#

O menino dos olhos verdes 4

2920 palavras | 7 |3.67
Por

Episódio 4 – ## 33 A Gangue de Hermes ##

― LUCAAAS! Não vou chamar de novo, se quiser carona, levanta essa bunda da cama e se apronta logo! ― Acordei com meu pai bravo, me chamando pra aula…
Aaaaaa! Nããããooooo! Não quero ir pra aula! Tô com tanto soninho! Merda! Não posso faltar… Rafa… Arthur… aiiiii… caralho! E foi assim, com muita preguiça, que eu me levantei e me troquei para ir pra aula…
Meu pai foi dirigindo e minha mãe foi no carona. Eles já estavam conversando normalmente. Era sempre assim, eles brigavam e voltavam, brigavam e voltavam.
Eu estava com muuuuuito sono, mas me esforcei para tentar decorar o caminho de casa. Decorei uma parte, uma boa parte, para falar a verdade, mas me perdi pensando na escola.
Meus pais me deixaram no portão. Eu desci e dei uma boa observada na escola. Fui andando até o sexto ano. Eu tinha chegado muito cedo, então, tinham poucas pessoas na sala. Rafa não tinha chegado ainda. Fui andando até chegar no meu lugar e botei minha mochila lá.
― Oi, Lucas! ― Algumas crianças me cumprimentaram.
― Oi! ― Eu respondi.
Era estranho… todo mundo já me conhecia, todos sabiam meu nome… mas eu não conhecia quase ninguém… então resolvi socializar um pouco.
― Como vocês chamam? ― Eu perguntei.
E assim, eu fui conhecendo um por um. Só tinham seis pessoas na sala. Eu e mais cinco. Aprendi o nome de todo mundo. E conforme foram chegando, fomos conversando, brincando, socializando. Ficamos assim até o Rafa chegar. Quando ele chegou, eu saí da rodinha que tinha se formado e fui falar com ele.
― Oi… ― eu saudei. Tentando esconder minha felicidade ao vê-lo.
― Oi! E aí, Lucas!
Nós dois nos sentamos nos nossos lugares.
― Aula de que, agora? ― Eu perguntei.
― Geografia… ei! Se liga nesse vídeo.
Ele tirou o celular do bolso, se levantou e veio se sentar na minha mesa. Sério. Ele se sentou bem na minha frente. A coxa dele estava a centímetros do meu rosto. Daí, ele mostrou o celular para mim. Nessa hora, eu aproveitei para chegar bem pertinho do corpo dele. Cheguei até encostar minhas mãos na perna dele.
Ele me mostrou um vídeozinho de umas pessoas fazendo idiotices e se dando mal. Eu mal conseguia prestar atenção no vídeo, mas parecia ser muito engraçado. A única coisa em que eu conseguia me concentrar era no calor que exalava de seu corpo. Ele ria sem parar. Eu comecei a rir, mas foi por causa da risada dele e não por causa do vídeo. O vídeo era idiota… mas a risada dele era tudo de bom.
O professor chegou na sala. Rafa voltou para seu lugar e a aula começou. Durante a aula, o professor fez uma pergunta.
― Então turma, alguém sabe me dizer o que foi a política de pão e circo de Roma?
Para minha surpresa, a sala começou a tossir Lucas. Tossir? Você deve estar se perguntando. Sim, todo mundo começou a dizer ‘Lucas’, enquanto tossiam. Vocês conhecem essa brincadeira, né? Em que você tosse e fala o nome de alguém… enfim…
― Lucas? Quem é Lucas? ― O professor perguntou.
Todos olharam para mim. Aff… cara, eu estava odiando isso! Tudo bem que eu sabia a resposta, mas uma hora eu poderia não saber. Érica, a sabichona da sala, levantou a mão, mas o professor disse.
― ―
23
― Ah! Erica! Eu sei que você sabe, vamos ouvir um pouco do novo aluno! ― E a garota esboçou uma expressão de ódio. ― Lucas, você sabe me dizer o que foi a política de pão e circo de Roma? Se não souber, tudo bem!
― Ah, professor, a política de pão e circo foi a atitude que Roma tinha com seu povo. Eles ficavam distraindo o povo com comida e diversão enquanto cuidavam dos assuntos políticos. É basicamente o que o governo brasileiro faz com o Brasil. Só que aqui eles usam o futebol, a copa do mundo, etc.
Todos da sala ficaram me olhando perplexos.
― Mas pão e circo também é o nome do novo CD de música do palhaço Sem Dente…
Eu fiz uma piada, sabendo dos riscos, sabendo que tinha chances de ninguém achar graça… mas não foi o que aconteceu. A sala caiu em risada, até o professor riu também.
― Muito bom! Muito bom!
E a aula seguiu tranquilamente até a hora do recreio.
― Que porra foi aquela? ― Rafa me perguntou rindo.
― Ué! Senso de humor…
― Você sabe que agora a sala te ama, né? Você sabe que sempre vão pedir pra você responder as perguntas dos professores…
― Droga! Não tinha pensado nisso…
― Mas olha pelo lado bom, se você não souber alguma resposta, basta dizer uma bobagem… Hahahahaha!
― É, acho que você tem razão… não é tão ruim assim… ― Eu ri junto com ele.
Saímos da sala e fomos para o pátio. Arthur veio falar comigo.
― Soube que você é o novo sabichão da sala, Olhos Verdes! ― Não gostei nada do tom com que ele falou comigo.
― Aff! Onde ouviu isso? ― Eu disse irritado.
― E que também é o novo palhaço da turma, e que também você já é amado por todos!
― Do que você está falando? ― Eu perguntei.
― Está surpreso? Eu já arrumei meus informantes! ― Ele disse sorrindo.
― Informantes? ― Eu perguntei.
― Sim! Informantes! Se você quiser sobreviver a um ambiente escolar igual a este, é bom saber das fofocas de todo mundo… daí, estou tentando conhecer todas as pessoas que mais fazem fofoca, e construir uma rede de informações!
― Ah, tá bom! ― Eu exclamei. ― Você está sendo dramático, Arthur!
― Estou? Só estou sobrevivendo, Olhos Verdes, só isso! Bom, a dica eu te dei… você deveria arrumar seus informantes! ― Ele disse e saiu.
― O que é que foi isso? ― Rafa me perguntou abismado.
― Não faço a menor ideia, mas acho que ele é maluco… ― Eu disse para o Rafa, que riu.
Fomos para a cantina e, novamente, Rafa comprou duas barrinhas de chocolate, uma para mim e uma para ele.
― Você precisa parar de fazer isso, garoto! ― Eu disse para ele.
― Relaxa! E não se preocupe com isso, sério mesmo! Chega aí! Bora sentar ali pra comer!
Eu fui seguindo ele. Enquanto isso fui abrindo minha barrinha. Três marmanjos entraram na frente do Rafa.
― Hermes! Saí da frente! Eu quero passar! ― Rafa exclamou.
― Quem é seu amiguinho? Rafaboiola? ― O maior deles, que Rafa chamou de Hermes, perguntou ofensivamente.
― ―
24
Os três marmanjos começaram nos cercar. Meu coração disparou. A última coisa que eu queria era encrenca com alguém. Eu não tinha feito nada! Será que Rafa tinha feito algo para irritá-los? Ou será que eles só queriam mexer conosco gratuitamente?
Os três pareciam ter seus quinze anos. Hermes tinha o cabelo todo enrolado e usava roupas de adolescente rebelde. O outro era gordo, quase careca, usava brincos e tinha um piercing no nariz. E o último era magro, tinha cabelos castanhos e usava um gorro de mano.
Eles nos cercaram e foram nos fechando.
― Qual seu nome, novato? ― O gordo perguntou para mim.
― Lucas… ― eu respondi, morrendo de medo de apanhar, ou algo do tipo.
― Lucas, é? ― Hermes disse. ― E o por que você está andando com o Rafaboiola? Por acaso você é retardado?
― Vai ver é boiola também! ― O garoto de gorro disse. E os três começaram a rir.
Senti um ódio mortal deles! Como eu queria poder fazer alguma coisa! Senti que minhas mãos estavam atadas. Aaaaa! Que raiva! Eu queria bater nos três! Mas eles eram muito maiores que eu! Eu quis chorar, mas me contive! A última coisa no mundo que precisava agora era chorar, eles só iam me humilhar mais…
― Senhores! Mas o que é que está havendo aqui!
Os três adolescentes olharam para trás e, para minha surpresa e de todo mundo, era Arthur, que estava com um sorrisão no rosto.
― Quem é você? ― Hermes disse num deboche.
― Ah, como fui mal-educado! Perdão, cavalheiros, não me apresentei! Sou Arthur!
ERA MELHOR ARTHUR TER UMA BOA CARTA NA MANGA! A ironia dele era gritante. Ele estava provocando os três de uma forma absurda, ele estava pedindo para apanhar, isso sim… e se os três meninos perdessem a cabeça, todo mundo ia tomar… eu, Arthur, Rafa, nós três tomaríamos uma surra inesquecível.
― Não precisam se apresentar, senhores! Já conheço os três… sei até o que estavam fazendo ontem, atrás da escola… sou novo aqui, mas já sei tanto sobre vocês, que poderia expulsá-los da escola, então, é bom não se meterem no meu caminho! E também no caminho desses dois aí! Vão lá dar um cuecão no Spencer, porque eu ouvi dizer que ele está merecendo…
― Retardado! ― Hermes gritou e apontou o dedo para a cara do Arthur.
Mas Arthur permaneceu confiante. Acho que ele assustou os meninos.
― ISSO NÃO VAI FICAR ASSIM, TAMPINHA! ― Hermes gritou e saiu. Os outros dois, que pareciam ser os capangas dele, o seguiram.
O gordo tomou a barrinha de chocolate da minha mão e me empurrou. Eu caí e bati a bunda no chão com tudo, aíííí, doeu para caralho! Mas o que mais doeu, foi que ele tomou das minhas mãos o presente que Rafa tinha me dado com todo carinho do mundo, e eu não pude fazer nada a respeito. Depois que eu pensei nisso, lágrimas começaram a escorrer dos meus olhos.
O Rafinha imediatamente veio me ajudar a levantar. Eu me apoiei nos ombros dele e fiquei de pé. Ele enxugou minhas lágrimas com seus polegares.
― Você tá bem? ― Ele me perguntou.
― Acho que sim. ― Eu disse e terminei de enxugar as novas lágrimas que iam escapando.
Tentei me recompor.
― Estou sendo dramático, Olhos Verdes? ― Arthur fez o comentário que eu já estava esperando.
― Grosso! ― Rafa disse para Arthur. ― Não tá vendo que ele tá mal?
― Desculpa, só estou dizendo… ― Arthur se desculpou.
― ―
25
Rafa passou a mão em volta do meu ombro e me guiou para sentar num lugar banquinho que tinha ali perto. Não tinha ninguém nessa área da escola. Rafa me trouxe no lugar certo, onde eu poderia chorar sem que ninguém me visse. Estávamos atrás de um prédio, um dos últimos da escola.
― É senhor Rafael, de fato o senhor sabe como matar uma aula! ― Arthur disse. ― Ouvi dizer que já matou várias!
― Já mesmo! E isso não é da sua conta! Eu não vim aqui para matar aula, eu vim aqui por causa do Lucas! Não tá vendo que ele tá chorando! A última coisa que eu quero é que falem que meu amigo é um veadinho que chora na escola! ― Rafa disse me defendendo. Me senti feliz, mas não queria os dois brigando. Tentei falar algo, mas não consegui.
Eu sentei no banco e o Rafael se sentou do meu lado. Arthur ficou em pé com os braços cruzados. Rafa passou a mão pelo meu ombro.
― Ou, não chora não… eles são chatos mesmo.
― Não tô chorando não… ― eu disse com cachoeiras nos olhos. ― É que eles pegaram seu chocolate… e eu não pude fazer nada… desculpa!
― Aff! Larga de ser bobo! Não liga pro chocolate não, ainda tem o meu… aqui ó!
Ele disse e repartiu a barrinha dele ao meio e me deu metade.
― Pra você! Pronto! Se acalma e relaxa! Eles não vão mais chegar perto da gente…
Nossa! Ele tinha acabado de repartir a barrinha ao meio! Nossa! Me derreti todinho! Ele era um fofo!
― Você não quer, Arthur? ― Eu ofereci meu pedaço para o Arthur, que também era meu amigo.
― Não, estou bem, obrigado… ― Ele disse e se sentou do meu lado também. ― Ah, já que estamos aqui, vamos matar aula de vez…
― Não podemos! ― Eu disse e levantei.
Eu estava me lembrando da promessa que tinha feito para o seu Humberto, ontem. Prometi que não seria um mau aluno, e estava sendo um agora! Mas Rafa pegou no meu braço e me puxou para baixo.
― A aula já começou, e o professor de história não gosta de alunos atrasados. É melhor a gente enforcar mesmo, senão ele vai dar a maior bronca na gente…
Droga! Foda-se! Matar aula era o que eu mais queria agora! Ainda não tinha me recuperado psicologicamente para voltar para sala. O que eu precisava era passar um bom tempo com meus dois amigos…
Depois de um minuto, já tinha parado de chorar e já estava respirando normalmente.
― Quem era eles, Rafa? ― Eu perguntei.
― Ah… eles são uns idiotas… o Hermes está no time de futebol da escola, assim como eu, e ele não gosta muito de mim.
― Porque? ― Eu perguntei. ― Você se importa em falar? Se não quiser, tudo bem…
― Não, eu posso falar sim, é que tinha uma garota… Gabriela… ela tinha dezesseis anos e queria ficar comigo, mas eu não fiquei com ela! E o Hermes gostava dela, e ela não quer ficar com ele porque gosta de mim. Daí ele não vai com minha cara. E como eu não fiquei com ela, ele me chama de Rafaboiola… é isso. Aqueles outros dois são os amigos do Hermes, mas eles procuram encrenca com praticamente todo mundo.
― Caio e Breno! ― Arthur exclamou. ― Breno é o gordo que roubou seu doce, ele tem quinze anos. E Caio é o magrinho que usava o gorro, ele tem catorze. Os três gostam de fumar uma maconha atrás da escola, mas quase ninguém sabe. Todo mundo sabe que eles são chatos, mas ninguém suspeita que mexem com drogas. Pois é! Chocante! Fiquem longe desses três. Eles
― ―
26
estão no nono ano. A gente só vai ter que aguentá-los por mais esse semestre. Ano que vem eles já não estarão mais aqui. Visto que não temos ensino médio aqui!
― Ah… ― Eu disse terminando de mastigar o último pedaço de chocolate com morango. ― Informantes para que se tenho você, Arthur!
E nós três caímos na risada. Ficamos conversando por um bom tempo ali. Eu até tinha me esquecido do Hermes e da sua gangue. Foi tão bom passar um tempo com os dois lindinhos que eu deixei o incidente de hoje para lá.
Íamos matar uma aula só, mas acabamos matando as três. Quando deu meio-dia, ouvimos o sinal tocar.
― Hora de ir embora! ― Arthur disse.
― Ah… vocês podem ir indo… ― Rafa disse. ― Minha mãe disse que ia demorar um pouquinho, então vou ter que ficar aqui mais um pouco.
― Tá, até mais! ― Arthur disse e saiu com pressa.
― Você não vai embora, Lucas? ― Rafa me perguntou com sua voz doce.
― Vou, mas eu também não sei quanto tempo meu pai vai demorar para vir me buscar… você não quer esperar lá no portão comigo? ― Eu perguntei.
― Tá, bora lá!
Eu e o Rafa fomos para a frente da escola. Eu sentei no mesmo banquinho que tinha me sentado ontem, ele se sentou ao meu lado.
― O Arthur é maluco! ― Ele disse.
― Que ele é maluco eu sei! Mas você descobriu isso quando ele provou que nós somos os alienígenas do universo, ou quando ele disse que gostava de ervilha?
Rafa caiu na gargalhada.
― Ei! Advinha só! O Igor me mandou um WhatsApp!
― Igor? ― Eu perguntei.
― É! Lembra que eu te falei? Que ele era meu melhor amigo! Que você se sentou no lugar dele!
― Ah… lembro sim! O que ele disse?
― Que ele vai na escola amanhã! Você vai adorar ele! Ele é muito legal!
― Ah… ― eu disse.
Doeu um pouquinho ele chamar o Igor de melhor amigo. O Rafa era meu melhor amigo, mas aparentemente eu ainda não era o seu melhor amigo… tá! Não doeu pouquinho… doeu muito! Eu queria só ver esse tal de Igor! Será que ele era tão legal como o Rafa? Só amanhã para descobrir…
O que aconteceu em seguida foi que a mãe do Rafa chegou e nem sinal do meu pai.
― Quer uma carona? ― Ele ofereceu.
― Pode ser. ― Eu disse.
Nós dois entramos no carro. Ele foi na frente.
― Mãe, esse é o Lucas, parece que o pai dele não vai poder vir buscá-lo, ele pode ir com a gente?
― Claro! Oi, Lucas! Prazer, meu nome é Olívia, e eu sou a mãe do Rafael!
― Muito prazer, dona Olívia!
Ela era loira e parecia ser atraente. Não era à toa que seu filho tinha nascido um príncipe. Pelas joias e pelo carro, eles deviam ter bastante dinheiro… assim como todos dessa escola…
Expliquei para ela que morava na rua 2 e ela me levou até lá. Acho que finalmente eu tinha decorado o caminho… MENTIRA! Eu só fiquei admirando o Rafa durante o trajeto inteiro, nem me lembrei que ainda não sabia chegar em casa. Daí ela me largou na porta e eu me despedi dos dois.

⏩ O melhor site de desenhos animados pornô do 🇧🇷, HQs eróticas🔥

Avalie esse conto:
PéssimoRuimMédioBomExcelente
(Média: 3,67 de 12 votos)

Por #
Comente e avalie para incentivar o autor

7 Comentários

Talvez precise aguardar o comentario ser aprovado
Proibido numeros de celular, ofensas e textos repetitivos
  • Responder Ronaldo ID:xlorig8j

    Conto comprido e muito sem graça.

    • Anon ID:3ynzegw5qrk

      Teu cu.

  • Responder Anônimo ID:g3iq0i5d3

    Não vi nada de erótico neste conto vai passar 20 anos contando e nada de erótico kkk

    • Amigobc ID:muiq6p9v3

      Amigo vai chegar não vamos botar clichês para não perder a graça do conto

    • Dark boy ID:8ef6vikm9j

      Afim de bater uma bronha? Kkkk

  • Responder Seila ID:e243s2gzk

    Poderiam mostrar todos os contos em apenas uma conta para poder facilitar de todos lerem

    • Amigobc ID:muiq6p9v3

      Calma vai dar tudo certo amiga