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Eu tentei

2232 palavras | 4 |3.73
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História sobre meu envolvimento com o irmão mais novo de um amigo meu.

Engraçado como a quarentena me deixou mais… sensível. Sempre gostei de ficar sozinho em casa, olhando para o teto, para as paredes e, as vezes, conversava comigo mesmo no espelho. Parece atitude de gente “louca” (sem querer destrinchar o conceito de loucura), mas ao meu ver era pura sanidade.

Resolvi fazer umas das poucas coisa que é possível durante a pandemia, ir ao mercado. Convenhamos, ir ao mercado virou quase que uma terapia. Basicamente é dentro do mercado que vemos as pessoas atualmente. Comprei tudo que eu precisava, e resolvi fazer um caminho mais longo para a minha nova casa.

Eu costumo ouvir muita música, principalmente quando ando na rua. O objetivo é fazer com que o tempo passe sem que eu preste atenção, ou fique muito ansioso. Durante o trajeto de volta pra casa acabei vendo um antigo amigo meu, o Rodrigo. Eu fiquei muito nervoso, não sabia como agir. Tenho quase certeza que não vejo o rosto dele a pelo menos 1 ano e meio. Eu levantei o braço em forma de comprimento, já que ele estava do outro lado da rua. Rodrigo, antes distraído, me avistou, olhou dentro dos meus olhos e, virou o rosto. Percebi que nada tinha mudado, me senti triste e rejeitado. Mesmo depois de vários meses ele ainda tinha raiva de mim. Não bastou me bloquear de tudo que é rede social, ele me bloqueou da sua vida. Afinal, eu tinha “estuprado” o irmão mais novo dele.

Eu me culpava muito pelo que aconteceu. O que eu fiz era crime, de acordo com a lei brasileira e a de vários outros país. Mas juro para vocês que foi sem a intenção de machucar toda uma família. O Rodrigo acabou me envolvendo muito nos assuntos de sua família. Eu acabei virando um filho “adotado” de dona Maria, e um segundo “irmão” mais velho do Luquinha.

Eu já tinha nessa época do ocorrido, uns 21 anos. O Rodrigo também tinha a mesma idade. Fazíamos um curso universitário juntos (não vou falar qual curso, mas era de humanas) aqui em Niterói. Nós estudávamos a noite, e nos conhecemos durante um evento da faculdade, ele estava perdido procurando a sala, e como teríamos a mesma aula, acabei pedindo pra ele me seguir. Daí em diante, surgiu uma amizade.

Rodrigo trabalhava como entregador durante o dia, e eu vivia de bolsas e auxílios (mamava na teta do governo como os bolsonarista gostam de falar). A dona Maria trabalhava como cozinheira em uma escola municipal aqui de Niterói. A escola era longe, quase em São Gonçalo já, mas ainda assim era considerada escola do município de Niterói. Já se passavam mais ou menos um ano de amizade, eu já tinha conhecido sua família e ele a minha (acabei trazendo ele pra conhecer a 25 se março).

Mas então, continuando a história, Rodrigo acabou me pedindo um favor, buscar seu irmão no colégio, pois sua mãe tinha que ficar um outro turno na escola. Claramente eu não queria, e disse que não seria possível eu fazer isso, mas ele insistiu, disse que não tinha outra pessoa em mente, e se eu podia quebrar essa pra ele. Meu receio era ter que ficar buscando o muleque sempre. Sabe como é né ? Quando pede uma vez, pedem sempre. Mas não tinha o que fazer, resolvi ajudar já que não trabalhava a tarde.

Eu não lembro bem se Lucas tinha 9 anos naquela época, ou 10. Só sei que ele era uma ótima criança. Tinha a tonalidade da pele mais escura que a do irmão. Era um negro de pele quase clara, já Rodrigo (também negro) era visto como pardo por ser mais claro. Só sei que foi como eu tinha pensado. Desde que busquei o moleque uma vez, Rodrigo vivia me pedindo pra buscar ele. Eu sabia que tinha me metido na maior merda. Mas é como Sartre diz né: escolheu ? você que lute.

Eu já buscava o Luquinha na escola já tinha uns 6 meses, serin. E as vezes nem levava mais o moleque pra casa. Costumávamos ir ao shopping bater perna, ir em praças, e as vezes até andávamos pelos camelôs pra ver o que eles vendiam. Quando dava a gente comia uma casquinha do Bob’s, mas como eu sobrevivia com auxílios, nem sempre eu tinha dinheiro para isso. Eu já estava me “afeiçoando” ao Luquinha.

Entretanto, num final de semana, no mês de julho. Eu fui dormir lá no Rodrigo por causa de um trabalho da faculdade, e pq dona Maria insistiu também, já que eu fazia um favorzão pra ela. Rodrigo e Lucas dividiam o mesmo quarto, que era pequeno. Tinham duas camas, uma de cada lado do quarto. Eu acabei dormindo entre as duas camas em um colchão que foi colocado no chão. Eu queria mesmo era ter dormido na sala deles, pois teria mais privacidade. Mas o vacilão do Rodrigo falou para a mãe dele que ele “resolveria” o meu impasse . E decidiu , sem me consultar, que eu dormiria no mesmo quarto que eles. Eu tava respirando fundo, mas não falei nada.

Durante a noite, antes de dormir o Lucas já veio deitando do meu lado pra gente conversar, já que éramos “amigos”. Batemos maior papo sobre Naruto, e um outro desenho lá que não me recordo. Um tempo depois Rodrigo pediu pro Lucas deixar eu dormir, e sossegar um pouco. Eu achei meio rude né, falei que não precisava ser assim, mas o garoto foi pra cama dele sem precisar ouvir outro sermão. O Rodrigo era meio duro com o irmão.

O caô era o seguinte. Durante a noite, o Lucas caiu umas 200 vezes no meu colchão. No início eu achei que ele estava brincando, e eu até ria e fazia cosquinha (cócegas) nele. Mas durante essas derrapadas, ele acabou apertando meu pau. Eu fiquei muito sem graça, e meio nervoso. Não nervoso de querer quebrar a cara do moleque, mas nervoso de pensar que alguém poderia ter visto aquilo. Eu dei uma apertada no braço dele, e pedi pra ele sossegar, pois eu queria dormir.

Já tinham se passado umas 3 semanas. Já era agosto, e as aulas tanto da facul, quanto da escola do Lucas estavam pra voltar. Eu queria conversar com o Rodrigo, mas eu tava morrendo de medo de falar sobre o acontecido, e dizer também que não tava a afim de buscar mais seu irmão.
– qual foi Nicolas, essa cara aí ? Disse Rodrigo.
– nada não po, tá MEC – eu comecei a rir e ele também riu.

Eu usava essas gírias de hétero só por sarcasmo mesmo, e como o Rodrigo sabia disso, ele ria no exato momento da minha “piadinha”.

– então viado, tu vai continuar me ajudando com meu irmão né ?
– então Rodrigo, eu tava pensando em parar de pegar seu irmão. Pois é muito cansativo, a escola dele é meio longe, e eu ainda tenho que levar ele pra casa, sabe ?
– ahh Nícolas, se tá de caô comigo né ? Sabe que eu preciso de tu, se não vou acabar tendo que sair do emprego ou da faculdade.
– mas sua mãe ainda não resolveu aquela parada da escola dela não ? Porque até então ia ser só umas horas extras, não ?
– então viado, vai ser direto agora. Minha mãe até pediu pra eu falar com você. A gente ia até desenrolar um trocado pra tu, coisa simbólica mesmo, só pra você comprar umas coisinhas.
– Rodrigo, tu sabe que não é por causa de dinheiro, né ? Eu tô falando isso porque as vezes preciso está em casa pra fazer as paradas da facul, se não perco até as minhas bolsas se eu não fazer bem feito. Você sabe disso.
– Eu sei Nicolas, eu te entendo. Esse problema não é seu. Mas teria como pensar ? Porquê tipo, vai ficar apertadão pra mim. Sem contar que minha mãe não pode, pois o salário dela que banca as coisas lá em casa. Arrumar outra pessoa pra buscar “kinha” é foda, e ele já tá acostumado com você. Falando nisso, ele vive pedindo pra eu te chamar pra ir lá pra casa.
– Ta bom Rodrigo, tá bom. Mas vou pensar, até amanhã te respondo.
– valeu viado, dá um abraço aqui – disse ele me apertando forte.

O dilema do Rodrigo era foda. Eu sabia que provavelmente ele teria que deixar a faculdade caso não conseguisse se “sustentar” com o emprego de entregador. Ficou decidido que eu ia pegar o moleque na escola, até eles arrumarem uma outra pessoa. Eu tinha o maior medo de perder minha bolsa, e ter que voltar pra sampa sem terminar minha faculdade. Por esse motivo acabei decidindo ir pegar o moleque.

Durante as duas primeiras semanas estava tudo ótimo. Lucas não tocou no assunto, eu fiz a sonsiane também, e seguimos a vida. Tempo depois, eu e Lucas já na frente da casa dele, o Rodrigo me grita e pede pra eu entrar. Antes eu só deixava o Lucas na porta, e metia o pé pra minha casa, sempre fiz isso. Mas dessa vez eu entrei porquê o Rodrigo estava ali.

– trabalha mais não ?
– estou trabalhando, só passei aqui por que a entrega era aqui perto, e bateu maior dor de barriga – disse Rodrigo rindo.
– ata, kkkkkk – eu ri meio sem graça já dando meia volta pra ir embora.
– qual foi viado, já vai ? Tem bolo ai, pode ficar aí pô, tu é de casa.
– não Rodrigo, vou meter o pé.
– que isso Nicolas, fica aí caralho. O Lucas, vem cá e faz companhia pro Nicolas – disse Rodrigo pegando o capacete – e não demora não moleque, vem logo

Assim que Rodrigo saiu, eu peguei minhas coisas e sai também. O Lucas veio atrás de mim e perguntou o porquê eu já estava indo embora.
– tá tarde Luquinha, já vou já.
– mas Rodrigo não falou pra você ficar ? Se você sair eu vou falar com ele
– pode falar, tô nem aí. Até amanhã, tchau.

Deus me livre ficar sozinho com aquele moleque de 9 anos (ou 10) dentro daquela casa sem ninguém. Peguei o caminho da roça e fui pra minha casa.

No dia seguinte estava eu lá na frente da escola esperando o Lucas, e nada dele sair. Fui até o porteiro e perguntei se alguém já tinha pego ele, pois ele não costumava se atrasar pra ir embora. O porteiro me disse que viu ele indo em direção do banheiro, e que eu podia ir lá procurar ele. Entrei na escola e fui em direção ao banheiro. Encontrei Lucas lá chorando.
– foi o que Luquinha ?
– nada, vamos embora.

Durante todo o trajeto Lucas foi quieto pra casa. Chegando na sua casa eu perguntei se ele queria eu entrasse. Ele respondeu meio ríspido: se quiser pode entrar, e seguiu para o banheiro. Ficou lá uns 10 minutos. Depois que ele saiu eu o perguntei se queria conversar. E ele começou a chorar.

– mas gente, o que foi menino ? – disse chegando perto e abraçando ele. Mas ele só chorava, e não falava nada. Fiquei ali na cama dele sentado, fazendo meio que um cafuné, até ele se sentir confortável em falar.
– ninguém gosta de mim – ele disse.
– mas porquê você está falando isso Luquinha ?
– porque ninguém gosta de mim.
– mas porquê você acha isso ?
– porque eu sei disso.
– mas como assim, você não acha que tem que explicar melhor ?
– os meninos da sala não gostam de mim, só riem de mim.
– ata, agora entendi. Você fez alguma coisa pra eles ?
– eu não queria brincar de futebol, ai eles ficaram implicando comigo.

Eu levantei ele, limpei as lágrimas dele, e disse pra ele esquecer isso, porque os meninos dessa idade são em maioria bobos. Ai dei um abraço nele. Ficamos no abraço um bom tempo. Tempo suficiente pra eu sentir a piru dele duro na minha perna, próximo a minha coxa. Eu fui desfazendo o abraço e disse que ia ligar para o irmão dele. Mas que teria que ir embora porque já estava muito atrasado. Sai de lá com a cabeça a mil, e só no meio do caminho fui perceber que estava de pau duro. Eu não entendi foi porra nenhuma. Lucas era um moleque bonito, mas mesmo assim um menino. E eu não poderia ter ficado de pau duro por ele. Senti um sentimento meio estranho, um formigamento, entendem ? Depois bateu a neura de que talvez o Lucas tenha percebido o meu pau. Meu deus do céu, o que eu faço.

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4 Comentários

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  • Responder Daniel Coimbra

    Entendi porra nenhuma.

  • Responder Jucão

    Muito bom conto. Diferente dos demais por que quase não tem erotismo e não dá pra gozar como muitos.
    Iria ser legal se vc fizesse um carinho nele, pelo jeito o luquinhas ta louko pra sentir sua rola.
    Eu nessa idade já tava dando diariamente pro meu tio. Isso por que ele nao queria, mas insisti tanto…
    Adoro conversar, trocar experiências sobre esse assunto já que é tão secreto…Juju2012…..

  • Responder lucio entrou

    pelo que entendi deu merda,so quero saber porque,moleque de 9/10 nao da problema a nao ser que voce seja cavalo.

    • Anônimo

      Tem algum grupo no telegram sobre?