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O Roçador de Quintal

912 palavras | 1 |3.17
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Bem, era um dia chato como qualquer outro, eu tava nas férias e meu pai sugeriu que eu fosse com ele pra Itaituba passar um mês, uma cidade do interior. Ele e minha mãe são divorciados mas ela aceitou que eu fosse pra eu não ficar entediado. Nessa época eu assistia filmes pornôs em CD pirata e um que eu adorava (e me odiava por gostar) era de um chofer de uma madame que transava escondido com o filho dela. Ele metia com força e um tesão animal. Eu não tenho aquele carinho de filho pelo meu pai mas eu queria sair um pouco da minha cidade e fui com ele.

Chegando lá nós ficamos na fazenda do patrão dele, que só vai pra lá no fim de semana, portanto basicamente só tinham alguns trabalhadores e nós lá. Era muito bonito e revigorante, eu tava precisando disso, porém o que mais me cativou foi um trabalhador da fazenda. Hélio era o seu nome. Um homem negro, altura média, uns trinta e poucos anos, corpo típico dessa idade mas com uma leve barriga. De início não fiquei impressionado com ele fisicamente. Ele era muito educado, acho que até demais pra um simples empregado e gostava de me servir. Eu lembrava as noites do meu filme favorito e sentia um pouco de medo de que eu fosse estuprado, era uma sensação ruim. Eu lembro que dormia com uma faca enrolada em um pano pra não me machucar quando eu dormisse na rede. Quando eu já conhecia bem os locais eu resolvi ir no rio só pra observar, mas já tinha alguém lá. Era ele banhando pelado. Não sei porque eu me senti atraído nessa hora, era um corpo simples e uma rola bonita. Se fosse pra chutar eu daria uns 18 cm. Eu ficava imaginando o sabor do pênis. Eu já não estranhava mais essas sensações pois eu já sentia que podia ficar com homem e mulher a vontade. Quando ele terminou de banhar pegou a toalha e ficou se secando, enquanto eu me aproximei e me escondi numa árvore bem perto dele. Ele vestiu a calça e eu o assustei:
– é bom tomar banho no rio né?
– pois é rapaz. Eu tomo banho aqui quando não tomo em casa.
Eu pensei: é agora que eu laço esse coroa. Era divertido pensar assim, me sentia aquelas vilãs de novela sedutoras.
– tu vai pra fazenda agora?
– não, primeiro eu vou passar em casa.
– deixa eu conhecer tua casa?
Na verdade eu queria perguntar “deixa eu chupar” mas eu sabia que era um passo de cada vez.
– claro, vamo lá.

Eu ainda tava com a faca caso eu dissesse “não” e ele tentasse algo. Chegamos rápido na casa dele e ele me ofereceu uma banana (não a dele). Quando ele tava de costa procurando um copo pra tomar café eu lambia a banana com pensamentos lascivos:
– vem pra mim nego safado, me dá essa rola, gostoso.
Eu tinha que instigar ele mas não sabia como, até que vi uma foto de uma mulher numa estante. Ela aparentava ter uns vinte e poucos anos. Elaborei um roteiro rapidamente e perguntei:
– quem é ela?
– bom…
Ele demora pra falar e mando a clássica:
– tudo bem, não precisa dizer.
– é a minha ex-esposa.
– então tu já foi casado.
– sim, mas não deu certo.
– nossa.
– foi bom que terminou.
– tinha algum problema sério? Se não for perguntar demais.
– bom, é que eu… eu… eu não gostava dela.
– hummm, foi só por obrigação.
– na verdade não era só dela que eu não gostava.
Demorei três segundos pra captar a mensagem. Quando entendi não perdi tempo:
– tu não gostava de mulher?
– … é, é isso.
Meu roteiro já tava bem atuado até aí, restava o ato final.
– existem muitos assim, isso não é exclusividade nem de um nem de outro.
– é, mas eu não queria que fosse assim. Já cheguei a encontrar umas cinco mulheres em um mês que me queriam mas eu não queria nada, enquanto o que eu mais… – ele revira a cara e desiste de completar a frase– engraçado, sempre o que a gente quer tá em falta, é assim com homem, com mulher.
– não existe nenhum rapaz gay aqui?
– não, não tem um sujeito viado aqui nas redondeza.
– talvez tenha e tu nunca percebeu.
– como assim?
– um que tu ache que é uma coisa mas não é.
– de verdade, não desconfio de ninguém.
– eu, Rosinaldo.
– então tu é também?
– sim, eu fiquei te observando pelado no rio.
Ele fica sem graça na hora.
– que é isso garoto, fico até sem jeito. Não, tu é novo ainda, isso é só uma confusão da tua cabeça. É só orar que passa.
– eu gosto de homem e mulher.
– piorou agora. É sério garoto, vai rezar.
– tu é gay e tá mandando eu bancar o crente?
– tu ainda tem salvação, eu já sou velho e não consigo me livrar dessa desgraça.
– tudo é fruto da religião e do preconceito. O natural é condenado e o modificado pela sociedade é aceito.
– olha, não quero ficar escutando filosofia não, vamo pra fazenda.
– banheiro, eu quero ir no banheiro primeiro.
Era o que dizia o roteiro… E continua…

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1 comentário

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  • Responder Saulo Batista

    Esperando a continuação