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O menino dos olhos verdes 27 & 28

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Episódio 27 ― Sombras da Noite | Episódio 28 ― Luz Vermelha

Ele se virou para ir embora, mas…
― Arthur! ― Eu o chamei… tive que gritar baixinho, pois o Igor não sabia que estávamos espionando eles.
― Desculpa… gente… ― ele disse. ― Eu vou embora… desculpa! Não vi nada!
Ele tentou fugir, mas eu o agarrei pela camisa, o puxei com força e gritei baixinho:
― ARTHUR!
Ele me olhou de volta e disse:
― Ah… foi mal gente!
― O que você estava fazendo espionando a gente? ― Rafa disse ofensivamente.
― Calma! Calma! Rafa! ― Eu tentei acalma-lo.
― Eii! Já disse que foi sem querer! ― Arthur tentou se defender.
― Eiii! Gente! Vamos sair daqui antes que o Igor nos veja!
Olhamos para trás e o Igor e a Sarah ainda estavam nos amassos. Nós três saímos de fininho e, quando já estávamos longe de sermos vistos, nos levantamos e voltamos a andar normalmente. Daí, enquanto voltávamos para a escola, começamos a conversar.
― Certo… deixa eu ver se entendi… você e o Terráqueo?
― Sim… ― eu disse.
― Certo… há quando tempo? ― Ele perguntou.
― Quase um mês. ― Rafa respondeu.
― Hum… por que você nunca me disse nada? ― Ele perguntou.
Certo… eu pensei numa resposta… e pensei… e pensei… e pensei…
― Não sei… ― respondi por fim. ― Você sabe, gatinho?
― Gatinho? ― Arthur perguntou surpreso. Certo… tinha me esquecido que nunca tinha chamado o Rafa de gatinho na frente dele.
― Combinamos de namorar em segredo… ― Rafa disse. ― Ninguém poderia saber…
― Sou o primeiro? ― Arthur perguntou.
― Não… na verdade você é o terceiro… ― Rafa disse. ― O Igor e o Miguel também sabem…
― O Branquelo e o Hindu sabiam e eu não? ― Arthur disse surpreso.
― Eles descobriram semana passada… ― eu confirmei.
― Espera aí… então é por isso que você não quer pegar a Vicky? Você gosta de meninos! ― Ele concluiu.
― Dã! ― Eu disse.
― Cara… como eu não percebi isso! ― Arthur disse.
― Disfarçamos bem! ― Rafa disse.
― É verdade… ― ele concordou.
― Achei que você ia ser o primeiro a descobrir, Arthur… ― eu disse.
― Sério?
― Sim… você é a pessoa mais inteligente que eu conheço!
― Uou! Vai com calma aí, Olhos Verdes, ainda não jogamos xadrez.
― Hahaha… e nem vamos jogar! ― Eu disse rindo.
― Vamos sim! Hahaha… mas aí… e vocês se gostam, então?
― Sim… eu amo ele! ― Rafa disse abertamente.
― Ah… também te amo, gatinho! ― Eu disse.
― Eu hein… mas eu digo… é… como posso dizer isso?
― Fala… ― eu disse.
― ―
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― É que não sei se tô pegando direto…
― Como assim? ― Eu disse.
― Tipo… vocês sentem… atração… atração física… um pelo outro? ― Arthur perguntou curioso.
― Atração sexual? ― Rafa o corrigiu.
― É… ― ele disse tímido.
― Lógico, ué… estamos namorando faz quase um mês! Já até transamos… ― Rafa disse rindo.
Nessa hora o Arthur ficou de queixo caído. O Rafa não precisava dizer isso em voz alta… acho que ele não ia com a cara do Arthur mesmo… então eu fiquei morrendo de vergonha.
― Eita… ― Arthur disse. ― Tá bom, né…
― Mas e aí, Arthur… ― Rafa começou. ― Qual é a tua?
― Hã? A minha o que?
― Eu nunca te vi com uma menina… você também é chegado numa piroca?
Hahaha… meu deus! O gatinho não precisava falar desse jeito! Mas eu fiquei curioso para ver a resposta do Arthur.
― Não, não! ― Ele disse na defensiva. ― Eu gosto de meninas…
― Mas uma punhetinha com a gente… você topava, né? ― Rafa perguntou rindo.
Eu fiquei abismado com a cara de pau do gatinho! Meu deus! Já estava me dando vergonha alheia! Sexo era uma coisa que a gente fazia entre quatro paredes… e agora ele estava nos expondo assim para o Arthur… meu deus… eu queria morrer ali… mas também estava doido para ver a reação do Arthur.
― Hã? ― Arthur ficou confuso.
― Ah… pelo amor de deus… você já bate punheta, né? ― O Rafa disse e eu comecei a rir.
― Eu? ― Arthur perguntou assustado.
― Não, minha vó! ― Rafa disse. ― Sim! Você! Você já bate punheta, né? Pelo amor de deus!
― Já! ― Arthur confessou.
― Ah bom… que susto! ― Rafa disse. ― Então… sabe troca-troca? Faria com a gente?
― Troca-troca? ― Arthur perguntou mais confuso ainda.
― É… tipo… nós três juntos… eu faço pra você, você faz pro Lucas e o Lucas faz pra mim…
― Tá falando sério? ― Arthur começou a rir.
― Tô! Ei, Lucas! Você faria, não faria? ― O Rafa perguntou pra mim.
Olha… o Arthur era bem atraente… eu adoraria uma safadeza entre nós três… e já que o gatinho estava disposto… por que não?
― Com o gostoso do Arthur? ― Eu disse rindo. ― Topo demais!
― Ah lá, viu? ― Rafa disse seduzindo Arthur. ― É sério, pô! Nós três devíamos comemorar a vitória com o Igor! Ele tá lá dando uns pegas com a Sarah graças a gente! Tem jeito melhor para comemorar do que uma punhetinha?
Caraaaa… o Rafa era bom! O Rafa era muito bom nisso! Ele era um profissional em sedução!
― Eita… não sei… ― Arthur disse muito confuso. Ele não sabia se o Rafa estava falando sério ou se estava brincando com a cara dele.
Mas se fosse o mesmo gatinho safado com quem eu estava fazendo sexo todo final de semana… ele estava falando bem sério!
― É sério… promete que vai pensar a respeito, Arthurzinho? ― Rafa disse.
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― Eita… tá… é que… bom… foda-se… vocês já são meus melhores amigos mesmo… não tem porque esconder… é que eu nunca fiz nada com ninguém… ― Arthur admitiu.
― Ah… mas aí é melhor ainda… você vai ver quando a gente fizer você gozar!
Nessa hora o Arthur ficou tontinho… ele estava completamente desorientado… sem saber o que dizer e o que fazer… quem mandou ele se meter com a gente… quem mandou ele descobrir a verdade sobre nós… agora aguenta!
E qual seria essa verdade? Talvez eu e o Rafa estivéssemos viciados em sexo… talvez nosso amor inocente tinha se transformado numa tara sexual… talvez nós dois estivéssemos entrando na fase de procurar aventuras… talvez nós dois estivéssemos imparáveis… só tenho certeza de uma coisa: Éramos cumplices nisso… éramos melhores amigos… éramos namorados…
Eu o amava e ele me amava… e ninguém podia mudar isso! Ninguém! Nem Matheus, nem Arthur, nem Vicky e nem mesmo o Igor! E por que não nos aventurarmos no mundo desconhecido? Porque não expandirmos nossos horizontes?
Essa conversa que o Rafa teve com o Arthur… essa tentativa de sedução… me provocou uma epifania… fez meus olhos se abrirem para um novo universo de possibilidades sexuais…
Arthur não respondeu… apenas disse que não sabia de nada… talvez ele fosse hétero… mas que nós tínhamos conseguido chamar a atenção dele, nós tínhamos… daí acabamos chegando na escola… sentamos na calçada e ficamos batendo um papo lá…
Pelo menos a conversa se normalizou um pouco… quer dizer… continuamos falando sobre o nosso namoro para o Arthur… que se mostrou muito interessado… era coisa nova para ele… então… ele ficou bem exaltado…
Ele disse que era muito bacana a maneira como éramos melhores amigos… como podíamos contar um com o outro… o Arthur era um fofo! Awnn! Meu deus! Ele nos tratou tão normalmente… até demonstrou um pouco de safadeza quando começou a fazer perguntas sobre alguns detalhes mais picantes…
― Mas tipo… vocês o que? Se chupam? ― Ele perguntou curioso.
― Ah… eu já chupei o Lucas… e ele também já me chupou… ― Rafa respondeu.
― Eita…
― É bom… e não importa se você gosta de menino ou menina… ter uma boca chupando seu pau é uma das melhores sensações do mundo! ― Ele respondeu e já mandou uma indireta pra cima do Arthur.
― Imagino… ― ele disse tímido.
― É… mas você não precisa ficar imaginando… ― Rafa disse. ― Se quiser, estamos aí…
― Tô bem! ― Arthur respondeu na defensiva. ― Tô bem!
Hahaha… é… foi tipo isso… o Arthur perguntava alguma coisa e o Rafa já dava em cima dele… foi muuuuito engraçado os dois conversando. Eu só ficava olhando rindo de tudo… inconformado com a safadeza do meu gatinho.
Ficamos sentados na calçada da escola por mais uns trinta minutos, até o Igor aparecer com a Sarah de mãos dadas… eles estavam chegando do parque… foi muuuito bom ver o sorrisão na cara do Igor… e a Sarah sorria igualmente. Ah… era tão lindo eles juntos! Só não eram mais lindos que eu e o Rafa… Hahaha…
Eles estavam felizes da vida… daí o Igor abanou a mão pra gente e foi para dentro da escola… agora era vez deles namorarem… eles mereciam…
― Ah… agora que os pombinhos voltaram… acho que chegou minha hora de ir… ― Arthur disse.
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― Ei, Arthur… ― Rafa disse. ― Foi muito bom trabalhar com você essa semana… desculpa por não ir com sua cara antes… você é bem legal… você é amigo do Lucas e eu devia ter sido mais seu amigo…
Ele disse e estendeu os braços para o Arthur… daí eles se abraçaram… foi bom ver os meus dois melhores amigos fazendo as pazes e se entendendo… depois disso, o Arthur parou de chamar o Rafa de Terráqueo… só de vez em quando ele fazia isso… mas na maioria das vezes ele chamava o Rafa de… é… você vai achar bem ridículo… ele começou a chamar o Rafa de Olhos Azuis… Hahaha…
― E por falar nisso, Arthur, agora você é o único forever alone… ― Rafa disse. ― Precisamos dar um jeito nisso, né?
― Ah… por enquanto eu estou bem… ― ele disse rindo.
― É… mas a nossa proposta ainda está de pé… ― Rafa zombou dele.
― Eita… vou pensar a respeito…
Aí o Arthur foi embora… e, acontece que… tanto meus pais, quanto os pais do Rafa, achavam que a gente estava no futebol. Então tínhamos um tempinho livre ali na escola… aí resolvemos procurar o Bloco Leste… se é que você me entende…
Depois da nossa rapidinha no banheiro, fomos para um lugarzinho mais calmo na escola, para dar uma namoradinha… por ser o período da tarde, a escola estava vazia… as únicas crianças que estavam aqui, estavam jogando futebol… então a escola estava bem deserta.
Eu e o Rafa ficamos namorando e trocando carinhos até a hora de irmos embora. Acontece que eu recebi uma mensagem da minha mãe falando que ela não poderia me buscar, e ela me aconselhou a pegar carona com alguém. Eu disse que ia pegar uma carona com o Rafa…
Quando entrei no carro da mãe do Rafa, ela já veio logo me mimando:
― Ahhhh! Olha o Luquinha aí! Como tá, meu amor? ― Ela disse.
― Oi, mãe do Rafa! Estou bem!
Ela riu quando eu a chamei de mãe do Rafa… Hahaha…
― Hoje o fofinho vai lá pra casa? ― Ela perguntou para mim.
― Ah, tia Olívia, hoje não… o Rafa se cansou de mim! ― Eu disse brincando.
― O que? O Rafael se cansou de você??? Ah… não tem problema não! Esse Rafael é um chato! Você podia ir lá jogar Call of Duty comigo!
― MÃEEEE! ― O Rafa gritou irritadíssimo. Hahaha… era legal provocar o gatinho junto com a mãe dele. Hahaha… ela era muito gente boa!
Muito gentilmente, ela me deixou na porta de casa. Eu agradeci a carona e me despedi dela e do meu gatinho. Daí eles foram embora.
Estranhei o fato de ter um carro parado na porta da minha casa. Era raro termos visita. Será que tínhamos visita?
Sem fazer barulho, eu abri o portão de casa e entrei sorrateiramente. Eu fui andando agachado até alcançar a porta. Quando ouvi vozes, eu reconheci imediatamente a pessoa que estava falando. Era um amigo do meu pai… o Carlos… ou Carlão… como o chamavam…
Carlão era um sujeito quarentão com uma barriga de cerveja enorme… era careca na parte de cima da cabeça e usava um bigodão de major da segunda guerra mundial… sem falar que ele tinha os braços muito peludos. Ele trabalhava na mesma oficina mecânica que meu pai. Para falar a verdade, eu nem tinha muito interesse nas conversas dele com meu pai… eles sempre discutiam sobre futebol… então, eu nunca liguei para o que eles conversavam… até ouvir eles citarem meu nome na conversa.
― Ah… é que o aniversário do Lucas está chegando e eu queria fazer uma surpresa para ele… ― Ouvi meu pai dizendo, daí não tinha como não terminar de ouvir o resto!
― ―
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Bom… acontece que, meu aniversário seria domingo agora… sim… dia 14 de outubro… sim… faço aniversário perto do dia das crianças… sim… motivo pelo qual eu nunca ganhei presente de dia das crianças… quer dizer… eu sempre ganhei um presente só… mas se meu aniversário fosse em qualquer outra data, eu teria direito de ganhar dois presentes! Mas como eu não sou uma pessoa materialista… então…
Sim… sou de Libra, se você está se perguntando isso… sou um verdadeiro filho do espírito de Dohko. Hahaha… enfim…
Não pude deixar de ouvir o que meu pai e o Carlão estavam discutindo… então fiquei agachado atrás da porta ouvindo…
― Eu queria dar um presente inesquecível para ele… se é que você me entende…
Carlão ficou em silêncio por um momento até soltar um gemido de exclamação:
― Ahhhhhhhhhh! Porraaaa! Você procurou o cara certo!
― É… o Lucas… ah… nem sei desse meu filho, viu! Parece que ele não firma o pulso!
― Hahaha… nada que um chá de buceta não resolva!
Putz… nessa hora eu fiquei muito preocupado… meu coração começou a se acelerar e uma tristeza e um arrependimento começaram a tomar conta do meu corpo. Cara… cara… o que eu tinha acabado de ouvir… não… não… meu pai não faria isso comigo…
Sério que meu pai queria… queria me dar uma profissional de presente? Cara… ia ser o pior presente do mundo! Deu um aperto no meu coração e eu quis morrer.
― Olha, meu filho, o Douglas, também tava dando uma desmunhecada… sabe? Ele tá com treze anos agora… e ele só queria saber de brincar e de ficar de viadagens por aí… sabe? Sair para namorar as meninas que era bom… nada… lembra do nosso tempo?
― Ôh se lembro! ― Meu pai disse. ― Na idade do Lucas eu já estava com minha terceira namorada! Tirei a virgindade das três! Mas parece que nem beijar uma menina ele já beijou!
― Então… e esse meu filho, o Douglas, tava do mesmo jeito… não queria nem saber de menina! Daí eu levei ele pro Albertina… e olha… foi um sucesso! Depois dessa noite, a única coisa que ele queria saber era de ficar atrás de um rabo de saia! E, vez ou outra, ele me pede pra levar ele lá de novo… o garoto gostou tanto que agora só quer saber disso!
― Hahaha… é exatamente isso que eu pretendo fazer com o Lucas!
Putz… tinha acabado de levar outra facada no peito. Eu, que antes estava agachado, já tinha caído no chão para procurar um apoio fixo. Minha pressão caiu e eu não queria mais ouvir nenhuma palavra desses dois, mas eu não conseguia sair… eu não conseguia parar de ouvir…
― É… vamos ver se vai funcionar com o meu…
― Vai funcionar sim! Eu tenho certeza disso! O Douglas me disse que arrumou uma namoradinha esses dias… e você acredita que ele já tirou o cabaço dela?
― Não brinca! ― Meu pai disse.
― Sim! Meu garoto já é um profissionalzinho! E o bom de levar eles para esses lugares, é que eles aprendem a comer direito! Eu lembro na minha primeira vez que eu não sabia nem onde enfiar! Já o Douglas… comeu tão bem a namoradinha dele que agora ela só quer saber de dar para ele! Ele tava comendo ela todo dia! Ela é bem putinha mesmo! Só quer saber de dar pra ele agora… e tudo que ele aprendeu, foi no Albertina!
― Puxa! ― Meu pai exclamou.
― Sim! ― O Carlão concordou.
― Mas então… será que a gente consegue levar ele lá amanhã? Você pode levar o seu filho também… daí nós vamos juntos!
― Pode ser! Eu vou ligar para o gerente lá e combinar que a gente vai levar nossos garotos… ele já reserva as melhores para eles!
― Fechou!
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Nessa hora eu estava caído no chão… branco e sem sangue. Eu estava suando frio. Eu não queria ir num puteiro! E eu tinha acabado de ouvir meu pai combinar com o maldito Carlão!
Eu me levantei sorrateiramente e saí de casa. Eu fui lá pra fora, na rua, e joguei minha mochila no chão. Caí de quatro no meio da calçada… senti meus joelhos arderem e meus olhos lacrimejarem… senti também um aperto muito forte no coração e uma coisa estranha no peito. Não… isso não estava acontecendo… por que meu pai fazia isso comigo?
Não sei o que foi pior… ouvir ele falando que ia me levar num puteiro ou ouvir ele falando que eu não firmava o pulso… machucou muito… machucou demais… como ele poderia tolerar meu namoro com o Rafa assim?
Por que ele não era como o Igor e como o Arthur? Que entendiam! Por que ele tinha que me fazer passar por isso? Não cara… não…
Me sentei na calçada e passei a mão no rosto, para tentar me recompor. Merda… eu ainda tinha que entrar em casa e enfrentar o olhar dos dois! Ah… merda… cara… onde o Rafa estava nessas horas? Para me apoiar?
Tentei limpar meus olhos, peguei minha mochila e abri o portão de casa, dessa vez fiz barulho propositalmente. Caminhei lentamente até a porta e abri. Quando entrei, o Carlão e o meu pai me olharam. Senti o peso do olhar deles… foi como se eu tivesse uma bigorna na cabeça e uma ancora nos pés… me puxando para baixo, mas busquei ficar em pé.
― Então… aí o André Santos marcou o último gol e o São Paulo acabou ganhando de dois a um. ― Carlão disse.
TÁ! ATÉ PARECE QUE VOCÊS ESTAVAM FALANDO SOBRE FUTEBOL!
― Ah… Lucas! ― Meu pai me cumprimentou. ― Se lembra do meu amigo Carlos? Da oficina?
― Ah… oi… ― eu disse timidamente.
― Vem cá me cumprimentar, moleque! ― Ele disse com uma risada grossa, homofóbica e com um tom de deboche.
Eu fui até ele e estendi a mão. Meu braço era fininho comparado com o dele… eu acho que o braço dele daria uns quinze do meu.
― Hum… aperta igual homem, rapaz! ― Ele disse rindo ironicamente de mim.
Eu quis chorar… mas apenas o cumprimentei o mais rápido possível e saí dali. Assim que saí da sala e cheguei no corredor, eu fui correndo para meu quarto. Entrei, tranquei a porta, joguei minha mochila no chão, apaguei a luz e fui correndo me jogar na minha cama. Abracei meu travesseiro e comecei a chorar.
Sabe quando dá vontade de chorar gritando? Sabe quando dá vontade de esgoelar e por pra fora sua raiva do mundo? Era o que eu queria fazer… eu abracei meu travesseiro bem forte e o mordi. Mordi para não gritar. Mas tive que gritar para não chorar. E tive que chorar para não sofrer. E nada deu certo… acabei gritando, chorando e sofrendo muito…
Cara… não… meu pai não podia fazer isso comigo! Era muito injusto! Era muito injusto! Como eu e o Rafa poderíamos namorar assim? Se ele está disposto a levar o filho no puteiro simplesmente porque ele não “firma o pulso”? Não… cara… não… eu não estava acreditando nisso.
E eu chorava muito… muito… eu tinha que fazer alguma coisa… eu tinha que fazer alguma coisa… mas… não tinha desculpa para não ir… quer dizer… tinha apenas uma… tinha apenas uma saída: Dizer a verdade…
Eu tinha que dizer a verdade… só assim eu não precisaria passar por isso… só assim… e alguma hora eu teria que assumir de qualquer jeito… em algum momento eu teria que contar… eu não podia esperar até crescer e sair de casa para assumir meu namoro com o Rafa… não… eu tinha que fazer alguma coisa… eu tinha que contar!
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Eu fiquei chorando ali no escuro até adormecer.
Acordei com o som de batidas na porta. Era minha mãe me chamando para jantar.
― Luuuuucas! Vem jantar, filho!
Acordei com uma terrível dor de cabeça pós choro e com meus olhos ardendo. O quarto estava escuro, mas meus olhos já tinham se acostumado com as sombras da noite. Me levantei e já estava bem mais calmo. Destranquei a porta do meu quarto e acendi a luz. Saí, fui no banheiro e lavei meu rosto. Eu já estava bem mais tranquilo… é o que eu sempre digo… nada que um coquetel de lágrimas e sonhos não resolvam.
Eu já estava me recuperando. Terminei de lavar meu rosto e fui para a cozinha. Meu pai e minha mãe estavam na mesa comendo. Eles estavam normais. Meu pai estava agindo como se nada estivesse acontecendo… como se estivesse tudo bem.
― Credo, Lucas… ― minha mãe disse. ― Que cara é essa?
― Ah… nada… ― eu disse.
― Seu aniversário está chegando… já sabe o que quer pedir? ― Minha mãe perguntou.
Nessa hora senti um amargo no peito. Cara… era impossível contar a verdade! Como eu poderia olhar nos olhos dos meus pais e dizer: Mãe… pai… sabem o Rafa? Que veio aqui? Então… estamos namorando…
Agora tudo parecia errado… agora tudo parecia diferente… era como se… eu estava me sentindo errado… não era certo namorar outro menino…
Uma única letra. Uma única letra mudava tudo. Se eu dissesse que tinha arrumado uma namorada, eles pulariam de alegria… mas se eu dissesse que tinha arrumado um namorado… não consigo nem imaginar a reação dos dois… uma única letra… uma única letra era capaz de mudar tudo.
Não tinha como contar… eu não tinha coragem… eu não conseguiria fazer isso sozinho… eu queria o Rafa… eu queria que o Rafa estivesse aqui comigo… eu queria estar segurando sua mão para contar… eu queria estar segurando sua mão para ouvir a bronca… eu queria que ele estivesse aqui do meu lado… para me apoiar… mas ele não estava… eu estava sozinho.
Daí eu simplesmente me sentei na mesa e me servi o jantar.
― Não sei ainda… ― respondi.
Eu queria que eles me entendessem! Era isso que eu queria como presente de aniversário! Ah… era tão difícil… tão difícil…
Comemos em silêncio. Assim que eu terminei de jantar voltei para meu quarto. Era impossível contar… eu não tinha forças… eu não tinha coragem… tudo parecia tão mais fácil dentro do meu quarto… mas lá fora… na vida real… sempre era mais difícil… o modo como meu pai me olhava… eu podia jurar que ele ia sentar a mão na minha cara se eu dissesse que gostava de meninos…
Apaguei a luz e voltei a me deitar na cama… eu pensei em ligar para o gatinho… mas nem vontade eu tinha… eu só queria chorar no escuro… sozinho… junto com as sombras da noite.Acordei no outro dia, sábado, por volta das dez da manhã. O dia estava escuro. O céu estava nublado, tinha cor de chumbo e estava doido para chorar. Somente as gotas mais atrevidas de água se desprendiam do céu e se atiravam na imensidão do vazio, para se transformarem em lágrimas de chuvas. Não fazia nem calor nem frio… era um dia vazio de emoções.
Meu pai não estava em casa… sorte a minha… na verdade, ele não deu as caras aqui em casa o dia inteiro… diferente do Matheus. Quando eram umas duas da tarde, ouvi Matheus chamar no portão.
― MÃE! ― Eu gritei. ― Fala pra ele que eu não estou em casa! ― Disse para ela.
Eu ainda estava evitando o Matheus… desde aquele dia… desde aquele dia eu não conseguia mais olhar na cara dele… não depois de ter levado ele para o mal caminho. Então… sempre quando ele aparecia aqui em casa, ou eu fingia não estar, ou dizia que tinha que sair… e eu estava evitando ele até hoje.
Minha mãe perguntou se estava tudo bem entre a gente. Eu respondi apenas que não estava a fim de ver ninguém hoje. Daí ela foi lá despistar o Matheus para mim. Obrigado mãe!
Bom… eu fiquei o dia inteiro no computador… tentando distrair a cabeça. Quando eram umas oito da noite, ouvi um carro parar em frente a nossa casa… eu sabia que era meu pai… e eu sabia que, com ele, vinham péssimas notícias… pelo menos para mim…
Ouvi vozes na sala. Reconheci a voz do meu pai, do Carlão e de um garoto, que provavelmente seria o filho do Carlão, o Douglas. Me deu uma sensação muito ruim quando ouvi essas vozes… era como se meu tempo estivesse acabando… eu estava muito nervoso… era isso que eu estava sentindo… eu estava nervoso.
Depois de alguns minutos meu pai abriu a porta do meu quarto. Eu gelei. Quando olhei para o lado, vi ele, o Carlos e o Douglas invadirem minha privacidade e entrarem no meu quarto sem a minha permissão.
― Oi… Lucas… filho… posso conversar com você um minuto? ― Meu pai disse.
Eu minimizei minha construção no Minecraft e girei minha cadeira, para ficar de frente com eles. O Carlão se sentou na minha cama e o Douglas ficou mexendo nas minhas coisas. Ele era um garotinho gordo e cheio de espinhas na cara… e não parecia ser nada amigável ou simpático. Parecia ser uma versão miniatura de seu pai. Meu pai se ajoelhou do meu lado, colocou a mão no meu joelho e disse.
― Ei… filho… quero te fazer uma proposta…
Merda… eu não acredito que isso estava acontecendo. Meu coração disparou.
― Amanhã é seu aniversário, certo? Você vai fazer doze anos.
Eu fiz que sim com a cabeça, vendo aonde ele queria chegar.
― Então… eu queria te dar um presente de aniversário… e eu não faria isso se achasse que você não está pronto, okay?
― O que quer dizer? ― Eu perguntei.
― Bem… eu e o Carlão vamos te levar numa… casa de shows… você sabe o que isso quer dizer?
Eu fiz que sim com a cabeça… eu estava assustado… eu estava nervoso e com medo.
― Certo… e lá você vai poder escolher uma mulher para experimentar… você sabe o que isso significa?
Eu queria chorar ali mesmo ao ouvir isso, mas eu me segurei e fiz que sim com a cabeça.
Talvez, se estivesse somente eu e meu pai, conversando de pai para filho, talvez, eu conseguisse criar coragem para dizer ‘não’… mas com o Carlão ali do lado… eu tinha medo dele…
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eu tinha medo da reação que ele teria se eu negasse… mesmo sabendo que ele não poderia fazer nada contra mim… eu tinha medo de ouvir o que ele tinha para dizer, caso eu dissesse que ‘não’. Então, a única coisa que eu conseguia fazer era ouvir o que meu pai tinha para dizer e assentir com a cabeça.
― Certo… mas sua mãe não pode saber disso, okay, filho? Ela não vai dormir aqui hoje, ela foi num jantar na casa da amiga dela e vai ficar por lá a noite toda.
Eu apenas fiz que sim com a cabeça novamente… sem conseguir falar uma palavra. Parece que eu tinha ficado mudo… parece que tinham roubado minha voz.
― Certo… o Douglas já foi lá… você não precisa se preocupar… não é, Douglas? ― Meu pai perguntou.
― SIM! ― O garoto horroroso disse. ― É muito bom lá… você vai gostar.
― Daqui a pouco saímos, tudo bem pra você, Lucas? ― Meu pai perguntou e eu fiz que sim com a cabeça.
Quando meu pai estava saindo do quarto, eu disse:
― Pai!
Ele olhou para trás e eu disse:
― Podemos conversar um minuto? A sós?
― Claro… vem cá filho…
Eu e ele fomos até seu quarto. Aí eu comecei.
― Pai… me desculpa… ― eu disse. ― Eu não quero!
Nessa hora ele se ajoelhou na minha frente e disse.
― Mas filho! Por que não? Você acha que não está pronto?
― Não sei… pai… ― eu disse sentindo meu peito se apertar contra mim mesmo.
― Lucas… claro que você está pronto! Eu não faria isso se não soubesse! Vamos! Vai ser bom pra você, filho!
A vontade de contar a verdade saiu do meu estômago e ficou presa na minha garganta. Tentei vomita-la para meu pai… mas não conseguiu… ficou presa… ficou entalada. Ficou entalada junto com a dor que estava sentindo…
― Lucas! Você vai gostar! Eu prometo! Não vamos desfazer com o Carlos agora! Já tínhamos combinado tudo! Lucas! Acredite em mim! Você está pronto! Você vai gostar! Eu prometo! Vamos! Coragem, garoto! Vamos!
― Tá… ― eu disse depois de desistir de falar a verdade. ― Eu vou.
― Esse é o meu garoto! Vem… vem cá! ― Ele disse e me deu um abraçado. ― Vai se trocar então…
Depois, nós dois saímos do quarto e ele fez um joia para o Carlão. Voltei para meu quarto e encontrei o Douglas lá.
― Lucas, né? ― Ele disse.
― Sim… ― respondi timidamente.
― Aí… eu já fui no Albertina… lá é muito bom!
Eu fiquei em silêncio e o encarei com cara de psicopata.
― Você ainda é virgem, né? ― Ele disse tentando me provocar.
― Sou. ― Menti. Ele não precisava saber de nada.
― Então… a primeira buceta a gente nunca esquece… ― ele disse se sentindo o comedor.
Eu não respondi. Apenas fiquei em silêncio. Daí voltei a abrir o Minecraft e retomei a construção do meu castelo.
― Aff… você ainda joga Minecraft? ― Ele disse.
― Sim… o que tem? ― Perguntei.
― ―
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― Você tem o que? Sete anos?
― Tenho onze. Você queria que eu fizesse o que? ― Fiz uma pergunta retórica.
― Coisa de homem! Não coisa de veadinho!
― Minecraft não é de veadinho! ― Defendi meu jogo.
― É sim! Você só fica botando um monte de blocos em cima do outro! Você devia jogar futebol! É menos gay e as meninas adoram! Elas ficam olhando para você!
― Eu jogo! ― Eu disse tentando me defender.
― Futebol? Tô falando futebol de verdade, não no computador. ― Ele disse me provocando.
Aff… esse menino estava me tirando do sério.
― E você joga? Porque pelo visto parece que você tá precisando dar uma corridinha. ― Eu disse zombando de seu peso. Ele que tinha começado! Não era culpa minha!
― Pelo menos eu já comi mulher! E você? Seu veadinho! Boiola!
Nessa hora eu me levantei da cadeira do computador e dei um empurrão nele. Ele foi para trás e gritou:
― AAHHHH! PAAAAAAI!
Aff… sério? Sério que ele ia chamar o papai? Ele tinha duas vezes o meu tamanho e eu nem sou de brigar… nem sei de onde tinha tirado forças para avançar para cima dele. Só sei que o garoto gelou. Ele era só uma criança mimada achando que era superior por já ter comido uma buceta.
Nessa hora nossos pais entraram no quarto e perceberam nosso desentendimento.
― Meninos! ― Meu pai gritou. ― Parem de brigar! Andem! Vamos logo! Já está na hora! Lucas! Vai se trocar!
Nessa hora meu pai e Carlão saíram do quarto. Daí, quando nós dois estávamos saindo, ele olhou para mim e cuspiu uma ofensa:
― Veadinho!
Eu me irritei e disse:
― Pelo menos eu não chamo meu papai.
Ele ficou furioso e saiu. Eu troquei de roupa, vesti uma calça jeans e um tênis e saí. Nós dois fomos para fora de casa e entramos no carro do Carlão. Ele ia dirigindo, meu pai foi no banco do carona e eu e o Douglas entramos atrás. Eu fiquei o mais distante o possível do garoto. Moleque chato do caralho…
E daí o Carlão deu partida e saiu. Essa, sem dúvida, foi a pior hora. A hora em que eu estava no carro. A hora em que eu pensava enquanto olhava pela janela.
Fiquei olhando pela janela enquanto algumas gotas de água atingiam o vidro do carro. Estava chovendo… era uma chuvinha rala e fraca. E, quanto mais o GPS acusava de estarmos chegando no destino, mais eu ficava nervoso.
Pegamos a estrada e começamos a nos afastar da cidade de Ribeirão Preto. Durante o caminho, eu fui tentando me acalmar. Tentei pensar no Rafa… esse pensamento me acalmava… tentei me lembrar do dia no parque… em que ele segurou minha mão…
Segurei minha própria mão e imaginei o Rafa aqui comigo… imaginei ele dizendo que estava tudo bem.
Depois de alguns minutos na estrada, eu pude contemplar um grande letreiro de neon vermelho e branco dizendo: Boate Baton Rouge… e logo embaixo estava escrito Chácara Albertina. Também pude ouvir uma música eletrônica abafada tocando.
Carlão estacionou o carro e disse com uma voz grossa e séria:
― Chegamos.
― ―
199
Nessa hora todos desceram do carro. Eu contei até três e abri minha porta. Desci e segui eles. Eles foram andando em direção ao clube. Na porta, tinham alguns casais se pegando, algumas pessoas fumando e outras conversando. Nós quatro fomos até a portaria e o segurança nos barrou imediatamente.
― Vocês estão de brincadeira comigo, né? ― Um bruta negão de dois metros disse com os braços cruzados. ― Querem que eu chame a polícia?
Putz! Graças a deus! Não acredito que no final do dia, esse bruta negão ia salvar minha vida… obrigadooo! Obrigadooo! Ah… eu estava bem mais aliviado agora… até esbocei um sorriso.
― Eiii! ― Douglas disse. ― Eu já vim aqui! Deixa a gente entrar!
― Você nem saiu das fraldas, moleque. ― O segurança respondeu e ficou encarando o moleque com a cara fechada e com os braços cruzados.
― Ei! Olha como fala com meu filho! ― Carlão reclamou. ― Chama o gerente! Agora! Anda! ― Aff… inacreditável.
Nessa hora um sujeitinho de terno e gravata apareceu na porta.
― Senhores, senhores! O que está acontecendo aqui? Ah… se não é meu amigo Carlos!
E eles se abraçaram… merda… esse devia ser o gerente…
― Como vai, Billy? ― Carlão disse para o gerente.
― Vou bem, vou bem! Ei… Ronaldão, está tudo bem. ― O gerente disse para o segurança.
Em seguida ele olhou para o Carlão e disse:
― E aí, trouxe o que combinamos?
Carlão entregou um envelope para ele. Ele abriu e deu uma checada… devia ser dinheiro… aff… não acredito que ele e meu pai estavam jogando dinheiro fora num puteiro. Daí o gerente retirou do envelope três notas de cem reais e entregou para o segurança. Depois olhou para Carlão e disse:
― Ah… ele é novo aqui… ainda está aprendendo como as coisas funcionam.
O segurança sorriu e disse:
― Sejam bem-vindo, senhores. E desculpem qualquer incomodo. ― Aí ele abriu o portão e nos deixou passar.
Entramos na casa de shows e estava bem movimentada. A primeira coisa que senti foi um cheiro horrível de cigarro, charuto, sei lá… a música estava bem alta e eu reconheci ser um remix da música Gimme More da Britney Spears.
O ambiente era iluminado por uma luz vermelha e eu logo pude ver um palco com alguns paus de pole dance. E neles tinham algumas dançarinas dançando e se esfregando sexualmente.
Em volta do palco tinham vários homens botando dinheiro nas calcinhas das mulheres. Elas usavam máscaras e subiam e desciam loucamente no pau de ferro.
Tinham algumas garçonetes vestindo apenas lingerie e máscaras e estavam servindo drinks. Uma passou por nós e meu pai e o Carlão pegaram uma tacinha e brindaram. Estava um cheiro muito forte de cigarro, sexo e whisky no ambiente.
As pessoas começaram a olhar para mim e para o Douglas. Éramos as únicas crianças do local. Eu estava observando todo mundo. Olhava para todos os rostos. Pude até jurar que um cara abanou a mão para mim e deu uma piscadinha…
Demos uma volta pelo local, fiquei observando tudo impressionado e assustado… era a primeira vez que eu entrava num clube assim… mas a única coisa que eu curti foi a música… o pesado timbre do som do deep house. Aí eu vi o gerente conversando com o Carlão, tentei ouvir, mas a única coisa que consegui pegar foi:
― Escolhemos as melhores para eles…
― ―
200
Ai merda… nessa hora meu coração começou a se acelerar. Carlão conversou mais um pouquinho com o gerente, depois falou com meu pai. Aí meu pai veio falar comigo:
― Filho… agora você vai com o Billy… o gerente… okay? É só seguir ele! Boa sorte, você dá conta disso… se eu achasse que você não desse, eu não te traria aqui, okay?
Eu fiz que sim com a cabeça, virei as costas para ele e fui até o gerente. Ele foi na frente e eu e o Douglas fomos seguindo ele. Olhei para trás, para suplicar misericórdia para meu pai, mas ele não estava mais me olhando… ele tinha se perdido observando as dançarinas…
Eu e o Douglas fomos seguindo o gerente até chegarmos em um lugarzinho mais reservado. Era uma salinha com um sofá em forma de L e várias almofadas no chão. O ambiente era iluminado por uma luz roxa e tocava a mesma música do salão.
Fiquem à vontade, meninos… as garotas já vão chegar. Ele disse e fechou a porta. Nessa hora eu olhei para o Douglas e ele tinha ido se sentar no sofá. O que? Será que eu teria que fazer aqui com ele? Não… eu não ia fazer na frente desse moleque desgraçado. Eu cruzei os braços e disse:
― Não vou fazer aqui com você olhando.
― Fazer o que? ― Ele perguntou. ― Aff… seu idiota! Nem eu! Nós não vamos comer elas aqui! Elas só vão vir aqui pagar uma dança pra gente… depois você escolhe uma e leva para o quarto. É assim que funciona! Aff… cabaço é foda…
Aff… eu fiz cara de bravo e me joguei no sofá, ficando o mais afastado dele o possível. De repente a porta se abriu e entraram algumas garotas… quatro, no total… estavam todas vestindo roupas de prostitutas… com espartilhos, meias hachuradas e tudo mais… elas entraram dando risinhos.
Mas uma ficou presa na porta… eu pude ver que ela estava brigando com o gerente. Tentei fazer leitura labial, e foi isso que consegui entender:
― Eu não vou lá! Eles são crianças! Você quer que eu vá presa?
― Justine! Justine! Qual é! Ninguém vai saber disso! Anda logo! Você me deve essa!
E o gerente deu um empurrãozinho nela e fechou a porta. Ela tentou sorrir para gente… mas o único sorriso que não era uma mentira ali naquela sala, era o do Douglas. Esse sorria feliz da vida.
Daí as mulheres começaram a dançar… eu não conseguia olhar diretamente nos olhos de nenhuma… eu só estava ali quieto com a cara fechada. Daí uma começou a dançar no colo do Douglas… e ele começou a passar a mão na bunda dela.
― Ahhh… sua gostosa! ― Ele disse.
Duas delas vieram para cima de mim e começaram a passar a mão no meu corpo… eu me senti muito desconfortável, mas não impedi. Uma passou a mão nas minhas partes íntimas e deu uma puxadinha. Bom… obviamente eu estava duro… não é porque eu não sinto atração em meninas e estou assustado que meu pau não vai subir! Ainda mais com um carinho extra… eu tenho onze anos, porra! Meu pau sobe pra qualquer coisa!
E as mulheres ficavam rindo enquanto passavam as mãos em mim. Somente aquela garota… a Justine… estava ali sem graça no canto… dançando sem vontade… e com um sorriso falso no rosto.
― Pode passar a mão, Lucas… elas não mordem! ― Douglas falou debochando.
― Só se você pedir, fofinho! ― Uma disse.
Douglas tratou logo de escolher a dele… disse que queria a mais bunduda dali… e saiu da sala de mãos dadas com ela. Daí as três moças que sobraram vieram me assediar…
― E aí bonitão! Qual de nós vai ser?
― Ah… me escolhe, vai!
― Me escolhe, me escolhe!
― ―
201
Eu olhei para o canto da sala e vi que a Justine estava ali parada em pé… daí eu disse:
― Eu quero ela.
As três não ficaram felizes com a minha escolha… disseram alguns nomes sujos, chamaram ela de piranha e saíram. Justine ficou assustada com a minha escolha… ela nem tinha tentado me seduzir e fora escolhida… daí ela se aproximou de mim, pegou na minha mão e foi me conduzindo para fora daquela sala.
Ela me levou para um corredor assustador. Tinham várias portas, era iluminado por uma intensa luz vermelha e nesse corredor ecoavam gemidos. Cada uma dessas portas, dava para um quarto. E em cada quarto desses, haviam pessoas fazendo sexo. Dava para ouvir… dava para ouvir tudo…
Justine foi me levando pela mão enquanto passávamos pelo corredor do inferno ouvindo os gemidos.
― Ahhhhh! Ahhhhh! Me fode! Me fode! Ahhhhhh!
― Ohhh! Meu deus! Me come!
― AHHHHHHH! AHHHHH!
Passamos por uma porta aberta e eu dei uma espiadinha. Um homem fodia uma puta violentamente ali na cama… e os dois gritavam e estavam molhados de suor… ou de óleo… não tinha como saber… me assustei com essa cena e tentei não olhar mais.
Continuamos caminhando pelo corredor ouvindo gritos de dor e gemidos de prazer. O cheiro de sexo tinha piorado… e junto com ele, eu podia sentir um forte perfume feminino nesse ambiente hétero-erótico. Caminhamos até pararmos na frente de um quarto com a porta aberta… só que dessa vez ele estava vazio.
― Chegamos… ― ela disse.
Eu entrei e dei uma boa observada no quarto. A luz do quarto era vermelha. Tinha uma cama de casal e, do lado dela, tinha um criado-mudo cheio de produtos em cima. No quarto também tinha um chuveiro… estranho né? Um chuveiro sem porta, sem nada… como alguém podia tomar banho com outra pessoa estranha olhando? E no quarto também tinha um espelho enorme no teto… bem em cima da cama.
Eu entrei primeiro, depois ela entrou e fechou a porta.
― Fica à vontade… garoto… ― ela disse para mim e apontou para a cama.
Eu fui até lá e me sentei. Daí ela começou a dançar para mim.
― Por que as meninas te xingaram? ― Eu perguntei.
― Hã? ― Ela perguntou inconformada com a minha pergunta.
― É… ali atrás… elas te xingaram quando eu escolhi você… elas não gostam de você?
― Aff… cuida da sua vida, pivete! ― Ela disse para mim e parou de dançar.
― Desculpa… não quis ser intrometido… é que… eu sei como é quando as pessoas não gostam de você… e desculpa também por te fazer passar por isso… se não quiser não precisamos fazer nada…
― O que?
― É… se você não quiser, não precisamos fazer… quanto tempo temos aqui? Uma hora? Podemos esperar… eu não ligo… ― confessei.
― O que? Qual é a sua, garoto?
― É… eu vi que você estava brigando com seu chefe ali atrás… eu sei que sou criança… não sou burro… e nem tarado… estou aqui porque meu pai me obrigou… se você não quiser fazer, eu entendo completamente… podemos esperar o tempo passar aqui sentados…
― Isso é sério? ― Ela perguntou duvidando de mim.
― Sim… ― eu disse.
― Bom… isso é novo pra mim… ― ela disse surpresa.
― ―
202
― Pois é… ― eu disse.
― Ah… as meninas me xingaram ali atrás porque não vão com a minha cara… sem falar que você vale muita coisa, sabia? As garotas que vocês dois escolhessem, você e seu amigo, ganhariam muito dinheiro.
― Como assim?
― Só por eu estar nessa sala com você, eu posso pegar até oito anos de cadeia, menino! Isso é abuso infantil! Por isso o gerente pagaria muito bem para a garota que vocês escolhessem!
― Então você vai ganhar uma bolada?
― Vou.
― Entendi… ― eu disse.
― É… mas já que você está aqui… por que nós não… ― ela sugeriu.
― Ouh… não… não precisamos fazer isso, se não quiser… ― eu disse.
― Temos que fazer! ― Ela disse. ― Se ele souber que eu…
― Justine! ― Eu disse. ― É Justine seu nome, né? ― Perguntei.
― É… ― ela disse.
― E o meu é Lucas… Justine! Ninguém vai saber que nós não transamos! Se eu contar, eu estarei tão encrencado quanto você!
― Bom… certo… então… mas você é diferente da maioria dos homens…
― É porque… ― eu disse, mas logo me calei.
― O que? ― Ela perguntou.
― Posso te contar um segredo? ― Perguntei.
― Um segredo?
― É…
― Fala…
― Promete que não conta pra ninguém? ― Eu perguntei.
― Prometo… aonde você quer chegar? ― Ela perguntou.
― Ah… é que eu gosto de meninos… ― confessei.
Ela colocou a mão na testa e disse:
― Tá explicado… poxa… porque não disse logo?
Aí ela se sentou na cama do meu lado e disse:
― Você tá mentindo!
― O que? Por que eu mentiria? ― Perguntei inconformado.
Aí ela pegou nas minhas partes íntimas e percebeu que eu estava duro.
― Ah… mas acontece! ― Eu disse. ― Tenho onze anos… quer dizer… quase doze… amanhã é meu aniversário…
― Tá brincando?
― Olha, não sou um mentiroso! ― Eu disse já irritado por ela não acreditar em mim.
― Tá… tá… eu acredito em você…
― Obrigado, Justine… ― eu disse.
― Ah… meu nome não é Justine…
― Não? ― Perguntei confuso.
― Não… esse é o meu nome de guerra… as garotas de programa têm que inventar um para não serem perseguidas depois… meu nome de verdade é Mayara…
― Nome bonito… e quantos anos você tem? ― Perguntei.
― Vinte um. ― Ela respondeu.
― Nossa… você é muito nova… por que está nessa vida?
― Ah… eu preciso conseguir dinheiro para sustentar minha irmãzinha… ela tem seis anos… ― ela confessou.
― ―
203
― Hum… ― eu disse. ― Entendi… e você joga Minecraft? ― Perguntei.
Só que ela começou a rir e eu não entendi o porquê.
― O que foi? ― Perguntei.
― Sabia que você é muito fofo? ― Ela disse.
Eu apenas sorri.
― É sério… você é bonitinho… fofo e ainda por cima é um cavalheiro…
― Obrigado… ― eu disse tímido.
― Quer saber? ― Ela disse. ― Por que não damos um jeito nisso aqui?
Daí ela apertou meu pinto e mordeu os lábios… eita… okay…
Ela se levantou, ficou na minha frente e me empurrou para que eu caísse na cama. Eu fui andando para trás com os cotovelos até apoiar minha cabeça no travesseiro. Ela subiu em cima de mim e botou a xaninha dela bem em cima do meu pau. Em seguida agarrou minha camiseta por baixo e puxou. Era um caminho sem volta. Daí eu ergui os braços para deixar ela retirar minha camiseta. Nessa hora vazou um pouco de pré-porra pela cabeça do meu pau.
Ela passou a mão no meu peito e andou para trás. Em seguida, ela desfez os nós dos meus cadarços e retirou meus dois tênis. Depois ela desafivelou meu cinto, desabotoou minha calça e baixou meu zíper. Senti suas mãos frias percorrem meu peito. Ela tinha unhas grandes e estavam tingidas com esmalte vermelho.
Ela agarrou minha calça e começou a puxar… ela foi puxando lentamente e eu levantei meu corpo um pouquinho, para facilitar. Daí eu fiquei apenas de cueca e meias em cima da cama do motel. Olhei para cima e vi meu reflexo… vi o reflexo da minha ereção que estava escondida embaixo da minha cueca.
Daí ela se sentou com sua xaninha bem em cima da minha ereção. Eu a olhei nos olhos e ela mordeu os lábios novamente. Daí ela pegou minhas duas mãos e colocou em seu corpo. Eu senti sua pele suave e macia e vi ela se arrepiar com meu toque.
Ela segurou meus pulsos e foi guiando minhas mãos pelo seu corpo… até botar as duas em seus seios. Eu apertei sua carne e pude ver que seus seios eram meio moles e gelatinosos. Ela desabotoou seu sutiã e deixou seus peitos de fora. Novamente, ela pegou minhas mãos e botou em seus seios. Depois ela pegou meus dois dedos indicadores e começou a fazer movimentos circulares em volta do biquinho de seu peito com eles. Eles estavam acesos.
― Awhhhhh! ― Ela suspirou.
Daí eu senti minha cueca ficando molhada. Quando olhei para baixo, percebi que a bucetinha dela estava vazando uma aguinha em cima de mim… ela pegou minha mão direita e a levou até sua xoxotinha. Eu encostei meus dedos em sua parte íntima e percebi que estava bem quente e molhadinha. Daí ela se levantou, tirou sua calcinha e seus meiões e agarrou minha cuequinha.
― Vamos ver o que você tá escondendo aí… ― ela disse e puxou minha cueca.
Ela liberou meu pinto e eu até fiquei com um pouquinho de vergonha… eu só tinha dez centímetros… e, de acordo com minhas pesquisas safadas na internet, eram necessários no mínimo dez centímetros para provocar um orgasmo numa mulher. Então eu estava bem no limite… Hahaha…
Daí ela se ajoelhou em cima de mim, pegou meu pinto e começou a esfregar em sua bucetinha… cara… isso era muito bom… senti seu liquido vaginal escorrer pela extensão do meu pênis e me lubrificar.
Era bem fluído… tinha a mesma cor e o mesmo brilho da minha pré-porra, embora a textura fosse bem diferente… tanto a minha pré-porra, quanto a do Rafa, eram bem grudentas… bem viscosas… mas o fluido vaginal não… se parecia mais com água do que com pré-porra… e também não tinha cheiro nenhum…
― ―
204
Foi aí que ela foi se sentando e introduzindo meu pinto dentro dela. Eu olhei para baixo e vi ele entrando… sua xoxotinha era lisinha, sem pelos e tinha os lábios bem avermelhados. Fui sentindo meu pinto entrar enquanto revirava os olhos de prazer… era bom…
Era mais quente que o cúzinho do Rafa… e a mucosa interna lembrava muito a mucosa da boca… tipo o interior de uma bochecha… ela enfiou meu pinto todo e soltou um gemido.
― Ahhhhhhhh!
Daí ela começou os movimentos de vai e vem em cima de mim. Ela colocou minhas duas mãos em suas coxas e colocou suas mãos em meu peito… e ficou passando a mão.
― Ahhhh! Ahhhh! ― Ela começou a gemer.
Aí ela começou a rebolar em cima de mim. Eu comecei a ficar doido.
― Espera! ― Ela disse. ― Quantos anos você disse que tinha mesmo?
― Onze. ― Respondi.
― E você já goza?
― Já… ― eu respondi.
Daí ela saiu de cima de mim e foi até o criado-mudo. Eu pude ver ela pegando um pacotinho de camisinha. Enquanto ela foi ali, eu aproveitei esse tempinho para tirar minhas meias… que era as únicas peças de roupas que ainda estavam no meu corpo. Feito isso, voltei a me deixar e fiquei me masturbando ali… aproveitando o lubrificante vaginal que tinha melecado todo meu pintinho e meu saquinho…
Ela voltou, se ajoelhou em cima de mim, abriu o pacotinho de camisinha extra lubrificada da Jontex e retirou uma borrachinha de lá de dentro. Eu nunca tinha botado uma camisinha, mas já tinha visto como era uma…
Aí ela segurou meu pinto, agarrou minha cabecinha, botou a borracha em cima e começou a deslizar ela para baixo. Era mais apertada do que eu imaginava… até mesmo para mim, que não tinha o pinto muito grosso… só sei que senti a camisinha apertar muito a cabecinha do meu pau… principalmente com o anelzinho dela… ele era muito apertadinho.
Ela desceu o látex pela extensão do meu pintinho até alcançar minha base.
― Pronto! ― Ela disse.
Daí ela voltou a introduzir meu pinto dentro dela. Ela colocou as mãos no meu peito e começou a cavalgar em cima de mim. E tudo isso enquanto ela gemia.
― Ahhhhh! Ahhhhh! Awnnnn!
Sua xaninha não era tão apertadinha quanto o cúzinho do Rafa… para falar a verdade, tinha o diâmetro perfeito para penetração. E nossos corpos também se encaixavam perfeitamente… era como se… era como se sua xaninha tivesse sido feita para isso, dá pra acreditar?
Senti sua bucetinha ficando mais úmida a medida que ela ia soltando aguinha lá dentro. Senti o líquido vaginal escorrer e me molhar. Ela começou a intensificar as cavalgadas de uma maneira que eu fui obrigado a gemer de prazer.
― Ahhhh! Ahhhhh! ― Gemi.
― Ahhhh! Seu gostoso! Ahhhh! Me fode! Vai! ― Ela começou a gemer e gritar.
O bom daqui era que não tinha problema nenhum em gritar ou gemer… todo mundo estava fazendo isso…
― Ahhhh! Me fode! Me fode! ― Ela gritava enquanto fodíamos pra valer.
Daí eu resolvi tomar o controle. Eu tirei meu pinto de dentro dela e disse:
― Fica de quatro.
Ela obedeceu assim como uma boa putinha e ficou de quatro na cama. Fui atrás dela, agarrei ela pela cintura e introduzi meu pau em sua xoxotinha novamente. Nessa posição eu não
― ―
205
conseguia ir tão fundo, mas era bom porque dava pra fazer movimentos de vai e vem com mais violência.
Agarrei ela pela cintura e comecei a foder. Eu já revirava meus olhos de prazer… sua bucetinha era muito gostosa de comer… era quentinha, úmida e me estimulava muito bem. Daí fiquei comendo ela ali de quatro, com nossas coxas coladas por um tempinho. Eu já comecei a suar, porque o quarto era pequeno, abafado e quente.
Depois eu disse:
― Vira!
E ela se virou e ficou de frente para mim, deitada na cama. Daí ela abriu as pernas e começou a bater uma siririca enquanto eu não metia nela. Ela ficava esfregando seu grelinho desesperadamente. Daí eu fui até ela, agarrei seu corpo e ela agarrou o meu. Posicionei meu pintinho na entradinha dela e enfiei.
Era estranho pegar uma mulher assim… ela tinha seios… e eram grandes pra caralho… não era como o peitinho do meu Rafa… que era lisinho e gostoso… era estranho encostar nos peitos dela… era como se as vezes eu me esquecesse que mulheres tem peitos… Hahaha… eu estava tão acostumado com o corpinho lisinho do meu gatinho que até estava estranhando esse detalhe.
Eu comecei a meter nela e ela envolveu as pernas em mim. Eu sentia meu pinto invadindo ela… eu sentia sua xoxotinha latejar de prazer… estava cada vez mais quente… e cada vez mais úmido… cada vez mais molhadinho.
Eu não ia aguentar muito mais… ela passava a mão pelo meu corpo e me estimulava em todos os cantos. Estava muito bom… daí eu disse:
― Ahhhh… ahhh… acho que vou gozar…
E não deu outra… um forte impulso tomou conta do meu corpo e eu senti minha porra fluir livremente… fui enchendo a pontinha da minha camisinha com esperma pré-adolescente… eu revirei meus olhos de prazer enquanto sentia a onda erótica do orgasmo tomar conta do meu corpo.
Percebi que a Justine também estava gozando quando senti ela espirrar secreção vaginal em mim… ela estava tendo uma ejaculação… e ela gritava e gemia muito…
― Awwwwhhhhiiinnnnn! Awnnnnn! AHHHHH! MEU DEUS!
E ela também revirava os olhos de prazer… bom… tá aí… quem disse que não se pode fazer uma mulher gozar com dez centímetros?
Daí terminamos de gozar e eu retirei meu pinto já meio mole de dentro de sua xaninha que agora latejava e pegava fogo…
― Meu deus… ― ela disse. ― Fazia tempo que eu não fodia assim…
Bom… não posso dizer o mesmo… tinha sido bom… tinha sido maravilhoso… mas nada comparado com foder o rabinho do Rafinha… aquilo sim que tinha me deixado sem fôlego.
― Você é muito gostoso! ― Ela disse.
― Valeu… ― eu disse sem graça.
Tá… agora eu tinha entendido o motivo do chuveiro… eu não tinha ideia de que as mulheres faziam tanta sujeira na hora do sexo… meu deus… essa mina tinha molhado tudo… credo… chegava a ser nojento.
― E agora? ― Eu perguntei.
― E agora? Se você quiser podemos ir uma segunda vez… ― ela disse interessada.
― Ah… desculpa… acho que vou recusar… ― eu disse.
― Você está bem? Parece que está triste…
― Ah… não é nada… ― eu disse… só estava com saudades do Rafinha… queria estar com ele… e não aqui…
― ―
206
Tinha me empolgado demais na hora do sexo… mas agora eu tinha voltado a ficar triste… até arrependido talvez… eu não devia ter feito isso… não por causa do Rafa… mas por causa de mim mesmo… droga… eu estava triste…
Ah… foda-se… agora já tinha acontecido… e não havia nada que eu pudesse fazer para mudar isso.
Acontece que, depois disso, a Justine disse que tinha que ir… daí ela me largou sozinho ali naquele quarto de inferno. Eu liguei o chuveiro, lavei minhas partes intimais com sabonete e me vesti. Sentei na cama, passei a mão no rosto e tentei me acalmar um pouco… olhei para o lado e vi aquele monte de produto para sexo… ah… o motel não ia se importar se…
Peguei algumas camisinhas e enfiei no bolso… eles não iam precisar disso… e eu e o Rafa poderíamos nos divertir com isso depois…
Ali também tinham algemas, óleos, e alguns anéis de botar no pinto… meu deus… que tipo de pessoa usaria isso? Daí eu peguei um tubinho de óleo e enfiei no bolso também… poderíamos usar isso mais tarde…
As algemas eu até levaria… mas não tinha como esconder isso nas calças… daí eu deixei quieto…
Abri a porta do quarto e me vi no corredor do inferno outra vez. Os gemidos não tinham parado. Talvez algum desses gemidos até fossem do menino Douglas… mas eu não queria nem saber…
Fiz todo o caminho de volta, passando pelo corredor e pela salinha com um sofá, até sair no salão do clube novamente. Uma garçonete seminua passou do meu lado carregando uma bandeja de drinks. Peguei uma tacinha contendo um líquido azul sem que ela percebesse, daí mandei pra dentro. PUTA QUE PARIU! QUE GOSTO HORRÍVEL! Meu deus… porque os adultos bebiam isso?
Deu uma queimação na garganta e uma vontade de vomitar, mas me segurei. Meu deus… que tipo de bebida era essa? Senti minha cabeça girar depois de tê-la ingerido. Dei uma volta pelo clube, que fedia a cigarro, sexo e vodca, até encontrar meu pai e o Carlão. Por que eu não fiquei surpreso quando vi os dois botando dinheiro nas calcinhas das mulheres que giravam no pole dance?
― Filho! ― Ele exclamou quando me viu. ― E aí! O que achou do presente de aniversário? ― Ele perguntou.
Eu não respondi, apenas fiz que sim com a cabeça.
― Deu tudo certo? ― Ele perguntou. ― Conseguiu?
Novamente, eu não respondi e apenas fiz que sim com a cabeça.
― O Douglas ainda não saiu. ― Ele disse.
― Pai? ― Eu o chamei. ― Podemos sair daqui, por favor?
Acho que ele se comoveu. Ele virou para Carlão e fez sinal que ia sair… aí ele me levou para fora daquele ambiente deplorável. Graças aos céus! Nós dois saímos e, quando respirei o ar puro, foi como se tivesse ganhado vida novamente.
Eu fui seguindo meu pai até chegarmos num ponto de táxi que tinha no quarteirão da frente. Ali tinham vários taxistas esperando os motoristas bêbados saírem do puteiro para irem para casa.
― Ei… filho… você pode ir na frente, tá? Eu vou esperar o Carlos… ele começou a beber e não vai poder dirigir… daí vou ter que esperar ele… pode ser?
― Tá, pai… ― eu disse.
Ele me colocou dentro de um táxi e deu o endereço e o dinheiro para o motorista. Daí o motorista deu partida e saiu. Eu olhei para trás, para ver meu pai, mas ele já tinha virado as costas e estava voltando para o puteiro…
― ―
207
Putz… agora que eu tinha me tocado… ele não ia esperar o Carlos coisa nenhuma! Ele ia era trair a mamãe lá dentro! Ao invés dele ir embora comigo… e passar meu aniversário junto comigo… não… ele preferiu o puteiro… cara… isso machucou…
O taxista me deixou na porta de casa e foi embora. Aqui estava eu… na rua 2… sozinho no dia do meu aniversário… eu pensei em entrar em casa… mas ao invés disso, atravessei a rua e apertei a campainha do seu Humberto… eu sei que já se passavam da meia noite… eu sei que ele estaria dormindo… mas eu precisava falar com alguém… e ninguém melhor do que seu Humberto… meu pai de consideração…

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9 Comentários

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  • Responder Rluv ID:7xbyrj5vv1

    Cara, não gostei desse capítulo. Essa história ta sendo algo bem diferente do que geralmente é postado aqui. Adorei a referencia do Vinícius e Vicente. O ultímo capítulo foi o melhor de todos!! Fiquei bastante empolgado com a possibilidade de rolar a 3 e ri muito com os diálogos, mas esse aqui me fez mal. Tudo tava errado, o pai é babaca blz, mas pelo andar da história não achei que o lucas aceitaria ir, muito menos tranzaria com a prostitua, pareceu incoerente com o que ja tava estabelecido. (minha opinião apenas) Anseio por mais Arthur. (Ah, e se possivel acrescenta umas referencias visuais sobre as aparecencias dos meninos)

  • Responder Tommen ID:vpdk7chl

    Cara, sensacional, uma obra prima esse texto.

  • Responder Seila ID:e243s2gzk

    É meus amigos, estamos chegando na pior parte da história. Não porque ela fica ruim, mas sim porque é uma parte bem triste. Mas é aquela coisa, há males que vem para o bem

    • Legolas ID:bf9sybyb0k

      onde eu consigo o livro ?

    • Legolas ID:bf9sybyb0k

      meu tele -> cjgtaaa

    • tesão gay ID:3ij0y0lim9a

      da spoiler não, vai estragar….

    • Seila ID:e243s2gzk

      Não estou dando spoiler e nem vou dar kkkk, fica tranquilo. Foi o comentário foi apenas para preparar o psicológico

  • Responder Legolas ID:bf9sybyb0k

    @cjgtaaa por favor greenbox, te espero la

  • Responder Legolas ID:bf9sybyb0k

    Meu pai já fez isso comigo, não chegou de fato a me levar, mas já me fez a proposta e eu recusei, não pq eu não gostava da coisa (sou bi) mas pq seria bem estranho, foi tudo estranho na vdd kkk. Eu tinha 14 anos e já transava com a afilhada dele ksksksks