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Pedreiro André

2399 palavras | 13 |4.22
Por

Esse primeiro conto não tem sexo, é o início real da historia, se gostarem eu continuo.

Eu era um adolescente de doze quando ocorreu a situação que escrevo a seguir, morava com a minha mãe dona Lucia em uma cidade do interior de São Paulo, meu pai morreu quando eu era criança e não deixou praticamente nada para nós, a não ser a casa, minha mãe trabalhava em uma transportadora no período da noite e descansava durante o dia, por força da situação eu era um menino de 12 anos independente, limpava a casa e fazia comida quando chegava do colégio pelo fim da manhã.

No terreno em frente a nossa casa começou uma obra e contrataram um pedreiro para ir adiantando a obra, aparentava ter uns 40 anos, eu chegava da escola e ele estava lá cavando o chão sozinho, levando a terra com o carrinho de mão e voltando de novo para fazer a mesma coisa, ele era um sujeito forte, forte de verdade daqueles de anos de profissão pesada, um pouco gordo, mas daqueles robustos, tudo duro e no lugar, lembro porque ele trabalhava sem camisa, era branco queimado de sol, a pele judiada mas o conjunto da obra fazia aquele “tanque de guerra”.

Poucos dias após o início da obra eu estava na cozinha lavando a louça e pela janela vi o pedreiro lá nos buracos que ele cavava, por ser início de obra não tinha sombra, quem conhece o interior de São Paulo sabe o que é 35 gráus com sensação de 40 na pele, um inferno, me deu uma pena dele que eu fui na geladeira e peguei uma garrafinha de água, daquelas de 1 litro que as mães entulham a geladeira e sai de casa para levar para ele, sempre fui extrovertido mas a situação me deixou um pouco nervoso, o homem era realmente grande e a cada passo ficava maior, cheguei na frente do terreno e ele estava de costas pra rua em uma daquelas valetas compridas, a calça encharcada de suor, pelo movimento da picareta a terra subia e um pouco caia em suas costas, derretia no suor e escorria,fiquei com mais pena ainda, reuni toda a coragem que um menino de 12 anos tem e disse :

-Oi.

O pedreiro não se assustou, pousou a ferramenta no chão calmamente e olhou para trás, olhou para a minha cara de bunda, um garoto branco, magricela e assustado, ele desceu o olhar pra minha mão e viu a garrafa de água, sua ficha caiu imediatamente e respondeu.

-Oi meninão, essa água é pra mim? Estava precisando mesmo.

Eu estava com ódio de mim mesmo por estar agindo igual a um idiota, dei três passos pra ele poder pegar de dentro do buraco e estendi a mão com a garrafa :

-É sim, pode pegar.

Ele de dentro do buraco ficava na minha altura, ele estendeu a mão, pegou a garrafa, destampou e ia colocar na boca pra beber, do nada ele parou e perguntou:

-Posso beber no gargalo?

Pensei rapidamente e deduzi que ele era educado, ter pensado nisso naquele momento e respondi :

-Pode sim, pode beber.

Ele colocou o gargalo na boca e virou a garrafa, não tirou os olhos de mim enquanto bebia, mas dava pra ver que os olhos dele sorriam e eu sorri também, um pouco envergonhado, acabou de beber e saiu do buraco com uma facilidade surpreendente, de pé em minha frente eu não alcançava o peito dele, devia ter uns 1,85 a 1,90 de altura, ele passou a garrafa pra mão esquerda e estendeu em minha direção dizendo :

-Obrigado meninão, meu nome é André e o seu?

Olhei pra mão dele esticada e já passado o susto da situação estiquei a minha e peguei na mão dele, não cheguei nem perto de segurar a mão dele, era grande, calejada e quente, engoliu a minha mão completamente, mas eu tinha uma pegada firme também e respondi:

-O meu nome é Lucas, mas todos me chamam de Luquinhas, prazer conhecer o senhor, agora preciso ir pra casa pra acabar de fazer o almoço pra minha mãe.

Agora ele foi que ficou sem resposta e eu me senti bem por isso, peguei a garrafa da mão dele e dei um tchau meio olhando pra trás e indo pra frente, ele deu risada e ficou me olhando atravessar a rua, senti um extinto de proteção dele em fazer isso, achei engraçado e entrei em casa, da janela da cozinha vi que ele ficou um tempo parado olhando ainda antes de voltar pro buraco dele.

A tarde, após a minha mãe ter almoçado e estar se preparando pra ir trabalhar eu voltei lá para levar outra garrafa de água e um copo de café daqueles de extrato de tomate, como já tinha feito tudo em casa a tarde seria livre, pensei em ir jogar bola, sai pelo portão com o copo de café na mão, a garrafa debaixo do braço e a bola na mão direita, me lasquei pra abrir o velho portão de madeira com o pé, o café começou a queimar a minha mão conforme eu andava depressa, olho pra frente e o André já estava dando risada, vendo meu apuro e como sabia que era pra ele, rapidamente saiu do buraco, me encontrou na calçada e pegou da minha mão o café e a água, ficou olhando pra mim de uma forma engraçada e eu comecei a rir também, disse:

-É pro senhor mesmo, agora vou jogar bola, amanhã pego a garrafa e o copo.

Cheguei no campinho que era perto de casa e não havia ninguém lá, nenhum dos meus amigos, voltei desanimado pra casa chutando a bola, já era 17:00 e o André estava na frente da obra recebendo aquelas tábuas de madeira gigante, me viu e me chamou com a mão, cheguei perto dele chutando a bola com raiva, ele e o entregador começaram a rir, fiquei vermelho e o André disse :

-Calma Luquinhas, ta bravo porque não fez gol?

Respondi pra ele :

-Nada, não tinha nem um parceiro ds futebol lá, não joguei com ninguém.

Nisso o entregador acabou de descarregar e subiu no caminhão, disse um valeu pra nós é se foi.

Olhei pra cara do André e ele estava com pena de mim, se aproximou, passou a mão na minha cabeça e disse:

-Já estava indo, mas posso jogar um pouco com você.

Na hora nem acreditei, que o André ia jogar bola comigo, fiquei feliz e sentei no chão na frente da obra com as pernas cruzadas e a bola no meio, ele colocou a camisa, fechou a frente da obra com a cerca de alambrado e chegou perto de mim, ele estava inteiro sujo, levantei e fui andando com ele, ele disse que morava sozinho em uma cidade próxima e vinha de ônibus, perguntei se ele ia embora sujo e ele disse que sim, até ter banheiro na casa pra tomar banho e se trocar, era viúvo e sem filhos, eu disse também que o meu pai havia morrido a 10 anos atrás quando eu tinha 2 anos e a minha mãe nunca mais desejou compromisso sério com alguém, sabia que ela saía as vezes, mas dizia que homem em casa não queria, que já tinha eu.

Vi que a minha experiência de vida deixou o André triste, me deu um abraço rapido do tipo “força parceiro”, disse que eu era um excelente garoto, que não havia vergonha alguma em limpar a casa e cozinhar, disse ainda que a minha mãe havia me educado muito bem e com poucas palavras me quebrou, disse que queria ter a sorte de ter um filho igual eu.

Só quem cresceu sem um pai sabe como é horrível no dia dos pais, no dia da profissão na escola, todos com o pai e eu sozinho ou com a minha mãe, era carente de uma figura paterna e sabia disso, chegamos no campinho e jogamos até escurecer, quando deu hora de ir embora, mesmo não sendo o caminho dele, ele me levou até a porta de casa, disse tchau e foi embora.

Minha mãe já havia saído para o trabalho, tomei meu banho e fui dormir, acordei as 6:00 da manhã e me troquei para ir para a escola, minha mãe só chegava as 8:00 da manhã, sai de casa as 6:45 e chegava a escola as 7:15, ia pra escola a pé, saio do portão e dou de cara com o André, cumprimentei ele dizendo :

-Bom dia seu André.

Ele respondeu :

-Bom dia Luquinhas, quer tomar café comigo na padaria da esquina?

Respondi pra ele:

-Não, obrigado, já tomei o café da manhã.

Menti pra ele, eu tomava na escola, não queria dar gasto pra ele e o meu estomago me traiu nessa hora roncando.

Ele deu risada e disse:

-Para de mentir, se estiver preocupado com o dinheiro eu ganho bem e vou pagar pra nós dois.

Respondi que não queria dar gasto pra ele, ele disse deixa disso e me levou pelo ombro, pedi um pão de queijo e um copo de chocolate, ele mandou o atendente embrulhar outro pra viagem para o meu lanches, na frente da padaria dei um abraço rápido e inesperado nele, ele não teve nem tempo de corresponder, falei obrigado e sai correndo com vergonha do que tinha feito, mas foi sem pensar, mas como tinha sido bom abraçar ele e se sentir protegido.

Cheguei da escola as 12:00 e ele estava guardando a areia, disse um oi pra ele e ele mandou um joia pra mim.

Fiz o almoço rápido e fui acordar a minha mãe pra almoçar, cheguei na porta do quarto e disse :

-Acorda mãe predileta, o almoço está pronto.

Ela se espreguiçou e respondeu sorrindo :

-Sou a única que você tem seu bobo.

Ela fez a higiene matinal e eu já estava na mesa esperando ela, conversamos amenidades e ela me perguntou como foi o dia anterior e a escola, contei tudo pra ela, até o café da manhã, ela perguntou quem era esse homem e eu apontei pra direção do terreno que ele trabalhava, ela foi até a janela e aparentemente simpatizou com ele por ter tratado o filhote dela bem.

Ela olhou pra mim é perguntou:

-Ele foi jogar bola com você, te trouxe aqui e te levou tomar café de manhã?

Eu respondi de forma inocente:

-Foi mãe, ele é legal, mora na cidade vizinha e é viúvo.

Minha mãe conhecia o dono do terreno em frente de casa, o patrão do André, vi ela sair com o celular na mão, ela me contou depois que ligou pra pedir referências do André, ouviu do Marcos, o dono do terreno, tudo o que eu havia dito e mais um pouco, que era de confiança, que a mulher havia morrido a anos atrás por complicações no parto do primeiro filho deles, a mulher morreu e o menino prematuro resistiu por poucos dias.

Do nada minha mãe volta e pergunta se eu quero convidar o meu amigo pra almoçar conosco, eu disse que sim e corri pra chamar ele, sai pelo portão correndo e ele no terreno de pé medindo um buraco , ao ouvir o barulho do portão de madeira da minha casa batendo olhou em minha direcção e já estava rindo , me viu atravessar a rua e perguntou quando eu havia chegado :

-E ai Luquinhas, não vai me dar água hoje?

Respondi pra ele :

-Seu André, minha mãe me perguntou se eu queria convidar você pra almoçar conosco, eu disse que sim, você quero almoçar conosco?

Ele viu a minha cara de expectativa e ansiedades, olhou pra minha casa e depois pra marmita fria em um cantor da obra, ia recusar, minha cara já havia mudado pra tristeza e os olhos ficaram vermelhos, ele viu que a recusa ia me fazer chorar, rapidamente ele disse que não recusaria por nada desse mundo, vestiu a camisa e fomos até a calçada pra atravessar, eu vacilão como todo adolescente já ia atravessando sem olhar, ele de novo repetiu um gesto de proteção ao me segurar pelo ombro, olhar para os dois lados da rua e me guiar até a minha casa, eu fiquei todo contente novamente por me sentir protegido por um homem como se fosse o meu pai.

Assim que chegamos ao portão ele perguntou onde era a lavanderia e eu guiei ele até o fundo da casa, onde tinha uma velha edícula com um banheiro e um sofá, ele rapidamente se limpou no banheiro e fomos almoçar.

O André educado esperou a minha mãe sentar pra se sentar, se apresentou a minha mãe, e ela pediu pra ele se servir sem cerimônia e ele se serviu, conversaram amenidades e eu olhava pra ele e pra ela, parecia um almoço de família, eu olhava com admiração pra ele, mesmo conhecendo ele a tão pouco tempo, me sentia bem e seguro perto dele, minha mãe sabia que não podia ser a figura paterna que eu precisava, e após a conversa com o Marcos colocou o plano em prática, disse que sabia da dificuldade que ele tinha para vir trabalhar, almoçar e até utilizar o banheiro, e o Marcos havia oferecido uma quantia de aluguel pela edícula dos fundos e um valor para que ele se alimenta-se conosco.

O André olhou para a minha mãe, depois olhou para mim, a minha cara de menino carente deve tersensibilizado ele, porque ele olhou para mim e disse que sim, se não fosse incomodar ele.

A história é longa e verídica, os nomes são reais, São Paulo é gigante, comentem se gustaram e eu continuo.

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13 Comentários

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  • Responder Pedof18

    Caralho, sem nenhuma interação sexual já estou quase gozando! Parabéns autor, muito bom!!!!

  • Responder Torinho

    Caramba, muito bom, o começo já tá bem fofo

  • Responder @Marcel2019

    Muito bom mesmo… continua.

  • Responder L

    vai escrever hoje ainda?

    • Meninão

      Já publiquei, amanhã coloco o terceiro.

  • Responder Faruck

    Esta bom de rodeios vamoa logo p sacanagem que eu quero ler é sobre sexo.

    • Meninão

      É só pular o conto amigão, eu disse que não haveria sexo nesse, é um relato verdadeiro e sou fiel ao que aconteceu.

  • Responder @zegatebk

    Boa continua

  • Responder Biel

    Tá bom, continua

  • Responder Rodox

    Muito bom, continua….. Abcs

  • Responder Saulo Batista

    Excelente, continua sim

  • Responder Mlq

    Show!!!!! Continua cara

  • Responder Ajsg

    Muito bom, continue