Desventuras no Colégio

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Isso aconteceu em 2001. Eu estava com 17 anos, no último ano do Ensino Médio em uma escola pública.

Estávamos na casa da Flávia, o grupo reunido para fazer um trabalho de ciências. Demos uma pausa para o lanche e, numa conversa banal com a Tici eu soltei que não usava mais calcinha nem sutiã. Todo mundo em volta parou, como se eu estivesse contando um segredo que mudaria o mundo; ao menos o nosso.

-Nossa, como cês são curiosos, hein?

Falei, brincando, tentando quebrar o clima estranho que ficou.

-Tá falando sério? – a Flá emendou: – Não, porque teus peitos são pequenos, até aí tudo bem. Mas não é meio anti-higiênico ficar com xaninha roçando nas roupas?

Primeiro veio a zoação do pessoal com a palavra xaninha, depois eu falei:

-Se é eu não sei, mas não tenho saco pra ficar com a calcinha enfiada na minha bunda.

-Ah, mas você usa camisetas mais justas e não dá pra ver teus mamilos. Sei não…

O Gui, que era namorado da Flá, falou irônico, meio que me desafiando a provar o que eu tinha falado.

-Duvida? Vê só.

Levantei a camiseta até um pouquinho acima da base dos seios, sem mostrar os mamilos. Todo mundo adorou, deu risadinhas.

-Pô, nunca te vi nem com um farolzinho aceso. – o Júlio reclamou.

-Levantei a camiseta e cês ainda tão duvidando.

-Mostra aí pra gente, Fê!

A Tici me deu uma piscadinha. Fiquei um pouco envergonhada e baixei a camiseta.

-Mostro nada. Chega! – brinquei.

-E as partes baixas, cadê? – a Flá cobrou. – Num acredito não que cê tá com a xereca raspando esse jeans aí.

-Ah, então cês acham que eu falo e não cumpro? – falei bem sínica. – Vou fazer cês enfiarem a língua de vocês nos vossos rabinhos…

Desabotoei a calça jeans e puxei o zíper para baixo. Meus pelinhos pubianos ficaram a mostra, mas os grandes lábios estavam fora de vista. Todos ficaram mudos. Aproveitei pra virar de costas e ainda dar uma dobradinha no jeans, mostrando meu cofrinho.

-E aí, molecada, ninguém vai falar nada, não?

-Quero ver cê puxar o zíper pra cima sem prender o matinho!

A Tici zoou e todo mundo caiu na risada. Eu também. Afastei um pouco mais o jeans com a mão esquerda e puxei o zíper com a direita, fácil, fácil. Eles aplaudiram.

-E nunca aconteceu de tu ficar molhadinha e molhar a calça, não? – a Flá perguntou.

-Lembra aquele dia que eu falei que tomei água no bebedouro e molhou meu shorts na frente?

-Não acredito!

-Pois é, acidentes acontecem!

Todo mundo riu.

-Mas vem cá. – a Tici tinha uma dúvida: – Por que cê resolveu não usar mais?

-Li em algum lugar, não lembro onde, que o sutiã comprime os seios e pode dar uns probleminhas. Daí não usar mais calcinha foi de boa.

-Que pena que cê não parou de usar antes, né? Ia dar pra ter uma comissão de frente de verdade!

A Tici me zoou e o pessoal caiu na risada de novo.

-Falou a senhora tetas grandes! – não perdi a chance.

Todo mundo continuou rindo.

-Pelo menos dá pra apertar, meu amor! – a Tici ficou apalpando aqueles seios avantajados dela.

-E aqui dá pra por tudo na boquinha sem engasgar, minha querida! – retruquei, cutucando os mamilos por cima da camiseta.

Nessa altura a Flá, o Gui e o Júlio já gritavam: “Porrada! Porrada!”

-Quer sair na mão? – a Tici me provocou.

-A gente ainda tem que terminar o trabalho, né, galera? – tentei me desvencilhar.

-Ih, ela tá arregando! – a Tici me zoou.

Os outros começaram a vaiar. Resolvi me arriscar:

-Não quero dar porrada na tua cara pra você sair daqui toda roxa. – falei pra Tici. Ela retrucou:

-Quem disse que é na cara? É aqui, ó! – ela deu palmadas nos próprios seios. – Cada uma bate uma vez. Quem não aguentar mais, perde.

Topei na hora. Imaginei que, por ter seios menores, ia doer menos. E ela, como tinha dois mamões, sentiria mais.

-Tá, mas cês não vão se bater de camiseta, né?

O Gui falou e os outros concordaram que não teria graça. Me senti envergonhada. Mas quando a Tici tirou a camiseta e depois o sutiã, deixando os peitões de fora, eu não podia voltar atrás. Tirei a minha camiseta e deixei minhas “cerejinhas” a mostra (esse é o apelido que eu mesma me dei por causa do tamanho e da cor dos meus mamilos). Ficou tudo quieto até que a Flá se colocou de juíza:

-Seguinte, meninas: só tapas e só nos peitos. Se tentar outra coisa, tipo soco, chute, e bater em qualquer outra parte do corpo da adversária, perde. Acho que é isso. – ela olhou pros garotos, que concordaram. – É isso. Quem não aguentar mais, desiste, tá? – falamos que sim. – Tira par ou ímpar pra ver quem começa.

A Tici ganhou. Fiquei com medo da batida e comecei a me encolher. O pessoal reclamou, a Flá colocou meus braços pra trás e ficou atrás de mim, me segurando pra ficar reta. A Tici bateu com tudo no meu seio direito. Plaft! Um baita barulho. Doeu demais. Coloquei minhas mãos sobre o seio, massageando pra ver se a dor aliviava. Nada.

-Agora é tua vez. Não vai poder ficar esperando, Fê. – disse a Flá.

Bati no seio esquerdo da Tici com raiva, mas foi com força suficiente. Ela deu risada. Quando bateu de novo em mim, foi outra vez no meu seio direito. Seria a estratégia dela pra acabar logo com a “luta” e ganhar. Enquanto eu ficava com uma dor infernal, eu não conseguia nem fazer cosquinha nos mamões da Tici. Só quando eu peguei as manhas de bater no mamilo dela é que eu provoquei um pouco de dor nela, mas era muito pouco perto do inchaço e do avermelhado que meu seio direito tinha ficado. A dor, então, parecia que tinham arrancado ele de mim.

Ainda tentei resistir o quando pude, mas o “gran finale” da Tici foi usar da minha estratégia pra me deixar no chão de vez. Deu uma palmada certeira no bico do seio direito, me fazendo, literalmente, ver estrelas. Caí de joelhos e me deitei no chão. Eu não conseguia nem tocar no meu seio.

-Cê tá bem, Fê? Vou pegar gelo pra por aí. – a Flá falou.

Os meninos ficaram em volta, só olhando. A Tici se agachou e segurou minha mão, ainda de topless. Em solidariedade.

-Desculpa, Fê, mas você não quis parar antes…

-Relaxa, Tici. Eu quis fazer isso, também… Parabéns!

Ela riu. A Flá trouxe um paninho com gelo e foi pondo aos poucos, até eu conseguir aguentar ficar com ele encostada por mais tempo no seio. Nisso voltamos a fazer o trabalho. Fiquei sem camiseta, com a outra mão cobrindo meu seio esquerdo.

Quando acabamos, e já íamos embora, tirei o paninho com gelo e todo mundo viu que meu seio direito continuava bem inchado – até o bico tinha dobrado de tamanho –, mas já não tanto quanto no final da “luta”. O pano da camiseta incomodou um pouco, e quem olhasse por mais tempo notaria a diferença entre um lado e outro. Mas fui assim, e quando cheguei em casa coloquei a mão em torno da alça da mochila pra minha mãe não reparar. Durante a noite coloquei mais um pouco de gelo, e de manhã já tava bem melhor.

Chegando na escola, os garotos me perguntaram seu eu tinha melhorado. Deram uma boa olhada pro topo da minha camiseta. Acho que ali eles já conseguiam reparar meus mamilos cutucando o pano. As meninas me levaram até o banheiro. Entramos numa das cabines (ninguém ligava, isso era tão normal) e elas me fizeram levantar a camiseta.

-Não falei pra vocês? Já tá melhor.

-Eu fiz isso e me sinto responsável por você. – disse a Tici, tirando uma pomada da mochila. – Isso aqui é muito bom pra fazer desinchar… – e começou a passar pelo meu seio direito.

-Mas, Tici, não precisa…

-É bom, Fê. Cê ainda não tá com um pouco de dor? – fiz que sim com a cabeça. – Então, vai te ajudar nisso, também.

Realmente, eu sentia um frescor que tinha aliviado a dor quase que imediatamente. Baixei a camiseta, saímos de lá e fomos para a aula. Eu estava tão anestesiada que nem dei mais atenção para o meu seio. Na terceira aula, o professor de português me chamou para escrever na lousa enquanto ele lia um texto antigo. Era para anotar as palavras que nós desconhecíamos o significado e depois iríamos procurar no dicionário. Ele ficou sentado à mesa, lendo, e eu fiquei de frente para o quadro-negro, só esperando.

Como ele parava para discutir o texto com a classe, eu me virei de frente para todos. Olhei primeiro para a Flá e a Tici, e elas me arregalaram os olhos. Dei um sorrisinho de canto de boca, para não chamar atenção. Achei que elas estavam brincando comigo. Nisso eu percebi que os outros alunos começaram a me olhar de um jeito estranho. Uns se cutucavam, outros se entreolhavam sussurrando alguma coisa. Até o professor, tomando conhecimento desse súbito auê, achou que eu estava fazendo alguma coisa para desconcentrar a aula:

-A senhorita quer falar alguma coisa, dona Fernanda?

-Não, professor. Só tô esperando o senhor mandar anotar.

Até ele me olhou estranho, olhou mais abaixo e depois voltou a me encarar. Só aí entendi que era alguma coisa na minha camiseta do colégio, e quando olhei me senti a mais puta das putas do mundo: aquela pomada que a Tici tinha passado em mim era tão gordurosa que fez o pano melar todinho na região do seio e deixou não só o contorno dele delineado, como o mamilo totalmente visível. Até o avermelhadinho das minhas cerejinhas era possível de se distinguir. Coloquei a mão por cima na mesma hora, sentindo uma baita vergonha.

-Vamos, já pra diretoria!

O professor levantou e eu fui em direção a porta rapidinho. Não que eu quisesse me ferrar, mas eu só queria sair da sala o mais rápido possível. Andamos lado a lado até a diretoria, sem ninguém dizer uma palavra. Pelo menos não tinha ninguém pelos corredores, já que estava todo mundo em aula. A secretária da diretora não entendeu porque eu ficava segurando o meu seio, mas logo que a diretora deu autorização, entramos na sala dela.

-Quê que tá acontecendo?

-Deixa ela ver, Fernanda. – o professor mandou.

Tirei a mão e a dona Lourdes viu o que toda a minha classe tinha visto.

-Isso foi em sala de aula?

-Exatamente. Na frente dos colegas. Depois que eu chamei atenção é que ela “fingiu” estar com vergonha e colocou a mão na frente.

-O que você tem a dizer, Fernanda? Você vem sem sutiã pro colégio?

-Não, foi só hoje. – menti. – É que ontem eu me machuquei e como ainda tava doendo um pouco achei melhor não usar o sutiã pra não me incomodar. Eu não tinha percebido, professor… – olhei para ele, mas o professor ficou olhando para a diretora.

-Isso é pomada?

-É.

-E você não percebeu quando saiu de casa?

-Passei aqui, no banheiro, antes da aula.

-Se eu ligar pra sua mãe, ela vai me confirmar essa história?

-Vai sim! – o que eu podia dizer?

-Você tem outra camiseta aí?

-Não.

-Vê com a minha secretária, ela pode ver se tem alguma sobrando por aí e você usa. Amanhã devolve. Não vai perder aula por isso.

-Eu acho que prefiro ir embora, diretora. – eu não tava com vontade de encarar ninguém depois disso.

-Não, não, não. Você vai usar outra camiseta e ter suas aulas. Vou anotar na sua ficha o incidente. Se voltar a ocorrer, qualquer coisa, é um dia de suspensão. Você entendeu?

Fiz que sim com a cabeça.

-Obrigado, professor. Pode voltar pra sua aula. – a diretora falou e o professor saiu. – Você fala com a minha secretária e volta direto pra sua aula.

-Obrigado, diretora.

Saí da sala, colocando a mão na frente do seio direito. A secretária me olhava séria.

-A diretora pediu pra senhora me emprestar uma camiseta que teja sobrando.

Ela não se mexeu e continuou me encarando. Me senti uma idiota.

-Vocês gostam de aparecer, né? Depois quando dá merda se fazem de bobas.

-Foi sem querer.

-Vocês sempre falam isso, mas não me engana, não.

Senti vontade de chorar, de sair correndo e ir embora para casa. Mas se eu fizesse isso seria pior. E minhas coisas ainda estavam em classe. Ela se levantou, foi andando e não falou nada. Fui junto. Chegamos no almoxarifado, fiquei esperando na porta. Ela ficou remexendo umas caixas e voltou com uma camisetinha regata uns dois números menores do que o meu tamanho e toda puída.

-Não tem outra? – perguntei, que nem uma besta.

-Pra você que gosta de aparecer, você vai adorar! – me virei para ir no banheiro me trocar. Ela gritou: – Amanhã devolve ela na minha mão.

No banheiro, nem entrei numa cabine. Tirei a camiseta, passei o papel toalha no seio pra tirar a gordura da pomada, e depois coloquei a regata. Ela era mais justa, cavada, deixava meus mamilos mais em evidência, mas ao menos não era transparente. Olhei no relógio e ainda faltavam quinze minutos para a aula do professor de português acabar. Eu não queria voltar com ele na sala. Mas se eu não voltasse era capaz dele falar com a diretora e eu me ferrar, dessa vez.

Voltei com a outra blusa dobrada na mão, o símbolo máximo da vergonha que eu tinha passado e ainda estava passando. Na porta ele me autorizou a entrar. Todo mundo me olhava. Me sentia como se estivesse nua diante de todos, sério. Ele mandou a outra menina que estava no quadro se sentar e me chamou de volta. Deixei minha camiseta na mesa e fui para a frente da sala. Nem sabia como estavam as caras da Flá, da Tici, do Gui e do Júlio. Eu não tinha tido coragem de olhar.

Fiquei ali, morrendo de vergonha e, principalmente, morrendo de medo daquela regatinha me trair e deixar mais uma vez um dos meus seios a mostra. Mas felizmente consegui ficar numa boa até o final da aula. Quando o sinal tocou, o professor me mandou apagar a lousa. Fiquei com raiva, mas fiz. Com a mão esquerda segurei o pano na frente dos seios, para evitar que ela se deslocasse. Percebi que a maior parte da turma não tinha saído da sala, mas fiz de conta que não tinha reparado. No final, para mostrar que era uma pessoa justa, o professor me agradeceu.

No que eu voltei para a minha carteira, para arrumar a blusa lambuzada de pomada na mochila, meus amigos vieram junto.

-Pô, Fê, desculpa. Eu não sabia que isso ia acontecer… – a Tici falou.

-Cê não sabia? Não sabia, mesmo? – falei brava. – Ah, Tici, não sei se acredito em você, não…

-Ela só tava te ajudando, Fê. – a Flá tentou remendar.

-Ajudando a me deixar na maior saia justa na frente de todo mundo e me mandar pra diretoria?

-Sério? – perguntou a Tici.

-Não, brincadeira! A mulher anotou essa merda no meu histórico e ainda tô usando essa regata ridícula e vou ter que encarar mais três aulas desse jeito, senão essa história ainda chega nos meus pais.

Saí da sala bufando, não querendo ver ninguém na minha frente. Tentei ficar o mais isolada possível no intervalo, mas volta e meia via algum grupinho me olhando e rindo, ou apontando para mim. Resolvi ir no banheiro, para dar um tempo. Minha ideia era ficar dentro de uma das cabines até bater o sinal.

Chegando lá, algumas meninas de outras salas ficaram me olhando enviesado. As conversas pararam na hora. Entrei na cabine dos fundos, tranquei e abaixei o shorts, para fingir que tava fazendo alguma coisa, para o caso de alguma curiosa olhar por baixo da porta. Percebi que recomeçaram a falar, mas sussurrando. Fiquei mandando elas a merda mentalmente.

Nisso, me vendo nua da cintura para baixo, me deu vontade de me masturbar. Ao menos eu podia aliviar um pouco a tensão dos últimos minutos. Escorreguei um pouco o corpo sobre a tampa do vaso sanitário, lambi os dedos indicador e anular da mão direita e comecei, devagar.

Nem bem comecei a ficar excitada, senti mãos pegando meus tornozelos e me puxando para fora da cabine. Caí com tudo de bunda no chão e elas me puxaram mais. Tentei desesperadamente me agarrar na porta e comecei a gritar. Foi quando uma delas falou:

-Se quiser gritar, grita, mas todo mundo vai vir aqui ver o que tá acontecendo.

Não sei quem era, só sei que fiquei repetindo baixinho enquanto elas puxavam meus shorts fora e eu lutava para mantê-lo:

-Não, por favor, não faz isso… o shorts não…

Não demorou muito para elas conseguirem tirar meu shorts. Enquanto eu tentava fazer força para voltar, elas mantinham as mãos me segurando pelos tornozelos, e alguém até sentou sobre as minhas pernas. De repente elas deram risadinhas e começaram a apertar alguma coisa contra meus pelos púbicos, e por toda a minha vagina. Não dava para saber o que era, e por isso eu estava muito assustada.

-Que vocês tão fazendo? Para com isso… me larga!

Nisso senti que soltaram as mãos dos meus tornozelos e, por fim, a que estava sentada sobre as minhas pernas levantou, jogou meu shorts por cima da cabine, e eu só ouvi os ruídos do pátio ficarem mais alto porque tinham aberto a porta. Depois diminuiu, quando fecharam a porta.

Puxei meu corpo para dentro da cabine com alguma dificuldade, por causa do vaso sanitário. Quando consegui ver o que tinha acontecido, vi que as filhas da puta tinham enchido a minha vagina de chicletes – até dentro dos grandes lábios! Mas esses não tinham grudado tanto, por causa da lubrificação de quando eu tinha iniciado a masturbação. Mas nos pelinhos, puta que pariu! Que baita sacanagem. Aqueles troços melequentos tinham grudado legal, e puxar só ia me causar muita dor e acabar de vez com a minha depilação.

Tocou o sinal e eu precisava voltar para a classe. Resolvi que ia deixar os chicletes daquele jeito, e em casa eu usava uma tesoura para cortar os pelinhos e tirar aquela meleca toda. Coloquei o shorts, ajeitei a blusa, passei uma água no rosto, me enxuguei e fui para a sala. Ao menos lá ninguém sabia o que tinha acontecido. Ainda estava cheio de alunos pelos corredores, e quando eu estou chegando perto da minha sala, vejo aquelas meninas da outra classe falando com outras meninas da minha turma. Todas olham para mim e riem. Fiquei puta, com o sangue fervendo, mas sorri também e fingi que tinha conseguido arrancar os chicletes numa boa.

Passaram-se mais duas aulas, a fofoca foi correndo pela classe, tiveram umas olhadinhas, risinhos e cochichos – percebi que todo mundo já sabia da novidade, até meus amigos, mas eu estava brava com eles e não dei chance de virem falar comigo –, e teve tanta coisa acontecendo que só quando tocou o sinal e o pessoal foi levantando é que eu me toquei que a última aula seria de Educação Física! Com aquela camisetinha regata, sem sutiã e com chiclete na vagina, a única coisa que eu queria era ter aula de Educação Física. Mas se eu matasse aula, era muito provável que a diretora soubesse, pegasse no meu pé e a história do meu seio em sala de aula chegasse nos ouvidos da minha mãe. Daí para chegar no meu pai e a coisa feder de vez, era um pulo.

A professora já estava esperando a gente no pátio de fora e falou que, depois do aquecimento, os garotos jogariam futebol e as meninas handebol. Ela nos mandou dar dez voltas em torno do pátio, para começar.

Durante todo o trajeto, todo mundo me deixou para trás para poder se virar e olhar para mim. O motivo era óbvio. No começo, eu ainda tentei segurar a regatinha para não deixar meus seios a mostra. Tudo bem que eles são pequenos e não pulavam, mas o pano deslizava muito a cada movimento. Por isso, também, fui ficando para trás. Ou eu bem colocava as mãos sobre os seios e perdia a velocidade, ou deixava a regata solta e acompanhava o grupo. Optei pela segunda.

Para quem já tinha ficado com um seio exposto em sala de aula, ficar com os dois, em movimento, que não dava para ver em detalhes, não era lá grande coisa. A professora nem percebeu o que estava acontecendo. Geralmente ela fazia isso, passava a tarefa e ia anotar alguma coisa nas cadernetas dela.

Depois, ela mandou fazer polichinelo. Até que foi menos problemático do que a corrida. Os mamilos só ficavam um pouquinho de fora, e não era o tempo todo, como antes.

Na sequência, tínhamos que formar duplas e ajudar o colega a alongar o corpo todo. Enquanto um se dobrava para frente, o de cima ficava “esparramado” sobre as costas do outro, por uns dez segundos por vez. Fiz dupla com uma garota chamada Vanessa. Ela era legal. Primeiro, eu que dobrei o corpo para frente enquanto ela ficava por cima. Quando olhei para mim, vi a regatinha toda frouxa e meus seios livres para qualquer um ver – e todo mundo viu, óbvio. Mas nem me importei mais.

Em seguida foi a minha vez de ficar por cima, e claro que a regatinha retesou. Com o movimento, meus seios, que já são pequenos, ficaram ainda mais achatados, e as cerejinhas dos meus mamilos ficaram mais em evidência. Nisso, um garoto que estava próximo puxou minha bermuda um pouquinho para baixo, o suficiente para deixar minha vagina emplastada de chiclete a mostra para todo mundo. O pessoal caiu na gargalhada, e eu pedia que nem uma louca para a Vanessa me colocar no chão. Quando consegui colocar os pés no chão, puxei o shorts rapidinho, mas o estrago já estava feito. Sorte que a professora não viu, e quando voltou só mandou pararem com a algazarra e os meninos irem para o outro pátio.

Eu estava morta de vergonha, nem conseguia olhar direito para ninguém. Mas eu só precisava jogar – pelos menos agora eram só as meninas –, esperar o tempo passar e finalmente ir embora para casa. Os grupos foram divididos, oito meninas para cada lado – a Flá e a Tici ficaram no outro –, a professora repassou as regras e disse para a gente jogar enquanto ia falar com os meninos.

Só para me aporrinhar, a Tici ficou na minha cola, como se estivesse fazendo uma marcação “homem-a-homem”. Mesmo quando eu não pegava a bola, ela ficava me cutucando. Puxava minha regatinha, meu shorts, tudo para me fazer perder a concentração. Quando eu ficava com a bola era pior. Ela vinha e apertava meus seios, ou minha bunda, ou pressionava a mão na minha vagina, com o claro objetivo de fazer o chiclete grudar mais. Fui deixando. Achei que era só para me zoar.

Mas em um lance que eu estava me preparando para finalizar para o gol, ela puxou a regatinha tão forte por trás que eu dei um giro, deixei a bola cair e fiquei com os dois seios de fora. O sangue ferveu. Fui para cima dela assim mesmo, sem me importar com nada.

-Que que é, sua cretina, cê tá querendo apanhar, otária?

-E quem vai me bater, a peitchola murcha?

Nossa, quando ela falou isso eu peguei ela pelos cabelos. Ela também me agarrou assim, mas fazia força para me fazer ficar de joelhos. Fui caindo, mas puxando ela junto. As meninas gritavam, eufóricas. Quando ela me deu uns chutes na vagina, tirei as mãos dos cabelos dela e tentei me defender. Ela aproveitou para ir para trás de mim e começou a puxar a regatinha para cima. Tentei agarrar os cabelos dela de novo, mas nisso ela conseguiu cobrir o pano da camiseta na minha cabeça.

Enquanto eu tentava puxar o pano, que estava me dificultando a respiração, ela continuou agarrando minha regatinha e foi me arrastando de bunda no chão. O shorts foi descendo até ficar enroscado nos meus tornozelos, e minha bunda foi ralando pelo chão de cimento do pátio. Mesmo sentindo muita dor, eu estava tão sufocada pela camiseta no meu rosto que desisti de lutar. Acho que isso assustou a Tici, porque na mesma hora ela me soltou. Ficou tudo em silêncio, só a professora veio falando:

-Que que tá acontecendo aqui?

Finalmente tirei o pano do rosto e pude respirar. Nem me importava de estar com tudo de fora no meio do pátio. Eu estava meio grogue, precisava de ar. Vi a professora e os garotos chegando atrás dela.

-Que que é isso, Fernanda? – como eu fiquei calada, ela olhou para a Tici, que só então percebi que ainda estava ao meu lado: – Você pode me explicar o que tá acontecendo, Ticiana?

Como a Tici também não conseguiu responder, ajeitei a regatinha, puxei o shorts para cobrir minha vagina, mas me levantei e mostrei minha bunda ralada para a professora, sentindo muita raiva:

-Olha o que essa nojenta fez comigo, professora.

A professora arregalou os olhos, olhando para a minha bunda, e depois me encarou:

-Você não tem vergonha de se mostrar na frente dos seus colegas?

-Mas ela que fez isso comigo, professora. – apontei para a Tici, que estava muda.

-Quem fez e quem não fez, eu não sei. Mas as duas agora para a diretoria. E você, trata de pôr esse shorts direito!

Gelei. Pela segunda vez, na mesma manhã, eu estava indo para a diretoria. Eu sabia que, no mínimo, vinha uma suspensão. Mas claro que teria mais: minha mãe, com certeza, seria chamada e saberia tudo sobre a filha despudorada dela, que se mostrava para a escola inteira. Depois, vinha o pior: meu pai. E o pior ainda: voltar para o colégio, depois de um dia de suspensão, com todo mundo sabendo exatamente quem e como você é, e querendo tirar uma casquinha da sua “fama”.

Quando eu cheguei na mesa da secretária da diretora junto com a Tici e a professora de Educação Física, a mulher me deu um sorrisinho sacana, daqueles que diz: “Não falei que ela gostava de aparecer”.

CONTINUA?