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De Volta Para Casa – Sexta Parte

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Eles pareciam se divertir.

– Vai lá abrir as portas vai. – pediu Nestor – a mãe já vai chegar.

Levantei, ainda com as pernas trêmulas e dolorido… fui até a cozinha abri a porta e voltei para o quarto das meninas, meu lugar favorito. Foi naquele local que tinha experimentado de tudo: saltos, calcinha, vestidos, saias, maquiagens… e agora, pau.

Mas estava exausto até para brincar. Ao invés disso me deitei… Não lembro por quanto tempo dormi.

Foi minha mãe que me acordou:
– Vai jantar, so falta você.

No interiorzinho que morava, numa época que nao tínhamos TV nem internet, jantar cedo era normal.

Fui até a cozinha e comi um pouco de tapioca com peixe frito. A casa estava vazia. Apenas minha mãe estava no quintal, sob a luz amarela colocada no tronco do pé de manga que tinha no meio do terreno.

– Cadê todo mundo? – Perguntei.
– Estão sentando lá na frente da casa. Estão brincando e contando piadas… depois…

Ela ainda falava, mas já estava saindo pela porta da frente para me juntar a todos.

Meu pai estava sentado numa carnaúba com dois irmãos, Claudinho e Neide. No chão, estavam Nilton e Nestor. Notei que meu irmão mais velho ainda estava com àquele short que chegou do mato. Não era incomum, já que sempre brincávamos a noite e só depois, a maioria ia banhar antes de dormir, quem se sujasse nas brincadeiras da rua.

Os outros irmãos corriam na rua… brincavam de pega, pega. Aí uma coisa que sinto falta. Outros meninos do vilarejo tinha se juntado à meus irmãos.

Meu pai entrou.

Passou um tempo, nossa mãe saiu e sentou entre mim e Claudinho, na carnaúba.

– Mãe, amanhã eu e Nilton vamos para a barragem, vamos tentar pegar uns cará. – falou Nestor.
– Vai de que? A pé? – Perguntou ela surpresa, porque era longe e Nestor era preguiçoso.
– A gente vai pegar dois burros da casa de farinha e vamos, ué. Seu Joaquim não se importa. – respondeu ele.
– Quero ir. – disse Claudinho.
– Se o Claudinho for eu vou. – eu disse.
Era uma criança, mas notei o olhar do Nestor para o Nilton.
– Eu levo o Natinho no burro comigo – falou Nilton, rindo para mim.
– Eu não quero ter que ficar olhando menino dentro de água. – respondeu Nestor.
– Mas eu quero ir. – Falou Claudinho.
– Só posso levar um. – disse Nilton, olhando para Claudinho. – Foi mal.
– Mãnhê… Manda o Nestor me levar.
– Se ele não quer, fi. – disse ela com carinho – melhor não ir. Nem você Renato.
– Veia. Eu cuido do Renato. Sempre cuido. – falou Nilton.
– Vocês que sabe. Ney? – olhou ela para ele.
– Se o Nilton quer levar, deixa ele ir… – respondeu.
– Então pronto.

As conversas e brincadeiras se seguiram por mais um tempo.

Foi Nilton que falou comigo:
– Melhor ir dormir, a gente vai sair cedo, de madrugada.
Eu tinha dormindo muito a tarde, mas não questionei às ordens.
– Quando mamãe entrar, eu vou. – respondi.
– Seu pai tá lá dentro. – disse ela pra mim.
– Eu já me vou… Tô podre de sujo. – falou Nestor.
– Toma banho, carga de lixo. – falou minha mãe.
– Agora véia. – respondeu ele, beijando-lhe a testa.

Nilton olhou para mim. Eu entendi.

– Mãe, a Sra me acorda? – Perguntei.
– Eu não vou te deixar cabeção. – Nilton respondeu antes que ela falasse alguma coisa. – mas tem que dormir cedo.

Nestor voltou de dentro da casa e, falando com Nilton, sugeriu:
– Se tu quer sair de madrugada, deveria ir lá na casa do seu Joaquim e já pegar os burros.
– Sozinho? – respondeu Nilton.
– Eu trago um, por favor. – Claudinho pedia quase chorando.
– Tão bora lá.

Ambos saíram.

De longe, Nilton gritou:
– Se ainda tiver acordado quando voltar, não te levo.

Não pensei duas vezes. Minha mãe levantou e entrei com ela.

Quase não consegui dormir aquela noite. Primeiro por ter passado a tarde dormindo e, segundo, ansioso para está sozinho com aqueles dois homens altos… meus irmãos.

Mas dormi.

Acordei assustado com o tapa que Nestor deu.
– Levanta. – Sussurou.
Na cozinha, minha mãe já estava acordada, passando café.

Nestor comeu lá fora. Estava escuro ainda.
– Come bem. – falou Nilton olhando para mim.

Minha mãe pegou um saco de pão, tirou parte para os meninos quando acordassem e acrescentou tapioca, banana e marga.
– Levem água. – falou ela. – e tomem cuidado com meu caçula.
– Por mim ele nem ia. – falou Nestor.

Hoje, lembrando disso, acho que ele queria disfarçar o seu verdadeiro desejo.

– Eu cuido dele mãe. – falou Nilton.

Minha mãe ficou no portão. Meus irmãos desamarraram os burros da cerca.

Nilton me levantou e colocou sentado atrás dele:
– Segura Moleque. – disse.
Assim eu fiz, passando as mãos em sua cintura.

O caminho para barragem era de terra e poucas casas, bem distantes uma da outra.

Ainda estava escuro. Não sei dizer ao certo que horas era:
– Bênção mãe. – falou Nilton.
Como ele era carismático com todos.
– Deus acompanhem vocês. –

Quando não era mais possível ver nossa casa, Nilton falou;
– Quer sentar na frente?
– Quero. – falei sem pensar.
– Eu levo ele. – Falou Ney, que vinha logo atrás.

Ele parecia me observar há um tempo.

– Agora você quer né? – falou Nilton.
– Não tenho culpa, se meu pau fica duro de manhã. – Respondeu.

Meu cuzinho piscou sobre a garupa do burro.

Nilton riu, diminuindo o ritmo para que Ney nos alcançasse.

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4 Comentários

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  • Responder Leandro

    Antes do pai descobrir, ainda dá pra fazer muitos contos só com os irmãos mesmo. Não tenha pressa em contar sua historia. O povo aqui é muito afobado.

  • Responder Lucas

    Vai virar putinha dos irmãos, continue logo

  • Responder luiz

    concordo com o comentario tem que ser descoberto pelo pai e ser comido por ele tambem, tem que ser a putinha do lugar

  • Responder Thaunzoo

    muito bom seu conto, não demora pra continuar, seria ótimo se fosse descoberto pelo pai, e como castigo, seria mais violento, e teria o pau maior e mais grosso que dos filhos.. só um ideia .. esta de parabéns