Meu titio e eu – Capítulo 3

Essa é a história de uma menina de 9 anos que foi morar com o seu tio.
Este é o terceiro capítulo.
Para ler os anteriores e compreender a história, clique no link:
Meu titio e eu – Capítulo 1
Meu titio e eu – Capítulo 2

Capítulo 3 – Novo Lar

A viagem durou a noite toda e uma parte da manhã.
Chegamos na casa do meu tio quase na hora do almoço. Estava experimentando toda sorte de pensamentos e sentimentos ao mesmo tempo: tristeza, saudade, alegria, esperança, insegurança… Mas de imediato, tive uma grande decepção. Só tinha um quarto na casa, e era do meu tio. Ele disse que eu teria que dormir na sala. Quando eu era menorzinha, e viajava pra cá, eu dormia no quarto com ele. Meu tio colocava um colchão ao lado de sua cama. Mas quando fiz sete anos, ele me colocava pra dormir na sala. Não me importava, afinal essas viagens eram muito legais pra mim, tudo era festa. Mas agora era diferente, esta era minha casa, pelo menos nos próximos três anos, e não tinha um quarto pra mim. Nunca tive um quarto só pra mim, sempre dormia com minha mãe, mas pelo menos era em um quarto e não na sala. Imaginei eu dormindo na sala, e meu tio assistindo futebol com os amigos me vendo só de calcinha. Ainda bem que a calcinha furada tinha ficado pra trás, imaginei, sorrindo. Minha mãe nunca foi muito de me paparicar, comprando pijamas e outras frescuras. Ela não tinha tempo e nem dinheiro pra isso. Desde pequena eu dormia de calcinha. E quando estava frio, deitava com a roupa que estava no corpo mesmo. E noites frias, não era muito comum em Recife.
— No começo vai ser um pouco difícil Michele, mas depois que sua mãe começar a mandar o dinheiro, podemos comprar uma cama e um lugar pra você guardar suas coisas. E dependendo do valor que ela receber, quem sabe até alugar uma casa com dois quartos!
Fiquei animada com essas possibilidade. A cada dia ficava mais ansiosa pro dinheiro chegar.
— Tio, podemos ir na praia hoje?
— Bem, vamos almoçar e dormir um pouco. Não consegui dormir bem no ônibus. Aí eu te levo depois.
Almoçamos miojo e realmente me deu muito sono depois. Também não consegui dormir direito na viagem.
Meu tio trouxe meu colchão e pôs na sala. Forrou com lençol e me deu um travesseiro.
— Infelizmente é tudo que posso te oferecer agora, mas pode ficar a vontade querida.
Após perguntar se eu precisava mais de alguma coisa, saiu.
Eu deitei. Estava muito calor. Pensei em tirar a roupa, mas pela primeira vez fiquei com vergonha de ficar de calcinha perto do meu tio. Tentei dormir, mas realmente estava muito quente. Estava acostumado com o clima de São Paulo. Tirei a camisa, mas deixei o short.
Duas horas depois, acordei com meu tio me chamando.
— Se quiser ir na praia, temos que sair agora. Ou prefere deixar pra amanhã?
Pulei da cama, ou melhor, do colchão_ Querida, tire suas coisas da mochila e coloque no sofá, até pensarmos onde vamos guardar. Vou trazer uma toalha e seu maiô.
Meu tio tinha comprado, há dois anos atrás, um kit praia pra mim, com maiô, toalha e um baldinho de brincar na areia, tudo com o tema da pequena sereia. Na época, eu tinha sete anos e adorava esse desenho. Meu tio tinha me dado o DVD e eu assistia umas cinco vezes por dia.
Tirei tudo da mochila e meu tio chegou com o kit praia pequena sereia. Me deu uma sensação muito boa de nostalgia.
— Experimenta o maiô pra ver se ainda serve, você cresceu um pouquinho desde a última vez – disse ele, sorrindo.
— Sim tio! – Disse, esperando ele sair, para eu me trocar.
Mas ele ficou imóvel. Adultos não percebem que crianças precisam de privacidade. Não era mais aquela menininha que ele dava banho até uns dois anos atrás. Mas fiquei sem graça de pedir para ele sair. Então virei de costas, tirei o short. Me deu um pouco de vergonha de ficar só de calcinha em sua frente. Ele já estava acostumado, mas eu estava maiorzinha, apesar de meu corpo ainda infantil. Abaixei a calcinha, mesmo de costas a vergonha foi bem grande. E coloquei o maiô. Subi até quase os ombros, mas não servia mais.
— Deixa eu ver, querida. – Disse meu tio percebendo minha dificuldade de vestir.
Me virei pra ele, segurando o maiô na altura do ombro. Ele pediu para eu soltar e tentou passar meu braço dentro do maiô, mas não deu.
— É querida, realmente não serve mais! – Disse, enquanto de repente puxava o maiô para baixo.
Eu por instinto, e bem envergonhada, segurei enquanto a roupa já estava na minha cintura.
— Não serve, querida. – Disse forçando o maiô para baixo.
Eu sem saber o que fazer, acabei soltando, enquanto ficava completamente nua em sua frente. Morrendo de vergonha, coloquei as mãos cobrindo minhas partes. Ele nem se tocou. Ele estava acostumado a me ver assim, para mim era constrangedor, mas para ele era normal.
— O jeito é você nadar de calcinha mesmo! – Disse, pegando a calcinha e me ajudando a vestir.
— De calcinha tio? Na frente de todo mundo?!
— Não se preocupe, é só até sua mãe receber. Você lembra de como era a praia, muitas crianças nadam de calcinha ou cueca. Umas até ficam sem nada.
— Mas tenho vergonha, já sou grande!
— Você está crescendo mesmo, querida. Mas ainda é criança. Ninguém vai ficar reparando como uma menina fica vestida na praia.
Acabei concordando. Queria muito ir à praia e era a única forma.
Vesti o short novamente e uma blusa. Meu tio colocou a toalha e o baldinho na mochila e fomos.
Pegamos o ônibus e um pouco mais de meia hora depois, chegamos na praia.
— Ainda temos mais de duas horas de sol. Aproveite querida.
Tirei a camisa e dei pro meu tio segurar. Olhei em volta e não vi muitas crianças nadando com roupas íntimas, mas minha empolgação era grande, e tive coragem de tirar o short também. E fui correndo pro mar. Meu tio procurou um local pra deixar nossas coisas, tirou a camisa e entrou também. Ele nadou com a bermuda que veio, uma bermuda dessas de surfistas.
Nadei até enjoar. Depois brinquei na areia. Rolei, fiz castelinhos. Escrevi meu nome.
O sol estava começando a se por, e meu tio me chamou para irmos. Levantei da areia igual a um bife6a.milanesa. Tentei sem sucesso tirar a areia do meu corpo.
— Pode deixar querida, vou te levar na ducha, pra podermos pegar o ônibus.
Fomos pra ducha. Mas tinha uma pequena fila. Muitos iam embora no mesmo horário, quando o sol partia.
A fila estava cheia de crianças. E um menino em torno de sete anos tomava banho com auxílio de sua mãe. Ele estava de cueca. Ponto para meu tio. Como ele disse, eu não seria a única. Porém, coitada da criança. Sua cueca era branca, e estava completamente transparente. Mesmo tendo três pessoas na minha frente na fila, podia ver seu pintinho.
Se fosse eu, estaria morrendo de vergonha. Mas acho que ele nem sabia que estava praticamente nu. Aí me toquei, se o mesmo não estava ocorrendo comigo. Também estava com roupa inapropriado. Mas não. Minha calcinha era rosa, e tinha uma estampa na frente de uma princesa. A fila andava. Eu era a próxima. Novamente, outro menino tomava banho. Mas este, apesar de menorzinho, estava mais protegido, usava sunga. Porém, sua mãe abaixou sua sunga ali mesmo, bem na minha frente. Lavou seu pintinho e sua bundinha diante da platéia. O menino não demonstrou constrangimento. Em fim, chegou minha vez. Meu tio ia passando a mão pelo meu corpo tirando a areia com auxílio da água. Eu estava mais a vontade, depois de ficar de calcinha na frente dele de de tantas pessoas, não sentia mais vergonha.
— Pronto querida, agora tire a calcinha.
— Que? Aqui? Na frente de todos?
— Sim, rapidinho, ninguém repara em criança. Sem demora, pra não atrasar a fila.
Olhei pras pessoas e todos olhando pra mim. E meu tio fez o trabalho por mim, sem cerimônia, abaixou minha calcinha até os pés e retirou. Fique paralisada de vergonha e vi vários olhares direto pra minhas partes. Vi até um menino apontando pra mim e rindo.
— Lava a pererequinha e o bum bum pra tirar toda a areia.
Minha vergonha não podia ser maior. Para acabar logo, obedeci. Fui passando o dedinhos com a água até ficar limpinha. Quando acabei, meu tio me secou e me deu o short pra vestir.
— E a calcinha, tio?
— Pode vestir só o shortinho mesmo, se não vai molhar, e não vai ser legal pegar o ônibus com o bum bum molhado.

Meu tio se ajoelhou na minha frente e abriu o short pra eu vestir. Mais uma vez morri de vergonha. Ficar pelada na frente do meu tio, e todas aquelas pessoas me verem vestir o short sem calcinha.
Acabei de me vestir. E fomos embora. Tirando a vergonha, foi tudo maravilho. Ainda ganhei um picolé!

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