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Sonhos de vidas e Amores eternos, 6

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6 – Desejos, verdades e medos…
📅 23 de maio de 1992, sábado – Educandário Santa Mônica
📌 (Havia um frisson no ar, desde a quinta-feira toda a comunidade aguardava a relação de convocados para os Jogos Estudantis…)

― Como é, não vão trazer a lista? – Mônica entrou no quarto.
Luciana olhou para a irmã e sorriu.
― Agora mesmo é que teu filho não faz nada… – rolou na cama para abrir espaço – Chegamos numa encruzilhada…
Fernando fez de conta não ter visto Mônica só de calcinha, as seios ainda rijos e aréolas escuras que ele tão bem conhecia, a tia, pelo menos, vestia camiseta cavada que havia pescado em sua gaveta e ele, diferente das duas, vestia bermuda comportada.
― O que foi? – tirou a folha rabiscada da mão do filho e viu que a neta era a primeira listada – Lena vai?
― Isso é com o técnico aí… – beliscou o braço do sobrinho – Esse é um dos embates…
A menina ainda não tinha chegado do clube onde treinava com sua turminha.
― Não tem nenhuma que barre Lena… – olhou para a mãe – Tua irmã acha que ela não está pronta, mas no infantil…
― E tu, o que acha? – acariciou o rosto bem escamoteado – Ela treina com quem?
― Com o Abelardo… – a irmã atalhou – Só que ainda não acho que…
― Deixa disso Lu… – ele cortou – Olha Mônica, confiem em mim, sei o que faço…
Mônica não quis tomar partido, nunca tomava e só se metia quando parecia cambar para outros rumos.
― Vocês decidem, é área dos dois e…, ela é dos dois… – releu a lista – Lena vai, não vai?
Antes que Luciene chegasse a relação estava fechada, Fernando tinha conseguido que a sobrinha filha fosse convocada.
― E agora? – Luciana olhou para a irmã – Vamos comemorar?
― Comemorem vocês, vou tomar um banho… – deitou no peito do filho – Se meu professorzinho poder, e ainda tiver fôlego, depois quero uma massagem…
― Tu só pensa nisso, mana – sorriu e massageou a bunda da irmã – Tô de bode…
― E esse bode não tem cu? – Monica rebolou e lambeu o beiço ressequido de filho.
― Sô maluca não, maninha… – apertou o pau já meio duro – Esse treco ia me arrebentar…
― Arrebentar o que, o nariz ou o ouvido? – riu e levantou – Nesse rabo já entrou e não foi pouco, né minha irmã santinha?
Acariciou o rosto do filho e beijou o rosto da irmã antes de levantar, tirar a calcinha e jogar em direção do filho.
― Vixe! Tu tá é assim? – Lena brincou com a tia – O tio já chegou?
Apontou para o quarto e entrou no seu.
― A tia tá danada hoje… – olhou e sorriu, a mãe beijava o tio – E aí treinador, já tá tudo em cima?
Correu para a cama e se ativou em cima dos dois.
― Tá doida filha, saí… – Luciene ainda vestia o maiô preto de treino – Tá molhando a cama de teu tio, doida!
Saíram as duas. No quarto Mônica ainda leu algumas correspondências antes de entrar no banheiro, não estava cansada de cansaço físico, era mais cansaço de calor e aquele banho lhe reataria as forças. A água gostosa caia lhe acariciando o corpo, não pensava em nada, apenas no banho e na água que lhe encobria como um manto.
― Mônica… – Fernando entrou no quarto, queria terminar a relação – Monica…, tô entrando…
Entrou, não viu a mãe, ouviu o som do chuveiro, sorriu e tirou a roupa, entrou, ela não viu, sentiu o toque na costa, o corpo estremeceu.
― Nando… – sorriu, estava precisando de carinho – Lena…
― Tá com Lu… – corpos colados, vontade de prazer – Tô com saudade…
― Também… – suspirou, o pau duro pressionado a bunda – A gente…, hum…, a gente precisa…, hum…, arranjar tempo pra…, pra nós…
As coisas do educandário lhes tirava o tempo, por mais que quisessem não conseguiam viver a vida que viviam antes. Fernando bolinou o biquinho do peito, Mônica fechou os olhos e jogou o corpo para traz sentindo o pau que tanto lhe dava prazer e ele, o filho mais homem que filho, beijou o cangote sentindo aquele aroma mulher lhe tomar o querer e ela queria.
― Nando…, Nando… Hum…, hum…, Nando, meu…, Nando… – arrebitou a bunda, mãos espalmadas na parede de azulejos floridos – Amor…, amor…, hum… Nando, Nando… Hum…, isso…, ai…
Sentiu a mão lhe tocar a vagina, o dedo abrir os pequenos grandes lábios e o pau pressionar naquela doce brincadeira de embalar e empalar que lhe fazia mulher e o pau duro entrou e ela gemeu.
― Ai…, Nando…, filho…, hum…, hum…

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📅 15 de julho de 1991, segunda-feira – Serra do Calango (Sonhos melados…)
📌 (Novamente tinha sido um dia puxado, os passeios revezados ora aqui, ora acolá deixava vontade de não fazer nada, nem as brincadeiras em volta da fogueira animava…)

― Tu é doida, é? – Jane olhou para Francisca sem acreditar – Tu chupou mesmo?
Na barraca menor que devia, quase não cabia as duas e as mochilas. Passava das dez da noite, quase todos dormiam esbodegados de andar.
― Ia fazer o que, garota… – Francisca tentava pescar a camisa de meia de dormir – Tava ali na minha frente e…
― E as pequenas viram?
― Sei lá… – sorriu, tirou a camisa melecada de suor – Ele não queria, né?
― E como que tu fez pra…, pra ele deixar? – a loira estava agoniada.
― Deu um bichinho de doideira… – coçou o bico do peito – Acho que ele pensava que eu não ia ter coragem e…
― E tu bebeu tudo?
― E eu lá ia deixar? – riu deitando espremida para tirar a bermuda – Menina, era tanto que enchi a barriga…
― Doida…, e ele? – sentada também tirou a bermuda e depois a camisa azul de malha grossa da farda – E…, e foi só, tu não…
A morena sentou, pernas cruzadas, lembrando do gostar gostoso de ter chupado o professor.
― Ele… – riu lembrando – Ele pulou na piscina, mas… Se ele quisesse, eu dava…
― Doida…, tu é doida mesmo… – sorriu e olhou pela brecha, a fogueira quase apagada – E tu…, tu já deu?
― Não…, só chupei do Paulo…, mas dar dando nunca dei… – respirou e deitou encostada na mochila – Mas se ele quisesse eu dava…
― Tu é doida mesmo… – riu e abriu o ziper da barraca.
O campo era um silêncio só, as barracas todas fechadas, só a delas, só elas acordadas naquela noite um tanto fria, mais frias que as outras.
Luciana foi a primeira a cair nos braços do sono, Mônica e Fernando ainda conversaram um pouco antes de entregar os pontos. A barraca que Mônica tinha achado exagero não era tão exagero, os dois pequenos compartimentos mau deu para dois e Fernando optou por ficar no espaço maior, que chamavam de sala e que, durante o dia, vivia cheio de bagunça. Não estava com sono, cansado de caminhar subindo pedras, andando por veredas ou escalando paredões dependurado em cordas.
― Tu não vai dormir, Nando… – olhou pra ele sentado na cadeira de alumínio – Amanhã…, hoje – consertou – Tem a escalada da rocha da Galinha…
― Tô com sono não, mãe… – olhou para ela – Vou ficar um pouquinho, e…
Calou, Mônica tinha dormido. Sorriu, a mãe sempre foi assim, pegava no sono ligeiro. Levantou, a barraca alta, ajoelhou e beijou o rosto da mãe, saiu, fechou o quarto. Também foi ver Luciana que dormia abraçada ao travesseiro, acariciou a perna e também fechou a abertura, uma aragem fria entrava, deu vontade de fumar, não fumava de verdade, apenas um ou outro nesse dia ou em outro.
― O senhor tá sem sono também? – se espantou, Jane olhava da varanda da barraca – Tá todo mudo dormindo…
Fernando olhou para a filha de Lourdes, em nada parecia com a mãe, talvez um detalhe aqui e outro acolá além da cor alva e cabelos loiros, o resto era toda do tenente.
― E você, porque não está dormindo… – não foi pergunta perguntada – Amanhã…, hoje… – lembrou da mãe – Fico com vocês…
― Sei…, o senhor vai nos levar na rocha, né?
― É…, Lu…, Luciana vai para a gruta… – saiu, a noite sem lua não era tão escura como deveria ser, o céu apinhado de estrelas – E aí, está gostando do passeio?
― Tô… – olhou para o céu, ele também olhava.
― Aplicou a insulina? – lembrou de Lourdes – Tua mãe…
― Ih! Esqueci…, pera… – correu para a barraca, voltou com a seringa – Tu…, o senhor aplica?
― Onde? – recebeu a seringa.
― Aqui…, pera, vamos pra ali… – pegou na mão, sentiu o corpo estremecer, lembrou de Francisca.
Andaram calados, Jane suava na noite um pouco mais fria que as outras. Parou, olhou de novo pro céu pinicado de estrelas, virou e levantou a camisa de meia branca, Fernando lembrou de Lourdes mostrando onde tinha de aplicar.
― Espera… – olhou para a seringa, empurrou o embolo para tirar o ar – Dói?
― Um pouco, mas… – respirou segurando a barra da camisa – Tem de tomar, né?
Fernando acocorou defronte dela, mediu olhando – “cinco centímetros longe do umbigo”, lembrou de Lourdes mostrando – tocou a barriga, Jane estremeceu, aplicou, ela sentiu quase nada. Tirou a seringa, massageou – “tem de massagear um pouco pra que o liquido seja melhor absorvido”, lembrou de Lourdes – Jane fechou os olhos, a mão nervosa segurava a barra da camisa.
― Senti nada não… – olhou para ele acocorado defronte dela – Tem vez que dói…
O cheiro cheirando, a noite mais fria que as outras, a pele macia e aquele aroma exalado na noite escura com céu recheado de estrelas piscando.
― Que bom…, isso quer dizer que tenho mão boa – sorriu, continuou massageando.
― Tem…, pode até ganhar dinheiro… – riu sem querer ria, tinha de rir pra não gemer – Quanto foi?
Fernando sorriu, olhou pra cima, ela olhava pra baixo. Não estava séria, também não sorria.
― Um beijo… – sussurrou – Aqui…
Beijou onde tinha injetado a insulina. Pele macia, aveludada. Jane suspirou forte, gemeu sem gemer e ele sentiu os montículos formados e aquele cheiro perfume entrando no nariz.
― Pode…, pode beijar… – as mãos meladas segurava a barra da camisa – Hum.., beija…, mais…
Ele beijou, lembrou de Mônica brincando com ele, falando que ela era caída por dele e tocou a pontinha da língua na barriga ponteada de montículos, ela suspirou, soltou a barra da camisa, segurou a cabeça, ele lambeu, ela sentia um negócio estranho lhe pinicar a pele, a vagina melada, aquele doce aroma que enchia o ar da noite mais fria que as outras.
― Espera, espera…
Ele parou, esperou e ela lembrou. Suspirou, pegou a mão, puxou. Dele levantou, ela andou, passos incertos, vontade de parar, tinha de sair dali, lembrou do lugar, levou ele, ele foi, ela parou, olhou pra ele sem saber se olhava, via o rosto, o sonho.
― Aqui… – olhou pra ele, ele olhava pra ela.
Não tinha andado muito, trinta, talvez quarenta metros longe das barracas. Ela olhou, acariciou o rosto como tinha sonhado acariciar.
― Professor…
― Fernando…, Nando… – o dedo colado nos lábios, ela sentiu o cheiro que gostava de cheirar – Esquece professor, Fernando…, Nando.
― Nando… – sorriu, dentes alvos, nariz arrebitado e olhos verdes, quase azul – Te quero…, viu? Te quero…
Não olhava, via sem ver, a vontade de sonhos melados, a vagina úmida de vontade. Fernando queria, ela queria e quando tirou a camisa ele viu o que já tinha visto. Seios pequenos, aréolas róseas que fremiram quando ele tocou a ponta da língua.
― Nando…, eu…
― Fala… – olhou em seus olhos, eram verdes, quase azul.
― Não…, nada… – sorriu sem sorrir – O senhor…, tu… – concertou – Tu me…, me quer?
Responder seria molhar no molhado, não respondeu, segurou o queixo, lambeu os beiços ressequidos. Ela fechou os olhos, abriu a boca e recebeu a língua, sentiu o gosto, o gosto que queria sentir. Sua língua, ainda envergonhada, tocou na língua dele e aquele gosto gostoso lhe encheu a vontade. Não foi beijo de vergonha, era beijo de querer, de deixar o céu, pinicado de estrela, querer parar de piscar só pra olhar o beijo. Se demorou nem ela, ou ele, tinham como saber, importar cm tempo, com hora pra que e porquê?
O tempo, esse mero medir de viver, não lhes importava. Apenas o agora, o estar lhes importava e ela sentiu, sentiu a mão carinhosa lhe acariciar a almofada da bunda.
― Espera…, espera Nando, espera…
Ele esperou, esperou com medo de ter sido afoito demais. As bocas desgrudaram, ela suspirava sentindo a vagina melada.
― Desculpa, eu… – olhou para ela, para seu rosto macio, pele aveludada, nariz arrebitado e olhos da cor de querer ver.
― Porque? – ela sorria – Tu…, tu não…, não…
Olhava pra ele, agora olhava e via o que tinha lhe embalado noites de sonhos melados, sorriu, ele também e, novamente, segurou a barra da camisa. Ele viu, olhar fixo nos olhos verdes, quase azul que rivalizava com as estrelas que pinicavam o céu escuro de coisinhas piscantes. Ela viu e ele viu, Jane tirou a camisa, os seios, pequenos e perfeitos, aréolas rosa escuro que fremiam de vontade.
― Assim é melhor… – tentou sorrir.
Era estranho, nunca tina tirado a camisa sequer na frente do pai, da mãe já, mas era mãe, mulher como ela. Não sentiu frio naquela noite mais fria que as outras e viu que ele via, olhos fixos nos seios bem feitos que fremiam de vontade.
― Tu és bonita… – suspirou.
― Sou? – queria rir, queria gritar e espantar aquele bandão de estrelas, pontinhos que piscavam, no céu sem lua – Tu…, tu também é…
E ele olhou, tinha de olhar, o corpo bem feito, as curvas todas onde deveriam estar. Nem sabe quando, só sabe que tocou no biquinho do peito que intumesceu, antes róseo macio, depois mais escuros e rijos, a garota estremeceu. Era o toque dentre todos o melhor, o toque sonhado nas noites se sonhos melados.
― É…, é bom… – segurou a mão em cima do peito, tinha de ter gostado, tinha sonhado, mas ai era melhor, era verdade que tinha nascido e sonhado em sonhos melados – Eu…, eu… – ficaria o resto dos tempos ali se repetindo, a mão quente e macia acariciando a pele aveludada ponteada de montinhos – Eu…, eu… – viu ele aproximar, soltou a mão – Eu…, tu…, eu…
De novo aquela vontade doída de querer gritar, a boca morna no peito frio, quase gelado naquela noite mais fria que as outras e a mão massageando a almofada da bunda e a vontade tomando conta do querer sentindo aquele gostar, danado de gostoso, caindo como manto.
― Nando…, Nando…, espera, espera… – mas ele não esperou e nem ela pediu de novo, sentiu a calcinha escorregar pela bunda, depois pelas coxas, pernas e aquela vontade entrando no querer.
Fernando continuou chupando o biquinho intumescido do peito, seios bem feitos e aquele aroma vazando de dentro, do fundo do sexo sedento, querendo querer como se fosse ele, o sexo, e não ela que queria.
― Nando… – puxou a cabeça, tinha de puxar, queria tornar sentir a língua brincar com a sua dentro de sua boca.
Não foi como aquele primeiro, foi mais beijo querido de beijar e o abraço abraçado, o corpo nu, a vagina melada que deixava escorrer aquele fio, quase morno, maculando as pernas. Era noite, noite sem lua, noite deles metidos naquele serrado de folhas secas. Se queriam querer não havia sombras de dúvidas e as sombras, daquela noite sem lua de céu pinicado de estrelas que piscavam era os únicos que viram ela deitar.
― Nando…
Se fez barulho, se as folhas secas crepitaram nem ele e nem ela ouviram. Nada lhes importava, apenas ele e ela, somente a eles interessava o mundo e ela deitou, não sentia as folhas secas debaixo do corpo, só viu quando ele tirou o calção azul marinho, viu o pau duro, o mesmo pau que Francisca disse ter chupado, nem isso importava, somente eles, ela e ele.
― Nando…
Ele ajoelhou, ela entreabriu as pernas. A vagina ainda estufada, mas ponteada de pequenos pelos negros lisos lhe pintava e aquele cheiro de mulher encheu o ar daquela noite mais frias que as outras.
― Nando…
Olhava para ele e revia as noites de sonhos melados, as pernas entreabertas, o corpo quente que vibrava e, outra vez, o beijo beijado e ela abraçou, puxou o corpo sentindo os seios bem feitos espremer o peito másculo, quase sem pelos, que lhe tinha enchido noites de sonhos melados.
― Nando… – olhou, não olhava, talvez visse o sonho – Nando… Eu…, eu… Hum. Nando…, Nando…
Sentiu o toque da glande roçar a pele, a pélvis. Abriu as pernas, sentiu o estralado da separação dos grandes lábios melados de líquidos que nascia no fundo da vagina.
― Nando…
Um sussurro, nada mais que um sussurro gemido. Ele segurou o pau, pincelou, ela sentiu, ia ser, ia entrar e, novamente, aquelas imagens das noites de sonhos melados.
― Nando… – estava encaixado, não era mais aquele sonho melado – Nando… – abriu as pernas, tinha de abrir – Nando…, Hum…, Nando… Ui… Hum, Nando…, Nando…
Ele sentiu estar encaixado, o rosto riste olhando o rosto alvo, pele aveludada, nariz arrebitado sem olhar, não via, era o rosto que bailava em suas lembranças. Jane respirava agoniada – vai doer, vai doer – se tinha medo de doer, não soube, não dava se saber, só sabia que estava deitada em um manto de folhas secas metidos em um serrado numa noite sem lua.
― Vai Nando, vai… – pernas abertas, vontade de não parar – Vai Nando, vai…
Sentiu, estava entrando escorregando no liquido viscoso minado no fundo do corpo. Fernando sentia, entrou, entrou.
― Nando…, Nando… Hum! Hum! Nando… – tinha entrado, não era mais sonho melado.
Fernando parou, estava dentro, não era professor, sequer Jane era aluna mesmo sendo. Jane não gemeu como Lourdes, sorria um sorrir de realizar. Não, não era mais sonho, ele estava dentro dela e, não tinha sentido dor.
― Ui, Nando, ui… Hum, hum… Nando, eu… Hum… – o corpo balançando, a bunda espremida nas folhas secas – Hum… Hum… Ui, ui… Nando…
Talvez, em um futuro qualquer, lembrasse que as folhas lhe espetavam, que um som baixo de folhas e gravetos quebrando sob o corpo empurrado para baixo. Não ali naquele momento que o amor desejado lhe tinha tirado da inocência quase infantil para lhe apresentar um novo mundo de sensações que explodiam como fosse noite de são joão.
― Ai… Nando, amor…, amor, eu… Nando!…
Não fosse a boca colada na sua, não fosse a língua lambendo a sua teria gritado, teria espantado a Coruja-orelhuda empoleirada na gameleira, teria espantado a família de Inhambu-chororó do ninho há poucos metros deles. Nem a mariposa azul empoleirada numa folha bem em cima deles se espantou com o gozo gozado.
Respirava agoniada, quase sem folego pelo beijo que parecia não terminar.

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📅 23 de maio de 1992, sábado – Educandário Santa Mônica

O pátio do colégio apinhado, nem parecia ser sábado. Olhos ansiosos ansiavam pelo que iam ler e pés nervosos caminharam em passos largos. A relação estava no quadro de avisos.
― E aí, deu? – Francisca colou em Jane que corria o dedo pela relação.
― Dei… – falou baixinho brincando – E tu também deu…
― Ele tá vindo… – Francisca beijou o cangote da amiga – Fica cabreira, santinha…
Já tinham conversado sobre gravidez, Jane morria de medo que o pai descobrisse, ao contrário de Francisca que não tinha conseguido ir além daquelas e de outras chupadas fortuitas.
― Tu sabe que… – calou, ele tinha chegado – E Lena vai mesmo, professor? – mudou de assunto.
― Claro que vai… – farfalhou os cabelos de Gabriela – Essa moleca também vai e…, e vai trazer o ouro…
― Mamãe tá querendo falar como o senhor… – a negrinha abraçou Fernando – Obrigado tio…
― Não me agradeça, o educandário é que agradece… – beijou a testa da garota – E vocês, estão preparadas?
― Eu tô…, ela também, né Jane… – olhou para a menina que olhava para ela – Biela vai no livre ou no costas? – ainda não tinha lido a relação toda.
― Deixa eu ver… – folheou a relação – Gabriela…, Gabriela…, nos dois e você vai de livre e revezamento…
Conversaram com outras meninas também convocadas antes de Fernando sair. Jane olhou para ele, queria que não tivesse tanta gente no Santa Mônica.
― Vai logo pequena… – Francisca empurrou a amiga, sabia muito bem o que Jane queria.
A garota deu um gritinho de espanto, Fernando ouviu e virou, sorriu. Eram oficialmente namorados, o educandário e toda cidade sabia, Lourdes torcia pela filha e até o tenente não via com maus olhos o namoro de sua princesinha.
― Vem… – estendeu a mão – Me ajuda…
A loirinha sorriu e seguiram para o ginásio onde era a sala dele. O ginásio e a piscina estavam vazios, naquele sábado ninguém treinou, todos nervosos com a convocação.
― E a gente vai de ônibus, é? – acariciou a mão do namorado.
― Se aguentares podes ir nadando… – brincou – Vai ser como foi no último…
Os jogos eram bianuais, os últimos aconteceu em Caxias e o desse ano seria em São Luís e, como sempre, alguns pais levaram suas filhas e a maioria nos ônibus da delegação.
― Vai todo mundo junto? – entraram na sala já fria, Fernando tinha deixado o ar condicionado ligado.
― Dessa vez não… – sentou, a garota sentou em seu colo – Mônica locou um ônibus pro Educandário… – meteu a mão debaixo da blusa de farda, massageou o peitinho – Mônica já falou…
― Ah! Nando, hoje é sábado e…, ai, seu doido, isso dói… – sorriu e se beijaram – Tu foi ver o filho da tia Josefina?
― Ainda não…, e o nosso?
― Tu tá é doido, o tenente me mata…
Não transaram naquele dia, Jane estava menstruada…

⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐⭐

🖐️ Você leu o episódio 6 de 16…

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1 comentário

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  • Responder Claudio Alberto

    Viver é uma coisa danada de estranha, é como se viver fosse ter que pular cercas a todo momento. Escrever também é estranhamente complicado, ou se escreve ou não se escreve. Seria simples assim não fossem as cercas erguidas cada vez mais altas e difíceis de serem puladas… Todo dia penso em não mais escrever, as cercas altas e e a idade tira a vontade…