, sabia? ― Rafa disse.
― Nisso o que? Em conversar? Eu sou péssimo…
― Em fazer as pessoas se abrirem pra você…
― O que? Eu? Claro que não!
― É sim… você precisa me ensinar fazer isso…
― Não sei do que você está falando… ah… e eu perguntei para o Arthur se teria problemas em você ir estudar com a gente hoje… ele disse que não…
― Ah… beleza… mas nem sei se eu vou…
― Ah, qual é, Rafa… vamos! Vai ser legal!
― Tá… pode ser… mas que horas a gente vai?
― Depois da aula… já que não vai ter futebol mesmo…
― Tá… vou avisar minha mãe…
― Beleza.
Não sei o que o Rafa pensou depois que eu contei a ele sobre o Maurício. Acho que ele não se importou… imaginei que ele teria uma reação um pouco diferente… achei que ele fosse, no mínimo, pirar… mas não. Eu sei que o Maumau tinha me pedido para guardar segredo, mas eu tinha que contar… já não bastava eu estar escondendo a minha traição dele… não tinha como não contar… eu precisava ser leal a ele… do mesmo jeito que ele era leal e fiel a mim.
Por um momento, eu imaginei se o Maumau guardaria mesmo meu segredo… eu havia acabado de contar o dele para alguém… por que ele não faria o mesmo comigo? Por que ele não contaria meu segredo para outra pessoa? Não custava nada… foi aí que me deu um frio na barriga… e se eu tivesse feito uma cagada em contar meu segredo para ele? E se isso se espalhasse e o Rafa ficasse sabendo por uma boca que não fosse a minha? O arrependimento bateu, mas tentei não pensar muito nisso. Eu só estava esperando a oportunidade certa para contar.
Depois que a aula terminou, eu e o Rafa fomos procurar o Arthur. Eu tinha combinado com ele que eu iria para sua casa logo depois da aula. E assim aconteceu. Achamos ele em frente ao portão de saída de escola.
― Oi, Arthur! ― Eu disse quando o vi.
― Ah… oi, Olhos Verdes… e… Rafael…
― Qual é, Arthur! ― Rafa o cumprimentou.
― Então, sua mãe vai poder vir buscar a gente aqui? ― Eu perguntei.
― Vai sim… ela já deve estar chegando… ― Ele disse.
― Tá…
Daí nós três ficamos lado a lado na calçada olhando para rua… esperando a mãe do Arthur vir nos buscar.
― Então… ― O Rafa disse. ― Ciências, hein? Vocês já estão muito longe na matéria?
― Pior que sim… ― eu disse. ― Estamos quase acabando… se eu não me engano, falta só um capítulo do livro…
― Hum… e a matéria tá fácil?
― Está sim… ― eu respondi.
Daí nós continuamos esperando a mãe do Arthur até ela chegar. Ela nos pegou na porta da escola e nos levou até sua casa. Ela não pode ficar para o almoço, pois tinha que voltar para o trabalho, mas deixou comida pronta pra gente. Comemos e, logo em seguida, já fomos para o quarto do Arthur, para estudar.
Seu quarto era pequenininho. Tinha as paredes brancas, era muito bem organizadinho, tinha uma prateleira de livros e uma prateleira com alguns cubos mágicos.
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― Nossa, você também sabe montar esses cubos? ― Rafa perguntou assim que entrou no quarto dele e avistou a estante.
― Sei sim. Não são difíceis… se você souber montar o 3×3…
― Ah, não são difíceis não… aham… sei… olha pra isso! ― Rafa disse enquanto pegava um cubo 5×5 da prateleira. ― Isso é impossível!
― Não é não! ― Arthur disse. ― Se quiser eu te ensino.
― Você sabe montar esse, Lu? ― O Rafa perguntou me mostrando o brinquedo.
― Eu já montei uma vez… mas não lembro os algoritmos de cabeça… ― eu disse. ― De cabeça só consigo montar o 3×3 mesmo…
― Maneiro! Em quanto tempo você monta, Arthur? ― Ele perguntou.
― Ah… esse 5×5 eu demoro uns dez minutos…
― Posso embaralhar pra você montar? ― Ele perguntou.
― Pode… embaralha aí! Vou pegando o livro de ciências.
Daí o Rafa se deitou na cama do Arthur e ficou entretido brincando com o cubo. O Arthur pegou o livro de ciências e nós dois nos sentamos em sua escrivaninha para podermos estudar. Faltava pouca coisa para fecharmos a matéria. Demoramos uns trinta minutos para terminarmos o que faltava. Daí só faltava revisar tudo.
― Eiii!!!! ― Rafa exclamou empolgado. ― Consegui montar um lado! ― Ele disse todo feliz.
Ele se levantou da cama e veio mostrar pra gente.
― Olha só! Montei o lado azul! ― Ele disse entregando o cubo para o Arthur.
― Muito bom… ― Arthur disse. ― Agora só precisa montar os outros cinco lados.
― Que isso! Eu demorei meia hora pra montar um lado só! E é impossível montar os outros cinco sem desmontar esse daqui!
― Mas você devia começar pelo 3×3, ao invés de começar pelo 5×5, seu idiota! ― Arthur disse zoando o Rafa.
― Tá, termina de montar esse daqui, pra eu ver! ― Rafa pediu.
― Mas você começou montando errado… primeiro você tem que montar todos os centros, depois todas as arestas e, só depois, você monta o cubo inteiro… entendeu?
― Sim… ― Rafa disse sendo irônico.
― Sério? ― Arthur perguntou na dúvida.
― Não! Só monta! ― Ele disse entregando o cubo.
― Aff… não vou montar isso agora não! E você começou pelo lado azul… eu sempre começo pelo branco… e estamos estudando! ― Arthur disse.
― Mas vocês não disseram que tinham terminado? ― Rafa perguntou.
― Sim! Mas ainda temos que revisar!
― Aff… ah não… vamos fazer alguma coisa legal… ― Rafa pediu.
― Estudar é legal! ― Arthur se defendeu.
― Você não tem nenhum jogo aí? ― Ele perguntou.
― Não! Meu vídeo game quebrou. Só tenho no computador, mas tá desligado. E temos que terminar de revisar!
― Ah não, gente… e jogo de tabuleiro… você tem?
― Não. ― Arthur respondeu.
― E o que é isso daqui? ― Rafa disse enquanto pegava uma caixa na estante do Arthur.
― Ei! Para de fuçar aí! É meu xadrez!
― Ah! Vamos jogar! ― Rafa disse rindo.
― Lucas! Dá um jeito no teu namorado! ― Arthur me olhou revoltado.
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― Desculpa! ― Eu implorei sentindo o olhar dele me julgar por trazer o Rafa. Ele tinha previsto que isso ia acontecer. ― Fefél… para de fuçar nas coisas do Arthur e sossega! ― Eu pedi.
― Vamos jogar alguma coisa! ― O Rafa implorou. ― Estou entediado! Vai! Vocês já estudaram bastante! Vocês têm que fazer uma pausa! Não é saudável estudar tudo de uma vez! Vai! Lu! Arthur! Vamos! Por favor! Vai! Vamos jogar alguma coisa!
― Lucas! ― Arthur reclamou comigo.
― O que foi? Não é culpa minha!
― Vai! Vamos brincar de alguma coisa! Depois a gente termina de estudar! ― Rafa pediu uma última vez.
― Aff… foda-se! Tá bom! Eu jogo, mas o Lucas tem que jogar uma partida de xadrez comigo. ― Arthur disse.
― Uuuuuu! ― Rafa botou lenha na fogueira. ― Senti uma treta!
― Já disse que não vou jogar xadrez com você, Arthur. ― Eu disse. ― Se for depender disso, vamos logo voltar aos estudos…
― Por que, Lu? ― Rafa perguntou.
― Porque todos sabemos que o Arthur vai ganhar. Ele é mais inteligente.
― Só dá pra saber jogando… ― Arthur tentou argumentar logicamente.
― Vai! Joga com ele, Lu! Quero ver quem vai ganhar dos dois! ― Rafa disse. ― Vai ser legal.
― Nem! Tenho mais coisas pra fazer! ― Eu disse na defensiva.
― Vocês podem até apostar alguma coisa! ― Rafa disse. ― Podem jogar valendo o título de deus supremo do xadrez e mantenedor de toda inteligência universal paradisíaca do mundo!
Nessa hora, começamos a rir.
― É, Olhos Verdes… tá com medinho de apostar? ― Arthur me desafiou.
― Você sabe que não, Arthur… ― eu disse.
― Então vamos jogar! ― Ele pediu.
― Aff… tá… foda-se! ― Eu cedi à pressão. ― Eu jogo.
― Yes! ― Rafa comemorou. ― Isso vai ser divertido.
Daí nós três fomos até a sala de jantar da casa do Arthur e montamos o jogo na mesinha que tinha lá.
A sala era espaçosa e servia de passagem da cozinha para a sala de TV. No centro, havia uma mesinha cercada por quatro cadeiras. Botamos o tabuleiro de xadrez lá e montamos as pecinhas na disposição correta. Eu me sentei em uma das cadeiras e o Arthur se sentou na diametralmente oposta. O Rafa virou uma das cadeiras e se sentou de frente para o encosto, apoiando os cotovelos nele.
Eu tinha ficado do lado das peças brancas e o Arthur do das pretas.
― Vocês já sabem o que vão apostar? ― Rafa perguntou.
Enquanto eu estava terminando de alinhar minhas peças, Arthur disse:
― Já. E você? ― E ele olhou para mim.
― Ainda não. O que você quer apostar? ― Eu perguntei.
― Se eu ganhar, você vai ter que deixar eu jogar um balde de água fria com gelo em você!
O Rafa começou a rir.
― Fechado. ― Eu disse. ― Um prêmio justo.
― E se você ganhar, o que você vai querer? ― Arthur perguntou.
― Não sei… ― eu disse. ― Deixa eu pensar.
― Eu tenho uma ideia. ― O Rafa disse.
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― Que ideia? ― Arthur perguntou.
― Se o Lucas ganhar, você vai ter que dar um beijo nele! ― Nessa hora, nós começamos a rir. ― Na boca! ― Agora eu tinha sentido meu coração bater mais forte. ― De língua! ― E agora eu com certeza estava nervoso.
Quando o Rafa disse isso, senti uma coisa engraçada dentro de mim e comecei a tremer. Isso era uma aposta seria de se fazer… eu e o Arthur começamos a rir da sugestão dele. E, embora eu quisesse muito que ele aceitasse a aposta, ao mesmo tempo eu queria disfarçar essa minha vontade insana de beijá-lo.
― Tá maluco, Rafael? ― Arthur disse. ― Não vamos apostar isso!
― É, Rafa… não vamos apostar isso! ― Eu tentei disfarçar.
― Tá com medinho, Arthur? ― Rafa o provocou.
― Não, claro que não.
― Então aposta.
Arthur hesitou e me olhou. Eu dei de ombros.
― Tá, mas se for pra apostar isso, quero mudar minha aposta, então…
― Diz aí… ― Rafa disse.
― Se eu ganhar, Lucas… você vai ter que me ajeitar a… ah, você sabe quem.
― Ajeitar quem!? ― Rafa perguntou curioso.
― A Gi? ― Eu perguntei para o Arthur.
― Sim… ― ele confessou.
― Você tá a fim da Gi, Arthur? ― Rafa perguntou surpreso. Arthur o ignorou.
― Tá… posso tentar… ― eu disse.
― Tentar não… você vai ter que me ajeitar ela. Como? Aí já é problema seu. ― Arthur se impôs. ― Estamos apostando alto, não estamos?
― Então é isso? ― Rafa perguntou. ― Se você ganhar, Arthur, o Lucas vai te arrumar a Giovanna… e, se você ganhar, Lu, o Arthur vai ter que te dar um beijo de língua? Todos de acordo?
― Foda-se. Pode ser. ― Eu disse.
― De acordo… ― Arthur disse.
E, se antes eu estava tremendo, agora eu me sentia em um terremoto. Eu estava muito nervoso e era perceptível que o Arthur também estava. Tínhamos subido tanto as apostas que isso não era mais um jogo qualquer… pelo nosso nervosismo, parecia que tínhamos apostado nossas próprias vidas.
Eu não sabia o que estava se passando pela cabeça do Arthur. Na minha, pelo menos, eu estava em um dilema mortal. Eu queria ganhar… queria muito… queria até demais… mas também queria perder. Não que eu queria perder, perder… perder para pagar a aposta… eu acho que eu só não queria ganhar… a questão é… eu queria e não queria beijá-lo…
Eu estava preocupado… preocupado com as implicações que isso teria… se eu ganhasse, como ficaria minha relação com o Arthur? Será que as coisas ficariam estranhas? Será que ficaríamos mais amigos? E o Rafa? Qual era a dele? Ele tinha acabado de sugerir que eu beijasse outro menino… na sua frente… será que ele não tinha ciúmes? Será que ele queria ver a cena de nós nos beijando pelo seu próprio prazer? Será que ele queria converter o Arthur? Será que ele queria que o Arthur perdesse o medo de beijar? Será que ele queria que eu tivesse prazer? Ou pior… será que ele queria que eu beijasse um garoto, para que ele tivesse o direito de beijar outro quando quisesse? Será que ele queria beijar alguém?
Muita coisa surgiu na minha cabeça nesse instante. Meu pensamento estava sobrecarregado. E, junto com todas essas dúvidas, estavam aparecendo jogadas de xadrez que eu um dia aprendera, mas que já não lembrava mais. Agora tudo estava voltando. Era como se
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eu tivesse tido uma descarga de adrenalina… era como se minha vida dependesse de eu lembrar ou não desses movimentos que um dia eu esquecera… mas, meu caro amigo, quando é nossa vida que está em jogo, não há como não se lembrar. E, a partir daí, tudo aconteceu muito rápido.
― Peão na G4. ― Como eu era as peças brancas, eu comecei fazendo a primeira jogada.
― Peão na E5. ― Arthur fez seu movimento.
― Cavalo na F3.
E assim o jogo continuou. Confesso que estava difícil. O Arthur era um excelente jogador e um ótimo adversário. E, por conta das apostas altas, nenhum de nós estava se permitindo cometer erros. Estava bem empatado até a metade do jogo. Eu tinha perdido quatro peças e o Arthur três. Foi quando o Rafa começou a… seja lá o que for isso…
― Você vai gostar de beijá-lo, Arthur…
― Aff, dá um tempo Rafael, bispo na F5, perdeu seu outro cavalo, Olhos Verdes…
― Eu gosto, pelo menos… acho que você vai gostar também…
― Peão na F5… perdeu seu bispo, Arthur…
― No começo, você vai estranhar a língua, mas depois que você se acostumar, você vai ver que é bom…
― Valeu o sacrifício… torre na C4.
― O Lucas beija bem… é claro que ele aprendeu comigo, mas ainda sim conta…
― Peão na C4… resolveu jogar sua torre fora, Arthur?
Nessa hora, pude ver o arrependimento estampado na cara do Arthur. Ele tinha acabado de fazer uma jogada merda… jogado uma torre fora gratuitamente. Ele colocou as mãos no rosto e deu uma espairecida. Com essa sua jogada merda, eu tinha acabado de ganhar uma puta vantagem sobre ele. Não sei o que ele estava pensando, mas devia estar se passando muitas coisas pela sua cabeça. E, agora que o Rafa tinha começado a jogar sujo, o jogo estava começando a tomar um rumo um pouquinho diferente…
― Cavalo na C4. ― Arthur jogou. ― Perdeu seu peão.
― De todas as pessoas que eu beijei, a que mais beija bem é o Lucas.
― Torre na A4. ― Joguei.
― O beijo dele é bem gostoso.
― Rainha na A4, perdeu sua torre, Olhos Verdes!
― Mas a melhor coisa é beijar no escuro… não tem nada melhor que isso…
― Ah, perdi? Bispo na A4… estou jogando contra o Arthur ou contra um amador? Trocou sua rainha por uma torre, Arthur? Ah… é mesmo… e quase me esqueci… xeque.
Eu podia ver a preocupação estampada na cara sem graça do Arthur e a raiva se manifestando no seu punho cerrado.
― Rei na D8. ― Arthur se esquivou do xeque.
― Peão na H4.
Só de pensar que em alguns minutos eu poderia estar enfiando minha língua na boca do Arthur, eu já fiquei duro. Minhas mãos não tinham parado de tremer desde a hora em que havíamos começado a jogar. Com essas jogadas que eu havia acabado de fazer, a vitória era quase certa.
O Arthur era um excelente jogador. Isso eu tenho que confessar. Por conta da distração, ele havia perdido sua rainha e uma de suas torres. E, mesmo assim, ainda conseguiu sobreviver um bom tempo no jogo com suas peças que restavam. O danadinho até conseguiu me dar um xeque.
― Cavalo na F3. Xeque. ― Ele disse.
― Nóóóó, Lu! Vai deixar ele te dar um xeque assim? ― Rafa botou ainda mais lenha na fogueira.
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― Rei na F1. ― Me esquivei do xeque.
― Torre na H2. ― Arthur jogou.
Droga, eu precisava comer a torre dele.
― Rainha na H5. ― Joguei.
― Bispo na D3, Olhos Verdes… xeque.
― Rainha na…
Quando fui comer a torre dele na H2, ele disse:
― Você está em xeque.
Nem tinha me dado conta, mas meu rei estava em perigo.
― E não é qualquer xeque, Olhos Verdes. Xeque-Mate. Você perdeu.
Nessa hora, não me pergunte o porquê, mas eu comecei a rir. Eu havia perdido e agora estava sentindo uma sensação engraçada na barriga. Por essa eu não esperava… eu realmente não esperava… eu estava certo de que ia ganhar…
Arthur tinha cometido vários erros durante a partida e ele estava desatento e nervoso… foi aí que eu me dei conta do motivo pelo qual eu havia perdido… de fato Arthur estava com a cabeça cheia de coisas… o único problema é que eu também estava. E acho que até mais que do ele… eu queria muito ganhar… e, cego de ambição, eu o subestimei quando não devia… eu baixei a guarda só porque estava ganhando… e agora, aqui estava eu… sem nada de Arthur… e sem nada de beijo.
O Rafa estava de boca aberta. Acho que ele também não esperava por essa… não que ele entendesse algo sobre xadrez ou algo sobre alguma coisa… mas que ele estava confiante de que seu plano daria certo, ele estava…
Mas, mesmo que parecesse que o mais decepcionado da mesa era o Rafa, o mais decepcionado, de longe, era eu. Era eu quem iria ganhar o beijinho mais doce e inocente do mundo. Era eu quem iria provar pela primeira vez da boca do Arthur. Era a minha boca que o Arthur provaria pela primeira vez. Mas não… tudo perdido… tudo perdido por conta de um jogo idiota! Idiota e estúpido! Tudo perdido por conta do idiota do Lucas! Que deixou os tiros disparados pelo Rafa acertarem o próprio peito.
E agora eu estava rindo. Rindo igual um idiota. Cheio de borboletas na barriga. Arrependido, feliz, triste, amargurado, animado, retardado… sei lá o que eu estava sentindo… por um instante a vida não fazia sentido… era como acordar de um sonho.
― Xeque-Mate. Você perdeu, Olhos Verdes. Aposta é aposta.
― Eita porra! ― Rafa exclamou.
Balancei a cabeça algumas vezes para ter certeza de que eu não estava sonhando.
― Tá… tudo bem… foda-se… vou falar com ela… ― eu disse sem conseguir esconder que eu estava sem graça.
― É… acho bom mesmo…
― Eu sabia que você ia ganhar, Arthur… sempre soube… você é mais inteligente que eu, seu bobo… só não queria acreditar…
― Não fala isso… ― Ele disse. ― Um jogo não prova nada.
― Ah… não vem bancar o humilde agora não, Arthur! E é claro que um jogo não prova nada. Você vem provando que é mais inteligente que eu desde o dia em que nós nos conhecemos… feliz?
― Mas esse jogo não conta! Nós dois estávamos nervosos. Jogamos com o emocional, e não com a razão.
― Então agora você tá dizendo que é mais controlado emocionalmente que eu? ― Eu o ataquei. ― É isso?
― Ei! ― O Rafa interviu. ― Sem brigar.
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― Não! Não tô dizendo nada! ― Ele tentou se justificar. ― Qual o seu problema? Ficou nervosinho só porque perdeu?
― Nervosinho é a sua…
― Ei! Gente! Gente! ― Rafa tentou intervir novamente.
Eu não estava nervosinho porque tinha perdido a partida. Eu estava nervosinho porque tinha perdido meu beijo… mas tentei me recompor.
― Foi mal! ― Eu disse. ― Desculpa. Não vou esquentar minha cabeça por uma besteirinha dessas.
― Sem problemas… ― ele disse.
Daí eu cruzei os braços e olhei para o lado, emburrado.
― Por que você estava nervoso, Arthur? ― Rafa perguntou maliciosamente.
― Você ainda pergunta? ― Arthur respondeu.
― Vai dizer que você não queria? ― Rafa disse.
― Eu? Claro que não! Já disse que gosto de meninas!
― E daí? Isso te impede de dar um beijo no Lu?
― Não vou beijar ninguém. ― Arthur respondeu.
― Nem mesmo eu? ― Rafa perguntou rindo.
― Não, nem você.
― Ah… valeu a tentativa… ― Ele disse rindo. ― Mas você não está nenhum pouco curioso pra saber como é, Arthur?
― Sei lá! ― Arthur respondeu na defensiva.
― Não sabe o que?
― Nada, Rafael, dá um tempo!
― Dá um beijinho no Lucas, Arthur, por favor! ― O Rafa pediu.
― Ei! ― Eu reclamei.
― Já disse que não vou beijar ninguém! ― Arthur respondeu.
― Vai, Arthur… só um selinho… olha como ele quer! ― Rafa disse e apontou para mim.
― Ei! Não quero não! ― Menti.
― Não. ― Arthur disse e cruzou os braços.
― Aff… tá bom, você quem sabe, Arthur… se você quiser deixar para ir aprender a beijar na hora que for beijar a Giovanna, vai se dar mal… porque ela vai espalhar pra todo mundo que você beija mal.
― Tá tentando enganar quem, Rafael? ― Arthur perguntou.
― Ah é… quase me esqueci de que você é o deus supremo detentor de todo conhecimento universal paradisíaco do mundo… ― Rafa disse ironicamente. ― É claro que ela vai espalhar sobre você para as outras garotas! Pergunta para o Lucas se ela nunca lhe contou nada sobre os meninos que ela já beijou!
Nessa hora, o Arthur me olhou. Parei para pensar e… era verdade… a Gi já tinha me contado sobre praticamente todos os meninos que ela já beijara.
― Ela tem uma lista de todos os meninos que ela já pegou… em ordem alfabética, cronológica e em ordem de beijo mais gostoso… ― eu disse. ― Você pode ser o primeiro lugar em duas dessas listas, Arthur… é só querer…
― Aff, vocês acham que eu nasci ontem? Vocês só estão falando isso pra eu beijar o Lucas. Repito: Isso não vai acontecer.
― Mas por que? ― O Rafa insistiu.
― Porque não! ― Arthur respondeu. ― Ele nem quer!
Nessa hora, eu e o Rafa nos olhamos. Era impressão minha ou o Arthur tinha acabado de me usar como justificativa para não me beijar?
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― Então se eu quisesse, você me beijava? ― Eu perguntei.
― O que? Não! ― Ele respondeu na defensiva.
Eu me levantei da cadeira que estava e fui até o Arthur. Ele estava sentado na cadeira da frente. Eu fiquei parado em pé ao seu lado.
― Se eu quisesse… você me beijava? ― Perguntei.
― Não! Claro que não, porra! ― Ele respondeu.
― Por que eu quero muito. ― Eu confessei. ― Desde a primeira vez que eu te vi. Eu quero muito te beijar.
― Lucas, para de graça. ― Ele disse.
― Fica comigo? ― Pedi.
Eu estava do seu lado, daí coloquei as duas mãos em seus ombros e pedi novamente.
― Hein, fica comigo?
Ele não respondeu, apenas olhou para o Rafa. Não sei se foi para pedir socorro, ajuda ou permissão… só sei que a partir daí eu perdi o controle.
Eu, que estava com as mãos em seus ombros, me sentei em seu colo. Ele ainda estava sentado naquela cadeira e agora eu havia me sentado em cima dele. Minhas mãos estavam tremendo tanto que era impossível disfarçar. Nossos rostos estavam a um palmo de distância. Parecia que meu coração ia saltar pela boca. Ele estava batendo muito forte e muito rápido. Eu nunca tinha me sentido tão vivo. Essa sensação era pelo menos dez vezes mais forte do que a que eu tinha sentido com o Rafa… e, com certeza, cem vezes mais forte da que eu tinha sentido com Matheus… parecia que eu ia ter um ataque do coração.
Na hora, nem cheguei a prestar atenção se eu estava duro ou não… acredito que não… o nervosismo era tanto que eu acho que era impossível manter qualquer coisa de pé. Eu sentia meus dedos congelarem, meu peito queimar e minha mente se entorpecer com um prazer até então desconhecido. Isso era novo para mim. Era demais. Imagino como estava sendo para ele.
E, por falar em Arthur, eu não fazia a mínima ideia do que estava se passando pela sua cabeça. Em seu rosto, estavam estampadas as mais variadas emoções. Parecia que ele estava com dúvidas, felicidade, tristeza e medo… mas, de longe, o que ele mais parecia sentir era curiosidade. Curiosidade em experimentar o que estava prestes a acontecer.
Nossos olhares se cruzaram e nós começamos a rir. Rir do nervosismo que ambos estávamos sentindo. O mais engraçado era saber que o outro estava sentindo exatamente a mesma coisa.
Com o maior cuidado e delicadeza do mundo, retirei seus óculos graciosos e os botei em cima da mesinha. Daí voltei a olhá-lo. Me aproximei ainda mais do seu rosto, mas, quando fui beijá-lo, não consegui… comecei a rir descontroladamente… e ele fez o mesmo. E repito: Nós não estávamos rindo de algo engraçado… estávamos rindo por puro e simples nervosismo.
Eu, sem saber bem o que fazer, passei minhas mãos em volta do seu pescoço e enfiei minha cara no seu ombro. Encostei meu nariz no seu pescoço e inspirei, para sentir seu cheiro. Nessa hora, senti ele colocar suas duas mãos na minha cintura.
Sem mais enrolação, voltei a ficar cara a cara com ele e avancei sobre a sua boquinha. Era um caminho sem volta.
Ele se assustou um pouquinho com o primeiro toque e recuou para trás, mas logo já voltou ao normal. Nossos lábios se encostaram e eu pude sentir a maciez de sua boca.
Encostei minha testa na sua enquanto provava do seu gostinho de menino. Não sei se ele estava tímido ou se simplesmente não sabia como beijar, mas parecia que ele estava com medo de se soltar… até que eu enfiei de vez minha língua em sua boca. Ele se assustou novamente, mas parece ter gostado, uma vez que ele tentou enfiar a sua na minha. Deixei a
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coisa acontecer do jeito dele… tudo que ele fazia, eu tentava repetir e assim eu ia o corrigindo na medida do possível.
Deixei ele enfiar sua língua na minha boca e experimentar o que quisesse, para que ele perdesse um pouco o medo de beijar. Me ajeitei em seu colo enquanto passava as mãos sobre seus cabelos finos. Agora eu estava duro… e, assim que me ajeitei em seu colo, pude perceber que ele também estava. Nossas respirações estavam completamente descontroladas e estava muito bom.
Não faço a mínima ideia do que o Rafa estava pensando… mas, conhecendo ele, ele só poderia estar se divertindo e aproveitando a cena… mas eu não ousaria parar o que eu estava fazendo e olhar para trás nem se me pagassem… isso estava bom demais…
Mas, infelizmente, nosso beijo chegou ao fim quando o Arthur resolveu separar nossas bocas para recuperar o fôlego. Eu abri os olhos, olhei para ele e disse:
― E aí… o que achou?
Ele não respondeu, apenas ergueu os ombros em um sinal de “não sei”.
― Gostou?
― Foi… estranho… ― ele disse encolhendo as sobrancelhas.
Eu ri da resposta dele…
― Mas estranho bom ou estranho ruim? ― Perguntei.
― Não sei… acho que está mais para estranho bom… ― ele respondeu.
Quando ele disse isso, fiquei mais aliviado… se tinha sido bom para ele, tinha sido bom para mim.
― Já é minha vez? ― O Rafa perguntou.
Eu e o Arthur rimos. Daí ele deu dois tapinhas na minha perna, sinalizando para eu sair de cima dele.
― Dá licença… ― ele pediu.
Eu me levantei de cima dele e tentei disfarçar a ereção. Eu olhei para o Rafa e ele me olhou de volta. Foi quando o Arthur disse:
― Eu preciso de um minuto…
E saiu da sala. Ele foi para dentro de casa… deve ter ido para seu quarto ou para o banheiro. Eu me sentei em uma das cadeiras e olhei para o tabuleiro de xadrez, pasmo. Que porra havia acabado de acontecer?
― Ué… ― O Rafa disse. ― O que foi? Vocês estão bem?
― Sim… sim… ― eu disse pensativo.
― Eu aposto 10 reais que ele foi vomitar.
― Ei! Qual é! Não foi tão ruim assim! Foi?
― De duas uma… ou ele foi vomitar, ou ele foi se acabar na punheta… de qualquer maneira, se eu fosse você, ia lá checar…
― Será que ele ficou chateado? ― Eu perguntei.
― Ele tem motivos? Foi ele quem quis!
― Droga, Rafa… o que foi que nós fizemos…
― Fizemos!? Eu não fiz nada! Vai lá ver ele logo!
― Droga! ― Eu disse e me levantei da cadeira.
O primeiro lugar em que fui procurá-lo, foi seu quarto. Ele não estava lá, mas a porta do banheiro que ficava ao lado estava fechada… bati três vezes e chamei:
― Arthur…?
Quando fui tentar abrir, estava trancada.
― OI? ― Uma vozinha gritou de lá de dentro.
― Você está bem? ― Eu perguntei.
― ―
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― Ah… sim… estou… pera…
Daí ele destrancou a porta e a abriu.
― Sim… estou… o que foi? ― Ele perguntou.
― Só vim ver como você estava…
Ele saiu de dentro do banheiro e passou por mim, indo em direção ao seu quarto. Eu o segui.
― O que foi? ― Eu perguntei.
― Ah… não é nada… ― ele respondeu.
Daí ele foi até a sua cama e se sentou lá. Eu me sentei ao seu lado.
― É só que… eu parei para pensar e… nossa aposta… ― Ele disse olhando para baixo e mexendo os dedinhos. ― Eu sou um idiota…
― Não fala isso, Arthur… o que tem nossa aposta? ― Eu perguntei e comecei a passar a mão nas suas costas.
― É a Gi… eu não consegui nada com ela sendo eu mesmo e tive que apelar para a sua ajuda… se for forçado assim, eu não sei se não quero… então… não precisa falar nada pra ela não, okay?
― Não preciso? ― Eu perguntei. ― Preciso sim! Eu preciso falar para ela sobre um grande menino chamado Arthur… não vejo a hora de contar o quão meigo e fofo ele é… e que ela não poderia arrumar melhor companheiro… tá?
― Corta essa, Olhos Verdes…
― Estou falando sério… eu vou falar para ela a quão sortuda ela seria… na verdade, eu vou falar para ela a quão sortuda ela é de ter para si o coraçãozinho do Arthur…
Ele riu quando eu falei isso.
― É tão bom te ver rindo… ― eu disse. ― Fica triste não…
― Desculpa…
― Tá melhor agora? ― Eu perguntei.
― Acho que sim…
― Gostou do beijo?
― Gostei. ― Ele respondeu.
― Está chateado que perdeu o BV comigo? ― Perguntei.
― Deveria? ― Ele respondeu.
― Não sei… é que esse é o tipo de coisa que se leva para o resto da vida…
― Melhor ter perdido com você do que com o cabeça de vento…
― Ei! ― Eu reclamei. ― Eu perdi o meu com ele!
― Como vai conseguir viver com isso? ― Ele me zoou rindo.
― Pois é… ― eu disse. ― Como vou conseguir viver com isso?
― E ele? ― Arthur perguntou. ― Perdeu o dele com quem?
Foi aí que eu me toquei de que eu não sabia.
― Não… não sei… ― eu disse.
― Ah… foi mal… ― ele tentou se desculpar.
― Não… de boa… é até bom você ter me lembrado… vou procurar perguntar.
― Saquei…
― Mas e aí… ― eu disse.
― O que?
― Hoje de manhã, quando você acordou… imaginou que me beijaria hoje?
Ele riu.
― Tinha como? ― Ele respondeu.
― Não… acho que não… ― eu disse.
― ―
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Daí nós ficamos em silêncio por um momento.
― Mas e aí… ― ele disse.
― O que? ― Eu perguntei.
― Quem é melhor? Eu ou o cabeça de vento?
― No beijo? ― Eu perguntei. ― Ah… só falta você ter mais umas mil horas de prática, que já pode pensar em competir com ele… ― ele riu.
Nessa hora, nós dois nos olhamos. Nossos olhares se cruzaram e, logo em seguida, eu olhei para sua boca. Nesse momento, eu estava a desejando mais do que tudo. Quando me dei conta, nossas bocas estavam se tocando novamente.
Passei meus braços em volta de seu corpo e o puxei para a cama. Nós dois caímos na cama enquanto provávamos um da boca do outro. Agora eu estava mais controlado… diferente dele… que eu podia ouvir seu coração bater cada vez mais forte.
Não demorou nada até começarmos a botar nossas línguas no meio da história. Era tão gostoso beijá-lo… a sua boca tinha um gostinho único… era úmida e quente… eu podia sentir todos os seus dentinhos com a língua.
Estávamos deitados de lado. Daí eu me joguei em cima dele e fiquei por cima. Estava muito gostoso. Ficamos nos beijando por uns cinco minutos, até eu enfiar minha mão dentro de sua camisa.
A princípio, ele se assustou um pouco, mas, quando ele percebeu o quão bom era se ter uma mão acariciando seu corpo, ele deixou a coisa acontecer. Comecei a esfregar minha mão por todas suas costelas e costas. Seu corpo estava quente e sua pele de menino era suave como seda. Suas mãos também exploravam minhas costas… claro que por cima da camisa.
Desgrudei minha boca da sua e fui direto para o seu pescoço. Caí de boca naquele pedaço de carne quente que eu desejara fazia dias. Nessa hora, ele se entregou totalmente à coisa e começou a passar as mãos nos meus cabelos.
Eu fui deixando seu pescoço todo babado e molhado. Joguei uma perna em cima dele e pude sentir sua ereção latejar com minha coxa. Ele era menino. Eu sabia o que ele queria.
Desgrudei minha boca do seu pescoço e me afastei um pouco dele. Daí agarrei minha camiseta por baixo e comecei a subi-la. Nessa hora, ele quase gritou.
― Ei! O que você está fazendo? ― Ele perguntou.
Pela cara dele, ele com certeza estava com medo do que se seguia disso. Era natural ele sentir medo… milhares de coisas poderiam estar se passando pela sua cabeça… ele poderia estar com medo de uma intimidade maior, mesmo sabendo que isso o daria muito prazer… ele poderia estar com medo de mostrar seu corpo para uma outra pessoa pela primeira vez… ele poderia estar com medo de se relacionar até o fim com outro menino… ele poderia estar com medo de que alguém descobriria isso… acontece que, eu nem conseguia imaginar o quão conflitante isso estava sendo isso para ele…
― Ei… relaxa… só vou tirar a camiseta porque é melhor beijar sem… e calma… relaxa… não vamos fazer nada que você não queira aqui… tudo bem?
― Tá… ― ele respondeu.
― Você se importa se eu tirar a camisa? ― Eu perguntei.
― Acho que não… ― ele disse meio na dúvida.
Daí eu retirei a camisa e voltei a beijá-lo. Agora eu podia sentir suas mãozinhas percorrerem minhas costas nuas… assim era bem melhor… voltei a enfiar minha mão dentro da sua camiseta… e, a partir daí, acredite ou não, a coisa começou a esquentar ainda mais.
Eu estava passando a mão no seu peito lisinho de menino, quando agarrei sua camiseta por baixo e comecei a puxar. Ele, num sinal de aceitação, ergueu seus braços e permitiu que eu despisse seu peito.
― ―
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Para isso, nós dois nos levantamos, sem desgrudar nossas bocas, claro, e eu, que agora estava sentado em seu colo, puxei sua camisa peito acima. Quando eu a removi por completo, seus cabelinhos, que tinham sido puxados juntos, caíram e formaram uma franjinha bagunçada no topo de sua testa. No próximo segundo, nossas bocas se grudaram novamente como imãs.
Voltamos a cair deitados na cama. Agora ambos estávamos sem camisa nos beijando. Foi quando alguém abriu a porta… era o Rafa:
― Eita! Vocês estão ocupados… ― ele disse meio sem graça. Nós dois desgrudamos nossas bocas e olhamos para ele. ― Fiquei preocupado à toa… erm… eu… eu vou deixar vocês a sós… fazendo… fazendo seja lá o que for isso… ― E ele saiu fechando a porta.
Nem passou pela minha cabeça se ele tinha ficado magoado ou não com o que tinha visto… de qualquer forma, se isso estava acontecendo, parte da culpa era dele mesmo, então… foda-se.
Eu e o Arthur voltamos a nos beijar e ficamos assim por mais uns vinte segundos até a porta se abrir de novo.
― Foda-se. ― O Rafa disse. ― Não vou perder isso por nada.
― ―
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| Episódio 46 ― Amizade Colorida
― Nossa Lucas, desse jeito você vai acabar engolindo o Arthur. ― O Rafa disse enquanto entrava e fechava a porta.
Desgrudei minha boca da do Arthur e olhei para ele.
― Vai ficar aí olhando?
― O que? Não posso? ― Ele disse enquanto puxava a cadeira da escrivaninha do Arthur e se sentava.
― Pode… ué…
O Arthur se ajeitou na cama e ficou meio sem graça.
― Que horas que você vai mostrar pra gente o que esconde aí, Arthur? ― O Rafa perguntou.
― O QUE!? ― Arthur se assustou com a pergunta.
― É… você entendeu!
Nessa hora, o Arthur olhou para mim, buscando uma resposta sobre o que fazer. Eu dei de ombros.
― Ah… qual é! ― O Rafa disse enquanto se levantava da cadeira. ― Vai dar pra trás agora? Que mal tem um troquinha! ― Daí ele veio se sentar na cama com a gente. ― O que? O Lucas comeu sua língua?
― Ah… eu… eu… não… é… ― As mãos do Arthur não paravam de tremer. ― Olha… eu não vou bater punheta pra ninguém!
― Não precisa. ― Rafa respondeu. ― É a gente que vai bater pra você.
― É o que!? ― Arthur respondeu. Ele não esperava ouvir isso. Eu comecei a rir da reação dele.
― Anda! Mostra pra gente o que você tá escondendo aí! Tá na cara que você quer! ― Rafa apontou o dedo para a cintura do Arthur.
Dava para ver que seu pau latejava por baixo de sua bermuda, de tão excitado que ele estava. Quando ele olhou para baixo e percebeu isso, tratou logo de tampar sua ereção com as duas mãos.
― Porra! ― Arthur disse tímido e vermelho.
― Tá… se tiver com vergonha, o Lucas mostra o dele primeiro! ― O Rafa disse.
― Eiiiii! ― Eu reclamei.
Eu não queria mostrar meu pau para o Arthur… eu também estava com vergonha! Nessa hora, eu queria bater no Rafa… mas o filho da mãe tinha razão… Arthur só ia se soltar se eu me soltasse primeiro. E o que a gente não faz por um garoto? Droga!
― Aff… foda-se. Eu mostro.
Me levantei da cama, agarrei meu short e minha cueca com as duas mãos e, de uma vez, mandei tudo para baixo. Arthur desviou o olhar imediatamente e botou a mão na frente da vista.
― Meu deus, Olhos Verdes! Guarda isso!
― Ei! ― Rafa reclamou. ― Seu idiota! Para de fazer drama! Pode olhar, ninguém vai achar que você é veado! Nós sabemos que você não é! Então não precisa ficar fazendo todo esse teatrinho idiota…
Quando o Rafa disse isso, Arthur tirou a mão da frente do rosto e deu uma olhadinha de canto do olho. Eu terminei de sair de dentro do meu short e da minha cueca e voltei a me sentar na cama com eles. Daí comecei a me punhetar. Percebi que Arthur tentava disfarçar, mas volta e meia ele me dava uma olhadinha discreta. O garoto estava curioso.
― Minha vez. ― Rafa disse confiante.
― ―
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Ele se levantou graciosamente e ficou de frente pra gente. Daí ele retirou a camiseta e ficou com o peito nu. Eu sequei seu corpo com os olhos. Ele era realmente gostoso… seu peito de doze anos estava bem definido por causa do futebol. Sua pele era branquinha e combinava com seus cabelos louros claros, que mesmo eles ainda estando curtos, já formavam uma franjinha que ficava três dedos acima de suas sobrancelhas. Claro que o seu cabelo estava sem corte, pois, depois que ele tinha raspado a cabeça, seu cabelo tinha crescido uniformemente… então estava meio tigelinha escroto… mas nele caía bem… qualquer coisa caía bem nesse garoto.
Em seguida, ele desabotoou seu short e abaixou o zíper. Nessa hora, eu senti meu coração bater mais forte. Daí ele agarrou seu short e sua cueca com as duas mãos e mandou tudo para baixo, liberando sua ereçãozinha de doze centímetros.
Quando ele fez isso, já aproveitou e deu uma olhadinha para mim… ele sabia que eu estava gostando do que estava vendo… e ele tinha razão. Daí ele pegou sua cueca do chão e a atirou em mim… simulando, muito mal, uma tentativa de sedução, a cena foi um tanto quanto ridícula, mas eu gostei… foi excitante… eu ri da idiotice dele.
Daí ele veio e voltou a se sentar na cama com a gente. Olhamos para Arthur e ele tinha começado a suar frio. Ele sabia que agora era sua vez e que não tinha volta.
― Pronto! Sua vez! ― Rafa disse.
Arthur estava vermelho… ele devia estar muito nervoso… muita coisa devia estar se passando pela sua cabeça.
Não sei como isso estava acontecendo, mas o Arthur criou coragem, agarrou sua bermuda com as duas mãos e…
― Eu odeio vocês… ― Ele disse por fim e puxou seu short e sua cueca juntos.
Confesso que fiquei um tanto quanto surpreso com o que vi… a visão de um Arthur peladinho era bem melhor do que eu imaginava… ele era realmente bem gostoso…
Seu pintinho devia ter uns doze centímetros e estava completamente duro… acho que era maior que o meu e do mesmo tamanho que o do Rafa… um pouco mais cheinho, eu diria. Sua cabecinha era rosadinha e ele era retinho. E na base, haviam alguns poucos cabelinhos bem fininhos.
― Olha! Que fofo, Arthur! Você já tem pentelhinhos! ― Rafa disse zombando.
― Pois é… ― ele disse vermelho. ― E pelo visto vocês não…
― Ah… você sabe como é, né… pele de bebê… posso? ― Rafa gesticulou pedindo permissão para agarrar o peruzinho do Arthur.
Arthur, sem saber bem o que fazer, fez que sim com a cabeça. E a próxima coisa que vi foi o Rafa indo com tudo para cima do Arthur. Assim que ele agarrou o pinto do Arthur com sua mão direita, Arthur jogou a cabeça para trás e fechou os olhos, soltando um gemido involuntário. Era a primeira vez que alguém o acariciava ali daquele jeito.
Eu fui atrás do Arthur e o segurei pelos ombros, fazendo força para trás, para que ele se deitasse na cama. Ele não resistiu e foi reclinando para trás, até que ficasse completamente deitado. Nessa hora, eu, que estava ao seu lado, me curvei e invadi sua boca com minha língua novamente.
Nosso beijo estava ficando cada vez mais safado. Se antes estávamos apenas experimento os lábios um do outro, agora nossas línguas já se enrolavam sem timidez alguma. E cá estávamos nós… eu quase engolindo o Arthur enquanto o Rafa batia uma para ele. Tínhamos pego esse garotinho de jeito… agora não tinha mais volta.
― Arthur? ― Rafa o chamou.
Tive que me desgrudar da boca dele, para deixá-lo falar. Então ele olhou para o Rafa, que perguntou:
― ―
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― Posso te chupar?
Aff… o Rafa realmente não valia nada… qualquer idiota saberia que o Rafa tinha permissão para chupá-lo… mas o Rafa não estava perguntando para saber se podia ou não, ele estava perguntando para contemplar a reação do Arthur ao saber que seria chupado naquele exato momento. E foi só o Arthur fazer aquela carinha de surpresa, insegurança e dúvida, que só ele sabia fazer, que o Rafa caiu de boca.
Arthur não aguentou… fechou os olhos, jogou a cabeça para trás e lutou com todas as suas forças para segurar para dentro de si… mas não teve como… foi o gemido mais gostoso, erótico e excitante que eu já ouvira em toda minha vida. Rafa o pegou de jeito… o corpo do Arthur tremeu de excitação enquanto ele experimentava sua primeira chupada.
― Aawwwwnnnt! ― Ele gemeu enquanto beijava minha boca revirando os olhos de prazer.
― Me dá uma ajudinha aqui? ― Rafa pediu.
Eu entendi na hora o que ele quis dizer com isso… daí eu engatinhei na cama até ficar ao seu lado. Encostei meu corpo no seu e foi excitante… foi excitante sentir seu corpo colado ao meu. Assisti por um segundo a boquinha do Rafa subir e descer no pequeno Arthurzinho. Eu estava vidrado nessa cena… com certeza era algo que ficaria na minha memória para sempre.
Mas eu não ia deixar o gatinho ficar com toda diversão, né? Daí eu me inclinei até ficar cara a cara com o pintinho do Arthur. Nessa hora, o Rafa o soltou e cedeu espaço para mim. Eu agarrei o pintinho do Arthur pela base e o deixei na posição vertical… apontando para o teto. Arthur olhou para gente com um olhar de preocupado… preocupado com o que estava prestes a acontecer.
Era muito prazeroso tocá-lo assim… tocar no pênis de outro menino que não fosse o do Rafa… era bom… era muito bom. Seu pinto era a parte mais quente e macia de seu corpo. Eu aproximei minha boca dele e pude sentir o cheiro forte da baba do Rafa, que estava espalhada por toda sua extensão. Nessa hora, eu quase gozei sem querer… tive que levar minha mão até minhas bolas, para me controlar.
Levei minha língua até o pinto do Arthur e dei uma primeira experimentada. Nessa hora, Arthur agarrou o lençol da cama com força, como se estivesse sendo torturado, e soltou um barulhinho parecido com um gemido de dor… mas não era dor que ele estava sentindo… era o mais puro e adorável prazer.
Eu olhei para o Rafa e nós dois sabíamos o que fazer. Daí levamos nossas bocas simultaneamente até o melhor pedaço de carne do Arthur e começamos a fazer… seja lá o que fosse isso…
Nós dois começamos a chupar o Arthur… era como se estivéssemos tentando nos beijar… a diferença era que tinha um pinto no meio… nos impedindo… kkkkk….
Imagino o quão bom isso estava sendo para o Arthur… desse jeito, com certeza ele iria querer repetir a dose…
Eu estava de um lado e o Rafa estava do outro… daí eu e o Rafa entramos em sincronia e, enquanto eu descia, ele subia, e vice-versa. E assim fomos deixando o pintinho do Arthur todo babado enquanto ele lutava ao máximo para não gozar.
― Ei, Arthur! ― Rafa disse. ― Se for gozar, avisa… pra não gozar nas nossas caras…
― Uhum… ― Arthur gemeu entre os dentes.
Daí o Rafa se levantou, desceu da cama e saiu do quarto, me deixando sozinho com o Arthur. Eu me ajeitei na cama e o agarrei pelas coxas, puxando-o para mais perto de mim. Daí voltei a abocanhar seu peruzinho.
Nem preciso falar que minha cabeça estava completamente transtornada, né? Eu nem conseguia pensar direito… ela estava completamente inundada de prazer. E meu pau então…
― ―
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não parava de latejar… eu podia sentir uma gotinha de pré-porra se formando na pontinha… e, se qualquer coisa encostasse nele, eu tenho certeza de que gozaria imediatamente sem parar…
Continuei ali chupando o Arthur com vontade até o Rafa voltar com um pote de creme nas mãos… ele devia ter ido ao banheiro buscar isso. Daí ele botou o pote no criadinho ao lado da cama e voltou.
Rafa tocou no meu ombro e me deu um empurrãozinho, sinalizando para que eu me afastasse. Eu soltei o bichinho do Arthur e fiquei ajoelhado na cama. Aí o Rafa se aproximou da virilha do Arthur e agarrou todos os seus pentelhinhos de uma vez com os dentes.
― AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! ― Foi um grito só. ― FILHO DA PUTA!
Arthur, agora, segurava o colchão com todas as suas forças e tentava recuperar o fôlego, numa tentativa insana de amenizar a dor. Rafa cuspiu os pelinhos que havia arrancado no chão, ao lado da cama, e depois ficou passando a mão na língua, para tentar se livrar do resto deles.
― Por que fez isso, pelo amor de deus!? ― Arthur gemeu de dor.
― Porque é gostoso! ― Rafa disse rindo.
― EM QUE PLANETA? ― Arthur gritou.
― Não gostou? ― Rafa perguntou.
― CLARO QUE NÃO! DOEU!
― Bem… teu pinto disse o contrário…
Rafa pegou o pintinho do Arthur pela base e o inclinou em minha direção, sinalizando que agora era a minha vez. Me abaixei e fiquei de quatro chupando o Arthur. Enquanto isso, o Rafa disse:
― Arthurzinho… posso lamber sua barriga?
E, novamente, o Rafa não queria uma resposta… queria apenas assistir a reação do Arthur ao saber que teria seu corpo lambido e chupado agora…
― Ah… porra… ― Foi a única coisa que ele conseguiu falar.
E pronto! Lá se foi o Rafa ao ataque… caiu de boca no peito do Arthur. Passou a língua pelo seu abdômen, peito e tórax como se estivesse lambendo o doce mais gostoso do mundo. E foi assim até o pescoço. Daí o Rafa montou em cima do Arthur e lhe deu uma encoxada.
― Porra! Não encosta teu peru em mim! ― Arthur reclamou.
Quando ele disse isso, Rafa se levantou um pouquinho.
― Foi mal! ― Ele se desculpou.
Mas, quando o Rafa se levantou, ele ficou com a bunda bem na minha cara. Eu, que estava chupando o Arthur, levei meu dedinho até a bundinha do Rafa e acariciei seu buraquinho.
― Ai! Caraí! ― Ele disse rindo e dando um tapinha na minha mão. ― Isso faz cócegas.
― Foi mal! ― Eu disse rindo e voltando a botar o pintinho do Arthur na boca.
Olhei por baixo das pernas do Rafa e ele estava lambendo o Arthur todo. Daí ele foi esfregando sua língua pelo pescoço, bochechas e, finalmente, chegou a boca. Daí ele meteu com tudo sua língua na boca do pobre do Arthur.
Novamente, tive que levar minhas mãos às bolas, para não gozar… que cena era essa… que putaria era essa que estávamos fazendo… só sei que estava muito bom e eu não queria que acabasse nunca.
Depois de mais alguns segundos assim, o Rafa deixou o Arthur em paz e veio engatinhando até ficar atrás de mim. Ele agarrou minha bunda e a abriu. Daí meteu a língua no meu buraquinho.
― Puta que pariu! ― Arthur exclamou. ― Que porra você tá fazendo, Rafael?
― Ah, dá um tempo! ― Rafa reclamou.
― ―
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Quando senti a linguinha do Rafa me invadir, não aguentei e tive que soltar o pinto do Arthur para gemer… essa porra tava muito gostosa…
Eu, que estava de quatro, tive que me virar e fica de barriga para cima, enquanto o Rafa se deliciava com meu cuzinho.
― Me passa o creme, Arthur? ― Rafa pediu.
― Deus do céu! ― Arthur disse surpreso.
Ele alcançou o criadinho e pegou o tubo de creme, condicionar, sabonete, seja lá o que era aquilo. Arthur entregou para o Rafa, que espremeu uma tantada boa na mão e depois devolveu para ele.
― Toma. Passa em você. ― Ele disse entregando para o Arthur.
E, do nada, senti um dedinho melecado de creme me invadir com tudo.
― Ah… ― soltei um suspiro. ― Isso é bom! ― Eu disse rindo nervosamente.
Olhei para o lado e Arthur estava esfregando creme no seu pau. Senhor… eu ainda não acreditava que isso estava acontecendo…
― Todo seu. ― Rafa disse rindo depois de me lubrificar adequadamente com creme.
Arthur ficou meio sem graça essa hora… ele teria que… enfiar o pinto dentro de mim e depois me comer… uma missão difícil para um adolescente de doze anos com a cabeça cheia de preconceitos e ilusões.
Nessa hora, eu sabia exatamente o que estava se passando pela cabeça dele. Foi o que eu senti quando tive que comer o Rafa pela primeira vez. Eu tinha certeza de que Arthur queria me comer… não especificamente me comer… ele queria comer alguma coisa… e claro que essa coisa seria eu.
O problema é que ele estava com medo de que isso fosse doer em mim. E, mesmo estando preocupado, ele ainda estava com receio de perguntar se de fato doeria, pois aí teria uma chance de perder a oportunidade.
E, o mesmo dilema moral que tinha me atingido quando fui comer o Rafa pela primeira vez, estava o incomodando: Comer, saciar a fome às custas do outro e foda-se ou pedir permissão e ter a chance de receber um não. Não vou julgá-lo por ter que pensar nisso… eu já me vi em um dilema desses… eu já estava habituado ao sexo e sabia o quão egoísta ele conseguia ser às vezes.
― Vem logo! ― Eu o apressei já lhe dando permissão.
Ele piscou duas vezes e chacoalhou a cabeça, daí veio engatinhando na cama até chegar em mim. Ele me olhou por um instante, depois me puxou pelas coxas até encostar sua ereção em mim. Nisso o Rafa começou a se masturbar freneticamente assistindo a cena.
Arthur, então, guiou seu pintinho com a mão direita até encostar a cabecinha na minha entrada.
― Você vai ter que botar um pouquinho de força… ― eu o orientei.
Ele fez que sim com a cabeça e tentou forçar a entrada. Ele estava tendo um pouquinho de dificuldades, mas isso era falta de prática… o Rafa já conseguia ser bem mais rápido.
Aí ele forçou mais um pouco e conseguiu botar a cabecinha para dentro. Revirei meus olhos de prazer. O pintinho dele era um pouco mais grossinho que o do Rafa, senti uma sensação um pouco diferente.
― Ah… caralho… ― ele gemeu.
E assim ele foi enfiando tudo para dentro. Quando ele conseguiu, ele se apoiou com os braços na cama, fechou os olhos e respirou fundo umas três vezes. Eu envolvi seu corpo com minhas pernas e o puxei para perto de mim. Ele se segurou para não perder o equilíbrio e tentou fazer seu primeiro movimento de vai e vem, mas não conseguiu e seu pinto acabou escapando.
― Ah… droga… ― ele disse.
― ―
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Aí ele foi tentar botar de novo. Dei uma olhadinha para baixo e percebi que sua mão estava tremendo muito. Eu encostei minha mão no seu rosto e o chamei:
― Arthur…
Ele me olhou e perguntou:
― O que foi?
― Ei… Arthur… se acalma… fica calmo…
― Tá… tô calmo… eu acho… ― ele disse.
― Ei… leve o tempo que precisar… vem cá…
Eu disse e envolvi seu corpinho com meus braços, puxando-o para mim. Ele soltou o peso em cima de mim e enfiou a cara no meu ombro. Eu fiquei passando uma mão nos seus cabelos e a outra no seu corpo. Percorri, com minha mão, toda extensão de suas costas e senti sua pele macia de menino. Levei minha mão até sua bundinha e esfreguei lá também. Era macia e redondinha.
― Tenta limpar a cabeça… ― eu disse. ― Você tá pensando em muitas coisas… tenta só sentir e aproveitar.
Aí eu enfiei uma mão entre nossos corpos e agarrei o pintinho duro dele.
― Argh… ― ele gemeu.
― Viu só? Vai sentindo… sente essa sensação… você precisa se acalmar, senão não vai conseguir… só sente… relaxa e deixa ir…
Ele respirou fundo mais uma vez e levantou seu corpo.
― Quer que eu vire? ― Eu perguntei. ― Acho que assim fica melhor pra você… ― eu disse e me levantei até ficar de quatro.
Ele me segurou pela cintura e voltou a esfregar seu pintinho na minha entrada.
― Vai… tenta agora… ― eu disse.
E ele meteu novamente, dessa vez com mais facilidade.
― Ah… ― ele gemeu.
― Agora vai indo… ― eu disse. ― Você sabe o que tem que fazer…
― Tá…
Ele me segurou e começou a fazer movimentos de vai e vem… ele estava com muitas dificuldades, mas estava começando a pegar o jeito.
― Isso… tenta ir mais fundo agora… ― eu disse.
Ele me agarrou com mais força e tentou ir mais fundo.
― Argh! ― Ele gemeu.
― O que foi? ― Eu perguntei. ― Tá doendo?
― Não… ― ele disse. ― Só tá meio apertado…
― Ah… desculpa… ― eu disse rindo.
― Ah… porra… ― ele gemeu.
Daí ele continuou os movimentos de vai e vem por mais trinta segundos, até começar a intensificar a coisa.
Rafa, que estava ali do lado se acabando na punheta enquanto assistia pornografia de verdade, resolveu participar também. Ele foi atrás do Arthur, que estava mandando ver em mim, e o abraçou por trás. Aí ele caiu de boca no pescoço do Arthur dando o chupão mais gostoso que ele poderia receber.
― Ah… caralho… acho que vou gozar… ― Arthur disse.
Daí ele foi tentar sair, mas, nessa hora, eu e o Rafa gritamos ao mesmo tempo:
― NÃO!
Estava muito gostoso para ele parar assim… que isso! Que falta de educação! Começar o serviço e não terminar!
― ―
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― O que foi? ― Ele perguntou. ― Posso…
Ele começou a fazer a pergunta, mas não soube como terminar… quer dizer… a timidez não deixou… como ele ia perguntar se poderia gozar dentro de mim? Isso era um absurdo para os padrões certinhos dele.
― Pode! ― Eu respondi. ― Só vai! Aproveita!
Daí ele meteu o mais fundo que conseguia e eu senti um líquido quente e pegajoso inundar meu cuzinho.
― Aaaaaaaaaaaaawnnt! ― Ele gemeu com força.
Nisso, o Rafa estava atrás dele mandando ver no chupão. Seu corpo tremeu de excitação conforme ele ia sentindo o prazer do sexo e do orgasmo.
― Ah… porra! Isso é bom! ― Ele gemeu.
Ele tentou me penetrar ainda mais fundo. Confesso que eu estava gostando bastante da sensação de tê-lo dentro de mim…
― Ah… caralho! ― Ele gemeu mais uma vez. ― Ah… porra… droga… isso foi bom…
Quando ele gozou tudo o que tinha para gozar, ele saiu de dentro de mim e se jogou na cama.
― Minha vez! ― Rafa exclamou feliz da vida.
E não deu nem tempo de eu respirar e recuperar o fôlego quando o Rafa já meteu com tudo o pinto dele dentro de mim, sem nem perguntar se podia… ele enfiou tudo o que conseguia, me agarrou pela barriga, me puxou e já caiu de boca no meu pescoço. Meu deus… eu estava a ponto de ter um ataque do coração, de tão bom que estava.
O Rafa, diferentemente do Arthur, sabia como comer… o filho da mãe já era um profissionalzinho… ele me desmontou de um jeito inexplicável. Assim que ele começou a me comer, não tinha como não gritar e gemer… ele sabia me comer de um jeito infinitamente mais gostoso e prazeroso que Arthur…
― Aaaaaaaahhhhh! ― Eu gemi desesperado.
E o pintinho dele cabia tão bem em mim… acho que eu já estava acostumado com o seu tamanho e o seu formato… por isso era tão confortável…
E ele não estava usando apenas o creme como lubrificante… eu ainda podia sentir dentro de mim a porra do Arthur… imagino como estava sendo bom para o Rafa usar lubrificante natural de porra de menino… isso devia ser muito excitante.
Mas não tinha como… com esse ritmo com que o Rafa estava me comendo, eu iria gozar a qualquer momento… o garoto sabia como fazer… disso ninguém podia duvidar.
― Aaahhh! ― Eu gritei. Saiu mais afeminado do que eu gostaria, mas fazer o que… isso acontece de vez em quando, quando se está dando a bunda… ― Acho que vou gozar… ― eu disse.
― SÓ NÃO GOZA NA MINHA CAMA POR…
Tarde demais… o grito do Arthur não foi suficiente para me impedir de explodir em um dos melhores orgasmos da minha vida…
― …FAVOR…
― AAAAAAAAAAAAAAHHHHHH! ― Eu gemi quase gritando.
Senti o Rafa gozar também… além dele me segurar com muito mais força, pude sentir o segundo jato de porra do dia encher meu pobre cuzinho de esperma…
― Aaaaaaargh! ― Ele gemeu também. Daí nós dois caímos exaustos na cama.
E, com o prazer, veio a dor… agora que o tesão tinha passado, senti meu cú arder muito… tirando aquela coceirinha que eu sempre sentia após dar, agora eu também estava sentindo uma dorzinha aguda e incomoda… era mais como se eu estivesse assado num lugar muito inapropriado… acho que é isso que chamam de overdose de piroca… tá… eu sei que isso
― ―
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não soou nenhum pouco heterossexual, mas fazer o que… o que eu poderia esperar depois de ter sido quase abusado por dois adolescentes com os hormônios a flor da pele?
― Aff… caralho, Olhos Verdes, você deixou sua porra cair na minha cama! Que nojo! ― Arthur reclamou.
― Ah, se fode, Arthur! ― Eu xinguei. ― Era o mínimo que você poderia esperar depois disso, né? E além do mais, é só porra… vê se cresce! Você já deve ter derrubado mais porra aqui do que eu!
― Eiiii! Galera! ― Rafa tentou nos impedir de começar uma briga. ― Não vamos começar agora… ainda estou aproveitando aqui… ― ele disse com os olhos fechados.
Olhei para o lado e o Arthur já estava vestido… cueca, camiseta e bermuda. Agora que nós três tínhamos gozado, era a hora que a coisa ficava estranha.
― Ah cara… o que foi que eu fiz!?!? ― Arthur perguntou para si mesmo.
― Ah, qual é! ― Rafa reclamou. ― Não me venha com essa ladainha agora não, Arthur! ― Rafa o cortou ali mesmo. ― Nem precisa começar esse teatrinho de stress pré sexo! Você fez sexo com a gente e agora já era! Aceita! Viva com isso!
― Pós… ― eu corrigi o Rafa.
― O que? ― Ele perguntou sem entender.
― Pós sexo… pré é antes… você disse pré-sexo… mas o certo é pós…
― Ah… obrigado… mas é pós… tem certeza? Tipo… não é pré? Tipo… depois?
― Não… depois é pós…
― GENTE! ― Arthur interrompeu nossa discussão inútil. ― Dá para vocês vestirem alguma roupa? ― Ele pediu coçando a cabeça sem graça.
Mas, quando ele viu nossa indiferença ao pudor, ele insistiu:
― Por favor…?
Aí o Rafa olhou para mim e disse:
― Mas… tipo… pré-pago… não é quando você paga o telefone depois de usar?
― Não… ― eu disse. ― É quando você coloca créditos… sabe? É aí fica tipo… pré-pago… paga antes… sacou?
― Hum… acho que sim…
― GENTE! ― Arthur gritou.
― O que foi? ― Rafa perguntou. ― Porque se vestiu? E o segundo round?
― Que segundo round!? ― Arthur reclamou. ― Eu e o Lucas ainda temos que terminar de revisar a matéria!
― Aff… você tá brincando né? ― Rafa disse.
― Lucas! ― Arthur apelou para mim.
Ah não… eles não iam me fazer escolher um lado logo agora… aff… por favor… não me diga que isso estava acontecendo…
― Lucas! ― Rafa me chamou.
― Lucas! ― Arthur me chamou.
― Aff! Droga! Gatinho… é a casa do Arthur… se veste aí… ― Eu disse apanhando minha cueca do chão. ― Depois a gente termina isso… você quer ir jantar lá em casa hoje? ― Eu o convidei.
― Sério? ― Ele perguntou. ― E sua mãe? ― Ele disse vestindo a cueca.
― Ela vai ter que te aceitar alguma hora… ― eu disse.
― Tá… tudo bem… eu vou… é bom que eu precisava conversar com ela…
― Vocês são inacreditáveis… ― Arthur suspirou botando a mão na cara.
― O que foi? Não se pode nem mais marcar uma transa hoje em dia… ― Rafa zombou o Arthur. Eu ri.
― ―
426
― Posso usar seu banheiro, Arthur? ― Eu pedi.
― Pode… fica à vontade… ― ele disse.
― Não se matem na minha ausência, por favor… ― eu pedi aos dois.
Fui até o banheiro do Arthur e, chegando lá, abaixei minhas calças… aff… meu deus… que dor era essa… os dois tinham feito um estrago aqui atrás…
Liguei o chuveiro e botei minha bunda na água, pra dar uma limpada e tal… depois, me enxuguei com uma toalha que tinha ali e voltei para o quarto.
― Terminou lá? ― Rafa perguntou. ― Vou lá me limpar… ― ele disse e saiu do quarto.
Eu fui até o Arthur, que estava sentado na escrivaninha, me sentei na cadeira ao lado da dele e perguntei baixinho.
― Thur… tá tudo bem?
― Aham… ― ele respondeu.
― Jura?
― Sim… ― ele disse.
― Gostou?
― Acho que sim… ― ele disse meio tímido.
― Olha… se quiser fazer de novo… ― eu comecei dizendo. ― Não precisa ficar com vergonha não, tá? Pode falar. É divertido pra todo mundo… e é mais normal do que você pensa… não tem nada de errado nisso, tá?
Ele fez que sim com a cabeça.
― Se quiser repetir, promete que vai me contar?
― Tá… pode ser… eu acho… ― ele disse.
― Quando quiser, chama eu e o Rafa pra cá… beleza?
― Tá… eu acho…
― Como foi? Muita coisa na cabeça né?
― É… acho que sim…
― Você vai ver quando você perder a virgindade de trás… ― eu disse zoando ele.
― EIIII! ― Ele reclamou rindo. ― Só lamento, mas aqui não passa uma agulha!
― Eu sei… relaxa… ― eu disse rindo. ― Estou brincando.
― Tá… de qualquer maneira… podemos falar sobre outra coisa? Por favor…?
― Você quem sabe… mas você acha mesmo que vai conseguir estudar agora?
Ele pensou um pouquinho e disse:
― É… acho que não… você tem razão… mas o que vamos fazer agora?
― Olha… eu acho que já vou indo… ― eu disse. ― Está ficando tarde e… agora que o Rafa vai lá pra casa, é melhor irmos mais cedo… tudo bem se formos agora?
― Tá… acho que sim… ― ele disse.
― Vou ligar pra minha mãe… ― eu disse. ― Me empresta o telefone?
― Ah… claro… tá lá na sala… só usar.
― Valeu.
Eu disse e, com um pouquinho de dificuldades, me levantei e fui até a sala. Liguei para minha mãe e esperei ela atender.
― Alô…? ― Uma voz no outro lado do telefone atendeu.
― Ah… alô? Mãe?
― Oi, filho?
― É… você pode me buscar aqui no Arthur?
― É o da casinha amarela clara?
― É… isso mesmo…
― Tá… tô indo… fica no portão…
― ―
427
Quando ela estava prestes a desligar, eu disse:
― Ei! Mãe…
― O que?
― Erm… é que… o Rafael meio que tá aqui também… ele veio estudar com a gente hoje e… será que ele poderia ir lá pra casa… agora?
― O Rafael… seu amigo?
― Sim… ― eu disse timidamente. Eu queria dizer o Rafael meu namorado, mas fiquei com vergonha.
― Tá… acho… acho que sim… ― ela disse.
― Tá… obrigado mãe…
― Fica no portão. Já passo aí. ― Daí eu desliguei o telefone. Ah… tinha sido melhor do que eu esperava…
Depois disso, o Rafa apareceu na sala junto com Arthur. Eu disse que minha mãe já estava a caminho. Aí nós três fomos para fora de casa e ficamos na rua, esperando minha mãe chegar.
― É… foi… divertido… não foi? ― Rafa disse.
Eu olhei para o Arthur, que me olhou de volta… aí nós dois olhamos para o Rafa. Já estava ficando constrangedor falar sobre isso.
― Ah… qual é! Foi divertido! Eu gostei, pelo menos…
Olhei para rua e comecei a me lembrar das coisas que havíamos feitos momentos atrás. Era realmente inacreditável o que três adolescentes excitados podiam fazer entre quatro paredes…
― Eu já disse que adoro ciências? ― Rafa disse. ― Nós devíamos estudar mais vezes…
Eu sorri.
― É claro que estudar foi legal… ― ele continuou falando. ― Mas a parte que eu achei mais legal foi a revisão…
Eu comecei a rir… ele não parava.
― Claro que quando eu digo revisão, estou usando um eufemismo para sexo.
Hahaha… eu olhei para o Arthur, que já estava ficando vermelho.
― Porque foi o que fizemos hoje…
Eu olhei a hora no meu celular… onde é que minha mãe estava?
― Na cama do Arthur…
― Claro… ― eu disse.
― Desculpa pela sujeira Arthur… ― Rafa disse rindo.
― Nada… ― Arthur disse.
― Na próxima vamos trazer camisinhas…
― Como quiser… ― Arthur disse sem saber ao certo o que dizer.
― E um lubrificante, claro…
― Nem me fale… lubrificante é qualidade de vida… ― eu disse me lembrando da dor que estava sentindo agora.
― Foi estranho né? ― Rafa disse por fim.
― Com certeza… ― eu disse.
― Nunca senti tanta vergonha na minha vida… ― Arthur disse ao mesmo tempo.
― Vou enfiar a cabeça na terra e nunca mais sair… ― Eu disse em seguida.
― Só não cometi suicídio ainda porque alguém precisa fechar a casa… ― Arthur disse ao mesmo tempo.
― Eu definitivamente nunca mais vou falar com vocês… ― Rafa disse ao mesmo tempo.
― É… com certeza devemos nos mudar de cidade… ― eu disse.
― ―
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― E trocar nossos nomes… ― Arthur complementou.
― É… ― Rafa concordou.
Daí continuamos olhando para a rua.
― Mas eu faria de novo… ― Rafa disse.
― Com toda certeza… ― Arthur disse ao mesmo tempo.
― Temos que repetir alguma hora… ― Eu também disse junto com eles.
― Quem sabe um beijo triplo… ― Rafa disse.
Nós dois olhamos para ele.
― Que foi!? ― Ele disse rindo e dando de ombros.
Depois de mais alguns minutos, minha mãe chegou. Ela parou o carro na nossa frente e eu e o Rafa entramos. Eu no banco do carona e ele no banco de trás.
Minha mãe tinha pego um carro emprestado com uma prima dela, de segundo grau, que não estava mais trabalhando, daí ela não estava usando o carro e não viu problema em nos emprestar, visto que estávamos sem, por causa do meu pai…
― Oi mãe… ― eu disse.
― Oi Lucas… oi Rafael… ― ela nos cumprimentou.
― Oi Dona Ana. Boa tarde para a senhora.
― Boa tarde. Estudaram bastante? ― Ela perguntou.
Claro… eu nem estava ocupado dando para dois garotos ao mesmo tempo ao invés de estudar…
― E como… ― Eu disse.
― Erm… dona Ana… o Lucas me convidou para ir jantar lá… tem algum problema? ― Rafa perguntou educadamente.
― Ah, claro que não… ― Minha mãe disse.
Era bom ver ela sendo gentil.
― Ele que vai ter que fazer o jantar mesmo! ― Ela completou o que estava dizendo.
Ah… que ótimo… estava muito bom para ser verdade… Rafa riu. Nós nos despedimos do Arthur pela janela do carro e, depois, vimos ele ficar para trás, conforme minha mãe ia seguindo em frente.
Durante o caminho minha mãe disse:
― Então… Rafael…
― Oi…? ― Rafa disse.
― Como vão seus pais? ― Ela perguntou.
― Bem… estão bem…
― Fiquei sabendo que você cortou o cabelo por causa do meu filho… ― ela disse.
Nessa hora, vi pelo retrovisor o Rafa ficando vermelho. Só minha mãe mesmo pra botar vergonha na cara desse moleque.
― Ah… é… foi sim… ― ele disse.
― Parece que você tem minhoca na cabeça igualzinho ao Lucas… ― ela disse.
― Ah… é… talvez eu deva parar de assistir Orange is the New Black… ― Rafa disse.
Nossa… ele não tinha falado isso para minha mãe… não… não acredito… no mesmo instante, minha mãe freou o carro com tudo.
― MENTIRA QUE VOCÊ TAMBÉM ASSISTE ISSO, GAROTO!
Pronto… que diabos eu fui fazer!? Tive que ir o resto do caminho ouvindo eles discutirem sobre essa série que eu nem sabia que o Gatinho assistia.
Chegando lá em casa, eu me joguei exausto no sofá… tinha sido um dia e tanto. O Rafa se sentou lá comigo e minha mãe disse:
― ―
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― Ei, Lucas! Eu não estava brincando! Preciso terminar um trabalho agora e você vai ter que fazer a janta… pode ser?
― Ah… tudo bem, mãe… sem problemas… eu faço sim… ― eu disse.
― Tá, obrigada… vou tomar um banho e tentar terminar logo meu trabalho, qualquer coisa, me chama. ― Ela disse.
― Tá… valeu… ― eu disse.
Eu estava deitado no sofá com os pés no colo do Rafa. Ele estava fazendo um carinho neles. Eu olhei para o Rafa e disse:
― Precisamos conversar…
― Ai droga… ― ele disse. ― Eu sabia que você ia falar isso. Quer mesmo discutir isso agora?
― Quero. ― Eu disse.
― Aff… olha… desculpa… se eu soubesse que você iria ficar chateado, eu nem…
― Ei… não fiquei chateado…
― Não?
― Quer dizer… não até agora… eu deveria?
― Não… acho que não…
― Eu só estou tentando entender o porquê… ― eu disse.
― Ué! Tava na cara que você queria.
― Sim! ― Eu exclamei. ― Esse é o problema! Tava na cara que eu queria! Mas e você? Você queria? Me esclarece aquilo que eu ainda não entendi: Você fez aquilo por mim, por você ou pelo Arthur?
― Não sei o que você quer ouvir… ― ele disse tentando fugir da pergunta.
― Não quero que você diga o que eu quero ouvir. ― Eu disse. ― Quero a resposta sincera. A verdadeira. Foi por mim, por você ou pelo Arthur?
― Ai Lu… não sei… acho que foi por nós três… ― ele tentou argumentar.
― Se você fez isso por mim, achando que agora eu sou obrigado a fazer isso por você…
― Não! Claro que não!
― Já disse que não quero a resposta certa, eu quero a resposta verdadeira.
― Não! Não quero que você pense isso… sinto muito se passei essa impressão!
― Passou.
― Desculpa… tá? Só queria fazer alguma coisa legal pra você…
― Porra! ― Eu exclamei. ― Me desse um urso! Não um outro menino! Desse jeito eu penso que você não me quer mais! ― Eu disse já começando a ficar com lágrimas nos olhos.
― Não… não… não chora não, por favor… ― ele pediu. ― Vem cá…
Eu me levantei e fui até ele. Me encolhi em seu colo e ele me abraçou. Eu enfiei minha cabeça no seu peito.
― Eu tô tão confuso, Rafa… ― eu confessei.
― Ai caralho… isso é culpa minha? ― Ele perguntou.
― Não… não só sua… tô com medo… do Arthur… de perder ele… e se a gente não conseguir mais ser amigos? E se as coisas não voltarem a ser como eram antes?
― Olha… quanto a isso… qual o problema de as coisas não voltarem a ser como eram antes, se melhorarem?
― E se piorarem? E se ele nunca mais falar comigo?
― Então ele seria o menino mais idiota do mundo… e não seria merecedor da sua amizade.
― Não quero mais, Rafa… quero que tudo volte a ser como era antes…
― Foi mal… se eu soubesse que você ia ficar chateado assim…
― ―
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― Não tô chateado… sei lá o que estou sentindo… tô perdido, Gatinho… tô muito perdido… ― Ele ficou em silêncio, esperando eu desabafar. ― Eu gostei de hoje… foi, sem dúvidas, uma das melhores experiências que eu já tive…
― Então qual o problema?
― O problema é que pode ser uma das mais caras também! Tô com medo de perder você… tô com medo de perder o Arthur… tô com medo de me perder…
― Isso não vai acontecer… não vou deixar isso acontecer… eu juro.
― Vou precisar de bem mais que isso aqui, Rafa…
― Mas o que você quer que eu faça?
― Não me deixa, por favor!
Eu implorei para ele enquanto abraçava seu corpo com todas as forças. Ele passou a mão nos meus cabelos e disse:
― Nunquinha! Nem se você quisesse!
― É sério! ― Eu disse quase chorando. ― Eu não sei o que seria sem você. Se eu já estou perdido assim, imagina sem você…
― Vem cá… ― ele disse e me puxou para mais perto ainda, me dando um beijinho na cabeça. ― Fica tranquilo tá? Nada vai mudar. Não vou deixar.
― Tá…
Agora, nos seus braços, eu me sentia muito mais seguro.
― Te amo. ― Ele disse.
Olhei para ele e fiz biquinho. Ele me deu um selinho e eu disse:
― Também te amo.
Depois de ficarmos pelo menos mais dez minutos abraçados ali no sofá, eu me levantei e disse:
― Preciso preparar o jantar… quer me ajudar?
― Claro! ― Ele disse. ― Como posso ajudar?
― Sabe alguma coisa sobre culinária? ― Eu perguntei.
Ele levou o dedinho até a boca, olhou para cima e pensou um pouquinho.
― Não… ― ele respondeu por fim. ― Nadica de nada.
― Ah… pelo menos você é bonito… ― eu disse e me dirigi para a cozinha.
― Hã!? ― Ele perguntou confuso. ― E como isso pode ajudar em alguma coisa!?
― Ah! É verdade… ― eu concordei. ― Isso só vai me atrapalhar!
Fui andando até a cozinha, quando o Rafa começou a rir.
― O que foi? ― Eu perguntei.
― Hahaha… nada… é que você tá andando engraçado…
― Aff… ― eu disse. ― Meu filho, se você soubesse a dor que eu estou sentindo agora…
― É por causa de hoje? ― Ele questionou.
― É sim… parece que minha bunda está rasgada. ― Eu disse rindo.
― Ai… desculpa… eu senti mesmo que pegamos pesado hoje… ― ele concordou.
― Não tem problema… ― eu disse. ― Logo passa… o importante é que foi bom…
― É… acho que sim… o que teremos para o jantar?
― Além de bunda assada? ― Eu disse rindo.
― Olha só… alguém ficou engraçadinho de uma hora para a outra… ― ele me zoou.
― Isso é culpa sua! ― Eu disse tentando parecer ofensivo.
― Hum… agora tudo é culpa minha! ― Ele disse.
― É porquê… tudo é culpa sua!
― ―
431
― Tá… mas pode ficar despreocupado… ― ele disse me abraçando por trás. ― Como você está dodói, não vai precisar fazer nadinha na próxima vez… eu vou fazer tudo sozinho pra você…
― Não me tente, garoto… ― eu disse rindo.
― Vou te morder todinho… ― ele disse encostando os dentinhos no meu pescoço.
― Hum… isso é bom…
― Uh-hum… ― alguém pigarreou atrás da gente.
Nessa hora, o Rafa deu um pulo que violou todas as leis da física e foi parar do outro lado da cozinha, onde bateu a cabeça no armário e deixou uma frigideira acertar seu pé. Minha mãe riu.
― AUUUU! ― Ele gritou de dor.
― Você está bem, Rafael? ― Ela perguntou enquanto entrava na cozinha.
― Sim senhora! ― Ele exclamou tentando se conter.
― Lucas, só vim dizer que eu já deixei o frango descongelando. Está ali em cima da pia…
― Ah, tá… obrigado, mãe…
― Tá, agora vou voltar para meu banho! ― Ela disse.
― Okay… ― eu concordei.
Daí ela virou as costas e saiu da cozinha. Viu! Nem tinha sido tão ruim assim… olhei para o Rafa, quando ouvi minha mãe gritar:
― AH! E EU JÁ FALEI QUE VOCÊ TEM UMA FECHADURA NA PORTA DO SEU QUARTO, LUCAS! NÃO PRECISO FICAR TE LEMBRANDO TODA HORA, NÉ?
― MÃEEEE! ― Eu gritei com raiva e vergonha.
Fui até o Rafa, que pulava de dor em um pé só.
― Tá bem, Gatinho? ― Eu perguntei.
― Aiiin! Tô sim! Tô sim!
― Vou botar o frango no fogo, se quiser ir arrumando a mesa… bota três pratos e três jogos de talheres…
― Tá… ― ele aceitou.
Daí ele ligou o Spotify no celular, colocou uma música animada para que pudéssemos trabalhar e começou a rebolar o bumbum. Ele se divertia com tão pouco… com certeza esse filhote de príncipes nunca tinha precisado preparar um jantar na vida.
― Hum! O cheiro está bom! ― Ele disse quando o frango estava quase no ponto.
― É… falta só fritar os ovos… ― eu disse. ― Você sabe fritar um ovo, pelo menos?
― Não, mas se você quiser me ensinar, eu aceito… eu sei que uma hora vou ter que morar sozinho mesmo, então…
― Tá… vem cá! ― Eu o convidei. ― Olha… primeiro você bota óleo na frigideira…
― Botar óleo? Tá… isso eu sei fazer. ― Ele disse e eu ri da idiotice dele.
― Depois você vai pegar os dois ovos…
― Tá… isso eu também sei fazer…
― Cala a boca, seu pervertido filho da puta! ― Eu o repreendi rindo. ― Daí você precisa quebrar os ovos…
― Auch! ― Ele disse rindo.
― Pra isso, você pode usar a bancada! ― Eu sugeri. ― Olha só… vou quebrar um e você repete.
Bati três vezes um ovo na bancada até ele se rachar. Levei ele para cima da frigideira e o quebrei. O ovo caiu certinho na frigideira e começou a fritar.
― Aprendeu? ― Eu perguntei.
― Parece ser fácil! ― Ele respondeu.
― ―
432
― Tá… aí você dá algumas viradinhas, assim…
― Dar viradinhas? Sei também…
― E tenta não queimar…
― É o que sempre tentamos, não é?
― Eu, no caso, prefiro a gema mole…
― Eu gosto de duro… ― ele disse.
― Então eu deixo ele meio cru…
― Entendi… ― ele disse.
― O que? Não tem nenhuma analogia pervertida pra palavra cru?
― Crú? Gosto.
― Aff… ― Eu disse botando a mão na cara.
Terminei de fritar o ovo e o retirei da frigideira, botando-o em um prato.
― Sua vez! ― Eu disse rindo.
Ele bateu o ovo três vezes na bancada e o levou para cima da frigideira. Quando ele foi quebrar, o ovo estourou e caiu com casca e tudo dentro da frigideira.
― AÍ DROGA! ― Ele disse preocupado. ― CAGUEI AQUI! ME AJUDA, LU! PELO AMOR DE DEUS!
― Eiii! ― Eu o acalmei rindo. ― Calma, Gatinho! Não tem problema, espera! Saí de perto da frigideira. ― Eu o orientei.
Ele se afastou e eu, com um garfo, retirei os fragmentos de casca de ovo remanescentes. Claro que eu fiz isso após abaixar o fogo… segurança em primeiro lugar. Daí eu peguei um prato e botei o ovo do Rafinha.
― Pronto! Ovo à crocãàhn! ― Eu disse fazendo voz de francês. ― Faltou só um Cubo di Formaggi pra acompanhar! ― Eu disse rindo enquanto me lembrava do episódio absurdo do restaurante com a Sarah e com o Igor.
― Nossa. Nem me fala! ― Rafa concordou.
Depois que estava tudo pronto, terminamos de servir e decorar a mesa, daí eu chamei minha mãe.
― Nossa, meninos! Vocês capricharam, hein! ― Ela nos elogiou.
Realmente a mesa tinha ficado bem bonita. Eu até tinha usado um daqueles matinhos para colocar em cima do arroz, para que ele ficasse chique…
― Uau! Estou impressionada! ― Minha mãe disse. ― Você devia vir aqui mais vezes, Rafael!
Ah… é claro! Foi só o Rafa que preparou a mesa! Eu não fiz absolutamente nada! Porra!
Nós três nos sentamos na mesa e começamos a comer. Quando fui me sentar, senti minha bunda doer… droga… eu precisava tomar algum remédio pra dor.
― Mãe… ― eu disse. ― Tem remédio pra dor aqui em casa? ― Eu perguntei.
― O que tá doendo? ― Ela perguntou.
― Minha b… braço… meu braço…
― Ah… o que você fez?
― Não sei… ― Eu disse e o Rafa começou a rir. ― Começou a doer do nada…
― Estranho… ― ela disse. ― Vou dar uma olhadinha depois.
― Tá… valeu… ― eu disse.
― Então, Rafael… ― minha mãe começou dizendo.
Eu rezei para mim mesmo para que não fosse constrangedor.
― Oi…? ― Rafa disse.
― Como vai a escola? ― Ela perguntou.
― Ah… vai bem… o Lucas tem me ajudado muito, sabia?
― ―
433
― Não me diga…
― É sim… acho que não vou pegar nenhuma recuperação esse semestre.
― Olha! Parabéns…
― Obrigado…
― E como anda o namoro de vocês dois? O Lucas não me conta absolutamente nada.
― Mãe… ― eu implorei.
― Ah… vai bem… eu acho… com uns altos e baixos… ― Rafa respondeu.
― Hum… sabia que eu comecei a namorar na idade do Lucas também?
― Mãeeeee… ― eu implorei novamente. ― O Rafa não quer ouvir sobre suas histórias românticas arcaicas…
― Lucas, deixa de ser mal-educado! ― Ela me repreendeu.
― Eu adoraria ouvir mais sobre você, senhora Ana! ― Rafa disse sendo gentil.
― Viu só? Ele não é adorável? ― Ela disse para mim. ― Pois é… eu tinha onze anos quando saí com meu primeiro namorado… quer dizer… namorado não… paquera… naquela época as coisas eram mais difíceis… eu tinha três irmãs, quer dizer, tenho, o Lucas te contou isso, Rafael?
― Não senhora.
― Pois é… nós erámos em quatro meninas… e meu pai se separou da minha mãe quando eu tinha apenas dois anos de idade. Seu Bento… ele se mudou para Minas Gerais com uma outra mulher… e é o único avô vivo do Lucas… mas o Lucas nunca chegou a conhecê-lo. Daí eu cresci ouvindo minhas três irmãs e minha mãe falarem que homens não prestavam… pois é… mas eu não acreditava nisso… eu tinha fé… até conhecer o pai do Lucas.
― Mãe… ― eu pedi novamente.
― A gente se conheceu em um carnaval… e… nasceu o Lucas… é… foi bem rápido assim…
― É! Sou fruto do carnaval e da imprudência! Podemos falar sobre outra coisa? ― Eu pedi.
― Ah… sim! Aí… ouvindo dia após dia que homens não prestavam, comecei a sonhar em ter uma filha…
― Mãeee… ― eu disse colocando as duas mãos no rosto.
― Mas… né? Sabe como é… ― ela disse para o Rafa. ― Deus escreve certo com linhas tortas… tcharam! Veio o Lucas!
― MÃEEEEE! ― Eu fingi que estava chorando, Rafa começou a rir.
― O que foi, filho? Sabe que eu estou começando a gostar dessa nossa nova vida? Acho que estou muito feliz com vocês dois… já pensou se você fosse um mulherengo igual seu pai? E começasse a trazer aquelas novinhas vagabundas aqui em casa? E ficasse gastando dinheiro com elas? Sabe Rafael… homem não vale nada… mas mulher… ah, meu deus… mulher é um bicho do capeta! Tem umas vagabundas aí que querem destruir famílias… sabe? E vão com tudo pra cima de homem casado… ainda bem que nós não vamos passar por isso, né, filhote?
― Desisto… ― eu disse abaixando a cabeça na mesa.
― Não disse? ― Minha mãe disse e o Rafa riu.
― A senhora entende bastante sobre a vida, não é mesmo, dona Ana? ― Rafa disse gentilmente.
― Olha, Lucas, como seu amiguinho é educadinho! Por que você não é como ele? Você devia aprender com ele. Vê se ensina uns modos para meu filho depois, viu, Rafael?
― Pode deixar, senhora. Ouviu, Lucas? ― Rafa disse rindo de mim.
― Aaaaaaaaaaaaaaaaaa… ― suspirei.
― ―
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― Então, como eu estava dizendo, comecei a namorar na idade do Lucas… só namorei tranqueira… naquela idade eu não tinha nenhum juízo…
― E parece que está assim até hoje, né, mãe!?
― Ninguém te perguntou. Então… como eu estava dizendo… comecei a namorar um rapaz chamado Rodiney… ou Rodrigo… algo assim… não me lembro… mas as pessoas o chamavam de Ferro Quente…
― Nossa! ― Rafael disse rindo. ― Por que lhe deram esse apelido? Ele trabalhava com metalurgia?
― Ah… minha doce e inocente criança… nada disso… o chamavam de Ferro Quente por que…
― MÃEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE! ― Eu esgoelei. ― Chega! O Rafa não precisa ouvir isso!
― Tá vendo, Rafael? Esse menino não tem um pingo de educação… ― ela disse rindo e o Rafa riu também.
― Pois é, dona Ana… já que o Lucas insiste em mudar de assunto… eu gostaria de te contar o real motivo de eu ter vindo aqui hoje, esta noite.
O que? O que o Rafa estava tramando?
― Hum… não estou gostando disso. ― Minha mãe disse. ― Tá grávido, Lucas? ― Minha mãe me zoou. O Rafa riu novamente.
― Então… é o seguinte… todo ano minha família viaja…
Aff… não acredito que ele ia fazer isso. Não…
― Esse ano nós vamos para o Nordeste do país… Porto de Galinhas…
― Estou ouvindo. ― Ela disse.
― E… tipo… não vamos precisar pagar o avião, pois meus pais tem muitas milhas para gastar. E… estamos em cinco… eu, meu pai, minha mãe, meu irmão e sua namorada… e… como os quartos são de três pessoas… está meio que sobrando uma vaga…
― Estou ouvindo. ― Ela disse.
― Então… tipo… eu queria convidar o Lucas pra ir viajar com a gente, com a permissão da senhora, claro… serão só duas semanas.
Nessa hora, meu coração até doeu. Que porra minha mãe iria responder?
― Okay… ― ela disse. ― Viajar…? Para o Nordeste…?
― Sim! ― Rafa exclamou ansioso.
― E eu achando que ia ganhar um neto… ― Ela disse rindo. ― Tá… olha… eu não queria ser a chata, mas… estamos sem condições financeiras de bancar uma viagem para o Nordeste agora… daqui a pouco vou ter que tirar licença do serviço por causa da gravidez e… o dinheiro da pensão é pouco e…
― Não! O Lucas não teria que pagar absolutamente nada! Já temos o avião e o hotel! Gastos com comidas meus pais vão bancar!
― Mas isso não tem nenhuma lógica! Acabei de falar das biscates que sugam todo dinheiro dos homens que namoram! Não vou deixar o Lucas ser uma delas!
― MÃE! ― Eu gritei de ódio. Minha mãe tinha acabado de me chamar de biscate.
― De forma alguma, dona Ana! ― Rafa disse. ― O Lucas está longe de ser assim! Eu que quero que ele vá! Meus pais estão okay com isso! E ele também está okay com isso!
― Ahhh… então isso é obra sua? ― Minha mãe me olhou revoltada.
― Sério? ― Eu disse soltando os talheres. ― Inacreditável… ― eu disse mais revoltado ainda.
― Olha, Rafael… ― minha mãe disse. ― Eu vou ter que ter uma conversa séria com o Lucas a respeito disso. Eu agradeço muito sua gentileza e sua solidariedade, mas você sabe bem que não podemos aceitar um presente desse tamanho assim… sem mais e sem menos… sem
― ―
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falar que nesse final de ano vou precisar de uma ajudinha aqui em casa, por causa da gravidez, então…
― Ah… ― Rafa disse decepcionado e sem graça.
Será que em algum momento ele pensou mesmo que sua graciosidade e elegância seriam suficientes para conquistar qualquer coisa? Acho que ele só tinha se esquecido de um detalhe: Na minha família as coisas não eram mágicas e lindas como na dele… vivíamos no mundo real… não vivíamos em um conto de fadas como ele… por um lado, era ruim vê-lo decepcionado, pois eu odiava vê-lo triste. Mas era bom que isso estivesse acontecendo, para que ele tivesse um choque de realidade e, quem sabe, começasse a entender como é que o mundo funcionava de verdade.
― Tá… mas pensa a respeito, por favor! ― Rafa pediu. ― Ele não seria nenhum incomodo pra gente! Seria muito bom para nós e para ele também…
― Eu sei… ― ela disse.
― Ah… e tem mais uma coisa…
Mais uma coisa? Pensei. O que o Rafa estava tramando?
― Mais uma coisa? ― Minha mãe perguntou.
― Sim… então… acontece que… todo ano… a escola realiza um baile quando as aulas terminam…
― HAHAHAHAHAHA!!! ― Minha mãe começou a rir quando o Rafa começou a falar.
― É… pois é… ― Rafa riu dando de ombros.
Queria ser uma avestruz agora… para poder enfiar a cabeça na terra e nunca mais sair.
― E quando vai ser esse… baile? ― Ela perguntou.
― Sábado que vem. ― Ele disse. ― Dia primeiro de dezembro.
-Hum… e o Lucas estava sabendo?
Quando ela perguntou isso, o Rafa me olhou.
― Sim senhora.
― Precisamos melhorar nossa comunicação, né, filho?
― Foi mal… ― eu disse.
― E precisa de terno? Roupa social?
― Sim… então… eu vou sair para alugar um amanhã com meus pais… se o Lucas quiser…
Aí minha mãe me olhou, esperando que eu respondesse.
― Posso ir? ― Perguntei.
― Você quem sabe… ― ela disse.
― Eu vou, então, Rafa… ― eu disse.
― Tá… vamos passar aqui antes do almoço… tipo às dez.
― Tudo bem. ― Ela disse.
― Tá… ― eu disse.
E, depois disso, continuamos jantando e conversando sobre… bem… sobre mim… os dois passaram o resto da noite me zoando… parecia que se conheciam fazia séculos…
Depois da janta, minha mãe voltou para o quarto, para trabalhar, e eu fiquei de lavar a louça.
Claro que o Rafa tentou ajudar, mas… ele não sabia fazer nada direito… daí tive que lavar novamente todas as louças que ele tentou limpar… mas era pouca coisa, então…
Quando terminamos, fomos até meu quarto e deitamos na cama juntos.
― Que foi? ― Ele perguntou.
― Tô com sono… ― eu disse enquanto me acomodava junto com ele.
― Meu pai já tá vindo me buscar… me aguenta só mais um pouquinho… ― ele pediu.
― Não!!! ― Eu exclamei. ― Não vai embora não… dorme aqui comigo… ― eu pedi.
― ―
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― Não posso… ― ele disse. ― Agora ele já está vindo.
― Ai droga… ― eu disse apertando ele mais forte.
― Pois é…
Aí nós ficamos nos abraçando em silêncio na cama por mais uns dois minutos, até ele falar:
― Foi legal hoje, né? Com o Arthur…
― Foi bom… ― eu concordei.
― Ele deve ter gostado… ― ele disse.
― Com toda certeza… ― eu concordei novamente.
― Você acha que ele vai chamar a gente de novo?
― Tomara… ― eu disse. ― Mas da próxima vez, vamos usar lubrificante né…
― Ainda tá doendo?
― Tá sim…
― Posso ver onde dói? ― Ele pediu.
― Não! Claro que não!
― Por que? ― Ele perguntou.
― Não vou te mostrar minha bunda dolorida…
― Ah… vai… por favorzinho…
― Se você dormisse aqui… quem sabe… ― tentei convencê-lo.
― Já disse que não posso… queria muito… mas…
― Seu chato!
Ficamos ali curtindo um ao outro por mais dez minutos, até ouvirmos uma buzina.
― É meu pai. ― Ele disse. ― Tenho que ir.
― Aaaa… mas já? ― Eu disse segurando o corpo dele com todas as minhas forças.
― Sim… desculpa… você vai ficar bem?
― Acho que sobrevivo uma noite sem você… ― eu disse.
― Não… estou perguntando se você vai ficar bem com o dia de hoje… com Arthur… com tudo que aconteceu…
― Ah… tá… acho que sim…
― Ótimo… qualquer coisa manda mensagem? ― Ele perguntou.
― Mando!
― Tá… vou indo nessa então… ― ele disse.
― Amanhã às dez? ― Perguntei.
― Sim… amanhã às dez. ― Ele respondeu.
Dei um beijo na boca dele e depois ele se foi. Fiquei vendo meu querido amiguinho loiro se afastar até que saísse completamente do quarto.
Voltei a me deitar na cama e fiquei mais dez minutos lá, até criar coragem de ir falar com a minha mãe.
Fui até o quarto dela e bati três vezes na porta.
― Mãe? ― Eu a chamei. ― A senhora está aí?
― Entra! ― Ela disse.
Entrei e ela estava sentada na escrivaninha do quarto, mexendo no computador. Eu me sentei em sua cama e ela me olhou.
― Oi… filho?
― Oi… então… sobre hoje… tem alguma chance de eu ir viajar com o Rafa? ― Eu perguntei.
― Ai Lucas… como podemos aceitar isso? Não temos dinheiro e… é difícil… você sabe que é…
― ―
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― Sim… eu sei, mas ele me garantiu que eu não teria gasto nenhum, mãe…
― Eu sei, Lucas… mas… e se depois ele quiser te chantagear com isso? Dizendo que pagou sua viagem e tal?
― Isso não vai acontecer!
― E outra! Como você vai ficar longe duas semanas? Eu preciso de ajuda aqui em casa…
― Seu Humberto! ― Eu exclamei. ― Podemos chamar ele pra te ajudar!
― Não seja idiota, Lucas! Não vamos incomodá-lo à toa!
― Por favor! Ele não vai se incomodar! Eu falo com ele, se a senhora quiser!
― Você quer mesmo ir, hein? ― Ela perguntou.
― Muito! Demais! Ele disse que íamos andar de avião!
― Não sei não, Lucas… aviões são perigosos…
― São mais seguros que ônibus! ― Eu garanti.
Ela pensou um pouquinho.
― Por favor! Por favor! Por favor!
Daí eu me ajoelhei e juntei as mãos:
― Por favor! Por favor!!!!
― Levanta, moleque! Não te criei pra isso!
― Vai… mãe… deixa!
― Você recuperou aquela sua nota vermelha?
― A prova é segunda… depois desse final de semana… mas eu vou recuperar…
― Tá… vamos fazer um acordo… se você suas notas estiverem boas, no final do semestre…
― SIIIM! ― Eu quase gritei de felicidade.
― E não só no final do semestre… você vai ter que se manter assim durante o ano que vem inteiro… ― ela tentou fazer o acordo parecer mais difícil.
― SIIIIM! ― Eu dei um pulo.
― E me ajudar com a louça… e com a casa…
― SIIIM! AJUDO!
― E você vai ter que trazer uma lembrancinha de lá pra mim…
― OBRIGADO! ― Eu gritei de felicidade e dei um abraço nela. ― OBRIGADO! OBRIGADO! OBRIGADO!
― Meu deus, Lucas… menos… vai…
― NÃO VOU TE DECEPCIONAR! ― Eu disse.
― Mas quero conversar com os pais dele amanhã… quando eles vierem te buscar.
― TÁ! ― Eu gritei de felicidades.
Saí correndo e fui para meu quarto, peguei meu celular, procurei o contato do Rafa e liguei para ele… não via a hora de contar.
― ―
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| Episódio

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10 Comentários

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  • Responder Vitinhovipvp ID:gqb0tjk09

    Não gosto de ler livros. Mas acabei de concluir a leitura de 888 páginas desse exemplar (tirando o epílogo final). Simplesmente a melhor leitura que já fiz na vida.

    Por motivos óbvios esse livro não foi aceito, né galera. Kkkkk
    Mas a literatura não-editorial nunca perderá sua qualidade enquanto houverem leitores assíduos.

    (Spoiler) Eu achei muito interessante quando senti falta de mais parágrafos relacionados ao Arthur (de longe o meu preferido)… E quando eu Simplesmente já ia retornar a capítulos anteriores, de repente o autor me presenteia com um capítulo completo na visão de Arthur… CARACA! INFARTEI NA HORA! KKKKKKK

    Foi uma sintonia total entre leitor/autor. Adorei.
    Super-recomendo a leitura 📚 integral deste romance. É muito divertido, dramatico e igualmente misterioso e cheio de reviravoltas que ti prendem à história do início ao fim.

    Não é perfeito. Mas é muito bom.

    😉

    • Rluv ID:7xbyrj5vv2

      Como assim cara?? Tu tem acesso a história completa???

    • Seila ID:e243s2gzj

      Eu também tenho esse livro, que recebi de um amigo. Mas eu recomendo ler os capítulos por aqui, esta com uma boa frequência de postagem e até para ajudar no engajamento e ajudar quem está postando, mas se quiser eu posso te enviar, só me chamar no aplicativo Wickr me, o meu nome lá é raikoua1

    • Vitinhovipvp ID:gqb0tjk09

      Tenho sim. Mas recomendo ler aqui pelo site mesmo.
      Leitura 📚 compartilhada é muito melhor.
      Kkkkkkk

  • Responder Seila ID:e243s2gzk

    Conto maravilhoso como sempre. Quem quiser conversar sobre ele ou qualquer outra coisa, me chama no aplicativo Wickr me, o meu nome lá é raikoua1

  • Responder Tesao gay ID:6stwyka6v2

    Nossa, esse capítulo foi de tirar o folego, o trisal com o Arthur foi sensacional

  • Responder Rafa ID:g61w3brm4

    Ahhhhhh cadê o resto kkkkkk, não faz isso comigo hahahha, não consigo fazer mais nada a não ser ler esse contos várias vezes kkkkk

  • Responder Fênix negra ID:1daifftfia

    Adorei esperando a continuação

  • Responder Rluv ID:7xbyrj5vv2

    Aaaaaaaasaa finalmente!!!!!!! Estou tão feliz!! Que capítulo sensacional!!! Tava torcendo para que acontecesse logo e foi incrível, muito bom mesmo!! Espero que a amizade deles continue. Necessito do próximo capítulo urgentemente!

  • Responder Keno ID:1dawlywqrc

    Que capítulo mais top adorei espero que o próximo seja postado logo, quem diria que Arthur, Rafael e olhos verdes iriam se beijar e tbm iriam fazer sexo que lindo foi a reação do Arthur espero que ele não fique diferente com olhos verdes como ele mesmo chama nosso querido Lucas espero que o Lucas converse com o rafa sobre o ocorrido com o Mateus