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O menino dos olhos verdes 10 & 11

5199 palavras | 2 |4.50
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Episódio 10 ― Insônia | Episódio 11 ― Nova Aliança

Quando deitei na cama, não consegui pregar os olhos… fiquei enrolando para dormir durante muito tempo. Eu pensava no Rafa… no dia de hoje… na escola nova… pensei até na conversa que tive com o seu Humberto no outro dia… eu estava completamente sem sono, rolei na cama por mais uma hora, até desistir de dormir.
Levantei, olhei no relógio e era uma da manhã… alguém ia se foder bonito na escola amanhã.
Resolvi ligar meu computador. Ele estava no meu quarto e não ia incomodar ninguém mesmo… foi bom deixar ele aqui no quarto… eu poderia estudar em paz… assistir filmes em paz… enfim…
Pressionei o botão de ligar e uma luz azul invadiu meu quarto. Quando ele terminou de ligar, eu abri o YouTube e assisti alguns vídeos para distrair a cabeça, mas não adiantou muito.
Bem… acontece que eu já conhecia um santo remédio contra a insônia… se chamava punheta! Sempre que eu não conseguia dormir, era só bater uma que eu apagava logo em seguida. Bem… já que eu estou no computador, porque não procurar um daqueles vídeozinhos em que as pessoas fazem sexo? Só para ficar um tiquinho mais excitado?
Digitei ‘sexo’ na barra de pesquisa do YouTube, porém não apertei enter… eu estava meio inseguro. Eu já tinha assistido pornô em algumas situações… mas essa era a primeira vez que eu estava procurando. Me senti um pouco sujo… estava com medo do que ia achar…
E será que o YouTube saberia que eu pesquisei isso? Será que ficaria salvo no histórico da Internet? Será que o meu provedor veria que eu acessei isso e ligaria aqui em casa para avisar meus pais que eu estava assistindo pornografia? Bem… eu certamente entendia pouco sobre privacidade virtual, mas a curiosidade falou mais alto. Pressionei o botão enter.
Aff… que porra é essa? Apareceram só uns documentários! Não era isso que eu queria! Eu queria ver gente fazendo sexo! Não gente falando sobre sexo! Bom, YouTube, se você não quer colaborar, vou apelar para o Google…
Abri o Google e digitei ‘sexo’. O primeiro link que apareceu era um tal de xvideos. Quando eu entrei até me assustei. Tinha um gif de uma pirocona girando no canto da tela, também tinham umas propagandas de remédios que proporcionavam aumento peniano, tinham imagens de umas meninas levando porra na cara e até tinha a propaganda de um aplicativo de celular que servia para encontrar mulheres casadas que queriam fazer sexo…
Mas o atrativo do site eram os infinitos vídeos, cada um representado por um quadradinho diferente. Cliquei em um que tinham duas mulheres e um cara. Assisti os dois primeiros minutos. Meu pau ficou duro, obviamente… claro que não sinto atração em meninas, como vocês sabem… mas assistir vídeos assim era novidade para mim. Quer algo mais excitante que novidades? Enfim… mas não assisti muito, logo em seguida eu voltei para o cardápio.
Dessa vez escolhi um de dois homens… esse foi pior do que eu imaginava… cara… eu não gostava disso… eu não gostava de homem. Os caras eram musculosos e peludos… isso não me atraia nenhum pouco. Lembrei do peito do Rafa… ele não era musculoso… muito menos peludo… ele tinha o peito de menino, de criança… era lisinho, branquinho e gostosinho… voltei para o cardápio, pois não tinha gostado nadinha de assistir um vídeo gay.
Bom, o xvideos tinha uma barra de pesquisa… resolvi buscar o que eu queria ver. Digitei na barrinha ‘criança’. (Por favor, caro leitor, nunca faça isso…). Não achou nada… saiu alguns vídeos com a etiqueta ‘teen’ ou ‘novinha’… mas os teens e as novinhas tinham vinte anos ou mais… não era isso que eu queria… eu queria ver meninos da minha idade… bom, xvideos, se você não quer colaborar, vou apelar para o Google…
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Abri o Google e digitei ‘sexo com crianças’. (Por favor, caro leitor, nunca faça isso também…). Os resultados não mostraram nada… só alguns documentários, perguntas no Yahoo, mas nada de pornografia juvenil… cliquei em imagens e não tinha nada também… nenhuma criança pelada… aff… poxa… cadê os vídeos com crianças? Tá vendo como esse mundo foi feito para adultos?
Bom… não tive muito sucesso na busca de vídeos com crianças transando… mas quando digitei ‘meninos de cueca’ no Google, apareceram muuuuuuitos gatinhos, apareceram também alguns homens musculosos, mas eu simplesmente ignorei. Eu gostava mesmo era dos boyzinhos vestindo nada além de uma cuequinha. Apareceram muitos, mas o que eu queria mesmo não apareceu… não tinha nenhuma foto de piroquinha no Google… eu queria ver algumas até para comparar com a minha… mas nada…
Mas os garotos de cuequinha deram para o gasto… e como deram… fizeram minha imaginação viajar no que eles escondiam ali em baixo… quando estava prestes a gozar, desliguei meu computador, voltei para minha cama e finalizei a punheta pensando no Rafinha mesmo… gozei… e como gozei… foi ótimo… e advinha o que aconteceu logo em seguida… eu apaguei… o plano tinha funcionado perfeitamente.
Bem, eu acordei feliz da vida… tinha sido uma ótima noite, porém eu estava caindo de sono… deu vontade de faltar… mas nunca deixaria de ver o Rafa… e só de pensar nele já estava acordado. Me troquei e mamãe me levou para a escola. Cheguei na minha carteira e desmaiei.
― Lu! Lu! Acorda! A professora vai chamar sua atenção!
Tem jeito melhor de acordar do que com a voz de seu amado? Eu ouvi Rafinha me chamar e senti sua mão em meu corpo.
― Luuuuuu!
Abri meus olhinhos e quando o vi, abri sorri.
― Luuu! Acorda! Você dormiu! A professora já chegou, levanta aí antes que ela te dê uma bronca!
Levantei e me espreguicei.
― Bom dia, Rafa… ― Eu falei baixinho, pois a professora já tinha iniciado a aula.
― Bom dia, dorminhoco…
― Tô com soninho… você devia ter me deixado dormir mais…
― Para a professora chamar sua atenção?
― Ah… foda-se!
― Lu! Não caga para aula! Seu idiota!
Ele estava meio bravo… não entendi o porquê… será que eu tinha feito alguma coisa? Eu fiquei preocupado. Agora que eu não conseguiria me concentrar na aula mesmo! Morrendo de sono e agora, preocupado! Porra! A aula foi uma merda e passou bem devagar… pesquei umas cinco vezes, sendo que em uma delas o Rafa me chamou a atenção. Aff… ele estava sendo chato comigo… não estava sendo gentil e estava áspero.
Quando deu a hora do recreio, nós dois fomos até a quadra, no nosso lugarzinho especial. Ele me comprou o maldito chocolate com morango que eu tanto amava. O chato do Igor não tinha vindo para cá… ele estava andando com o pessoal do Gustavo. Era bom porque eu e o Rafa ficávamos a sós e podíamos conversar à vontade.
― Ei Rafa… obrigado pelo chocolate.
― De nada…
― Você tá bem? ― Eu perguntei.
― Tô… ― Ele respondeu secamente e ficou quieto.
― Preciso mesmo de açúcar no sangue… tô morrendo de sono… acho que não sobrevivo se tiver que assistir uma aula tão chata igual essa última… ― Eu disse.
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― Lucas! Para! Para com isso! ― Ele me assustou.
― Para com o que, Rafa?? ― Eu perguntei com medo da resposta. Será que ele tinha descoberto que eu estava a fim dele? Mas como! Eu não tinha dito nada! Meu coração acelerou… será que ele sabia de alguma coisa? Não! Isso não podia estar acontecendo! Não! Eu fiquei muito nervoso…
― Para de não se importar com a escola! Você é um aluno nota dez! Você é bem mais inteligente que eu! E ultimamente você vem desprezando a escola… assim como eu fazia antes de te conhecer… tenho medo de estar te influenciando a fazer isso… e é a última coisa que eu quero fazer…
Aawwnnn! Que foooooofooooooo! Ele achou que eu estava cagando para as aulas por causa dele… hahahahaha… bem… eu estava com muito sono, mas foi porque eu quase virei a noite assistindo pornografia… não foi culpa dele… quer dizer… assim… mais ou menos… o culpado por me fazer passar a noite toda em claro foi ele… eu não consegui dormir por causa dele… eu já amava ele a ponto de passar a noite inteira pensando nele…
― É sério… depois que eu te conheci, minha visão sobre a escola mudou… aquele dia que você respondeu a pergunta do professor? Cara… eu nunca fiz aquilo… eu sempre caguei para a escola e até achava ridículo quem estudava… mas você não é ridículo… você é diferente… você é esperto… ridículo é o Arthur… mas olha… o que eu queria dizer é que você está sendo uma boa influência para mim, só não deixe eu ser uma má influência para você… eu paro de ser seu amigo, se for preciso…
― NÃO! ― Eu gritei e segurei na mão dele. ― Nem pense em fazer isso comigo Rafael!
― É sério! Se for preciso que eu nunca mais fale com você, para que você volte a ser o bom aluno que era, eu faço esse sacrifício! Me importo demais com você para deixar você ir para o mau caminho! É… eu me importo com você… e não tenho vergonha de falar! Depois de ontem? Cara… você foi a única pessoa que me entendeu e que não me zoou por ter um diário… é sério… você me fez perceber como é bom falar de sentimentos abertamente com alguém, qualquer outra pessoa falaria que isso é coisa de veado! Mas você não! Você me fez perceber que quem acha isso é um ignorante! E eu era um ignorante… você é um exemplo para mim, Lucas… pronto! Falei! Eu quero ser como você… então… por favor… não despreze a escola, tá?
Ele me deixou sem palavras… eu estava triste e ao mesmo tempo feliz… esses elogios são traiçoeiros… são perigosos… eles quase me cegaram… eu quase me levantei e dei um beijo naquela boca… eu quase me levantei e declarei meu amor para ele… mas eu nem sou tão bom quanto ele acha… quem me dera… eu achava algumas aulas chatas mesmo… eu gostava mais de matemática do que de história e geografia… e ele não tinha nada a ver com isso… eu não estava me tornando um mau aluno por causa dele… tentei explicar… não sei se ele acreditou…
Ainda estávamos na quadra, quando Arthur apareceu.
― Olhos Verdes! Terráqueo! ― Ele nos saudou.
Rafa riu indignado com seu novo apelido.
― E.T. ― Rafa disse saudando Arthur, que ignorou.
― Olhos Verdes, já conheceu o professor Tales?
― Tales? ― Eu disse.
― Sim, Olhos Verdes, o professor Tales!
― Não… eu deveria?
― Sim… você deveria… ele é o melhor professor de física da escola e está disposto a nos ajudar a estudar para as olimpíadas…
― Olimpíadas? ― Eu perguntei.
― Sim, Olhos verdes, olimpíadas!
― Que olimpíadas?
Episódio 11 ― Nova Aliança
Bem, o próximo episódio aconteceu na quinta-feira. Já fazia um tempão que o Igor não falava com a gente. A última vez que ele veio conversar foi semana passada. E eu, mais do que ninguém, estava gostando dos momentos que eu passava a sós com o Rafa. O Rafa era bem mais popular que eu. Também, com uma beleza inigualável como a dele, difícil não se destacar. Eu era conhecido também, porém, minha fama se limitava à sala de aula… já o Rafa… era conhecido na escola inteira.
Isso não me incomodava nenhum pouco, pois, embora ele conversasse com muita gente, todo recreio ficávamos a sós. E já tínhamos virado melhores amigos. E cá estávamos hoje, na quadra, no nosso lugarzinho especial… quando o sumido apareceu.
― Oi Rafa, oi Lucas… ― Igor nos saudou.
― E aí, mano! ― Rafa exclamou e bateu na mão dele.
― E aí… ― Igor disse e estendeu a mão para mim, eu o cumprimentei.
Então, ele se sentou perto da gente e disse:
― Como estão?
― Bem… ― Nós dois dissemos ao mesmo tempo.
― Ei, Rafa, o que você vai fazer hoje? ― Igor perguntou.
― Nada… por que? ― Ele respondeu.
― Hum, vamos fazer alguma coisa? Faz tempo que a gente não se fala…
― Ué… você só anda com o Gustavo agora…
― Xiii… tá com ciúmes agora?
Não preciso nem falar que não gostei nadinha desse comentário do Igor. Primeiro porque eu achei ofensivo. E se o Rafa estivesse com ciúmes, qual o problema? Eles eram melhores amigos, e de repente o Igor sumiu! Se o Rafa sentisse ciúmes seria a coisa mais normal do mundo! Segundo, e o que mais me incomodou, será que teriam motivos para o Rafa ter ciúmes dele? Eu digo… será que? Não! Não pode ser! Não! Eles com certeza não… o Igor gosta da Sarah… e o Rafa da Bia… é claro que nunca rolou nada entre esses dois… viagem da minha cabeça… o mundo seria perfeito demais se esses dois fossem como eu.
― Ciúmes não… só acho o Gustavo um idiota! ― Rafa respondeu.
― Hum… é porque você não o conhece bem… juro que ele é legal… se você conversasse mais com ele saberia… mas enfim… vamos fazer alguma coisa hoje?
― Tipo o que? ― Rafa perguntou.
― Sei lá…
― Quer ir lá em casa? A gente pode jogar vídeogame…
Droga! O Rafa tinha acabado de convidar o Igor para ir na casa dele… tive um ataque de ciúmes… a única vez que Rafa tinha me convidado pra ir lá tinha sido quando ele precisou da minha ajuda para resolver aquele maldito trabalho…
― Pode ser… ― Deu vontade de gritar quando o Igor aceitou!!!
― Você vai também, né Lu? ― Rafa disse.
― PODE APOSTAR QUE EU VOU! ― Eu disse… tá! Admito que foi quase um grito!
― Então tá, Rafa… lá para as duas da tarde eu passo lá na sua casa… mas agora vocês me dão licença que vou lá falar com a Sarah… olha ela ali, ela está sozinha, e eu nunca deixo uma oportunidade dessas passar…
Senti um alivio quando Igor disse isso… bom mesmo, garoto! Vá arrumar alguém para você! O Rafa já tem dono! Quando o Igor virou as costas o Rafa perguntou.
― Ei, Igor! Já teve algum progresso com ela?
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― Não… mas estou quase lá… ― Ele disse e saiu rindo, esboçando um sorriso de satisfação por dizer isso.
Eu olhei para o Rafa e ele me olhou de volta. ‘E eu?’… eu pensei… será que eu estou quase lá? Não… eu ainda estou muito longe do Rafa… e o problema é que eu não sei nem por onde começar…
Quando eu e o Rafa ficamos a sós ele disse:
― Aff…
― O que foi, Rafa?
― O Igor!!! Agora vou ter que aguentar ele lá em casa… ele tá chato… mas você vai também né? Por favor, Lu!
― Vou sim! ― Eu disse.
― Ufa… ― Ele disse.
Bem, o Rafa estava sentado do meu lado, estávamos na arquibancada da quadra. Era mais um dia nublado de “inverno”. Entre aspas pois era o inverno mais quente de todos os tempos. O Rafa se deitou e colocou as mãos atrás da cabeça, fazendo sua camiseta levantar e deixando seu umbiguinho de fora. Ver aquela barriguinha de fora me tirou do sério. O elástico de sua cuequinha estava aparecendo e isso me deixou hipnotizado.
Não sei o que deu em mim, eu não estava pensando… eu levei minha mão até os cabelos do Rafa. Quando eu toquei naqueles cabelos loiros de anjos, eu saí da terra. Eu nunca tinha sentido isso antes. Acho que isso só acontece quando você está apaixonado… foi estranho. Era como se só existissem nós dois no universo. Eu me desliguei de tudo e de todos que estava em minha volta e só senti seus cabelos finos tocarem meus dedos.
Quando eu o toquei, ele esboçou um sorriso e não fez nenhuma objeção. Bem… parece que ele não se importava que eu fizesse isso, então continuei com os carinhos.
Olha, eu sou menino, não tem como evitar esse tipo de coisa… eu dei uma boa secada no seu voluminho… fiquei o encarando enquanto afagava seus cabelos. Aproveitei que ele tinha fechado os olhos e não notaria meu olhar sobre ele. Eu estava mordendo os lábios de tesão e morrendo de vontade de experimentar aquilo. Continuei mexendo nos seus cabelos quando notei uma inquietação em suas calças, não sei se foi impressão minha ou se realmente vi seu voluminho crescendo dentro de suas calças, mas imediatamente ele se levantou e disse:
― Vamos voltar para a sala?
― O sinal ainda não tocou! ― Eu protestei.
― Ah… mas vamos andando devagar…
Então nós dois voltamos para a sala de aula. No meio do caminho, o Arthur apareceu.
― Olhos Verdes! Ei! Olhos Verdes!
Eu olhei para trás e ele estava segurando uma pilha de livros. Não sei se li errado, mas parece que no topo da pilha estava um livro chamado Astrofísica Avançada… o que é que ele estava fazendo com esse livro eu não sei…
― Oi… Arthur…
― Você se lembra que hoje temos aula de olimpíadas, certo?
FILHO DA PUTA! NÃO! NÃO! NÃOOOOO! HOJE NÃO! NÃO! NÃO PODE SER! AAAAAAAAAA! ARTHUR! COMO EU TE ODEIO! COMO EU IRIA NA CASA DO RAFA AGORA!?!?
― Aff… é hoje? ― Eu perguntei.
― É sim… sala 27… se lembra?
― Claro… como poderia esquecer? ― Eu disse com um pingo de ódio na voz.
― Então tá… nos vemos lá!
E ele se virou e saiu.
― RAFA! ― Eu disse esbaforido quando cheguei na sala de aula.
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― Oi? ― Ele perguntou.
― Não vai dar pra ir na sua casa hoje…
― Por que?
― Vou ter aquela aula de olimpíadas hoje… com o Arthur…
― Ah… hoje é quinta, né?
― É…
― Aff… queria muito que você fosse… sério… que que eu vou ficar fazendo lá com o Igor?
― Desculpa… ― eu disse sem saber o que fazer.
― Relaxa… não é culpa sua…
― Mas vocês eram melhores amigos! ― Eu disse.
― É… mas agora a única pessoa com quem ele se importa é a Sarah…
― Hum… ― eu lamentei.
Durante toda a aula eu fiquei me corroendo de raiva. Sabe deus o que Rafa e Igor iam aprontar lá na casa do Rafa… ainda bem que o Igor só pensava na Sarah… isso me deixava calmo. Eu nem sei porque estava com tanto ciúmes… acho que estava me preocupando demais… é… com certeza eu estava me preocupando demais…
Quando a aula terminou, o Rafa veio falar comigo.
― Ou… Lu… então você não vai mesmo, né?
― Não… não vai dar… vou ter aquela bosta de aula!
― Não fala assim, Lucas! É seu futuro que está em jogo! E amanhã tem futebol… se você quiser ir lá em casa depois do jogo… a gente pode jogar videogame… e eu ainda quero uma revanche! Aquela última partida de Call of Duty não valeu!
É claro que eu aceitei. Me enchi de alegria com esse convite! Mal podia esperar para ir lá.
Bem, a aula terminou, o Rafa foi embora e eu fui para a cantina. Eu tinha avisado meus pais que teria aula a tarde hoje e que eles não precisariam me buscar. Ainda bem que tinha dinheiro na minha mochila, pude comprar um hot-dog para almoçar.
Eu peguei o lanche e me sentei numa mesinha que tinha ali. Enquanto lanchava tranquilamente, dois garotinhos lindos apareceram na cantina. Eles estavam rindo pra caramba e suas risadas graciosas encheram meu coração de alegria.
Um tinha a pele morena e os cabelos loiros, estilo surfista australiano, e o outro era branco como a neve e tinha cabelos grandinhos e escuros como a noite. Ei… eu reconheci o segundo… o Rafa tinha me falado dele… ele era o garotinho que tinha um irmão gêmeo.
Os dois compraram inúmeros chocolates. Era tanto chocolate, mas tanto, que eles não estavam conseguindo carregar. Daí o loirinho veio correndo em direção a minha mesa, que era a mais próxima do balcão da cantina, e, despejou todos os chocolates em cima dela, antes que ele derrubasse tudo no chão.
― DESCULPA! ― Ele disse em meio a uma gargalhada deliciosa. ― QUASE EU DEIXO TUDO CAIR!
― Bruninho! Se é maluco? Aqui seu imbecil! Eu peguei uma sacola com a tia da cantina! Bota aqui! ― O outro garotinho se aproximou com uma sacolinha nas mãos.
E então os dois garotinhos começaram a jogar as inúmeras barrinhas de chocolate na sacola.
― Oi! Eu sou Vicente e esse daqui é o Bruninho. ― Ele se apresentou para mim.
― Oi… eu sou o Lucas… ― Eu disse meio tímido.
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― Hum… eu tenho um primo que chama Lucas. ― Vicente disse. ― Ei… você é o garoto novo, não é?
― Sou eu mesmo…
Ele sorriu e estendeu a mão para mim, para me cumprimentar. Daí eu toquei naquela mãozinha graciosa de oito anos.
― Quer chocolate? Eu e o Bruninho compramos para o ano inteiro… toma! ― Ele disse e pegou umas cinco barrinhas de chocolate e me deu.
― Obrigado. ― Eu respondi.
Os dois se sentaram na minha mesa.
― Quer saber? Tá muito calor… acho que vou comprar é um picolé! ― Vicente disse e se levantou.
Eu e o Bruninho ficamos sozinhos na mesa. Ele estava se lambuzando todo com o chocolate, que estava derretido por causa do calor. Eu sorri para ele, que sorriu de volta. Um instante depois, Vicente apareceu com um picolé de morango na mão. Daí ele se sentou na mesa e começou a chupar.
― Quer dar uma chupadinha? ― Ele me ofereceu, mas eu recusei. ― Certeza? Tá muito bom…
Quer saber? O garoto estava me oferecendo! Foda-se! Eu peguei o picolé dele, dei uma olhadinha e estava todo babado. Mas ele era muito gatinho e eu adoraria experimentar sua babinha. Daí caí de boca em seu picolé. O sabor de morango tomou conta do meu paladar. Foi refrescante… depois de dar uma chupadinha no picolé do garoto, eu devolvi para ele.
― Quer Bruninho? ― Ele ofereceu pro outro garoto, que pegou e deu uma chupadona, quase engoliu o picolé… não teve jeito… pensamentos sacanas surgiram na minha cabeça, mas eu tentei evitá-los.
Depois de conversarmos mais um pouquinho, apareceu o irmão gêmeo do Vicente, que eu já não lembrava o nome.
― Vi, mamãe chegou, bora? ― Ele chamou o irmão gêmeo. ― Oi… ― ele me cumprimentou e depois olhou para o Bruninho. ― E você Bruninho, vai com a gente?
― Não… vou ficar por aqui mesmo… ― Bruninho respondeu.
E os dois gêmeos perfeitos viraram as costas e foram embora. Olhei para Bruninho e ele disse:
― Bom… tenho que ir… prazer em conhecê-lo. ― E foi embora também.
Voltei a ficar sozinho. Tinha sido legal conhecê-los. Eles pareciam ser bem legais… e bonitinhos… queria conversar mais com eles… mas, infelizmente, eles foram embora.
Bem… eu fiquei aqui na cantina por mais meia hora, não tinha ninguém, então pude viajar nos meus pensamentos em paz. Quando foi dando o horário da aula, me levantei, guardei os chocolates na mochila e fui em busca da sala 27.
O Arthur tinha me dito que ficava no bloco leste da escola. Eu nunca tinha ido lá. As salas de aula ficavam em outro bloco. Sem falar que o bloco leste era o mais abandonado. Tinham alguns laboratórios interditados e outras salas trancadas… portanto, quase ninguém ia lá… só os professores que davam essas aulas especiais, como a que eu teria agora.
Eu cheguei no bloco leste, parecia ser a construção mais antiga da escola. Dei uma olhada no ambiente e saí em busca da sala 27. Eu estava explorando o lugar quando entrei num corredor e vi um garoto que eu reconheci de imediato. Era Caio. Se lembra dele? Ele era um dos amigos do Hermes. O magrinho que usava um gorro. O que será que ele estava fazendo nessas bandas?
Normalmente eu me esconderia, mas o problema é que ele estava vindo em minha direção e já tinha me visto. Meu coração bateu mais forte. Contei até três e continuei andando.
― ―
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Rezei para não apanhar. Droga! Arthur! Como eu te odeio! Olha o que você me faz passar! Olhei para o Caio e ele estava olhando para baixo com um sorriso no rosto. Eu achei estranho. E quando ele olhou para mim, para minha surpresa, ele se assustou.
Ele se assustou, se afastou de mim, desviou o olhar e continuou seguindo reto. Eu achei estranho, muito estranho. Mas eu não era bobo… talvez ele estivesse usando alguma droga por aqui… o Arthur mesmo disse que ele fumava maconha… explicaria o sorriso no rosto, o fato dele estar andando numa área deserta da escola e o fato dele se assustar quando me viu. Fazia sentido… fiquei com um pouco de medo, mas ainda bem que ele não tinha feito nada comigo. Apenas seguiu seu caminho.
Continuei andando pelo corredor e avistei um banheiro. A última vez que eu tinha feito xixi tinha sido hoje de manhã. Seria bom me aliviar antes da aula. Daí abri a porta do banheiro e me assustei com a cena que vi.
Advinha quem estava no banheiro… difícil de acreditar, mas era o Bruninho… e o que me assustou foi que ele estava sem camiseta. O garoto estava escovando os dentes e quando me viu, deu um sorriso ensaboado. Ele cuspiu a pasta na pia e disse:
― Oi, Lucas! Você por aqui?
― Oi Bruninho… ― Eu disse enquanto me dirigi à um mictório na parede.
Desabotoei minha calça e baixei o zíper. Tirei meu pipi pra fora e comecei a me aliviar. Acabei fazendo xixi de pipi duro, pois tinha um garotinho delicioso sem camisa perto de mim, ainda bem que ele não tinha percebido minha ereção…
― O que está fazendo aqui nessa área da escola? ― Eu perguntei.
― Nada… nada não… ― ele disse.
Bem, nem era da minha conta, então não insisti…
― E você? ― Ele disse.
― Vou ter uma aula daqui a pouco… na sala 27… você sabe onde é?
― Sei sim… eu te levo lá… pera aí… só deixa eu terminar de escovar os dentes aqui… muito chocolate… sabe como é, né?
― Sei sim… ― respondi.
Eu terminei de fazer xixi e ele terminou de escovar os dentes. Daí ele vestiu o uniforme da escola e nós dois saímos do banheiro. Ele me levou até a sala 27 e lá estavam Arthur e outro sujeito, que devia ser o professor Tales.
― É aqui, Lucas!
― Obrigado, Bruninho!
Eu apertei a mão dele e ele foi embora. Entrei na sala e o professor Tales me saudou.
― Então… você deve ser o Lucas!
― Sou eu mesmo, professor! ― Eu respondi empolgado.
― Olhos Verdes… ― Arthur me saudou.
― Oi, Arthur! ― Eu cumprimentei ele.
― Então professor… continuando… ― Arthur disse. ― Mas as inteligências dos países não conseguiriam deter um núcleo assim?
― Vocês estão falando sobre o que? ― Eu perguntei.
― Geopolítica global! ― Arthur disse tentando parecer inteligente. Aff…
― Hum… ― eu disse desinteressado.
― Hein, professor? ― Arthur insistiu com a pergunta.
― Depende, Arthur, conforme as tecnologias de espionagem aumentam, as tecnologias para permanecer anônimo também aumentam. Um exemplo disso é a deepweb!
― Deepweb? ― Arthur perguntou interessado.
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― É… a deepweb é uma rede que só pode ser acessada por um programa que te deixa anônimo. Desta maneira, você pode fazer qualquer coisa lá, que ninguém vai saber que é você… deste modo, tem muitas coisas lá que são ilegais… como venda de armas, venda de drogas, pornografia infantil… esse tipo de coisa… e é assim que células terroristas se organizam. Mas vamos deixar isso de lado… a deepweb é uma coisa horrível.
PERA! PARA TUDO! AGORA TUDO FAZIA SENTIDO! É CLARO QUE EU NÃO ACHEI PORNOGRAFIA INFANTIL NA INTERNET! É ILEGAL! Agora tudo fazia sentido, cara!
― Podemos começar a aula? ― O professor perguntou.
A aula foi melhor do que eu pensava. O professor Tales era muito bom, e ele era muito legal também. Eu, ele e o Arthur nos divertimos muito nessa aula. Aprendi vários truques matemáticos que eu não fazia ideia que existissem. Foi divertido. Em alguns momentos eu pensei no Rafa e no Igor e no que eles poderiam estar fazendo… mas não me preocupei muito. O Igor não oferecia perigo para o meu Rafinha.
Quando a aula terminou, o professor disse que estava muito satisfeito de nos ter como alunos, que ambos erámos muito inteligentes. Daí, ele encerrou a aula passando um desafio para tentarmos resolver em casa.
Eu e Arthur saímos da sala e fomos caminhando em direção à saída da escola.
― Ei, Olhos Verdes, nós ainda temos que jogar uma partida de xadrez para descobrir quem é mais inteligente.
― Nem se preocupe com isso, Arthur… você claramente é mais inteligente. ― Eu disse, e acreditava nisso. Ele já estava estudando Astrofísica Avançada e se preocupava com geopolítica global, enquanto minha vida se resumia… se resumia ao Rafa…
― Não, mas você ficou em primeiro lugar no concurso de bolsas! ― Ele protestou.
― E daí? Foi sorte…
― Nem vem, Olhos Verdes… vamos jogar uma partida de xadrez, quer você queira ou não!
― Tanto faz, Arthur! ― Eu disse de saco cheio dessa conversa.
Nós dois fomos até o portão da escola e ficamos esperando nossas mães virem nos buscar.
Quando cheguei em casa, jantei, tomei banho, desejei boa noite para meus pais e fui para meu quarto. Quando cheguei lá, o Duque estava deitado na minha cama.
― Oi, garotão! Como está? ― Eu disse e fiz um cafuné nele.
Enquanto afagava a cabeça dele, eu fiquei pensando um pouco no dia de hoje. Me lembrei do Rafinha… do Vinicius e do Bruninho… do Caio chapado… do Arthur e também me lembrei do professor Tales. “Tem muitas coisas lá que são ilegais… como pornografia infantil…”
Eu pensei um pouco a respeito disso. Eu ainda queria ver esse tipo de coisa… daí fui até o meu computador e digitei no Google ‘Deepweb’. Me assustei quando apareceram fotos terríveis no navegador… fiquei morrendo de medo… mas estava escrito ali: “Pode ser acessado pelo TorBrowser. ”
Dei mais uma pesquisada a respeito desse TorBrowser até achá-lo. Entrei no site oficial e lá tinha um botão enorme escrito ‘Download’. Contei até três, e apertei baixar.
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2 Comentários

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  • Responder anom ID:6p1ab7y041

    Esse Vicente é uma referencia ao conto do Lucas Kreuz? kkk achei muuuuita coincidencia

  • Responder Dark boy ID:8ef6vikm9j

    Hummm…..